A natureza “dá o troco”

O violento terremoto seguido de tsunami que atingiu o Japão em 11 de março de 2011 não se resumiu a devastar a região atingida pelas ondas gigantes. As águas trataram de “levar embora” muitos resíduos. Material que não afundou no mar, mas sim, foi levado pelas correntes marítimas do Oceano Pacífico.

Porém, mesmo sem tsunami, todos os dias muitos resíduos são “levados embora” pelo mar. É o lixo produzido pelo homem, jogado diretamente no oceano ou nas ruas (sendo levado pelas chuvas e acabando no mar). Que assim como os restos do tsunami, é conduzido pelas correntes marinhas e se concentra em “ilhas de lixo”, devido ao efeito de “giro” das correntes marítimas. São conhecidas pelo menos três delas, formadas principalmente por plástico: a Grande Porção de Lixo do Pacífico Norte, a Grande Porção de Lixo do Atlântico Norte, e a Grande Porção de Lixo do Índico. Mas provavelmente haja mais – no Atlântico Sul, que banha o Brasil, por exemplo.

Mas se engana quem pensa que o lixo se concentra nas “ilhas” e fica por lá. Diversos fatores, como tempestades, podem fazê-lo se deslocar e atingir lugares muito distantes. Os resíduos do tsunami de 2011 no Japão, por exemplo, já estão chegando à costa ocidental da América do Norte – e não é apenas plástico e restos de construções.

Desta forma, tanto os animais que habitam tais regiões oceânicas como os que vivem distante das “ilhas de lixo” sofrem as consequências. Alguns sofrem deformações devido ao plástico ingerido, outros acabam morrendo. E se considerarmos que existe algo chamado “cadeia alimentar”, chegamos à conclusão de que este lixo aparentemente “perdido” no meio do mar também acaba no estômago humano.

As curtas “férias” do blog

Já houve “não-férias” da mesma duração – principalmente em épocas de correria. Desde sua criação, em 14 de maio de 2007, o blog jamais teve “férias” propriamente ditas, pois o Carnaval de 2009 fez com que parasse tanto tempo quanto no fim de maio de 2008, quando eu tinha de terminar um artigo para a faculdade.

A parada se deveu a uma curta viagem para a praia de Araçá, um pouco depois de Capão da Canoa (mas pertencente ao mesmo município), onde não tive acesso à internet (e não seriam três dias sem computador que me entediariam). Como é típico do litoral gaúcho, teve vento, areia e água gelada. Além de chuva, trânsito caótico (afinal, boa parte de Porto Alegre se muda…), cerveja e carteado. Somei também o War à lista.

E nada de Carnaval: a única folia que me atrai é a de Pernambuco – por curiosidade, pois nunca fui mas acredito que deva ser divertido. Por mais que falem maravilhas do Carnaval da Bahia, eu jamais gastaria meu dinheiro para ir ver trios elétricos e cantoras de cabelos diferentes mas de vozes iguais. E não tenho saco para passar uma noite assistindo desfile de escolas de samba: o que eu gosto mais é de acompanhar a apuração.

Mas o que mais me chamou a atenção no feriado foi a especulação imobiliária, que está a todo vapor no Litoral Norte. Já há diversos condomínios fechados prontos, e mais uma porrada em construção.

O que muitos vêem como “progresso do Litoral Norte”, me passa a impressão de um retorno no tempo; para ser mais preciso, à Idade Média. Diversas cidades cercadas por muralhas (com direito à cerca eletrificada no alto, na versão do século XXI), que servem para dar a famosa “sensação de segurança”. Mas que claramente servem para manter do lado de fora, “invisíveis”, não apenas os “bandidos”: no retorno para casa, vi de um lado da Estrada do Mar uma muralha, e do outro, uma favela. Cujos moradores provavelmente serão expulsos com a valorização da região.

As próximas “férias” do blog talvez durem apenas um fim-de-semana (menores que muitas “não-férias”). Quero ir ao litoral no inverno, não só pela curiosidade de ver a praia vazia no frio, mas também para ter uma idéia melhor de como é a vida real na região – o verão engana.