Por que não confiar no Irã?

Após mediação brasileira, o Irã aceitou um acordo sobre seu programa nuclear – repassará urânio pouco enriquecido à Turquia, que em troca cederá aos iranianos urânio enriquecido em 20% para uso médico. As principais potências ocidentais (Estados Unidos, Grã-Bretanha, dentre outras) dizem que o acordo é “vago”, e que é preciso esperar para ver se o presidente Mahmoud Ahmadinejad irá cumpri-lo. Ou seja: acham que ele não é confiável.

Mas, afinal, por que não confiar no Irã? Pois justamente quem diz que Ahmadinejad não é confiável e que “ele burlará o acordo para construir uma bomba atômica”, é dono dos maiores arsenais nucleares, com capacidade para destruir o planeta várias vezes (e acham que têm moral para dizer que o Irã não pode ter bomba atômica).

Além disso, não podemos esquecer do passado: os Estados Unidos invadiram o Iraque em 2003 porque o ditador iraquiano Saddam Hussein teria “armas de destruição em massa” (que lhes foram repassadas pelos próprios Estados Unidos, para que fossem usadas contra o Irã na década de 1980). Sete anos depois, só um cego não percebe o tamanho da farsa montada para justificar a invasão, que tinha por único objetivo obter o controle do petróleo iraquiano.

Convenhamos, não é mais fácil confiar no Irã do que nos Estados Unidos?