Boris Casoy, por Latuff

Isto é uma vergonha!

Em 30 de junho de 2007, escrevi uma breve reflexão, um questionamento, sobre qual seria o profissional mais indispensável: o médico ou o lixeiro?

No fundo, ambos são importantíssimos, mas é fundamental fazer tais questionamentos. E lembrar da importância dos lixeiros e garis, “o mais baixo da escala do trabalho” para Boris Casoy, âncora do Jornal da Band.

Se os lixeiros e garis decidissem não mais recolherem o lixo produzido por Boris Casoy nem varrerem a rua em frente à casa dele… Ele próprio teria de levar o lixo embora e pegar uma vassoura. Talvez aprendesse a respeitar tais profissionais.

E quem sabe também aprendesse a não humilhar quem lhe deseja Feliz Ano Novo só por não ter a sua “fama”.

————

Boris Casoy tem muitos fãs por seu hábito de dar opiniões (em geral, reacionárias) sobre algumas notícias – origem do famoso bordão “Isto é uma vergonha!”. Bom, dessa forma, pelo menos fica mais escancarado o preconceito da classe mérdia, que tem pavor dos pobres por medo que eles “roubem o fruto de muito trabalho duro” (carro, apartamento etc.) – esquecendo que os maiores roubos em nosso país, em geral, foram obra de gente engravatada.

Profissões

Ontem à noite, estava conversando com amigos num bar. Um deles começou a falar sobre as profissões e os mitos que se criam em cima delas.

Se tivéssemos uma greve de médicos por um mês, qual seria a conseqüência? Mortes. Quem realmente precisasse de médico, morreria.

Depois, ele olhou para todos na mesa e disse: imaginem uma greve de lixeiros. Um mês sem recolhimento de lixo.

Qual seria a conseqüência? Mortes. Muitas mortes. Haveria uma proliferação tão grande de ratos nas ruas cheias de lixo, que os médicos trabalhando não seriam suficientes para conter as mortes que as doenças transmitidas pelos ratos causariam. Talvez muitos médicos morressem.

Enfim: qual é o profissional mais importante? O médico ou o lixeiro?