Baixaria não me surpreende nem um pouco

O editorial de ontem do jornal eletrônico Sul 21 tratou sobre a baixaria que tomou conta da campanha eleitoral para a presidência. Logo na primeira frase, uma constatação de que “os mais conceituados analistas políticos” estão precisando de mais contato com a o dia-a-dia da política brasileira.

A campanha eleitoral à Presidência da República, contrariando as previsões iniciais dos mais conceituados analistas políticos, descambou para a baixaria.

Eu não estou nem um pouco surpreso com o baixo nível da campanha. Ainda no final do ano passado, o Milton Ribeiro cantou a pedra: 2010 “seria uma coisa”. Tecendo comentários sobre o texto dele, eu disse que esta campanha que, aparentemente, terminará daqui a duas semanas (ao menos para a presidência) seria a mais suja que o Brasil já havia visto. Aliás, previsão feita também pelo Luiz Carlos Azenha.

Já o editorial de hoje do Sul 21 diz que o Brasil merece mais do que se vê na campanha. Concordo totalmente.

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A crise não acabou

Texto de Tiago Lethbridge publicado no Vi o Mundo, sobre o colapso da economia dos Estados Unidos que está por vir:

Poucos economistas ficam à vontade com o rótulo de Doctor Doom, ou Doutor Apocalipse. O apelido, no entanto, é recorrente — cada crise tem seu arauto do Juízo Final. Mas as crises passam, e ninguém quer ficar eternamente associado ao pessimismo. Mesmo o economista Nouriel Roubini, que se tornou uma celebridade ao prever que a crise imobiliária traria o caos ao sistema financeiro mundial, andou rejeitando a ideia. “Eu não sou o Doutor Apocalipse”, disse ele recentemente. “Sou o Doutor Realista.” Com o investidor suíço Marc Faber, porém, a coisa é diferente. Aos 63 anos, ele é um pessimista convicto e sem reservas. Seu influente relatório é intitulado GloomBoomDoom, e sua página na internet é ilustrada pelas caveiras da série de pinturas A Dança da Morte, de Kaspar Meglinger. Nas últimas décadas, Faber ficou famoso por fazer previsões apocalípticas em meio a períodos de euforia coletiva, acertando na mosca em alguns casos (ele recomendou a venda de ações uma semana antes do crash de 1987, por exemplo). Hoje, não é diferente. Apesar da retomada da economia americana no terceiro trimestre e da impressionante valorização das bolsas do mundo inteiro, Faber prevê um colapso para os próximos anos. Em entrevista a EXAME, ele afirma que a conjugação de juro quase zero com déficits fiscais recordes nos Estados Unidos criará uma bolha maior que a anterior, com efeitos ainda mais nocivos.

Para ler na íntegra, clique aqui.

A Carnavalização da vida

Quarta-feira, postei sobre a “felicidade do Natal”. Algo que para mim é tão falso quanto o tal “espírito”. Afinal, não acredito nem em Papai Noel nem em Deus para comemorar o nascimento de Cristo. Citei um artigo do Luiz Carlos Azenha no Vi o Mundo sobre a “obrigação de se divertir”, que me lembra bastante a “obrigação de se sentir feliz no Natal”.

Eis que, no mesmo local, acho outro ótimo texto do Azenha sobre a chamada “Carnavalização da vida”, em que posta trechos de outro artigo, também excelente, de Umberto Eco, sobre isso. Numa das passagens, Eco diz:

Mas precisamos refletir sobre o fato de que a Carnavalização total não satisfaz o desejo, só aumenta. Prova disso encontramos nas discotecas, onde depois de toda a dança e todos os decibéis os jovens ainda saem para a gincana da morte em alta velocidade nas avenidas.

Leia o texto completo aqui.

Importante em tempos de crise

Em janeiro, postei aqui o vídeo acima, indicado neste excelente artigo do Luiz Carlos Azenha a respeito do clima de alarmismo provocado pela mídia no início do ano devido a uma “epidemia de febre amarela” no Brasil. Que não aconteceu, é claro. Mas apavorou gente, a ponto de serem registradas mortes devido à doses excessivas da vacina contra a doença.

Por isso é importante ficar atento ao atual contexto de crise. Tem gente apavorada, e isso é perigoso. Pois o medo faz com que as pessoas aceitem qualquer medida, por mais autoritária que seja, que supostamente resolva o problema. Uma das conseqüências da crise de 1929, por exemplo, foi a eleição de Hitler na Alemanha.

Sábado, 19 de julho, no Brique da Redenção

A partir da iniciativa do Eduardo Guimarães de convocar um ato público em São Paulo para protestar contra as decisões do STF de liberar “gente graúda” presa pela Polícia Federal, o Hélio Paz lançou a idéia de nos mobilizarmos também aqui em Porto Alegre. A manifestação aqui será no mesmo dia e na mesma hora de São Paulo: 19 de julho, às 10 da manhã.

Abaixo, copio na íntegra o post do Hélio convocando a manifestação para o próximo sábado.

Do EDUARDO GUIMARÃES, presidente do MOVIMENTO DOS SEM-MÍDIA (MSM; reproduzido na íntegra também pelo LUIZ CARLOS AZENHA do VI O MUNDO):

A pressão política é o que o cidadão comum pode fazer para ajudar a que o processo de responsabilização de (Gilmar) Mendes e de investigação das relações da mídia com Daniel Dantas ganhem vigor e celeridade. Neste momento, portanto, o que cabe a todos nós que não nos conformamos com esse estupro das instituições praticado pela mídia, pelo PSDB e pelo banqueiro corrupto e seus asseclas é mostrar quantos neste pais estão revoltados com a soltura precipitada de Dantas e quadrilha.
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SUGESTÕES PARA O ATO PACÍFICO EM PORTO ALEGRE:

1) PRECISAMOS DE UM BOM ADVOGADO VOLUNTÁRIO:

– Ninguém vai às ruas pra apanhar, bater ou xingar: a manifestação precisa ser ORDEIRA (gritos de guerra SEM PALAVRÕES).;

2) SÁBADO DIA 19/07/2008 ÀS 10h DA MANHÃ, NA FEIRA DO BRIQUE DA REDENÇÃO. Concentração no MONUMENTO AO EXPEDICIONÁRIO;

3) NÃO FICAR NO MEIO DA RUA ATRAPALHANDO O TRÂNSITO:

– Este é um dos mais importantes motivos pelos quais a classe média não se alia aos movimentos sociais, pois atrapalhar o fluxo só consegue chamar a atenção de maneira antipática e repulsiva;

4) TODOS OS PARTIDOS, SINDICATOS, CLUBES, ONGs, DCEs ESTÃO CONVOCADOS. PORÉM, O ATO É APARTIDÁRIO E NÃO-INSTITUCIONAL, SEM PATROCÍNIO DE NINGUÉM:

– Um movimento político ordeiro visa atrair adesões e denunciar uma verdade muito grave contra todo e qualquer cidadão brasileiro não é um movimento de uma única categoria ou grupo mas, sim, de todos os brasileiros. Conseqüentemente, mesmo em época de campanha e com o parque repleto de políticos e de barracas de partidos, NÃO FAREMOS CAMPANHA A FAVOR NEM CONTRA NENHUM CANDIDATO. Que ninguém diga depois que nós fomos orquestrados.

5) TODOS SÃO VOLUNTÁRIOS;

6) O movimento NÃO É, EM HIPÓTESE ALGUMA, “fora Yeda”, “ditadura da Brigada”, em solidariedade ao MST, ao câncer, ao soropositivo, ao negro, à mulher ou ao PT: embora sejam causas nobilíssimas, não se chama atenção da sociedade positivamente sem ISENÇÃO PARTIDÁRIA nem FOCO EM UM ÚNICO OBJETIVO;

7) VAMOS IMPRIMIR CENTENAS DE PAPÉIZINHOS COM O ENDEREÇO DE NOSSOS BLOGS E DO PETITION ONLINE PELA EXONERAÇÃO DO “ministro” GILMAR MENDES e pela revelação de quem são os jornalistas patrocinados pelo DANIEL DANTAS;

8) FOTOS E VÍDEOS DE CÂMERAS DIGITAIS, CELULARES E CAMCORDERS de todos os ângulos são muito bem-vindas;

9) Quem for estudante secundarista ou universitário deve divulgar aos quatro ventos este post, a fim de atrair um grande contingente de massa crítica que não lê nossos blogs.

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VAMOS FAZER HISTÓRIA COM O SEGUNDO MOVIMENTO DE RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA DE PORTO ALEGRE (o primeiro foi este aqui)

Para quem tem muita esperança de mudança com Obama

Se eleito presidente, o democrata Barack Obama afirma que a Colômbia terá direito “de atacar terroristas que busquem santuários além de suas fronteiras”. Ou seja: Álvaro Uribe não sofrerá recriminações de Obama caso as tropas colombianas invadam território estrangeiro – seja peruano, equatoriano, venezuelano ou brasileiro – para atacar as FARC.

Leia mais no Blog das Américas.

Bolsa Família

Se eu escrever um post elogiando o Bolsa Família, os direitosos de plantão dirão que sou “petista”. Me desfiliei em 2005, mas continuo a votar no PT por falta de melhor opção.

Mas os direitosos de plantão irão dizer que a revista britânica Economist é “petista”?

Vale a pena ler a tradução feita pelo Luiz Carlos Azenha da matéria publicada pela Economist. Clique aqui.

Terrorismo midiático

Incrível: bastou aparecerem alguns casos de febre amarela, que se instalou um clima de preocupação entre a população, que corre aos postos de saúde para se vacinar sem necessidade. São casos isolados, mas já falam em epidemia.

Como disse o Luiz Carlos Azenha, “causar medo na população dá ibope”. Aqui no Rio Grande do Sul todos lembram do que aconteceu durante o governo Olívio Dutra: a mídia – com destaque para a RBS – criou um clima de pânico nos gaúchos, por causa da “onda de violência”. Quem ganhou a eleição para governador do Estado em 2002 não foi Germano Rigotto, e sim a RBS. O PT deixou o governo, mas a criminalidade piorou muito. E não há “onda de violência” na capa dos jornais.

O medo, além de dar ibope e ajudar a ganhar uma eleição, faz com que a população aceite qualquer coisa que supostamente venha a acabar com a causa de seu temor. Isto se aplica também ao caso da eleição de 2002, quando “votar contra o PT” era aparentemente acabar com a “onda de violência” – e mesmo assim Tarso Genro obteve 47,4% dos votos válidos no 2º turno.

Daí o fato de que alguns crimes mais violentos sejam superexplorados midiaticamente: foi assim com o caso do menino carioca João Hélio, que fez um monte de gente bradar por pena de morte e redução da idade penal, graças ao clima de comoção gerado por tanta falação sobre o caso na televisão. Naquela época, eu sentia vontade de quebrar a TV, de tanto que enchiam o saco – eu não assistia muito (e continuo a não assistir), mas tinha de agüentar a minha mãe, que assistia o Jornal Nacional e repetia o discursinho dos pró-pena de morte.

É exatamente disso que trata o vídeo abaixo (que é sobre o novo livro de Naomi Klein), colocado no YouTube pelo Luiz Carlos Azenha. Uma população permanentemente amedrontada tende a ser mais “obediente” e a aceitar quaisquer medidas, por mais autoritárias que sejam, que supostamente possam solucionar os problemas, mas que acabam por prejudicar a vida da maioria. Vale lembrar que foi com a criação de um clima de medo que se conseguiu o apoio da classe média brasileira para o golpe de 1964 – o “demônio” daquela oportunidade foi o comunismo.

A “homenagem” ao Galvão

Em maio, a torcida do Grêmio “homenageou” Galvão durante o jogo contra o São Paulo, pela Libertadores. Não cantei junto: por estar com um forte resfriado, fiquei em casa aquela noite, e só depois soube da homenagem.

Mas o caso mais recente aconteceu durante Brasil x Equador, no Maracanã. Eu notara que estranhamente a torcida estava em silêncio, apesar da vitória parcial do Brasil. Não estava: os cânticos debochavam da Globo e de Galvão, e por isso o som da torcida fora cortado da transmissão.

Bom, já que a Globo cortou isso, podia ter cortado as vaias ao Lula na abertura do Pan. Mas como aí não interessava a eles…

E como disse o Luiz Carlos Azenha, a Globo saiu no lucro, pois o público limitou-se ao deboche: a torcida podia ter gritado “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”… Aliás, isso é algo que sonho em ver e ouvir no Olímpico.