Quando o GRÊMIO voltará a ser GRÊMIO?

Aqui é tu mesmo, direto de 2010. Vou ser curto e grosso. Em um momento de angústia tive que te (me) escrever esta carta por descarga de consciência. Quero te falar do Grêmio aqui em 2010. Não vou te aporrinhar com coisas que acontecerão neste meio tempo que nos separa. Acredite, tu não vai querer saber. Só uma dica: comemore MUITO a Copa do Brasil de 2001.

O trecho acima é de uma carta escrita por Cristian Bonatto em 2010 para ele mesmo, 10 anos atrás. Reflete perfeitamente o sentimento de qualquer torcedor gremista neste agosto que, em 2010, faz jus à expressão “mês do desgosto”.

O mais interessante é o fato do “destino” da carta encontrar-se exatamente em 2000, ano em que podemos dizer que se iniciou a decadência que fez do Grêmio o que ele é hoje. Foi quando o nosso Tricolor começou a deixar de ser aquele time lutador, temível.

Naquele ano, o Grêmio assinou um contrato de parceria com a ISL, empresa suíça de marketing esportivo que era uma das principais parceiras da FIFA. O torcedor sonhava com glórias, que o então presidente, José Alberto Guerreiro, prometia que se tornariam “barbadas” com o dinheiro que a ISL investiria no clube para transformá-lo num “Real Madrid brasileiro”. Mas o meu pai, colorado, ironizava e dizia “estar torcendo pelo Guerreiro”. Parecia pressentir que o negócio não ia dar certo.

Contando com o dinheiro da ISL, o Grêmio gastou muito para contratar “medalhões” como Amato, Astrada, Paulo Nunes e Zinho – este último, o único que deu certo. E pagando altíssimos salários, na casa dos 200 mil dólares. Enquanto isso, o nosso verdadeiro craque, Ronaldinho, carregava o time nas costas e não recebia a metade do valor pago mensalmente a “reservas de luxo”.

Mesmo com toda a grana que gastou, o Grêmio não ganhou nenhuma taça em 2000. Foi vice-campeão gaúcho (perdeu para o Caxias na final), eliminado de forma humilhante da Copa do Brasil (4 a 1 para a Portuguesa em pleno Olímpico) e semifinalista da Copa Jean Marie João Havelange (eliminado pelo São Caetano com duas derrotas: 3 a 2 em São Paulo e 3 a 1 no Olímpico).

Do ano de 2001, a maioria dos gremistas lembra da conquista da Copa do Brasil, quando o Grêmio, com um grande time comandado por Tite, deu um banho de bola no Corinthians no Morumbi lotado e venceu por 3 a 1. Mas aquele ano teve dois fatos negativos. O primeiro foi a saída de Ronaldinho: quando ele alcançara projeção internacional em 1999, após a Copa América e a Copa das Confederações, Guerreiro mandara dependurar uma faixa na entrada do Olímpico, anunciando que o Grêmio “não vendia craques”. De fato, não vendeu, deu praticamente de  graça ao Paris Saint-Germain… A torcida, claro, ficou revoltada com a saída de Ronaldinho, depois dele tantas vezes ter jurado amor ao Grêmio, mas sejamos sinceros: o cara fazia o time jogar, e tinha de ver Paulo Nunes e Astrada no banco e ganhando mais que o dobro que ele? Pode ter sido “sacanagem” da parte dele, mas ele também se sentia desvalorizado, e por isso, foi embora.

Outro fato negativo em 2001 foi a falência da ISL. Vários dos “medalhões” do ano anterior já haviam saído, mas também ficou claro ali que a conta de tudo aquilo teria de ser paga pelo Grêmio, já que a parceria fora por água abaixo. Mas o necessário enxugamento das finanças do clube foi postergado, primeiro pelo empenho em conquistar a Copa do Brasil em 2001 (tanto que contratou Marcelinho Paraíba, um dos principais responsáveis pelo título), e depois da conquista, em nome do sonho de ganhar a Libertadores em 2002.

O Grêmio foi até a semifinal, quando foi eliminado pelo Olímpia de forma dramática, nos pênaltis, com uma arbitragem pra lá de polêmica. Após a desclassificação, começou a “operação desmanche”. O corte de gastos não era exclusividade gremista naquela época – de modo geral, o futebol era atingido por uma crise, com clubes europeus reduzindo salários – mas o Tricolor finalmente fazia algo que “era para ontem”. O colunista Hiltor Mombach, do Correio do Povo, profetizava sobre o Grêmio naqueles tempos em que fracassos e crises eram sempre associados ao rival:

Grêmio começará a passar pela mesma crise financeira do Inter. Talvez até pior. (Correio do Povo, 19 de julho de 2002, p. 18)

Mesmo com a saída de vários jogadores, entre eles Zinho (salário mais alto do clube – e que já fora maior, visto que ele renovara com o Grêmio no início de 2002 por um salário menor que o anterior), o Tricolor ainda conseguiu fazer uma boa campanha no Campeonato Brasileiro, ficando em 3º lugar e se classificando para a Libertadores de 2003 – o que fez o clube novamente “ir às compras” para conquistar o sonhado troféu naquele ano tão especial, em que celebraria o centenário.

Ao mesmo tempo, terminava o mandato de Guerreiro, e por aclamação, Flávio Obino foi eleito para comandar o clube no biênio 2003-2004 – houve uma única voz discordante, o ex-presidente Hélio Dourado. Obino já fora presidente de 1969 a 1971, quando o Grêmio encerrou uma longa sequência de conquistas (conquistara todos os títulos estaduais de 1956 a 1968, exceto em 1961 – foi o famoso “doze em treze”) e o rival a iniciou. Desde então, Obino ficara com a fama de “pé-frio”, que apenas se consolidou durante sua segunda passagem na presidência gremista.

Em 2003, após ser eliminado da Libertadores nas quartas-de-final pelo Independiente Medellín, o Grêmio viveu uma das situações mais dramáticas de sua história, brigando para não ser rebaixado justamente no ano de seu centenário. Na passagem dos 100 anos, em 15 de setembro, o time ocupava a lanterna do Campeonato Brasileiro, com vários pontos de desvantagem em relação ao 22º colocado (último que se salvava da degola). Buscando forças sabe-se lá de onde, o Tricolor conseguiu escapar da Série B, garantindo a permanência ao vencer o Corinthians por 3 a 0 no Olímpico, na última rodada – o resultado, aliado à derrota do Inter por 5 a 0 para o São Caetano na véspera (quando o rival precisava de um empate para voltar à Libertadores depois de 11 anos) deixou muitos gremistas eufóricos, com a sensação de que 2003 fora atípico, e que no ano seguinte “as coisas voltariam a ficar em ordem”, com o Grêmio conquistando títulos e o rival penando.

Doce ilusão… O que se viu em 2003 foi glorioso em comparação com 2004. Com um time ridículo, o Grêmio só fazia o torcedor sofrer. Contratou verdadeiras bombas como o goleiro paraguaio Tavarelli (que era titular daquele Olímpia que eliminara o Tricolor da Libertadores em 2002), os zagueiros Capone e Fábio Bilica (que, se eu tivesse o poder, proibiria até mesmo de jogarem botão usando o Grêmio como time), Michel Bastos (é, ele mesmo…), Felipe Melo (é, ELE MESMO!) etc. Em junho, o time deu um vexame impressionante e foi eliminado do Gauchão ao levar 3 a 1 da Ulbra. Caiu o técnico, Adílson Batista, e o vice de futebol, Saul Berdichevsky; e o único que teve coragem de assumir o pepino foi Hélio Dourado – sim, ele que fora o único a não votar em Obino, não hesitou em oferecer sua ajuda para salvar o Grêmio, quando ninguém que apoiara a aclamação do presidente dava sua cara a tapa. Mas não adiantou, e em novembro, o bagunçado Tricolor acabou rebaixado.

Veio 2005 e Paulo Odone na presidência. Em seus quatro anos, vimos o Grêmio sair da Série B e quase ir “sem escalas” ao Japão disputar o título mundial de 2007. Mas faltou time (mesmo que várias contratações tenham sido feitas, na maioria equivocadas) para bater o Boca Juniors de Riquelme (e só) na decisão da Libertadores, quando Odone só falava na “necessidade” que tinha o Grêmio de construir a “arena”. Tivemos a tentativa – frustrada, felizmente – da imposição de Antonio Britto na presidência do Grêmio. As incríveis convicções da diretoria no início de 2008, contratando Vagner Mancini para demiti-lo no sexto jogo da temporada – e ainda invicto! A liderança por várias rodadas no Campeonato Brasileiro sob o comando de Celso Roth, para depois dar de presente o título para o São Paulo.

Em 2009, já com Duda Kroeff de presidente, vimos um time que queria ser campeão da Libertadores, mas que se dava ao luxo de esperar 40 dias por um técnico que prometera “um projeto a longo prazo” mas não hesitou em pegar o chapéu na hora que os árabes ofereceram uma boa grana. E que não conseguia vencer fora de casa.

E agora, vemos um time sem alma, sem vontade – mesmo que seja o melhor grupo de jogadores desde 2001. Sai técnico, sai dirigente, mas isso será garantia de tempos melhores?

Afinal, quando tempo demorará para o Grêmio voltar a ser realmente o Grêmio? Afinal, depois de tantas glórias na década de 1990, os últimos dez anos foram duros demais para nós gremistas.

E tudo começou exatamente naquele ano 2000, o do destinatário da carta de Bonatto – pois se 1998 e 1999 não foram anos vitoriosos, ali o Grêmio ainda não havia embarcado na canoa furada da ISL.

Anúncios

Fora Silas e Meira, JÁ!

Nem amanhã, nem terça, nem depois. É para saírem AGORA!

Basta, acabou! Não entenderam o motivo do Olímpico ter baixíssimo público na última quarta, contra o Vitória? Ora, já fui a jogos com muito mais frio, e que tinha mais gente no estádio: a diferença era que o Grêmio não estava essa caricatura de time, que não consegue acertar uma sequência de passes (aliás, isso explica os próprios gols sofridos contra o Santos na Copa do Brasil: eles erravam muito pouco!), que joga sem a mínima vontade, sem garra, sem marcar direito, sem porra nenhuma. Um time caro, e na zona de rebaixamento. Pode???

Se a direção não quer ainda menos gente no Olímpico na próxima quarta às 21h50min, contra o Vasco, tem duas opções. A primeira, e mais difícil, é espernear e conseguir a antecipação do jogo para as 20h, horário mais “civilizado” para o torcedor. (Mas sei que isso é uma utopia, pois a dona do campeonato não aceitaria. E mesmo que aceitasse, é possível acreditar que nossos dirigentes fariam alguma coisa? Se nada fizeram para defender o maior patrimônio do Grêmio – ou seja, a torcida – ano passado…)

A opção mais simples é: FORA SILAS E MEIRA! E Adílson Batista de treinador, para motivar a torcida: o cara tá dando sopa há DOIS MESES!

Melancólico final de ano

O ano de 2009 foi o pior para o Grêmio desde o fatídico 2004. Pois de 2005 a 2008 sempre se terminou o ano tendo algo a comemorar (tudo bem, muito pouco em comparação à vitoriosa década de 1990, mas de bom tamanho para os anos 2000):

  • 2005: o retorno à Série A, que era obrigação, mas foi obtido de uma maneira inesquecível na “Batalha dos Aflitos”, há exatos quatro anos;
  • 2006: conquista do ruralito após cinco anos (impedindo o penta colorado) e 3º lugar no Campeonato Brasileiro, que teve como consequência a vaga na Libertadores de 2007;
  • 2007: bi do ruralito e vice-campeão da Libertadores, apenas dois anos depois de uma das maiores humilhações que já vivi como gremista (a derrota por 4 a 0 para a Anapolina, pela Série B);
  • 2008: vice-campeonato brasileiro, que resultou em classificação para a Libertadores de 2009 (tá certo que o Grêmio tinha o título praticamente nas mãos, mas para um time que começou o campeonato cotado para a briga contra o rebaixamento, foi bastante).

Já em 2009, não há nada a comemorar. A diferença em relação a 2004 é que naquela ocasião o final do ano foi trágico (embora nada surpreendente, dado o que já acontecera em 2003), desta vez é melancólico, apático. Estamos na Copa Sul-Americana de 2010, o que é muito pouco.

E o pior de tudo é que a direção está a fim de fazer um monte de cagadas na preparação para o próximo ano, assim como fez em 2009. Se no ano que se acaba vimos o Grêmio esperar 40 dias por um técnico em meio à Libertadores (e, pasmem, com o objetivo de vencê-la!), agora parece que os dirigentes querem repetir a dose.

Porra, Nelsinho Batista? Até o cimento do Olímpico sabe que não dará certo!

Se vier, Nelsinho Batista será para o Grêmio o que Joel Santana foi para o Inter em 2004 – quando até o cimento do Beira-Rio também sabia que não daria certo. A propósito, seria uma motivação a mais para o nosso rival nos Gre-Nais: se não para os jogadores, para os torcedores, que jamais engoliram (e com toda a razão) a saída de Nelsinho do Inter em 1996, quando o cara se mandou para o Corinthians dizendo que “queria trabalhar num clube grande”.

Se a busca é por um técnico com “a cara do Grêmio”, faço minhas as palavras do Guga Türck:

Querer treinador com a cara do Grêmio não é levar treinador com a cara do Meira

Não seria melhor efetivar Marcelo Rospide no comando do Grêmio? O técnico interino, que comandou o time entre a demissão de Celso Roth e a chegada de Paulo Autuori, e novamente após a saída de Autuori, até agora só perdeu uma das nove partidas em que treinou o Grêmio (2 a 1 para o Atlético-MG, pelo Campeonato Brasileiro).

Se a melhor opção não é Rospide, também não é Nelsinho!

ACORDA, DIREÇÃO! NELSINHO BATISTA, NEM PENSAR!

Já vi esse filme…

E não gostei nada do final.

Mas antes, vejamos o trecho de um outro filme, um grande clássico da história do Cinema. Será que alguém assiste o vídeo abaixo sozinho em casa, de madrugada e com todas as luzes apagadas?

Trata-se de um trecho do filme O Iluminado, versão de Stanley Kubrick (1980). Anos depois foi filmada uma outra versão da história, mais fiel ao livro de Stephen King. Com quatro horas de duração, acaba sendo cansativa, ainda mais que a vi depois de ter assistido ao filme de Kubrick, que é inegavelmente melhor – e extremamente assustador.

Bom, agora o leitor está preparado para o que vem a seguir. Pois o vídeo é apavorante, igual ao nome do novo vice de futebol do Grêmio, à qualidade do time, e também ao caos que se estabeleceu quinta-feira do lado de fora do Olímpico – não vi nada porque já estava lá dentro, mas além de assustador, é revoltante.

O vice de futebol ao qual me refiro é Luiz Onofre Meira, que assumiu com a saída de André Krieger. Meira era o vice no episódio das “ovelhinhas”, no primeiro ano da fatídica gestão de Flávio Obino. Um dirigente que não tinha autoridade: depois do episódio, os jogadores não o respeitavam mais, e tudo ficava por isso mesmo. Logo foi substituído, mas a barca continuou a afundar, até chegar ao fundo.

Só espero que isso não seja uma repetição dos “iluminados” anos de 2003 e 2004…

————

Errata: Luiz Onofre Meira não era vice de futebol do Grêmio em 2003, no episódio das “ovelhinhas”. Quem ocupava o cargo era Luiz Eurico Vallandro – Meira tinha outra função, que não recordo com exatidão agora. Mas pouco depois da “ovinice”, Vallandro saiu, e Saul Berdichevisky assumiu o futebol gremista.