E a Revolução dos Cravos continua a mandar lembranças

Em 15 de fevereiro o primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, foi interrompido por manifestantes no Parlamento que começaram a cantar “Grândola, Vila Morena”. Em 25 de abril de 1974, a canção de Zeca Afonso foi a senha para a deflagração da Revolução dos Cravos. E quase 40 anos depois, é o símbolo da insatisfação com a rigorosa política de austeridade adotada pelo governo, por imposição da troika formada por Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia.

A manifestação do dia 15 de fevereiro foi uma ação do movimento “Que se Lixe a Troika”, que promoveu uma onda de protestos ontem. Segundo o movimento, pelo menos 1,5 milhão de pessoas saíram às ruas (inclusive fora de Portugal). Só em Lisboa, foram 800 mil manifestantes.

Em Loulé, foi lido um manifesto (transcrito aqui), e na sequência, o povo cantou “Grândola, Vila Morena” junto ao Castelo.

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Assim como Portugal e Grécia, a Espanha também sofre com a crise econômica e a rigorosa austeridade imposta pela troika. E os espanhóis se manifestam de forma semelhante a seus vizinhos portugueses, como se viu na Puerta del Sol, em Madri, no dia 16 de fevereiro.

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Saint-Hilaire e o “veranico de maio”

O chamado “veranico de maio” não é fenômeno recente no clima gaúcho. O famoso viajante francês Auguste de Saint-Hilaire, que passou pelo Rio Grande do Sul nos anos de 1820 e 1821, fez anotações a respeito de costumes, vegetação, relevo e clima da então capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul.

Chamou bastante a atenção do cronista a pouca proteção dos habitantes do Rio Grande contra o frio – o que seria “herança portuguesa”, visto que segundo Saint-Hilaire as estufas eram artigos de luxo em Lisboa – e também o chamado “veranico de maio” de 1821, que se seguiu a um abril extremamente chuvoso.

O trecho abaixo corresponde às notas de Saint-Hilaire do dia 4 de maio de 1821, quando ele se encontrava na então Vila de Rio Pardo:

Faço diariamente excursões, mas não encontro quase nenhuma flor; muitas árvores das matas já perderam suas folhas; as que ainda conservam são as de folhas duras, de um verde escuro e brilhante, tais como as mirtáceas. Desde que estou aqui, o tempo se mantém magnífico e asseguram-me que todos os anos, por esta época, há alguns dias de bom tempo. É o que se chama verãozinho de maio, veranico de maio.

Fonte: SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagem ao Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Martins Livreiro Editor, 2002, p. 363.