Descritério, também conhecido como “Conmebol”

Quando foi divulgada a tabela da Libertadores de 2011, o jogo Grêmio x Júnior Barranquilla estava marcado para amanhã, às 22h. Muito tarde para o torcedor voltar para casa depois. Aí, a Conmebol decidiu mudar o dia e o horário: a partida passou para a quinta-feira, 7 de abril, às 20h15min. “Perfeito”, pensei. Afinal, não é cedo demais para quem trabalha até o final da tarde ir ao Olímpico, nem tarde demais para ir embora.

Mas então, sabe-se lá o motivo, houve nova mudança. O jogo foi mantido na quinta, mas o pontapé inicial foi antecipado para às 19h15min. O gremista que trabalha até o fim da tarde terá de se desdobrar para ir ao Olímpico, ainda mais com o caótico trânsito de Porto Alegre, que só piora.

Obviamente não temos como concorrer com a Europa em termos financeiros, mas por que não copiá-los ao menos no quesito “organização”? Pois a Liga dos Campeões não é apenas um torneio milionário, como também muito bem organizado. Não tem essa história de trocar horário de jogo tantas vezes, nem de “clube convidado”, como se viu na Libertadores do ano passado, quando os mexicanos Chivas Guadalajara e San Luis não só participaram por convite, como entraram direto nas oitavas-de-final (se bem que isso também foi fruto do que aconteceu em 2009, quando a Conmebol prejudicou os clubes mexicanos por conta da gripe A, que começou a ser noticiada no México).

Mas, não bastasse a falta de critérios compreensíveis na organização do principal torneio de clubes da Conmebol, ela também atinge a competição de seleções organizada pela entidade, a Copa América. E não é de agora.

Desde 1993, o torneio é disputado por doze seleções: as dez integrantes da Conmebol, mais duas convidadas. Geralmente, fazendo jus ao nome de “Copa América”, os convites eram dirigidos a seleções da Concacaf (ou seja, também da América). Só que na edição de 1999, no Paraguai, a Conmebol decidiu inovar: convidou o México e o Japão. Motivo? Sei lá, vai ver descobriram que o arquipélago japonês era ligado ao continente por um istmo (igual à Sbórnia) e acabou se desgarrando, indo parar lá junto à Ásia… Nada contra a seleção do Japão – que apresentou bom futebol na última Copa do Mundo, se classificando com toda a justiça para as oitavas-de-final – mas sua competição continental é a Copa da Ásia (que, aliás, conquistou em janeiro passado).

Em 2011, novamente o Japão participaria da Copa América. Mas, por conta do catastrófico terremoto que atingiu o país no mês passado, a seleção nipônica desistiu do torneio. Para ocupar a vaga dos japoneses na competição que será disputada em julho na Argentina, imaginei que a Conmebol chamaria alguma seleção da Concacaf. Opções não faltam: Costa Rica (que disputou três das últimas seis Copas do Mundo), Estados Unidos (cujo futebol melhorou muito nos últimos anos), Honduras (que em 2001 ficou em 3º lugar na Copa América, com direito a vitória histórica de 2 a 0 sobre o Brasil nas quartas-de-final) etc. Até poderia haver uma novidade, com Guiana ou Suriname disputando o torneio – apesar de serem países sul-americanos, suas seleções jogam pela Concacaf.

Mas não. A Conmebol pensa em convidar a Espanha… Tudo bem, em termos de qualidade do futebol, seria um GRANDE ganho para a competição ter a atual campeã mundial. Mas, por que raios de motivos não convidar uma seleção da América, se o torneio é “Copa América”???

Bom, se a Espanha for jogar a Copa América, faço coro à proposta do Vicente Fonseca no Facebook: em troca disso, que o Uruguai dispute a Euro 2012 (de preferência, decidindo o título com a Romênia). Quero só ver se a UEFA toparia dar uma de Conmebol.

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Quando o GRÊMIO voltará a ser GRÊMIO?

Aqui é tu mesmo, direto de 2010. Vou ser curto e grosso. Em um momento de angústia tive que te (me) escrever esta carta por descarga de consciência. Quero te falar do Grêmio aqui em 2010. Não vou te aporrinhar com coisas que acontecerão neste meio tempo que nos separa. Acredite, tu não vai querer saber. Só uma dica: comemore MUITO a Copa do Brasil de 2001.

O trecho acima é de uma carta escrita por Cristian Bonatto em 2010 para ele mesmo, 10 anos atrás. Reflete perfeitamente o sentimento de qualquer torcedor gremista neste agosto que, em 2010, faz jus à expressão “mês do desgosto”.

O mais interessante é o fato do “destino” da carta encontrar-se exatamente em 2000, ano em que podemos dizer que se iniciou a decadência que fez do Grêmio o que ele é hoje. Foi quando o nosso Tricolor começou a deixar de ser aquele time lutador, temível.

Naquele ano, o Grêmio assinou um contrato de parceria com a ISL, empresa suíça de marketing esportivo que era uma das principais parceiras da FIFA. O torcedor sonhava com glórias, que o então presidente, José Alberto Guerreiro, prometia que se tornariam “barbadas” com o dinheiro que a ISL investiria no clube para transformá-lo num “Real Madrid brasileiro”. Mas o meu pai, colorado, ironizava e dizia “estar torcendo pelo Guerreiro”. Parecia pressentir que o negócio não ia dar certo.

Contando com o dinheiro da ISL, o Grêmio gastou muito para contratar “medalhões” como Amato, Astrada, Paulo Nunes e Zinho – este último, o único que deu certo. E pagando altíssimos salários, na casa dos 200 mil dólares. Enquanto isso, o nosso verdadeiro craque, Ronaldinho, carregava o time nas costas e não recebia a metade do valor pago mensalmente a “reservas de luxo”.

Mesmo com toda a grana que gastou, o Grêmio não ganhou nenhuma taça em 2000. Foi vice-campeão gaúcho (perdeu para o Caxias na final), eliminado de forma humilhante da Copa do Brasil (4 a 1 para a Portuguesa em pleno Olímpico) e semifinalista da Copa Jean Marie João Havelange (eliminado pelo São Caetano com duas derrotas: 3 a 2 em São Paulo e 3 a 1 no Olímpico).

Do ano de 2001, a maioria dos gremistas lembra da conquista da Copa do Brasil, quando o Grêmio, com um grande time comandado por Tite, deu um banho de bola no Corinthians no Morumbi lotado e venceu por 3 a 1. Mas aquele ano teve dois fatos negativos. O primeiro foi a saída de Ronaldinho: quando ele alcançara projeção internacional em 1999, após a Copa América e a Copa das Confederações, Guerreiro mandara dependurar uma faixa na entrada do Olímpico, anunciando que o Grêmio “não vendia craques”. De fato, não vendeu, deu praticamente de  graça ao Paris Saint-Germain… A torcida, claro, ficou revoltada com a saída de Ronaldinho, depois dele tantas vezes ter jurado amor ao Grêmio, mas sejamos sinceros: o cara fazia o time jogar, e tinha de ver Paulo Nunes e Astrada no banco e ganhando mais que o dobro que ele? Pode ter sido “sacanagem” da parte dele, mas ele também se sentia desvalorizado, e por isso, foi embora.

Outro fato negativo em 2001 foi a falência da ISL. Vários dos “medalhões” do ano anterior já haviam saído, mas também ficou claro ali que a conta de tudo aquilo teria de ser paga pelo Grêmio, já que a parceria fora por água abaixo. Mas o necessário enxugamento das finanças do clube foi postergado, primeiro pelo empenho em conquistar a Copa do Brasil em 2001 (tanto que contratou Marcelinho Paraíba, um dos principais responsáveis pelo título), e depois da conquista, em nome do sonho de ganhar a Libertadores em 2002.

O Grêmio foi até a semifinal, quando foi eliminado pelo Olímpia de forma dramática, nos pênaltis, com uma arbitragem pra lá de polêmica. Após a desclassificação, começou a “operação desmanche”. O corte de gastos não era exclusividade gremista naquela época – de modo geral, o futebol era atingido por uma crise, com clubes europeus reduzindo salários – mas o Tricolor finalmente fazia algo que “era para ontem”. O colunista Hiltor Mombach, do Correio do Povo, profetizava sobre o Grêmio naqueles tempos em que fracassos e crises eram sempre associados ao rival:

Grêmio começará a passar pela mesma crise financeira do Inter. Talvez até pior. (Correio do Povo, 19 de julho de 2002, p. 18)

Mesmo com a saída de vários jogadores, entre eles Zinho (salário mais alto do clube – e que já fora maior, visto que ele renovara com o Grêmio no início de 2002 por um salário menor que o anterior), o Tricolor ainda conseguiu fazer uma boa campanha no Campeonato Brasileiro, ficando em 3º lugar e se classificando para a Libertadores de 2003 – o que fez o clube novamente “ir às compras” para conquistar o sonhado troféu naquele ano tão especial, em que celebraria o centenário.

Ao mesmo tempo, terminava o mandato de Guerreiro, e por aclamação, Flávio Obino foi eleito para comandar o clube no biênio 2003-2004 – houve uma única voz discordante, o ex-presidente Hélio Dourado. Obino já fora presidente de 1969 a 1971, quando o Grêmio encerrou uma longa sequência de conquistas (conquistara todos os títulos estaduais de 1956 a 1968, exceto em 1961 – foi o famoso “doze em treze”) e o rival a iniciou. Desde então, Obino ficara com a fama de “pé-frio”, que apenas se consolidou durante sua segunda passagem na presidência gremista.

Em 2003, após ser eliminado da Libertadores nas quartas-de-final pelo Independiente Medellín, o Grêmio viveu uma das situações mais dramáticas de sua história, brigando para não ser rebaixado justamente no ano de seu centenário. Na passagem dos 100 anos, em 15 de setembro, o time ocupava a lanterna do Campeonato Brasileiro, com vários pontos de desvantagem em relação ao 22º colocado (último que se salvava da degola). Buscando forças sabe-se lá de onde, o Tricolor conseguiu escapar da Série B, garantindo a permanência ao vencer o Corinthians por 3 a 0 no Olímpico, na última rodada – o resultado, aliado à derrota do Inter por 5 a 0 para o São Caetano na véspera (quando o rival precisava de um empate para voltar à Libertadores depois de 11 anos) deixou muitos gremistas eufóricos, com a sensação de que 2003 fora atípico, e que no ano seguinte “as coisas voltariam a ficar em ordem”, com o Grêmio conquistando títulos e o rival penando.

Doce ilusão… O que se viu em 2003 foi glorioso em comparação com 2004. Com um time ridículo, o Grêmio só fazia o torcedor sofrer. Contratou verdadeiras bombas como o goleiro paraguaio Tavarelli (que era titular daquele Olímpia que eliminara o Tricolor da Libertadores em 2002), os zagueiros Capone e Fábio Bilica (que, se eu tivesse o poder, proibiria até mesmo de jogarem botão usando o Grêmio como time), Michel Bastos (é, ele mesmo…), Felipe Melo (é, ELE MESMO!) etc. Em junho, o time deu um vexame impressionante e foi eliminado do Gauchão ao levar 3 a 1 da Ulbra. Caiu o técnico, Adílson Batista, e o vice de futebol, Saul Berdichevsky; e o único que teve coragem de assumir o pepino foi Hélio Dourado – sim, ele que fora o único a não votar em Obino, não hesitou em oferecer sua ajuda para salvar o Grêmio, quando ninguém que apoiara a aclamação do presidente dava sua cara a tapa. Mas não adiantou, e em novembro, o bagunçado Tricolor acabou rebaixado.

Veio 2005 e Paulo Odone na presidência. Em seus quatro anos, vimos o Grêmio sair da Série B e quase ir “sem escalas” ao Japão disputar o título mundial de 2007. Mas faltou time (mesmo que várias contratações tenham sido feitas, na maioria equivocadas) para bater o Boca Juniors de Riquelme (e só) na decisão da Libertadores, quando Odone só falava na “necessidade” que tinha o Grêmio de construir a “arena”. Tivemos a tentativa – frustrada, felizmente – da imposição de Antonio Britto na presidência do Grêmio. As incríveis convicções da diretoria no início de 2008, contratando Vagner Mancini para demiti-lo no sexto jogo da temporada – e ainda invicto! A liderança por várias rodadas no Campeonato Brasileiro sob o comando de Celso Roth, para depois dar de presente o título para o São Paulo.

Em 2009, já com Duda Kroeff de presidente, vimos um time que queria ser campeão da Libertadores, mas que se dava ao luxo de esperar 40 dias por um técnico que prometera “um projeto a longo prazo” mas não hesitou em pegar o chapéu na hora que os árabes ofereceram uma boa grana. E que não conseguia vencer fora de casa.

E agora, vemos um time sem alma, sem vontade – mesmo que seja o melhor grupo de jogadores desde 2001. Sai técnico, sai dirigente, mas isso será garantia de tempos melhores?

Afinal, quando tempo demorará para o Grêmio voltar a ser realmente o Grêmio? Afinal, depois de tantas glórias na década de 1990, os últimos dez anos foram duros demais para nós gremistas.

E tudo começou exatamente naquele ano 2000, o do destinatário da carta de Bonatto – pois se 1998 e 1999 não foram anos vitoriosos, ali o Grêmio ainda não havia embarcado na canoa furada da ISL.

Grêmio x Santos

Quarta-feira, era notável no Olímpico a preferência de muitos torcedores gremistas pelo Atlético-MG como adversário na semifinal da Copa do Brasil. Fácil de entender: Wanderley Luxemburgo é “freguês histórico” do Tricolor, e o Galo não tem sido destaque nacional na “grande mídia” por meter goleadas acachapantes em seus adversários. Porém, se enfrentar os “Meninos da Vila” parece ser tarefa das mais complicadas, não nos enganemos achando que o Atlético-MG seria mais fácil.

Jogar na Vila Belmiro é sempre difícil, devido à proximidade da torcida em relação ao gramado (só me lembro de uma vitória do Grêmio lá, 1 a 0 em 1999, pela Seletiva da Libertadores – e tínhamos um time bem ruinzinho aquele ano…); mas o Mineirão também não é nenhuma moleza. O Grêmio até obteve algumas vitórias por lá – a mais recente, inclusive, foi de goleada e sobre o Atlético-MG, 4 a 0 pelo Campeonato Brasileiro de 2008; mas uma coisa é aquele estádio com pouco público (o Galo vinha mal dois anos atrás), outra é jogar no Mineirão lotado (como na semifinal da Libertadores do ano passado, 3 a 1 para o Cruzeiro).

Quanto a Luxemburgo ser “freguês” do Grêmio, não pensemos que isso significa que enfrentá-lo seria garantia de vitória. “Salto alto” sempre favorece ao adversário.

Sobre o Santos: se o ataque é muito forte, a defesa não é das melhores – nos últimos três jogos, sofreu sete gols. Eles não tiveram moleza para passarem pelo Atlético-MG na Copa do Brasil, e no Campeonato Paulista quase entregaram o ouro para o Santo André, lembram?

Já o Grêmio conta com bons jogadores não só para enfrentar a defesa do Santos – Jonas e Borges na frente, Hugo e/ou Douglas no meio – como também na defesa para segurar o poderoso ataque do Peixe: Mário Fernandes é um baita jogador (tanto na zaga como na lateral-direita), e Rodrigo resolveu o problema do setor, que fazia água no início do ano, quando o time levava pelo menos um gol em todos os jogos.

Ou seja, não há motivos para pânico. Certo mesmo, é que Grêmio e Santos farão dois grandes jogos. Só espero que o Tricolor não leve tanto sufoco para se classificar como aconteceu na Libertadores de 2007, quando fez 2 a 0 no Olímpico e levou 3 a 1 na Vila (saiu na frente, se retrancou e permitiu a reação do Peixe).

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Mesmo que o Grêmio de hoje não seja um time como o de 2007 (tem mais qualidade técnica e menos “brucutus”, e Silas não é chegado numa retranca como Mano Menezes), podem escrever: não faltarão manchetes nos próximos dias dizendo que Grêmio x Santos será um “confronto entre futebol-força e futebol-arte”.

Culpa dos velhos rótulos que insistem em repetir. Como se o Grêmio sempre tivesse só “brucutus” (onde surgiu Ronaldinho?), e outros times apenas “artistas da bola” (onde jogava Júnior Baiano?).

Afinal, quando o GRÊMIO terá uma camisa oficial que lembre o GRÊMIO?

Em 2005, a Puma passou a ser fornecedora de material esportivo do Grêmio. Seu primeiro modelo de camisa agradou à maioria dos torcedores, por ser relativamente próximo ao tradicional – camisa tricolor, sem invenções e com equilíbrio entre azul e preto, as cores que predominam no manto sagrado gremista (além do branco, nas listras mais estreitas).

A primeira invenção que desagradou a muitos gremistas – inclusive a este que vos escreve – foi a camisa de 2006. A camisa tricolor tinha uma manga azul e outra preta – bizarrice que se acentuava quando o Grêmio vestia mangas longas.

O modelo de 2007 foi melhor – ou, para ser mais exato, menos pior. Acabaram-se as mangas de cores diferentes, mas as listras azuis ficaram mais largas que as pretas (o que se repetirá em 2010, mas falo disso adiante). As duas mangas passaram a ser azuis.

A camisa de 2008 seria a melhor de todas as da Puma, não fosse por um detalhe. As listras azuis e pretas tinham praticamente a mesma largura e também preenchiam as mangas – modelo que lembrava as camisas tradicionais. Porém, o padrão listrado era interrompido nas costas, abaixo do número, em que o tecido era todo azul. Quase imperceptível quando os jogadores colocam a camisa para dentro do calção, é verdade; mas muitas vezes eles preferem deixar a camisa para fora, e os torcedores também costumam fazer o mesmo. Assim, o modelo 2008 não supera 2005.

O ano de 2009 foi marcado por três modelos: dois especiais para a Libertadores, e o terceiro para o Campeonato Brasileiro. A camisa tricolor para a disputa da Libertadores foi uma das mais bonitas que o Grêmio teve nos últimos anos: o único porém foram os diferentes tons de azul adotados para a camisa e o distintivo gremista; ainda assim, “passou”. O uniforme número 2 para La Copa também agradou, com uma camisa de listras azuis e brancas na horizontal, inspirada no uniforme de Los Pumas, a Seleção Argentina de Rugby. Já a tricolor do Brasileirão foi uma das mais criticadas dos últimos anos, devido ao “babador” que apresentava – aquela parte azul próxima à gola, que interrompia o padrão listrado do restante da camisa.

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Quando se anunciou que a camisa de 2010 seria inspirada naquela inesquecível de 1995, a torcida ficou esperançosa de que, enfim, o Grêmio teria uma camisa com cara de… Grêmio. A direção inclusive vendeu algumas camisas “no escuro”, sabendo que, se ela lembraria o glorioso ano de 1995, muitos não temeriam comprá-la sem vê-la.

Porém, não foi isso que se viu ontem, quando os novos uniformes foram lançados. A nova camisa até que não é feia, mas sequer lembra um clube que é conhecido como o Tricolor dos Pampas.

A frente tem apenas duas listras azuis e uma preta, que fica no meio (a camisa de 2003, o fatídico ano do centenário, também tinha uma listra preta no meio, mas não era a única), padrão que se repete nas costas – com interrupção no espaço em que fica o número (a propósito, é algo importante a dizer: gostei da fonte do número, sem aquele estilo “quadriculado” dos modelos de 2008 e 2009 do “babador”). Como as listras brancas (que sempre são menores) ficaram por demais estreitas, de longe chega a parecer que se trata de uma camisa bicolor.

Do jeito que vai, as camisas do Grêmio feitas pela Puma que mais venderão serão justamente as réplicas de modelos anteriores, todos originalmente de outras fornecedoras…

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Entendo que a Puma crie “padrões” de camisas utilizados com vários clubes e seleções que a tem como fornecedora de material esportivo. É direito da empresa.

Porém, as “invenções” deveriam se restringir ao uniforme nº 2 ou nº 3. A camisa principal, TRICOLOR, tem de ser, como nós torcedores costumamos dizer, “o manto sagrado”: qualquer invenção que a descaracterize deveria ser proibida pelo estatuto do Grêmio.

E, para se ter uma ideia, das sete camisas Tricolores feitas pela Puma (no post do Bruno Coelho no Grêmio 1903 tem uma linha do tempo Puma/Grêmio), nenhuma é igual a outra. Tanto no design como nos tons de azul. Apesar do modelo 2010 não ser o pior (as mangas diferentes de 2006 e o “babador” de 2009 são insuperáveis), está muito longe de ser uma camisa com a cara do Grêmio (não é só o Autuori que não a tem…).

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Atualização: só depois de ter o texto pronto, li o que escreveu o Hélio Paz sobre as novas camisas, e recomendo a leitura.

Sonho adiado. Até quando?

Mais uma vez, o sonho da terceira conquista gremista da América foi adiado. Desde 1995, o Tricolor jogou sete Libertadores: foi vice-campeão em 2007, semifinalista em 1996, 2002 e 2009, e quarto-finalista em 1997, 1998 e 2003.

Ou seja, um sonho sete vezes adiado. Entre a primeira e a segunda conquistas (ou seja, entre 1983 e 1995), o Tricolor disputou apenas duas Libertadores. Em 1984, defendendo o título, foi vice-campeão. E em 1990, classificado após vencer a Copa do Brasil de 1989, caiu na primeira fase – pior participação gremista, junto com a de 1982.

O problema, é que não prevejo que possamos jogar a Libertadores em 2010. Seja para enfim ganhar a taça, seja para só sonhar com ela.

Um dia desses, entrei no site do Globo Esporte e simulei todos (falando sério!!!) os resultados dos jogos que faltam do Brasileirão 2009. Claro que é uma projeção baseada no que vejo atualmente. Pois bem: no final, o Grêmio acabou em 12º lugar, garantindo uma vaguinha na Copa Sul-Americana, o que é muito pouco para nós gremistas, que queremos sempre ir à Libertadores.

Ou seja: minha opinião é de que, se não mudar, é com isso que teremos de nos contentar para 2010. Com esse ataque desperdiçador de gols (se o Grêmio marcasse todos os que perdeu, ganhava brincando essa Libertadores), fica difícil sonhar com uma vaga à Libertadores de 2010. Com título do Campeonato Brasileiro, então, nem se fala…

Aliás, o ataque merecerá um post especial, sobre a carência de um matador no Grêmio, que já dura uns bons anos. Maxi López fez seus gols, corre muito, tem garra, mas considerando o seu salário, bem que poderia marcar mais vezes.

E eu aqui na frente deste computador…

Enquanto acontece o jogo do ano!!!

Jogo do ano???

Inter e Corinthians decidem qual dos dois estará na Libertadores de 2010. Mas eu estou mais interessado em saber quem estará na final da Libertadores de 2009. Jogo do ano, por favor, será o do dia 15 de julho: Grêmio ou Cruzeiro x Estudiantes.

Melhor dizendo, o segundo dos jogos do ano. O primeiro foi dia 27 de maio, Barcelona 2 x 0 Manchester United. O segundo, como já disse, acontecerá em 15 de julho. E o terceiro – e maior de todos – no dia 20 de dezembro, em Abu Dhabi, para decidir quem manda no mundo.

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E enquanto muita gente se preocupa com o tal “jogo do ano” de hoje, Honduras continua sob um governo só reconhecido por si mesmo. E que se acha no direito de suspender garantias constitucionais dos cidadãos.

Tudo porque o presidente, que guinou à esquerda, ia consultar – isso mesmo, consultar – a população para saber se ela era favorável a uma reforma constitucional… Definitivamente, as elites latino-americanas só aceitam democracia quando ela é benéfica a quem sempre esteve no poder.

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Atualização antes mesmo de postar: o D’Alessandro acabou de dar combustível para os colunistas bairristas do centro do país… E o ex-gremista William teve postura exemplar.

Racismo e xenofobia 2

O Guga Türck escreveu um ótimo post no Alma da Geral sobre o texto do Chico Lang publicado na Gazeta Esportiva.

O artigo do Lang é um insulto não a quem mora no Rio Grande do Sul, mas sim, a quem tem o mínimo de inteligência. É um texto racista (comprovadamente) e xenófobo.

É racista, porque fala sobre a violência como “coisa de índio” – como se o homem branco nunca tivesse feito nenhuma guerra, só os indígenas. As duas guerras mundiais, o Holocausto… Foram os índios que fizeram tudo isso? Foram eles que provocaram as mais sangrentas guerras que nossa América Latina viveu?

E é xenófobo porque a palavra “xenofobia” significa “fobia à diferença”. Logo, ela pode ocorrer entre grupos de dentro do mesmo país – exemplo disso, dentro do Brasil, é o preconceito existente contra o Norte e o Nordeste.

O texto desse Chico Lang trata o futebol riograndense como “de espírito belicoso” (seria inferior, por isso partiria para a violência). Antes mesmo da bola rolar, fala que Corinthians e Cruzeiro serão tratados com violência aqui em Porto Alegre, na próxima semana, e que deveriam “trazer um pelotão de seguranças”. (Se trouxerem, mandem a conta para o Lang pagar, pois o que ele escreveu pode muito bem vir a servir de incitação para os poucos que não gostam de futebol, e sim de violência. E que não são exclusividade de um ou outro Estado.)

Não satisfeito, o cara ainda inventa de falar que na ditadura militar “a maioria dos generais era do Sul”. De fato, eram. Mas é preciso ser muito, digamos, inocente, para achar que os militares não tiveram apoio de muita gente fora do Rio Grande do Sul, e que os riograndenses foram todos, sem exceção, favoráveis ao golpe. Sem apoio, alguém acha que eles ficariam no poder?

E não esqueçamos da “grande mídia” (da qual faz parte o Chico Lang): a daqui apoiou a quartelada de 1964, é claro, mas isso não foi nada diferente do que fez a do centro do país. Inclusive há um jornal, considerado o maior do Brasil, que teria emprestado carros aos órgãos de repressão do regime militar e ainda disse que não houve ditadura no Brasil, mas sim uma “ditabranda”.

Racismo e xenofobia

Depois que terminou o jogo de ontem, fiquei sabendo (e assisti um pouco pela televisão) sobre a denúncia do volante Elicarlos, do Cruzeiro contra o atacante gremista Maxi López, por injúria racial: o argentino teria chamado o adversário de “macaco”. Na hora, claro que todo mundo lembrou do episódio de 2005 entre o então atacante são-paulino Grafite e o zagueiro Leandro Desábato, do Quilmes.

Se houver provas, Maxi López tem de ser punido exemplarmente, e também dispensado do Grêmio. Afinal, o racismo é um mal que precisa urgentemente ser erradicado, em todo o mundo. E penso o mesmo da xenofobia, “irmã gêmea” do racismo.

Afinal, nessas horas vai aparecer muita gente que, além de acusar toda a torcida do Grêmio de ser racista (e isso não é preconceito também?), começará a dizer que a atitude de Maxi López (se realmente ocorreu) é “típica de argentino”. O que aconteceu em 2005, no episódio do Desábato.

Vale lembrar que o futebol, muitas vezes, é mais do que apenas esporte. Ele pode ser uma espécie de “válvula de escape” para os mais variados sentimentos – como a xenofobia. Em 1969, havia uma crescente tensão entre Honduras e El Salvador, que se refletiu nas partidas entre as seleções dos dois países, válidas pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1970, e levou a um conflito militar que ficou conhecido como “Guerra do Futebol”, já que o esporte serviu de pretexto.

Algo semelhante ocorreria 20 anos depois, em uma partida pelo antigo campeonato iugoslavo: no dia 13 de maio de 1990, as tensões entre croatas e sérvios entraram em campo na partida entre Dinamo Zagreb e Estrela Vermelha de Belgrado, resultando em violentos conflitos no estádio da capital croata, com várias mortes. Foi uma “prévia” da guerra na qual mergulharia a região dos Balcãs a partir do ano seguinte.

E podemos dizer que não há xenofobia na relação Brasil-Argentina, nem mesmo no tocante ao futebol?

Os leitores lembram de uma infame propaganda de uma cerveja durante a Copa do Mundo de 2006, em que “valia qualquer coisa” para ganhar da Argentina? E de como a “grande mídia”, principalmente do centro do país, fala mal dos argentinos?

Enfim, repito: se houver provas da injúria racial de Maxi López contra Elicarlos, que ele seja punido e mandado embora do Grêmio. Mas, por favor, sem hipocrisia. Rotular toda uma torcida – e também um povo – devido à atitude (da qual nem se tem provas) de uma pessoa, é preconceito também.