Cão quinquenal

Em 6 de maio de 2007, o Grêmio conquistou seu 35º título estadual ao bater o Juventude por 4 a 1 no Olímpico. O técnico Mano Menezes escalou o Tricolor assim: Saja; Gavilán, William, Teco e Lúcio (Bruno Teles); Edmílson, Sandro Goiano, Tcheco e Diego Souza; Carlos Eduardo (Ramón) e Tuta.

Um mês e meio depois, o Grêmio precisava no mínimo de uma vitória por três gols de diferença sobre o Boca Juniors para conquistar pela terceira vez a Taça Libertadores da América. Desta vez não deu: 2 a 0 para os argentinos, com grande atuação de Riquelme. Mano Menezes levou a campo o seguinte time: Saja; Patrício, William, Teco (Schiavi) e Lúcio; Gavilán, Lucas, Tcheco (Amoroso) e Diego Souza; Tuta (Éverton) e Carlos Eduardo.

A diferença entre as duas decisões não foi apenas o resultado. No dia seguinte à derrota para o Boca, teve texto aqui no Cão Uivador. Bem diferente da vitória sobre o Juventude: simplesmente não tinha Cão para comemorar o título.

Tudo porque o Cão Uivador só “nasceu” no dia 14 de maio de 2007, oito dias após a vitória gremista. Não que um título estadual signifique muita coisa (a conquista de 2010 nem ganhou texto comemorativo), mas dá uma amostra do quão escassas tem sido as alegrias gremistas nestes últimos tempos (o que vem desde bem antes do início das atividades do Cão).

Em cinco anos, embora pareça pouco tempo, muita coisa muda. Tanto no próprio blog – ganhou ou perdeu leitores, mudou leiaute, textos melhoraram ou pioraram (depende do ponto de vista de cada um, neste caso) etc. – como em outros aspectos. Se o Grêmio parece estar na mesma (se não pior), houve mudanças em âmbito pessoal, local, regional, nacional e mundial (aí estão os protestos globais que vêm desde o ano passado para não me deixarem mentir).

Neste momento em que penso no que mudou de 2007 para cá, algo interessante a se fazer também é olhar para o futuro. Imaginar como as coisas poderão estar daqui a mais cinco anos – torcendo para que estejam melhores, tornando realidade algumas utopias como a justiça social e a solidariedade.

Aliás, chegará o Cão até lá? Farei o possível para que sim – e desta forma teremos uma década de blog em 14 de maio de 2017. Porém, como já falei, muitas coisas acontecem em meia década.

Inclusive, não foram poucas as vezes em que cheguei a cogitar o fim do Cão. E se isso não aconteceu, só se deve a uma razão: tu que estás aí lendo este texto. Afinal, quando alguém se expressa das mais diversas formas (fala, escrita etc.), só o faz por um motivo: quer dizer algo a outras pessoas. Um blog precisa de alguém que escreva, mas ainda mais de alguém que leia (e que não seja a mesma pessoa que escreve).

É por isso que faço questão de, a cada aniversário do Cão, deixar explícitos meus mais sinceros agradecimentos a todos os leitores, que concordam, discordam, leem frequentemente ou esporadicamente o blog. São vocês – mais do que o blogueiro – que o mantém vivo. Um grande abraço, e muito obrigado!

Grêmio: 10 anos sem títulos de expressão

Lá se vão 10 anos daquela tarde fria de domingo, 17 de junho de 2001, em Porto Alegre. Me dirigia à casa do meu amigo Marcel com uma certeza: o Grêmio seria campeão da Copa do Brasil. Pouco me importava o fato de que, após o 2 a 2 no Olímpico no domingo anterior, era preciso vencer o Corinthians no Morumbi lotado, já que empate em 0 a 0 ou 1 a 1 daria o título ao clube paulista.

Só não imaginava que seria da forma como foi: um verdadeiro chocolate. O Grêmio venceu por 3 a 1, quase não tomando conhecimento do adversário. Ganhou não apenas jogando bem: deu espetáculo. A ponto de ser elogiado até mesmo pela “grande mídia” do centro do país, que em todas as conquistas anteriores sempre inventava algum defeito para desmerecer o título gremista.

Outra coisa que eu não imaginava era que depois daquela tarde de 17 de junho de 2001 o Grêmio entraria em um jejum de títulos de expressão que dura até hoje, 10 anos depois. De lá para cá, ganhamos apenas três estaduais (2006, 2007 e 2010), e a Série B de 2005 (o que era nada mais que a obrigação de um clube como o Grêmio).

Porém, parte da explicação do declínio gremista se encontra no próprio time campeão de 2001. Era uma grande equipe, mas extremamente cara para os padrões do futebol brasileiro. Inclusive, a decisão contra o Corinthians foi a última partida de Marcelinho Paraíba com a camisa do Grêmio: o jogador já estava negociado com o Hertha Berlin, da Alemanha.

Os salários extremamente elevados de nomes como Zinho eram herança da parceria do Grêmio com a ISL, assinada no início de 2000, que dava a impressão de que encheria os cofres do clube. Porém, no início de 2001, a empresa faliu. Coincidentemente, na mesma época, Ronaldinho deixava o Grêmio praticamente de graça, graças à absurda incompetência da gestão de José Alberto Guerreiro (maior responsável por nosso jejum), que já recusara propostas “irrecusáveis” pelo (então) craque.

Sem a parceria, era imperioso cortar gastos no Grêmio, pois ficava claro que toda a conta teria de ser paga pelo clube – tanto os salários dos jogadores que ficavam, como os que saíam, caso dos “medalhões” Paulo Nunes, Amato e Astrada, “reservas de luxo” em 2000. Mas o empenho em conquistar títulos importantes adiou duas vezes o necessário enxugamento das finanças: primeiro a Copa do Brasil de 2001, e depois de vencê-la, a Libertadores de 2002 (afinal, qual gremista não sonhava ganhar a América de novo?). Apenas depois da eliminação na semifinal da competição sul-americana, o Grêmio anunciou uma redução salarial e a rescisão de contratos com jogadores de salários elevados.

Mas a conta ainda continuou sendo paga, por muito tempo (como no caso de Zinho). Resultado: o Grêmio enfrenta dificuldades financeiras até hoje, não conseguindo mais montar grandes times como os de 1995-1997 e 2001. E assim entrou em um jejum de grandes conquistas como jamais havia vivido desde que ganhou o primeiro título importante, o Brasileirão de 1981.

Nos últimos trinta anos, o Grêmio já chegou a passar quase seis sem um título de expressão: foi entre o Mundial de 1983 (vencido em dezembro) e a Copa do Brasil de 1989 (início de setembro). Mas em compensação, a partir de 1985 iniciara uma série de títulos estaduais que culminaria no hexacampeonato, em 1990 – sequência que não foi mais alcançada desde então.

Já na atual “década perdida”, o Tricolor conseguiu a “façanha” de ficar fora de quatro finais consecutivas do Campeonato Gaúcho, de 2002 a 2005. Além de fazer papelão no Campeonato Brasileiro por dois anos seguidos: em 2003, quando celebrava o centenário, passou várias rodadas na zona do rebaixamento, e só escapou da queda na última rodada; já no ano seguinte, não teve jeito, e caiu. Depois do retorno (a Batalha dos Aflitos, tão celebrada por Odone), o Tricolor fez boas campanhas, terminando o Campeonato Brasileiro sempre na metade de cima da tabela, e sendo vice da Libertadores em 2007. Mas título, que é bom…

Dessa forma, os gremistas com menos de 15 anos de idade cresceram sem saber o que é um título de verdade, já que no último eles eram muito pequenos, ou nem tinham nascido.

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Para quem quer relembrar não só uma grande conquista do Grêmio, como também um banho de bola, é possível assistir ao jogo inteiro, no canal do usuário Zobarilhas no YouTube.

Quatro anos de Cão Uivador

Quatro anos é o tempo que separa duas Copas do Mundo, duas edições dos Jogos Olímpicos (“olimpíada” era o termo grego que designava este período)… É também a duração dos mandatos eletivos no Brasil (exceto os de senadores, que duram oito anos) e em vários países.

E, hoje, é também o tempo de existência do Cão Uivador, surgido no final da tarde do dia 14 de maio de 2007, de uma conversa que tive com o meu pai. Eu já tinha um blog, chamado Kardía (êta criatividade para nomear um blog…), que criei em 2005 e já no ano seguinte pensava em mudar pelo menos o nome, para que ficasse com uma cara menos “pessoal” – embora, sendo escrito apenas por mim, obviamente continuasse a ser pessoal. Mas me faltava uma ideia para nomeá-lo. Então o pai lembrou de um poema que escrevi em 21 de setembro de 1991, chamado “Cão Uivador Incolor” – e daí surgiu não apenas o nome do novo blog (decidi terminar o anterior), como a primeira postagem.

Alguém pode perguntar sobre o link para o blog antigo, só que o deletei em 2009. É que já não concordava mais com muito do que escrevi no Kardía (sem contar que achava os textos meio bobos, mal-escritos…). Mas, como andei relendo alguns daqueles textos (salvei no HD antes de mandar pro espaço) e notei que alguma coisa é possível de ser aproveitada, anuncio planos para o futuro próximo: algumas postagens “pré-caninas”…

Nesses quatro anos que se passaram, escrevi 1.129 postagens (contando com esta), que receberam 3.862 comentários, falando sobre os mais variados assuntos. Curiosamente, embora a origem do blog seja a poesia, raramente ela se fez presente aqui. Taí algo para ser implementado no futuro “canino”.

Outra coisa que também quero falar no blog é sobre alguma grande conquista do Grêmio sem precisar usar os verbos no pretérito. Logo nas primeiras semanas do Cão eu sonhei com a Libertadores de 2007, mas tinha um Riquelme no meio do caminho. No ano seguinte quase veio o Brasileirão, que conseguimos a façanha de perder. Depois, mais nada, exceto o Gauchão de 2010 – e, espero que amanhã venha o de 2011, mas é muito pouco.

Há também as utopias, que norteiam o pensamento deste que vos escreve. Justiça social, fim da discriminação, do preconceito, uma sociedade mais solidária e menos individualista… Ideais pelos quais, modéstia à parte, sei que fiz alguma coisa (embora ache pouco) nesses quatro anos – e pretendo continuar por não apenas mais quatro. Espero que, no dia em que este blog encerrar suas atividades (seja pelo motivo que for), tenhamos um mundo melhor que o de quando ele começou.

Por fim, obviamente não posso deixar de registrar meus mais sinceros agradecimentos a todos os leitores, que são a razão de existir do Cão. Afinal, sem ninguém para ler, um blog não tem como fazer alguma diferença. Um grande abraço, e muito obrigado!

“Faltam táxis em Porto Alegre”

Estas foram palavras ditas pelo motorista do táxi que me conduzia a minha casa, nesta quarta à noite. E ele emendou: “quero só ver como vai ser nos jogos da Copa”.

De acordo com o taxista, Porto Alegre tem em torno de 4 mil táxis. Pode parecer bastante, mas todos sabem a dificuldade que é para se conseguir um nos horários de maior movimento. Quando chove, então, torna-se quase uma missão impossível. E já que se falou em Copa do Mundo, lembro uma experiência minha relacionada a futebol.

Após a final da Libertadores de 2007, saí do Olímpico em busca de um táxi, visto que ônibus àquela altura seria bem difícil pegar – o jogo terminava à meia-noite, provavelmente eu já perdera o último. Fui andando em direção à Avenida Getúlio Vargas, depois segui por ela. Percorri toda a extensão da via, sem conseguir um táxi disponível. Só achei um na Venâncio Aires, pouco antes da Santana. Não fosse praticamente uma da manhã, eu teria concluído o trajeto a pé mesmo, pois já havia caminhado mais da metade dele.

Quando o GRÊMIO voltará a ser GRÊMIO?

Aqui é tu mesmo, direto de 2010. Vou ser curto e grosso. Em um momento de angústia tive que te (me) escrever esta carta por descarga de consciência. Quero te falar do Grêmio aqui em 2010. Não vou te aporrinhar com coisas que acontecerão neste meio tempo que nos separa. Acredite, tu não vai querer saber. Só uma dica: comemore MUITO a Copa do Brasil de 2001.

O trecho acima é de uma carta escrita por Cristian Bonatto em 2010 para ele mesmo, 10 anos atrás. Reflete perfeitamente o sentimento de qualquer torcedor gremista neste agosto que, em 2010, faz jus à expressão “mês do desgosto”.

O mais interessante é o fato do “destino” da carta encontrar-se exatamente em 2000, ano em que podemos dizer que se iniciou a decadência que fez do Grêmio o que ele é hoje. Foi quando o nosso Tricolor começou a deixar de ser aquele time lutador, temível.

Naquele ano, o Grêmio assinou um contrato de parceria com a ISL, empresa suíça de marketing esportivo que era uma das principais parceiras da FIFA. O torcedor sonhava com glórias, que o então presidente, José Alberto Guerreiro, prometia que se tornariam “barbadas” com o dinheiro que a ISL investiria no clube para transformá-lo num “Real Madrid brasileiro”. Mas o meu pai, colorado, ironizava e dizia “estar torcendo pelo Guerreiro”. Parecia pressentir que o negócio não ia dar certo.

Contando com o dinheiro da ISL, o Grêmio gastou muito para contratar “medalhões” como Amato, Astrada, Paulo Nunes e Zinho – este último, o único que deu certo. E pagando altíssimos salários, na casa dos 200 mil dólares. Enquanto isso, o nosso verdadeiro craque, Ronaldinho, carregava o time nas costas e não recebia a metade do valor pago mensalmente a “reservas de luxo”.

Mesmo com toda a grana que gastou, o Grêmio não ganhou nenhuma taça em 2000. Foi vice-campeão gaúcho (perdeu para o Caxias na final), eliminado de forma humilhante da Copa do Brasil (4 a 1 para a Portuguesa em pleno Olímpico) e semifinalista da Copa Jean Marie João Havelange (eliminado pelo São Caetano com duas derrotas: 3 a 2 em São Paulo e 3 a 1 no Olímpico).

Do ano de 2001, a maioria dos gremistas lembra da conquista da Copa do Brasil, quando o Grêmio, com um grande time comandado por Tite, deu um banho de bola no Corinthians no Morumbi lotado e venceu por 3 a 1. Mas aquele ano teve dois fatos negativos. O primeiro foi a saída de Ronaldinho: quando ele alcançara projeção internacional em 1999, após a Copa América e a Copa das Confederações, Guerreiro mandara dependurar uma faixa na entrada do Olímpico, anunciando que o Grêmio “não vendia craques”. De fato, não vendeu, deu praticamente de  graça ao Paris Saint-Germain… A torcida, claro, ficou revoltada com a saída de Ronaldinho, depois dele tantas vezes ter jurado amor ao Grêmio, mas sejamos sinceros: o cara fazia o time jogar, e tinha de ver Paulo Nunes e Astrada no banco e ganhando mais que o dobro que ele? Pode ter sido “sacanagem” da parte dele, mas ele também se sentia desvalorizado, e por isso, foi embora.

Outro fato negativo em 2001 foi a falência da ISL. Vários dos “medalhões” do ano anterior já haviam saído, mas também ficou claro ali que a conta de tudo aquilo teria de ser paga pelo Grêmio, já que a parceria fora por água abaixo. Mas o necessário enxugamento das finanças do clube foi postergado, primeiro pelo empenho em conquistar a Copa do Brasil em 2001 (tanto que contratou Marcelinho Paraíba, um dos principais responsáveis pelo título), e depois da conquista, em nome do sonho de ganhar a Libertadores em 2002.

O Grêmio foi até a semifinal, quando foi eliminado pelo Olímpia de forma dramática, nos pênaltis, com uma arbitragem pra lá de polêmica. Após a desclassificação, começou a “operação desmanche”. O corte de gastos não era exclusividade gremista naquela época – de modo geral, o futebol era atingido por uma crise, com clubes europeus reduzindo salários – mas o Tricolor finalmente fazia algo que “era para ontem”. O colunista Hiltor Mombach, do Correio do Povo, profetizava sobre o Grêmio naqueles tempos em que fracassos e crises eram sempre associados ao rival:

Grêmio começará a passar pela mesma crise financeira do Inter. Talvez até pior. (Correio do Povo, 19 de julho de 2002, p. 18)

Mesmo com a saída de vários jogadores, entre eles Zinho (salário mais alto do clube – e que já fora maior, visto que ele renovara com o Grêmio no início de 2002 por um salário menor que o anterior), o Tricolor ainda conseguiu fazer uma boa campanha no Campeonato Brasileiro, ficando em 3º lugar e se classificando para a Libertadores de 2003 – o que fez o clube novamente “ir às compras” para conquistar o sonhado troféu naquele ano tão especial, em que celebraria o centenário.

Ao mesmo tempo, terminava o mandato de Guerreiro, e por aclamação, Flávio Obino foi eleito para comandar o clube no biênio 2003-2004 – houve uma única voz discordante, o ex-presidente Hélio Dourado. Obino já fora presidente de 1969 a 1971, quando o Grêmio encerrou uma longa sequência de conquistas (conquistara todos os títulos estaduais de 1956 a 1968, exceto em 1961 – foi o famoso “doze em treze”) e o rival a iniciou. Desde então, Obino ficara com a fama de “pé-frio”, que apenas se consolidou durante sua segunda passagem na presidência gremista.

Em 2003, após ser eliminado da Libertadores nas quartas-de-final pelo Independiente Medellín, o Grêmio viveu uma das situações mais dramáticas de sua história, brigando para não ser rebaixado justamente no ano de seu centenário. Na passagem dos 100 anos, em 15 de setembro, o time ocupava a lanterna do Campeonato Brasileiro, com vários pontos de desvantagem em relação ao 22º colocado (último que se salvava da degola). Buscando forças sabe-se lá de onde, o Tricolor conseguiu escapar da Série B, garantindo a permanência ao vencer o Corinthians por 3 a 0 no Olímpico, na última rodada – o resultado, aliado à derrota do Inter por 5 a 0 para o São Caetano na véspera (quando o rival precisava de um empate para voltar à Libertadores depois de 11 anos) deixou muitos gremistas eufóricos, com a sensação de que 2003 fora atípico, e que no ano seguinte “as coisas voltariam a ficar em ordem”, com o Grêmio conquistando títulos e o rival penando.

Doce ilusão… O que se viu em 2003 foi glorioso em comparação com 2004. Com um time ridículo, o Grêmio só fazia o torcedor sofrer. Contratou verdadeiras bombas como o goleiro paraguaio Tavarelli (que era titular daquele Olímpia que eliminara o Tricolor da Libertadores em 2002), os zagueiros Capone e Fábio Bilica (que, se eu tivesse o poder, proibiria até mesmo de jogarem botão usando o Grêmio como time), Michel Bastos (é, ele mesmo…), Felipe Melo (é, ELE MESMO!) etc. Em junho, o time deu um vexame impressionante e foi eliminado do Gauchão ao levar 3 a 1 da Ulbra. Caiu o técnico, Adílson Batista, e o vice de futebol, Saul Berdichevsky; e o único que teve coragem de assumir o pepino foi Hélio Dourado – sim, ele que fora o único a não votar em Obino, não hesitou em oferecer sua ajuda para salvar o Grêmio, quando ninguém que apoiara a aclamação do presidente dava sua cara a tapa. Mas não adiantou, e em novembro, o bagunçado Tricolor acabou rebaixado.

Veio 2005 e Paulo Odone na presidência. Em seus quatro anos, vimos o Grêmio sair da Série B e quase ir “sem escalas” ao Japão disputar o título mundial de 2007. Mas faltou time (mesmo que várias contratações tenham sido feitas, na maioria equivocadas) para bater o Boca Juniors de Riquelme (e só) na decisão da Libertadores, quando Odone só falava na “necessidade” que tinha o Grêmio de construir a “arena”. Tivemos a tentativa – frustrada, felizmente – da imposição de Antonio Britto na presidência do Grêmio. As incríveis convicções da diretoria no início de 2008, contratando Vagner Mancini para demiti-lo no sexto jogo da temporada – e ainda invicto! A liderança por várias rodadas no Campeonato Brasileiro sob o comando de Celso Roth, para depois dar de presente o título para o São Paulo.

Em 2009, já com Duda Kroeff de presidente, vimos um time que queria ser campeão da Libertadores, mas que se dava ao luxo de esperar 40 dias por um técnico que prometera “um projeto a longo prazo” mas não hesitou em pegar o chapéu na hora que os árabes ofereceram uma boa grana. E que não conseguia vencer fora de casa.

E agora, vemos um time sem alma, sem vontade – mesmo que seja o melhor grupo de jogadores desde 2001. Sai técnico, sai dirigente, mas isso será garantia de tempos melhores?

Afinal, quando tempo demorará para o Grêmio voltar a ser realmente o Grêmio? Afinal, depois de tantas glórias na década de 1990, os últimos dez anos foram duros demais para nós gremistas.

E tudo começou exatamente naquele ano 2000, o do destinatário da carta de Bonatto – pois se 1998 e 1999 não foram anos vitoriosos, ali o Grêmio ainda não havia embarcado na canoa furada da ISL.

Grêmio x Santos

Quarta-feira, era notável no Olímpico a preferência de muitos torcedores gremistas pelo Atlético-MG como adversário na semifinal da Copa do Brasil. Fácil de entender: Wanderley Luxemburgo é “freguês histórico” do Tricolor, e o Galo não tem sido destaque nacional na “grande mídia” por meter goleadas acachapantes em seus adversários. Porém, se enfrentar os “Meninos da Vila” parece ser tarefa das mais complicadas, não nos enganemos achando que o Atlético-MG seria mais fácil.

Jogar na Vila Belmiro é sempre difícil, devido à proximidade da torcida em relação ao gramado (só me lembro de uma vitória do Grêmio lá, 1 a 0 em 1999, pela Seletiva da Libertadores – e tínhamos um time bem ruinzinho aquele ano…); mas o Mineirão também não é nenhuma moleza. O Grêmio até obteve algumas vitórias por lá – a mais recente, inclusive, foi de goleada e sobre o Atlético-MG, 4 a 0 pelo Campeonato Brasileiro de 2008; mas uma coisa é aquele estádio com pouco público (o Galo vinha mal dois anos atrás), outra é jogar no Mineirão lotado (como na semifinal da Libertadores do ano passado, 3 a 1 para o Cruzeiro).

Quanto a Luxemburgo ser “freguês” do Grêmio, não pensemos que isso significa que enfrentá-lo seria garantia de vitória. “Salto alto” sempre favorece ao adversário.

Sobre o Santos: se o ataque é muito forte, a defesa não é das melhores – nos últimos três jogos, sofreu sete gols. Eles não tiveram moleza para passarem pelo Atlético-MG na Copa do Brasil, e no Campeonato Paulista quase entregaram o ouro para o Santo André, lembram?

Já o Grêmio conta com bons jogadores não só para enfrentar a defesa do Santos – Jonas e Borges na frente, Hugo e/ou Douglas no meio – como também na defesa para segurar o poderoso ataque do Peixe: Mário Fernandes é um baita jogador (tanto na zaga como na lateral-direita), e Rodrigo resolveu o problema do setor, que fazia água no início do ano, quando o time levava pelo menos um gol em todos os jogos.

Ou seja, não há motivos para pânico. Certo mesmo, é que Grêmio e Santos farão dois grandes jogos. Só espero que o Tricolor não leve tanto sufoco para se classificar como aconteceu na Libertadores de 2007, quando fez 2 a 0 no Olímpico e levou 3 a 1 na Vila (saiu na frente, se retrancou e permitiu a reação do Peixe).

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Mesmo que o Grêmio de hoje não seja um time como o de 2007 (tem mais qualidade técnica e menos “brucutus”, e Silas não é chegado numa retranca como Mano Menezes), podem escrever: não faltarão manchetes nos próximos dias dizendo que Grêmio x Santos será um “confronto entre futebol-força e futebol-arte”.

Culpa dos velhos rótulos que insistem em repetir. Como se o Grêmio sempre tivesse só “brucutus” (onde surgiu Ronaldinho?), e outros times apenas “artistas da bola” (onde jogava Júnior Baiano?).

10 grandes humilhações da mídia brasileira

O Impedimento, blog dedicado exclusivamente ao futebol sul-americano, iniciou uma série de postagens sobre as 10 maiores humilhações da história de vários clubes brasileiros, assim como da Seleção Brasileira. Clique aqui e divirta-se.

Num comentário ao blog do Eduardo Guimarães em postagem a respeito de uma entrevista do presidente Lula à revista Piauí, na qual ele estraçalhou a “grande mídia”, me veio a idéia de fazer algo semelhante ao pessoal do Impedimento: uma lista com dez momentos humilhantes da mídia.

Surgiram problemas. Pegar só midia brasileira, ou internacional também? Só a Globo, ou também a Veja ou outros veículos? Tratar apenas de fatos ligados a política, ou incluir outros assuntos, como futebol?

Optei por só tratar da mídia brasileira. A maior parte dos fatos lembrados é da Globo, mas não será apenas um fato que tratará de veículos de mídia que não sejam só a Globo. E decidi incluir o futebol, já que não é só da seção de política que saem asneiras.

Ressalto que a lista é extremamente parcial, afinal, fiz sozinho. Críticas e sugestões são muito bem-vindas, já que provavelmente esqueci muita coisa que poderia ser citada. Então, aí vai ela:

10. Corinthians 1 x 3 Grêmio (final da Copa do Brasil de 2001)

Em todas as conquistas do Grêmio, a mídia esportiva colocava algum defeito no time, inventava alguma desculpa para justificar a derrota do clube paulista ou carioca na final. Quase sempre, acusando o time do Grêmio de ser violento. Confundiam “futebol-força” com “violência” – prova disso é que quando times acostumados ao “futebol-arte” resolvem “jogar com raça”, sai de baixo que vem porrada mesmo! É verdade que, quanto mais criticavam o Tricolor, mais prazer dava de ganhar os campeonatos…

Eis que, em 2001, eles não puderam falar nada. O Tricolor jogou muito bem aquela Copa do Brasil, mas a final foi um capítulo à parte. Foi um chocolate não só no Corinthians, como também na mídia do centro do país: o Grêmio jogou tão bonito que ficaria muito descarado que chamar o time de “violento” seria desculpa esfarrapada.

9. O “cansaço” do “Cansei” (2007)

No dia 17 de julho, aconteceu em São Paulo o maior desastre aéreo da história do Brasil, com mais de 200 mortos. Logo a mídia acusou o governo de ser culpado pela tragédia devido à pista do aeroporto de Congonhas, mesmo sem sequer saber o conteúdo da caixa-preta do avião acidentado. E quando este foi revelado, surpresa: o que causou o acidente foi uma falha mecânica no avião!

Oportunistas de plantão decidiram criar “movimentos apartidários”, mas que obviamente pretendiam enfraquecer – e até derrubar – o governo Lula. Sentia-se cheiro de golpe. Surgiu um tal de “Cansei”, cujas peças publicitárias eram recheadas da palavra.

Nos primeiros dias, até foi possível preocupar-se: a marcha prevista pelos “cansados” poderia ser semelhante à “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, que ocorreu duas semanas antes da queda de Jango, em 1964. Alguns veículos de mídia cederam espaço gratuito ao movimento, deixando claro que o apoiavam.

Mas logo ficou claro que o “Cansei” seria mesmo é divertido. O ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo (que é do DEM) disse que “Cansei” era “coisa de dondoca”. E logo o movimento virou piada:

No dia 17 de agosto, um mês após o acidente, foi realizado um ato público. Os “cansados” queriam fazê-lo no local do acidente, mas não levaram. Transferiram para a Praça da Sé, OK. Mas não obtiveram autorização para utilizar o interior da Catedral da Sé.

Provavelmente queriam realizar o protesto dentro da Igreja para que as imagens do ato não mostrassem o fracasso retumbante: reuniram-se apenas duas mil pessoas. O comício das Diretas Já de 25 de janeiro de 1984, no mesmo local, reuniu entre 250 mil e 400 mil pessoas…

8. Galvão Bueno hostilizado (2007)

No dia 9 de maio, o Grêmio derrotou o São Paulo por 2 a 0, pelas oitavas-de-final da Libertadores, no Olímpico. Não fui ao jogo: sofrendo forte resfriado, não seria bom me expor ao frio daquela noite.

Uma pena. Pois perdi a chance de “ser ouvido na TV”, junto com vários outros gremistas que deixaram Galvão Bueno numa situação pra lá de desconfortável…

Dois meses depois, Galvão foi xingado pelo público presente à decisão do basquete masculino do Pan do Rio. Não é só no Rio Grande do Sul que não gostam dele.

Mas a melhor aconteceu no jogo Brasil x Equador, dia 17 de outubro, pelas Eliminatórias da Copa de 2010. O Brasil vencia, mas a torcida estava estranhamente silenciosa. Só para quem assistia pela TV, pois no Maracanã o público se divertia:

7. Os dólares de Cuba (2005)

No final de outubro, quando Lula já era fustigado o tempo todo pela mídia devido ao “mensalão”, surgiu mais essa. Uma denúncia da revista Veja, de que a campanha do presidente em 2002 teria recebido doações do governo cubano – a lei eleitoral brasileira proíbe financiamentos estrangeiros de campanhas.

Seria a chance de ouro da direita – a mídia incluída – conseguir iniciar um processo de impeachment do presidente. Porém, eles não contavam com a patetice da Veja, que baseou sua “reportagem” em depoimentos de uma pessoa falecida e ainda teve a genial idéia de dizê-lo na matéria. Sem possibilidades de se provar tudo aquilo, ficou muito claro o desespero da mídia direitosa por produzir fatos contra Lula. Simplesmente vexatório.

6. Entrevista de Lula à revista Piauí (2009)

Quem não leu, pode ler clicando aqui – ou pode apenas conferir o resumo feito pelo Eduardo Guimarães.

Não bastassem as respostas do presidente Lula – que o Eduardo Guimarães considerou como “tapas com luvas de pelica na cara da mídia” -, ainda tem o fato de a entrevista ter sido gravada pelo gabinete da Presidência, deixando bem claro que a “grande imprensa” não é confiável.

5. Diretas Já (1984)

No dia 25 de janeiro de 1984, São Paulo teve a maior manifestação pública da História do Brasil, até então. Entre 250 mil e 400 mil pessoas estiveram na Praça da Sé para pedir eleições diretas para presidente. O noticiário da Globo tentou esconder a razão do comício, falando do aniversário da cidade – São Paulo completava 430 anos.

Porém, o movimento ganhou força, recebeu apoio de vários veículos de mídia, e não pôde mais ser ignorado pela Globo. Só que o povo não esqueceu: como noticiou a Folha de São Paulo após o comício de 16 de abril de 1984 (maior manifestação pública da História do Brasil, que reuniu 1,5 milhão de pessoas no Vale do Anhangabaú, São Paulo), os presentes gritaram o coro “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo!”.

4. Reeleição de Lula (2006)

Durante a campanha presidencial de 2006, foi divulgado que petistas teriam tentado comprar um dossiê contra candidatos do PSDB. Prato cheio para a mídia, que fustigava Lula.

No último debate antes do primeiro turno, ao qual o presidente não compareceu, ficou descarada a vontade da Globo de detonar o presidente: os candidatos presentes tinham a opção de fazer “perguntas ao candidato ausente”.

Um dia depois do debate, em 29 de setembro de 2006, foi divulgada “a foto do dinheiro para comprar o dossiê”. Uma parede de notas montada para “sair bem na foto” (e na TV). E a eleição, realizada dois dias depois, foi para o 2º turno.

Porém, a mídia não contava com o acidente do avião da Gol no mesmo 29 de setembro, que desviou um pouco o foco da foto do dinheiro. E apesar do candidato Geraldo Alckmin (PSDB) repetir quase como um mantra a pergunta “Qual a origem do dinheiro para a compra do dossiê?” em seus programas de televisão e nos debates do segundo turno – aos quais Lula compareceu -, o presidente arrasou seu adversário no dia 29 de outubro. Alckmin conseguiu a façanha de ter menos votos no segundo turno do que no primeiro.

3. Eleição do Brizola (1982)

Após retornar do exílio, o ex-governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, candidatou-se ao governo do Estado do Rio de Janeiro pelo PDT, em 1982. Era considerado favorito, mas a ditadura não queria deixar as coisas assim tão fáceis para um de seus maiores adversários.

A tática era atrasar o máximo possível a divulgação dos resultados finais da votação (que em 1982 acontecia em um só turno), para fraudar a eleição roubando urnas de redutos brizolistas. A Globo entrava na seção “convencimento”: divulgaria que os resultados só sairiam com as últimas urnas, mas projetando a vitória do candidato do PDS (partido da ditadura).

Porém, os espertos não contavam com a indignação de Leonel Brizola: as projeções de resultados do Jornal do Brasil indicavam que ele venceria com folga. Brizola exigiu espaço na Globo para denunciar a fraude, e jornalistas ligados à emissora foram hostilizados. Pouco depois, as projeções passaram a anunciar a vitória de Brizola, que acabou eleito.

2. AI-5 (1968-1978)

O AI-5 foi um dos maiores ataques à liberdade na História do Brasil. A censura prévia de jornais tornou-se corriqueira.

Por que chamá-lo de “humilhação à midia”? Porque praticamente toda a “grande mídia” de hoje em 1964 estava ao lado dos golpistas que derrubaram João Goulart e que quatro anos depois baixaram o ato.

O fato de terem sofrido com a censura fez muitos jornais, rádios e TVs passarem a se posicionar contra a ditadura, mas não podemos nos enganar, achando que são “democratas”. Querem democracia só quando lhes interessa.

1. Direito de resposta do Brizola no “Jornal Nacional” (1994)

Em 1990, Leonel Brizola foi novamente eleito governador do Rio (desta vez, sem precisar enfrentar fraude). Em 1992, uma reportagem do “Jornal Nacional” o atacou duramente, e Brizola entrou na Justiça para pedir direito de resposta. Como eu disse, a mídia se diz “democrata” quando lhe interessa: assim pode decidir os rumos de um país e acabar com a reputação de quem não lhe agrada.

Mas, Brizola se deu melhor de novo, assim como em 1982. No dia 15 de março de 1994 a Justiça determinou a leitura de uma nota de resposta de Brizola, cheia de críticas à Globo e a Roberto Marinho, em pleno “Jornal Nacional”:

Menção honrosa: O retorno de Chávez (2002)

Eu ia tratar só da mídia brasileira, mas o episódio do golpe e o contra-golpe na Venezuela não podia ser esquecido.

No dia 11 de abril de 2002, uma escalada de violência em Caracas, iniciada com protestos da oposição a Hugo Chávez, foi o estopim de um golpe militar contra o presidente venezuelano. Chávez foi seqüestrado por militares, que não o convenceram a renunciar – deixando muito claro que se tratava de um golpe. A TV pública venezuelana, única que não fazia campanha contra o presidente, foi tirada do ar pelos golpistas.

As emissoras privadas, empenhadas em derrubar Chávez, não mostravam informações que fossem favoráveis ao presidente. Diziam, por exemplo, que Chávez havia renunciado. Mas o povo não acreditou e saiu às ruas no dia 13 de abril, para pedir o retorno do presidente legítimo. As TVs privadas, claro, não mostraram nada.

Bannalidades

Ontem não houve Grenal. Afinal, não foi Grêmio x Internacional, e sim, Banguzinho x Internacional. É um novo clássico do futebol brasileiro que está surgindo: o BANNAL.

Não foi a primeira vez que as duas equipes se enfrentaram. Infelizmente ninguém ainda fez a contabilidade do clássico, assim eu vou puxar da minha memória.

Mas antes, é preciso estabelecer um critério. Será considerado “Banguzinho” o time misto/reserva do Grêmio. E assim como uma andorinha não faz verão, um reserva não faz Banguzinho. Tem que ser boa parte do time formado por reservas.

Bom, agora vem a parte interessante: definir quais Grenais foram, na verdade, Bannais. O primeiro (e o segundo) que me vêm à cabeça foram as partidas decisivas do Campeonato Gaúcho de 1995. O Grêmio estava envolvido com a Libertadores que viria a conquistar no final daquele inesquecível mês de agosto (que foi de desgosto só para colorado). Assim, decidiu não priorizar a final do Gauchão. Entrou em campo o “Banguzinho misto” (ou seja, com alguns titulares do Grêmio), e… Foi campeão!

Assim, caso eu não esteja enganado, no dia 6 de agosto de 1995 foi disputado o primeiro Bannal da história, no campo da beira do Guaíba, que acabou em 1 a 1. Uma semana depois, no dia dos pais, o Banguzinho conquistou o título gaúcho ao vencer por 2 a 1 no Estádio Olímpico.

O terceiro Bannal que eu me lembro foi em 24 de junho de 2007, pelo Brasileirão. O Grêmio vinha de uma extenuante disputa da Libertadores, da qual foi vice-campeão – ao contrário do rival, eliminado na primeira fase – e decidiu poupar titulares. “Banguzinho misto” para o Bannal número 3, no estádio do Inter. E aconteceu assim a primeira vitória do Banguzinho no campo adversário, 2 a 0.

E os dois últimos foram pela Copa Sul-Americana de 2008. No dia 13 de agosto, quando se completaram 13 anos da primeira vitória do Banguzinho em Bannal (naquele jogo do Gauchão de 1995), aconteceu um empate em 1 a 1 no campo do Inter. E ontem, o 2 a 2 no Olímpico classificou o rival, mas o Banguzinho manteve sua invencibilidade: em cinco Bannais, nunca perdeu.

Abaixo, as estatísticas do clássico – se é que dá para chamar de clássico um confronto no qual só um dos rivais já venceu:

  • Total de Bannais: 5
  • Vitórias do Banguzinho: 2
  • Empates: 3
  • Vitórias do Inter: 0
  • Gols do Banguzinho: 8
  • Gols do Inter: 5

Como não sei se esses dados estão certos – puxei da minha memória que, modéstia a parte, é muito boa, mas ela não está livre de falhas – agradeço se alguém puder, nos comentários, corrigir eventuais erros. Desde que, é claro, leve em conta o critério que apresentei no começo da postagem.

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Atualização

A primeira correção veio no comentário do Guillermo: no dia 24 de junho de 2007 houve Grenal, e não Bannal. Afinal, a maior parte do time naquele jogo era titular: os únicos reservas eram Ramón, Amoroso e Éverton. Sandro Goiano voltou a ser titular do Grêmio com a venda de Lucas, Schiavi assumiu – por pouco tempo, é verdade – a titularidade devido à lesão de Teco, e Patrício… Bom, Patrício era o titular da lateral-direita desde 2005: “ruim” não quer dizer “reserva”.

Logo, altera-se a estatística do Bannal.

  • Total de Bannais: 4
  • Vitórias do Banguzinho: 1
  • Empates: 3
  • Vitórias do Inter: 0
  • Gols do Banguzinho: 6
  • Gols do Inter: 5

Grêmio 2008

Tenho acompanhado em outros blogs (e principalmente no Alma da Geral) a preocupação da torcida gremista com o início de ano do clube. E não é para menos. Nos dois jogos-treinos realizados até agora em 2008, o desempenho é péssimo. 3 a 0 no amador Flamengo de São Valentim (que ano passado levou 9 a 0), e ontem, só 1 a 0 no também amador São Paulo de Bento Gonçalves, fizeram a torcida perder a paciência e vaiar o time.

Isso não é pouco, considerando que em 2007 aconteceu o mais perfeito casamento entre time e torcida que já vi, e olha que já fazem mais de 10 anos que freqüento o Olímpico. Era emocionante ver o time entrar em campo e ser recebido como era pela Geral. Na final da Libertadores, a torcida cumpriu o que era prometido num vídeo de arrepiar que eu postara uma semana antes, e deu o maior espetáculo que já vi em um estádio de futebol.

E olha que o Grêmio tinha uma tarefa gigantesca pela frente, de precisar fazer 4 gols de diferença no Boca: mesmo com a derrota de 2 a 0, o Olímpico aplaudiu o time, simbolizando que a união continuaria mesmo com a perda do título tão sonhado.

E realmente continuou, desta vez para levar o time à Libertadores de 2008, mas a vaga não veio, e o time vice-campeão sul-americano se desmanchou. Pior: perdeu jogadores que não precisava perder, como William, que desejava ficar no Grêmio mas foi mandado para o Corinthians como pagamento de uma dívida antiga. Teco se machucou, e agora a defesa gremista terá de contar com o fraquíssimo Pereira.

Quanto ao Diego Souza, seria bom se ele permanecesse, mas acabou tornando-se muito caro. E depois de uma longa novela, acabou indo para o Palmeiras.

Do jeito que andam as coisas, o time dependerá ainda mais da torcida em 2008 para manter a hegemonia estadual e almejar alguma coisa no Campeonato Brasileiro, ou para brigar pelos títulos da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana. O problema é que a pré-temporada não é nada empolgante. E para que a união entre time e torcida volte a acontecer, é preciso uma identificação maior entre jogadores e torcedores – e atletas que tinham essa identificação, como Saja, Gavilán (sacado do time graças à estúpida contratação de Hidalgo), William e Sandro Goiano, foram embora.

Vamos esperar para ver. Espero que eu morda minha língua e 2008 seja um grande ano para o Tricolor. Porque, por enquanto, acredito que o Brasileirão não se resumirá a briga para não cair porque o futebol brasileiro está nivelado por baixo, a maioria dos times são muito ruins.

A “homenagem” ao Galvão

Em maio, a torcida do Grêmio “homenageou” Galvão durante o jogo contra o São Paulo, pela Libertadores. Não cantei junto: por estar com um forte resfriado, fiquei em casa aquela noite, e só depois soube da homenagem.

Mas o caso mais recente aconteceu durante Brasil x Equador, no Maracanã. Eu notara que estranhamente a torcida estava em silêncio, apesar da vitória parcial do Brasil. Não estava: os cânticos debochavam da Globo e de Galvão, e por isso o som da torcida fora cortado da transmissão.

Bom, já que a Globo cortou isso, podia ter cortado as vaias ao Lula na abertura do Pan. Mas como aí não interessava a eles…

E como disse o Luiz Carlos Azenha, a Globo saiu no lucro, pois o público limitou-se ao deboche: a torcida podia ter gritado “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”… Aliás, isso é algo que sonho em ver e ouvir no Olímpico.