A natureza “dá o troco”

O violento terremoto seguido de tsunami que atingiu o Japão em 11 de março de 2011 não se resumiu a devastar a região atingida pelas ondas gigantes. As águas trataram de “levar embora” muitos resíduos. Material que não afundou no mar, mas sim, foi levado pelas correntes marítimas do Oceano Pacífico.

Porém, mesmo sem tsunami, todos os dias muitos resíduos são “levados embora” pelo mar. É o lixo produzido pelo homem, jogado diretamente no oceano ou nas ruas (sendo levado pelas chuvas e acabando no mar). Que assim como os restos do tsunami, é conduzido pelas correntes marinhas e se concentra em “ilhas de lixo”, devido ao efeito de “giro” das correntes marítimas. São conhecidas pelo menos três delas, formadas principalmente por plástico: a Grande Porção de Lixo do Pacífico Norte, a Grande Porção de Lixo do Atlântico Norte, e a Grande Porção de Lixo do Índico. Mas provavelmente haja mais – no Atlântico Sul, que banha o Brasil, por exemplo.

Mas se engana quem pensa que o lixo se concentra nas “ilhas” e fica por lá. Diversos fatores, como tempestades, podem fazê-lo se deslocar e atingir lugares muito distantes. Os resíduos do tsunami de 2011 no Japão, por exemplo, já estão chegando à costa ocidental da América do Norte – e não é apenas plástico e restos de construções.

Desta forma, tanto os animais que habitam tais regiões oceânicas como os que vivem distante das “ilhas de lixo” sofrem as consequências. Alguns sofrem deformações devido ao plástico ingerido, outros acabam morrendo. E se considerarmos que existe algo chamado “cadeia alimentar”, chegamos à conclusão de que este lixo aparentemente “perdido” no meio do mar também acaba no estômago humano.

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Brasil, potência mundial

Semana passada, foi anunciado que o PIB do Brasil superou o do Reino Unido, e com isso nosso país se tornou a 6ª economia do mundo. E pelo visto caminhamos a passos largos para ocuparmos o lugar dos Estados Unidos: já exportamos lixo cultural

Há quem diga quem diga que isso é representativo da cultura brasileira. Se pensarmos em “cultura massificada”, leia-se “midiática”, até concordo (e em outros países nem é muito diferente). Mas a verdadeira cultura do Brasil é muito rica e diversificada, resumi-la a uma letra tosca como essa é uma estupidez sem tamanho.

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Não esqueci do outro assunto que a charge do Kayser fala, a matéria da Veja. Lembram de eu ter falado sobre não acreditar que o mundo acaba esse ano?

Já estou repensando isso… Pois me parece mais fácil o mundo acabar do que a velha mídia falar sobre o livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Jr.

É tosco, mas tá na moda

Há pouco mais de um mês, fiz um breve comentário sobre a atual praga moda da classe média motorizada: os “adesivos família”. O sujeito compra os adesivinhos e cola na traseira do automóvel, cada um deles simbolizando um membro da família – tem até cachorro e gato. E está cada vez mais comum ver carros com esses adesivos toscos colados na traseira.

Quando comentei com o meu pai sobre essa tosqueira, ele contou que muitos anos atrás a “moda” era umas mãozinhas abertas, que eram presas na lateral dos carros através de uma espécie de mola, e que com o movimento do carro ela se mexia, “abanando” para os demais motoristas.

Mas, como não falar de idiotices também em outros aspectos, principalmente no vestuário? Lembram dos anos 80, as famosas “ombreiras”? Hoje achamos ridículo, mas naquela época era moda!!!

Na música, também vemos muito lixo virar moda. Principalmente no verão: as músicas mais tocadas nessa época dificilmente chegam à primavera seguinte fazendo o mesmo “sucesso”. Mas a boiada galera, claro, vai atrás, e ouve o que a rádio toca. Afinal, é o que “todo mundo ouve”.

Segue por aí: frequentam o restaurante “ao qual todo mundo vai”; vão sempre para o mesmo lugar (ou seja, alguma praia “da moda”) em todos os verões, “porque todo mundo vai”… Essa última me faz pensar que, se um dia eu convencer esse pessoal que a moda é “ir à merda”, eles certamente irão!

E qual é a lógica dessas modas passageiras? É aquilo do que falei semana passada: a obsolescência programada.

Cigarro polui a cidade

Como é de costume aos sábados, fui almoçar na casa da minha avó. No caminho, meu irmão e eu decidimos contar quantas bitucas de cigarro estavam jogadas nas ruas que percorremos.

O caminho é curto, mas conseguimos perder a conta. Estimamos que o número seja de aproximadamente 250. Isso apenas considerando as calçadas pelas quais passamos, sem o outro lado da rua. E que isso foi hoje, apenas num pedacinho de Porto Alegre, sem contar a cidade inteira, todos os dias. O número já fica inimaginável.

Muitos fumantes jogam as bitucas no chão usando o “argumento” de que não há lixeiras específicas para o lixo que produzem, ou seja, “cinzeiros públicos” (jogar o cigarro recém fumado em uma lixeira com papel pode provocar fogo). É um “argumento” semelhante ao que muita gente que joga lixo na rua usa: “não encontro lixeiras”.

Obviamente se deve cobrar isso das autoridades, mas não serve de desculpa: é só carregar o que se quer jogar fora até uma lixeira. Se for o caso, levar para casa e lá colocar no lixo. O cigarro, basta pisar em cima dele para apagá-lo, e assim ele pode ser largado na lixeira sem risco de causar fogo.

As bitucas de cigarro, como todo o lixo jogado nas ruas, ajudam a entupir bueiros (principal causa dos alagamentos) e levam muitos anos até se decomporem – com todas as porcarias que as integram. É possível reciclá-las, mas acho melhor ainda não fumar.

Eu morro e não vejo tudo…

Pelo visto, esta última semana de campanha eleitoral (e é provável que seja a última mesmo, tanto a nível nacional como estadual aqui no Rio Grande do Sul, pois acho que dá Dilma e Tarso no 1º turno) terá um aumento exponencial da direitosquice digital no Brasil.

No começo da noite de hoje, acessei meus e-mails, e vi entre eles duas “correntes” contra o PT (óbvio, né?). A primeira, trata de uma suposta entrevista do nadador César Cielo, campeão olímpico dos 50 metros livre em 2008, ao jornal O Estado de São Paulo. De acordo com o texto da mensagem, Cielo teria feito muitas reclamações quanto à falta de apoio da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) e do governo brasileiro.

Concordo que falta (e muito!) apoio ao esporte no Brasil (minha amiga Liciana Possani, que entre 2004 e 2008 ganhou quatro títulos brasileiros e um sul-americano na ginástica aeróbica esportiva, que o diga: ela deixou de disputar o campeonato mundial da modalidade por falta de patrocínio, e abandonou temporariamente as competições), mas por favor, não podemos sair repassando qualquer coisa sem verificar a fonte. No caso desta tal entrevista de César Cielo, fiz uma busca e achei uma matéria, de 2 de setembro de 2008, falando que o nadador realmente detonou os dirigentes da CBDA. Só que no texto não há nenhuma menção ao governo! A própria palavra “governo” sequer aparece…

Mas pior ainda foi o outro e-mail. O título: “500 mulheres cearenses! ! ! ! ! INACREDITÁVEL!!!” (é assim mesmo, cheio de exclamações). Na hora fiz uma busca… Nos meus e-mails! Sim: eu já tinha recebido isso, pasmem, da mesma pessoa, no dia 29 de maio! Inclusive, naquele primeiro texto sobre as “correntes” eleitorais, eu já havia citado essa… Fiz a busca pensando que tinha respondido aquela vez (aí mandaria a mesma réplica), mas sei lá por que cargas d’água, não o tinha feito. Então respondi ao meu amigo, e claro, lembrei que ele mesmo já tinha me mandado aquela merda mensagem há quatro meses.

Agora, resta ver o que ainda aparecerá na minha caixa de e-mails nos próximos dias. Certo que receberei muitos “ACORDA BRASIL” e semelhantes…

E a Câmara virou La Bombonera…

O vídeo abaixo é um trecho do discurso do vereador Elias Vidal (PPS), em defesa dos espigões na orla do Guaíba, no último dia 12 de novembro. Para justificar seu voto favorável ao projeto Pontal do Estaleiro, mostrou fotos de lixo no local, esquecendo-se de citar que o proprietário do terreno deveria ser multado por deixá-lo cheio de lixo (para parecer que a única solução para a área é o descalabro), e que em uma manifestação dos contrários houve retirada de lixo do terreno.

Só foi uma pena que “La Bombonera” não impediu a vitória do Inter aprovação do projeto. Agora, a luta é para que o prefeito José Fogaça vete!

Deserto verde

Ontem, 21 de setembro, foi o Dia Internacional de Combate às Monoculturas de Árvores. Aqui no Rio Grande do Sul, o plantio de vastas áreas com eucaliptos é alardeado pela mídia como a salvação da economia do Estado.

O eucalipto é uma árvore nativa da Austrália. Consegue sobreviver com pouca água, devido ao clima seco predominante naquele país. Por isso, em regiões mais úmidas, como o sul do Brasil e a região do Prata, tal árvore cresce muito rapidamente (o que faz da monocultura do eucalipto uma atividade extremamente lucrativa em pouco tempo e com pouca mão-de-obra), devido à água em abundância no solo. Porém, ela cobra um preço: consome toda a água do solo, fazendo nascentes secarem, o que já acontece no Uruguai.

Tudo isso para que tenhamos papel. A indústria papeleira é uma das mais agressivas ao meio ambiente. Não é a toa que a instalação de fábricas de celulose na margem uruguaia do Rio Uruguai, fronteira com a Argentina, provocou fortes reações até mesmo do governo argentino.

Sem contar toda a destruição de matas nativas para o plantio de eucaliptos. Troca-se uma árvore adaptada ao meio por uma que suga toda a água do solo.

O que podemos fazer diante disso? O mínimo, é consumir menos papel. Imprimir textos apenas se necessário. Se possível, usar papel reciclado, apesar dele ser caro – o papel comum, produzido em escala industrial, é muito mais barato.

Veja os vídeos abaixo. Os dois primeiros, são um documentário (em espanhol) do Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais (que lembra: boa parte do papel consumido no mundo é usado como folderes comerciais, ou seja, muito rapidamente vira lixo). E o terceiro, é uma campanha muito bem bolada da organização sul-africana Food & Trees for Africa.

A imundície do Guaíba

Hoje pela manhã, aconteceu um passeio no Cisne Branco, patrocinado pela Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara Municipal de Porto Alegre, para verificação dos problemas ambientais no Guaíba. Além de vereadores, participaram também representantes de associações de moradores e movimentos populares. Junto com o meu pai, fui um dos representantes dos Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho. O barco não fez seu tradicional roteiro turístico, mas sim, passou pelos pontos mais poluídos do Guaíba. E o que vimos é simplesmente estarrecedor.

O local onde é feita a captação da água que chega às casas da maioria da população de Porto Alegre é também onde é despejado o esgoto dos bairros da Zona Norte, que é justamente onde vive a maior parte dos porto-alegrenses. Isto não é motivo para deixar de usar água da torneira para consumo, já que ela é tratada, mas vejam: quanto mais poluída a água, mais dispendioso é o seu tratamento.

Chegamos a navegar um pouco pelo Rio Gravataí, que marca o limite norte do município de Porto Alegre, onde não existe água propriamente dita, e sim um “caldo”, sem vida alguma. Muito fedor e muito lixo: sapatos, garrafas plásticas, caixas… Algo que, sim, sabemos que acontece mas quase não vemos, já que viramos as costas e fazemos de conta que não é problema nosso.

Em outros pontos do Guaíba o cheiro não era tão forte, mas também havia muito lixo, tanto boiando quanto acumulado nas margens. E, incrível: chegamos a ver uma tartaruga nadando naquelas águas, era literalmente a vida desafiando a morte.

Em breve, as fotos do passeio.