Santiago resume a campanha eleitoral

Pelo menos, dos principais candidatos à prefeitura de Porto Alegre… Conforme já tinha dito, Fortunati não enfrentou uma oposição de verdade, a não ser se falarmos de candidatos pouco votados. Ficou fácil demais para o atual prefeito.

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Porto Alegre me dói

Está terminando a campanha eleitoral de 2012, pelo menos no primeiro turno. Se as pesquisas realmente estiverem certas, o atual prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), será reeleito já no domingo, sem necessidade de segundo turno.

Não recordo de uma eleição para prefeito que tenha me empolgado tão pouco quanto essa. E isso se deve ao simples fato de que nenhum dos candidatos (além do próprio Fortunati) com chances nesta campanha – ou seja, Manuela D’Ávila (PCdoB) e Adão Villaverde (PT) – se comportou realmente como oposição (se bem que de Manuela eu não esperava muito, como falarei logo mais). Quem realmente se opôs, se portou como esquerda, está praticamente fora da disputa: Roberto Robaina (PSOL) e Érico Correa (PSTU). E assim uma administração privatista, à qual o adjetivo “medíocre” chega a ser um elogio, provavelmente dará “um passeio” nas urnas.

Desde que comecei a votar, em 1998, jamais votei nulo. Sempre achei que isso significava desperdiçar o voto. Quando alguém dizia que “são todos ruins”, argumentava lembrando que, nesse caso, é melhor escolher o menos ruim, pois um deles terá de ganhar – então, que não seja o pior.

Porém, a possibilidade de um segundo turno entre Fortunati e Manuela me fazia pensar seriamente em anular o voto. Pois se votar no primeiro significa “assinar embaixo” de tudo o que está aí (mesmo usando a lógica do “menos ruim”), a segunda tem o apoio de Ana Amélia Lemos, senadora do PP que defende os ruralistas e apoiou o golpe no Paraguai. Qualquer uma das opções faria com que a consciência pesasse toda noite na hora de pôr a cabeça no travesseiro.

Charge do Kayser (2008)

Como Fortunati deve vencer no primeiro turno, a tendência é que eu não precise anular um voto pela primeira vez. Ainda assim, chega a me dar vergonha de morar numa cidade que provavelmente reelegerá um governo desses, mesmo que isso se deva à incompetência da oposição. E pensar que antigamente meu sentimento era “ao contrário” e não escondia o orgulho de poder dizer “sou de Porto Alegre”…

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Mas, se a oposição tem sua culpa neste “quadro da dor”, também anda meio difícil não se enojar com o “cidadão médio” de Porto Alegre. Um exemplo é o que se vê nos espaços para comentários em notícias sobre a violenta repressão de ontem à noite no Largo Glênio Peres: um festival de reacionarismo (opiniões na mesma linha daquelas sobre os 20 anos do Massacre do Carandiru). Embora eu ache que tenha sido uma burrice derrubar aquele boneco inflável do mascote da Copa de 2014 (quem se beneficia disso é a direita, não a esquerda), nada justifica tamanha truculência por parte da Brigada Militar, que saiu distribuindo cacetadas – sendo que apenas meia dúzia tinha realmente atacado o boneco – e agrediu gente que tão somente filmava o que acontecia.

Amor à venda

No desespero de demonstrar que existe gente com coragem de apoiar o (des)governo Yeda – não esqueçamos que no Rio Grande do Sul tem gente que votaria no diabo (se ele existisse) contra o PT – o PSDB acabou marcando “gol contra”.

Durante o ato contra o (des)governo – e também contra uma eventual posse do vice Paulo Afonso Feijó, que é o previsto pela Constituição em caso de impeachment – algumas pessoas, no acesso à Assembleia Legislativa do Estado, balançavam bandeiras de plástico do PSDB e exibiam faixas em apoio à Yeda. Porém, o entusiasmo era tanto…

Fez lembrar a campanha eleitoral de 1998, quando não poucos “militantes” do Britto sacudiam as bandeiras apenas porque eram pagos para aquilo. Na urna, digitaram o 13 do Olívio. A militância petista, na época, era feita apenas no amor.

Foi na eleição municipal de 2004, se não me engano, que a coisa começou a mudar – pelo menos aqui em Porto Alegre. Naquela campanha, não bastasse a aliança do PT com o PL – que vinha desde 2002 em nível nacional – ainda tive de digerir o fato de pessoas receberem dinheiro para sacudirem bandeiras do PT pelas ruas da cidade. Algo que eu sempre fazia “de graça”.

A campanha de 2004, a última antes de vir a público o escândalo do mensalão, foi a última na qual saí para a rua com bandeira do PT, em apoio ao Raul Pont. Não estava satisfeito com os rumos tomados pelo partido, mas fiz um esforço para tentar impedir que Porto Alegre caísse nas mãos da velha direita. Não adiantou nada, e o Fogaça ganhou.

Cheguei a usar adesivos do Olívio em 2006, e foi só. Não me senti mais empolgado a sair para a rua com a bandeira. Isso foi tarefa para os “militantes pagos” cumprirem com todo aquele entusiasmo.

Em 2008, nem sequer adesivo usei, na campanha política mais chata da história recente de Porto Alegre. Votei na Maria do Rosário, por falta de opção: no 1º turno para não correr riscos de deixar a Manuela (com o Britto Berfran) passar ao 2º, e depois porque entre Fogaça e Maria do Rosário, eu não tinha dúvidas do que seria melhor (ou menos pior?) para a cidade. Assim como em 2004, não adiantou nada: o Fogaça ganhou de novo.

Pérolas

  1. “Eu vivo em 2008, ando para a frente e não olho para trás.”
  2. “Quando o PMDB governou o Estado (1995-1998) eu ainda não votava.”

Ambas as frases foram ditas pela candidata à prefeitura pelo PCdoB, Manuela D’Ávila. Agora, vou comentar.

  1. Eu também vivo em 2008. Aliás, acho que todos os leitores do Cão Uivador vivem em 2008, pelo menos até 31 de dezembro. Eu ando para a frente, mas não deixo de olhar para trás. É muito fácil falar em “vamos olhar para a frente” para justificar alianças com representantes de políticas que representam o contrário da ideologia de seu partido – se é que ele realmente tem alguma.
  2. Eu fui um dos que ajudaram a tirar o PMDB (diga-se Britto) do governo do Estado, votando em Olívio Dutra em 1998. Naquela ocasião, eu tinha 17 anos, a mesma idade da Manuela (que é dois meses mais velha do que eu). Entendi mal, ou ela abriu mão do direito de votar, com a mesma idade que eu, em 1998? Sem contar que, se isso é argumento para justificar aliança com aquele pessoal, não nos surpreendamos se, no futuro, a Manu se aliar ao PP ou ao DEM. Afinal, durante a maior parte da ditadura militar ela nem era nascida…

Fonte: RS Urgente

Os melhores parlamentares, segundo o “Congresso em Foco”

A página Congresso em Foco, que divulga notícias relacionadas com o parlamento brasileiro, publicou a lista dos melhores parlamentares de acordo com o voto dos jornalistas que trabalham no Congresso. A classificação final será decidida pelo voto do internauta.

Considerando que quatro dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre estão na Câmara de Deputados, não custa nada verificar em que posição cada um deles se encontra:

  • Maria do Rosário (PT) – 5º lugar (38 votos)
  • Luciana Genro (PSOL) – 6º lugar (33 votos)
  • Manuela D’Ávila (PCdoB) – 35º lugar (11 votos)
  • Onyx Lorenzoni (DEM) – 158º lugar (1 voto)

Mudança de voto

Eu ia votar na Vera Guasso, a única candidata à prefeitura de Porto Alegre que não tem o “rabo preso” nessa eleição.

Mas diante do perigo de termos um segundo turno entre Fogaça e Britto Manuela (que tem Berfran Rosado como vice), vou, mais uma vez, digitar “13” na urna eletrônica. Entre Fogaça, Manuela e Rosário, a última é a menos pior das alternativas.

É isso, ou anular o voto no segundo turno… Pois o problema não é a Manuela, e sim, as péssimas companhias que ela escolheu. Se por acaso ela deixa a prefeitura, quem assume é o Berfran.

Não dá para se iludir: votar na Manuela, infelizmente, é igual a votar no Britto. E no Fogaça também: agora no PMDB, ele foi eleito em 2004 e ficou até o ano passado no mesmo PPS de Berfran, que hipocritamente fala em “mudança”.

A reunião dos “comunistas”

Na década de 1960 aconteceu a divisão entre os comunistas brasileiros, entre PCB e PCdoB. No início da década de 1990 o PCB optou por tornar-se PPS – apesar de alguns poucos comunistas convictos optarem por manter o antigo PCB vivo – e agora, enfim, acontece a reunião entre “comunas”, entre PPS e PCdoB.

E o mais incrível de tudo é ver a nova turma de “comunistas”: Britto, Berfran, Busatto… E Manuela.

O vídeo abaixo pesquei no blog do Hélio Paz – e ele, por sua vez, recebeu a dica da Cláudia Cardoso, do Dialógico.

Em quem votar?

Em fato inédito, Porto Alegre terá três mulheres candidatas à Prefeitura em outubro, por partidos ditos de esquerda. Grande coisa!

Além dos absurdos que vimos nas fotos acima, temos a incrível aliança da “musa comunista” Manuela com o “brittista” Berfran Rosado, do PPS.

A foto da Maria do Rosário apertando a mão da Xuxa eu “roubei” daqui. E as imagens das babações de ovo das deputadas-candidatas para a RBS, daqui.