Uma de minhas maiores alegrias atinge a maioridade

Em 30 de agosto de 1995 eu tinha 13 anos, faltando um mês e meio para chegar aos 14. Se fosse questionado quanto ao dia 30 de agosto de 2013, teria apenas uma certeza: “serei médico”. Como profeta, sou um bom blogueiro…

Mas naquela quarta-feira, o único futuro que me interessava era o das 22h30min – horário em que a bola rolaria no Estádio Atanásio Girardot, em Medellín, para o jogo entre Nacional e Grêmio, decisão da Libertadores. Após vencer por 3 a 1 no Olímpico, o Tricolor voltaria com a taça mesmo que perdesse por um gol de diferença.

Muito cedo, aos 12 minutos de jogo, Aristizábal fez 1 a 0 para o Nacional, incendiando e dramatizando a final: o Grêmio precisaria pelo menos segurar aquele resultado até o final, pois uma derrota por dois gols de diferença levaria a decisão para os pênaltis, e três gols dariam a taça aos colombianos.

O Tricolor resistiu quase até o final. Quase, pois aos 40 do segundo tempo, Alexandre foi derrubado na área e o árbitro marcou pênalti; Dinho meteu um canudo quase no meio do gol e empatou. O Grêmio não precisava mais segurar, bastava esperar e depois, celebrar: a Libertadores era nossa, de novo!

Mas, engana-se quem pensa que apenas o dia 30 foi de uma felicidade inenarrável. Afinal, o jogo acabou já na madrugada da quinta-feira, 31 de agosto, que conseguiu ser igualmente inesquecível. À tarde, o time do Grêmio desembarcou no Aeroporto Salgado Filho e depois desfilou no caminhão dos bombeiros, sendo acompanhado por milhares de torcedores. Foi uma das melhores “aulas” dos meus oito anos (1989-1996) estudando no Marechal Floriano: como o Grêmio passaria pela Farrapos, os professores não tiveram outra saída e liberaram os alunos… Nem os colorados reclamaram!

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Faça as contas e sinta-se velho

Dando uma olhada em textos antigos, cheguei num que escrevi em fevereiro do ano passado. Nele, comentei sobre o fato de que quem nasceu em 1994 completou 18 anos em 2012.

Pura questão de matemática, então: em 2013, é a vez das pessoas nascidas em 1995 alcançarem sua maioridade… Um ano do qual tenho tantas lembranças boas (que não se resumem ao Grêmio), já se encontra a uma boa distância temporal.

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Já as lembranças que tenho de 1997 não são tão boas quanto as de 1995. Mas uma é muito especial: foi quando completei 16 anos, idade mínima para votar, o que me encheu de orgulho. Tanto que faltando um ano para a eleição, já fui correndo tirar o título de eleitor.

Pois bem: quem nasceu em 1997, chega aos 16 anos em 2013.

O passado não volta, mas pode servir de inspiração

Vez que outra, sou tomado pela nostalgia. Nada mais normal no ser humano do que, em um dia ruim, desejar muito que o tempo volte apenas para reviver dias mais felizes.

Depois a nostalgia passa, e percebo que é impossível voltar no tempo. Não tem jeito: o passado literalmente passou, e se o presente é ruim, que se faça algo para que o futuro seja melhor.

Porém, isso não quer dizer que o passado deva simplesmente ser jogado em “um canto” da memória (aliás, se eu concordasse com isso deveriam cassar meu diploma de História). Ele precisa ser relembrado, tanto em seus aspectos bons como nos ruins: as coisas boas podem muito bem servir de inspiração na construção do tão sonhado futuro melhor, já as ruins devem ser recordadas para que não cometamos erros semelhantes.

Os parágrafos acima se devem à eleição de hoje no Grêmio, na qual tenho três opções: o presente, o passado errado, e o passado nostálgico.

O presente do qual falo, obviamente, é Paulo Odone. É preciso ser extremamente desonesto para dizer que ele é um dos piores presidentes que o Grêmio teve: quem acha isso, não sabe o completo fracasso que foram as gestões de Flávio Obino, Rafael Bandeira dos Santos, e mesmo a de Cacalo (foi um grande vice de futebol, mas como presidente ganhou apenas um título, a Copa do Brasil de 1997, ainda com o time de 1996). Sem contar José Alberto Guerreiro, que até ganhou a Copa do Brasil de 2001, mas deixou o clube endividado, à beira da falência. Já Odone assumiu no pior momento da história do Grêmio (no início de 2005 o Tricolor estava rebaixado e afundado em dívidas até a testa) e, não se pode negar, conseguiu tirar o clube do inferno, embora não o tenha posto no paraíso, como dizem: boa parte da dívida com o condomínio de credores (uma boa iniciativa de Odone) foi quitada no biênio 2009-2010, ou seja, quando Duda Kroeff era presidente.

Porém, vem sendo muito repetida a afirmação de que só o Odone quis assumir a bronca. Não é verdade: em 2004 houve eleição para presidente do Grêmio e Odone não foi candidato único, teve de enfrentar Adalberto Preis e Antônio Vicente Martins – inclusive, foi a primeira vez em que os sócios foram chamados a elegerem o presidente e eles escolheram Odone.

Outro fato é que o estilo de Odone não me agrada nem um pouco. Não me esqueço de suas entrevistas após derrotas do Grêmio, quando para fugir do assunto ele falava de Arena, imortalidade, Batalha dos Aflitos… Sem contar o fiasco daquela negociação com Ronaldinho.

Assim, se não me agrada o presente, me restam duas opções ligadas ao passado. A primeira, é a de Homero Bellini Júnior, que é do mesmo movimento político de Guerreiro e era vice jurídico do Grêmio em 2001, quando Ronaldinho saiu praticamente de graça do clube. Ou seja, posso até estar sendo injusto com Bellini (que nunca foi presidente, ao contrário de Odone e Koff, que assim podem ter melhor analisados seus defeitos e qualidades), mas ele representa o “passado errado” do qual falo.

Assim, prefiro ficar com o “passado nostálgico”, que obviamente atende pelo nome de Fábio André Koff. Trata-se do presidente mais vitorioso da história do Grêmio (que, vale lembrar, não começou em 2005): com Koff, o Tricolor comemorou títulos, e não vagas. Mesmo que a classificação para a Libertadores de 1983 tenha vindo com um vice-campeonato (no Campeonato Brasileiro de 1982), o Grêmio não se contentou em comemorar a vaga, e tratou de ganhar a América e, depois, o Mundo. Então Koff saiu e voltou em 1993, para reerguer o Grêmio que voltava da Série B: ganhou a Copa do Brasil de 1994, a Libertadores de 1995 (assim foi ao Mundial e perdeu nos pênaltis para o timaço do Ajax), e se despediu da presidência com a conquista do Campeonato Brasileiro de 1996.

Porém, votar em Koff não é mero pensamento mágico, do tipo “voltar a 1995” – até porque, como já disse, o passado não volta. Nem é votar “pelo fim do projeto Arena”, como alguns dizem: na chapa de Koff está Adalberto Preis, presidente da Grêmio Empreendimentos (responsável pela Arena) durante a gestão de Duda Kroeff – vale lembrar que a obra começou em 2010, ou seja, com Kroeff e Preis.

Voto em Koff também porque não suporto mentiras. Muitas li (em panfletos apócrifos) e ouvi: além da tolice de que ele iria “acabar com a Arena”, também vieram com o papo de que ele “abandonou o Grêmio”, quando a verdade é que ele ajudou muito o clube – clique aqui e leia o item 3. (E é bom lembrar que Odone se licenciou da presidência para concorrer a deputado estadual em 2006: por que ninguém se queixa de seu “abandono”?)

E quanto a Fábio Koff “ter ajudado Fernando Carvalho”… Sinceramente, não vejo motivos para ficarmos tão bravos, tão “amargos”. Pelo contrário, é uma flauta a mais que podemos tocar em nossos rivais: sozinhos, eles não ganham nada!

Aliás, era o que acontecia naqueles anos inesquecíveis de Koff à frente do Grêmio: enquanto eles se matavam por uma vaguinha nas finais dos campeonatos que jogavam, nós levantávamos taças. O ano de 1995, por exemplo, foi um dos mais sensacionais que tive: além da turma do colégio, foi muito marcante aquela Libertadores que se somou à de 1983 e a muitas outras taças que o Tricolor ganhou com Fábio Koff na presidência.

Bons e velhos tempos

Via Alma da Geral, tomei conhecimento do ótimo texto escrito por um palmeirense que veio ao último Grêmio x Palmeiras, no Olímpico Monumental, domingo passado. Além de falar sobre o jogo em si, o autor dedica seis parágrafos ao estádio gremista, em tom de homenagem ao palco de inesquecíveis partidas entre Grêmio e Palmeiras na década de 1990, principalmente nos anos de 1995 e 1996.

Foi quando reparei que infelizmente não pude conhecer o antigo Palestra Itália, demolido para dar lugar a uma nova “arena” (que ao menos ficará no mesmo lugar do estádio anterior, enquanto o Grêmio vai se mudar para longe de onde é o Olímpico).

Depois, também reparei que o grande antagonismo entre Grêmio e Palmeiras na década de 1990 se devia ao que eles tinham em comum: grandes times, que eram inegavelmente os melhores do Brasil. Eram os clubes que dominavam o cenário nacional (apesar de, ironicamente, não terem se enfrentado em nenhuma final). Para se ter uma ideia, de 1991 a 1999 não houve semifinal de Copa do Brasil sem Grêmio nem Palmeiras. E no mesmo período, quatro finais de Campeonato Brasileiro (1993, 1994, 1996 e 1997) também tiveram a presença de um dos dois clubes.

Mas os jogos mais marcantes foram, sem dúvida, pela Libertadores de 1995. Mais especificamente, pelas quartas-de-final (os dois clubes se enfrentaram também na fase de grupos).

A primeira partida foi na noite de 26 de julho, no Olímpico. Em um jogo marcado pela briga entre Dinho e Valber (que acabou se tornando generalizada), goleada histórica de 5 a 0 para o Grêmio, que dava a entender que a fatura estava liquidada. Eu já pensava na festa pela conquista da Libertadores…

Então veio aquele 2 de agosto. O Grêmio podia perder por quatro gols de diferença para se classificar. E ainda por cima fez um gol no começo do jogo, ampliando a vantagem. Parecia que o Palmeiras estava morto, mas reagiu de forma impressionante, e chegou aos 5 a 1. Insuficientes para a ir à semifinal, mas merecedores dos aplausos da torcida que lotou o Palestra Itália e quase presenciou o que seria considerado milagre. Além de nossa incredulidade: como quase conseguimos perder a classificação?

No fim, o sufoco serviu de lição: nunca, em hipótese nenhuma, se deve cantar vitória antes da hora. E assim o Grêmio ganhou a Libertadores.

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Hoje em dia Grêmio e Palmeiras têm mais uma característica em comum: vivem um jejum que parece não ter fim. Ambos não ganham nada de importante há anos: o Grêmio desde a Copa do Brasil de 2001 e o Palmeiras, ironicamente, desde a Libertadores de 1999. As conquistas se resumiram a títulos estaduais e da Série B (vencida pelo Palmeiras em 2003 e pelo Grêmio em 2005). E nesta reta final de 2011 ambos os times se arrastam em campo, contando os dias para o fim de uma temporada pífia.

Resta torcer para que o último ano do Olímpico Monumental pelo menos nos ofereça um mata-mata entre Grêmio e Palmeiras, como nos bons e velhos tempos (a última vez que os dois clubes se enfrentaram em mata-mata foi no Campeonato Brasileiro de 1996). De preferência, na decisão da Copa do Brasil, corrigindo assim a injustiça de ambos nunca terem se enfrentado em uma final. Só é uma pena que não haja mais o antigo Palestra Itália.

Em defesa de agosto

Navegando por Twitter e (principalmente) Facebook, vejo que tem muita gente feliz porque agosto está acabando. Parece que, realmente, trata-se de um “mês do desgosto”. E por isso, detestado.

Como bom “do contra” que sou, nunca tive nada contra agosto (que jamais acharei pior que os meses de verão – exceto março, que gosto por ser o início do outono no calendário, no dia 20). Já houve anos em que o oitavo mês foi realmente “do desgosto” para mim, mas nunca esqueço de um agosto em particular, muito glorioso. Foi em 1995.

Naquele agosto, o Grêmio disputava as partidas decisivas da Libertadores. A primeira foi um dos jogos mais sofridos que me lembro: no dia 2, o Tricolor podia perder por quatro gols de diferença para o Palmeiras, que se classificaria para a semifinal. E se classificou assim mesmo: perdendo por 5 a 1.

No dia 10, em plena tarde, o Grêmio disputou contra o Emelec o primeiro jogo da semifinal: empate em 0 a 0, debaixo de um solaço em Guayaquil. Seis dias depois, no Estádio Olímpico, vitória de 2 a 0 e vaga na final assegurada.

A decisão foi contra o Nacional de Medellín. O primeiro jogo foi disputado no Olímpico, na noite de 23 de agosto: 3 a 1 para o Grêmio, que assim foi para a Colômbia podendo perder por um gol de diferença.

O jogo decisivo foi disputado em 30 de agosto. A torcida do Nacional lotou o estádio Atanásio Girardot e fez uma bela recepção a seu time. Que abriu o placar, com Aristizábal, aos 12 minutos do 1º tempo, transformando a decisão num drama: o Grêmio não poderia levar outro gol, sob pena da decisão se dar nos pênaltis. E era muito cedo… O Tricolor teria de buscar o empate ou resistir 80 minutos.

Mas o Grêmio não precisou segurar até o fim. Aos 40 do 2º tempo, Alexandre invadiu a área do Nacional e foi derrubado. Pênalti, convertido por Dinho: 1 a 1, e a Libertadores era nossa, de novo!

Na tarde do dia seguinte, a melhor “aula” dos meus anos (1989-1996) de Marechal Floriano: os professores não tiveram outra alternativa senão liberar os alunos para verem o Grêmio passar pela Farrapos no caminhão dos bombeiros… Nem os colorados reclamaram!

Estamos nos acréscimos

Acabou “o jogo”, ou seja, a votação (pelo menos aqui em Porto Alegre). Agora é esperar o resultado final.

Felizmente, parece que ele não será como o daquele inesquecível confronto entre Grêmio e Palmeiras pela Libertadores de 1995, que eu lembrei há pouco mais de duas semanas. Na comparação, podemos dizer que a campanha de Dilma “marcou o gol”, e ainda contou com a ajuda de Serra, que marcou um “golaço contra”: aquela bola – melhor, bolinha de papel – foi “no ângulo”!

Não precisava ser tão sofrido

Na noite de 2 de agosto de 1995, milhões de gremistas – eu incluído, é óbvio – passaram por um dos momentos mais angustiantes e dramáticos de suas vidas. O Grêmio disputava com o Palmeiras uma vaga na semifinal da Libertadores, com ampla vantagem (5 a 0) construída uma semana antes no Estádio Olímpico. O Tricolor poderia perder por até quatro gols de diferença, em um jogo para o qual foi criado um clima de guerra. E foi exatamente o que aconteceu: 5 a 1 para o Palmeiras. Nos últimos minutos, lembro que dava vontade de desligar a televisão, mas ao mesmo tempo temia ouvir foguetes e não saber de quem eram, então resisti até o aliviante apito final.

Por que relembrei aquela noite tão angustiante para os gremistas? Pois percebo estar acontecendo algo muito semelhante com a eleição presidencial brasileira. Só espero que não ocorra agora o que por pouco não se deu em 1995.

Durante boa parte da campanha eleitoral do primeiro turno, as pesquisas apontavam uma ampla vantagem de Dilma Rousseff, que tinha tudo para ganhar já em 3 de outubro, sem necessidade de segundo turno. A vantagem inicial, os “5 a 0”, era a alta popularidade do presidente Lula. E a subida nas pesquisas, uma situação semelhante à que vivia o Grêmio aos 8 minutos de jogo naquele 2 de agosto de 1995: o Tricolor fazia 1 a 0, que somado ao resultado da semana anterior dava 6 a 0. Impossível perder a classificação. Impossível?

Lembro bem que o Grêmio sofreu dois gols no primeiro tempo no Palestra Itália, mas a situação ainda era bem confortável. Quando sofreu o terceiro, pensei que iria tentar marcar logo um segundo gol no jogo, para liquidar a fatura – e não era algo muito arriscado, já que o Palmeiras precisava ainda mais ir para cima e consequentemente abriria espaços na defesa. Mas o Tricolor recuou demais, chamando o adversário ao ataque, e levou mais dois.

E é exatamente o mesmo que está fazendo a campanha de Dilma – que tinha uma enorme vantagem e permitiu que ela fosse diminuída. Diante da ofensiva tucana, ao invés de responder como se deveria – ou seja, comparando os governos FHC e Lula e alertando que votar em Serra significa defender o retorno àqueles tempos ruins – o PT se limita a fazer inserçõezinhas chamando o candidato do PSDB de “Zé Promessa” e a dizer que Dilma não pretende legalizar o aborto (questão que não cabe ao presidente, e sim ao Congresso). E de nada adianta acharem que basta os blogueiros fazerem campanha para Dilma: a cada vez que eu desminto uma “corrente” direitosca, outra invade as caixas de e-mails de muita gente, e fica cada vez mais difícil detonar todos os boatos. A campanha oficial foi criar uma “central anti-boataria” só depois de ter deixado a eleição ir para o segundo turno.

No momento, a vantagem ainda é de Dilma. Ou “marca logo o gol” e define a disputa, ou teremos de comemorar caso tenhamos um final semelhante ao daquela quarta-de-final da Libertadores de 1995. Numa eleição que, assim como aquele jogo, não precisava ser tão sofrida.

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Como comparei Dilma com o Grêmio, obviamente a comparação de Serra é com o Palmeiras (que coincidentemente, é o time dele). Aproveito para pedir desculpas aos palmeirenses eleitores de Dilma, pois como gremista que sou, a primeira lembrança que me veio para comparar com esta eleição foi aquele jogo dramático.

Já aos gremistas que votam em Serra não peço desculpas, e sim, que mudem o voto

Presente melhor, não podia haver

No dia em que o Grêmio completa seus 107 anos, nada melhor do que um jogo como o de hoje à noite.

Grêmio x Palmeiras, Renato x Felipão. Renato e Felipão na mesma noite, no Estádio Olímpico. Dois personagens históricos do Tricolor, numa partida que faz relembrar aqueles inesquecíveis confrontos dos anos 90 entre Grêmio e Palmeiras. Época em que os dois clubes encontraram-se várias vezes em mata-matas, com direito a muitas brigas.

O primeiro confronto foi pelas quartas-de-final do Campeonato Brasileiro de 1990. No jogo da ida, em São Paulo, 1 a 0 para o Palmeiras. Mas no Olímpico, o Grêmio fez 2 a 0 e se classificou para a semifinal.

Na Copa do Brasil de 1993, Grêmio e Palmeiras se enfrentaram nas quartas-de-final. Dois empates em 1 a 1, em São Paulo e em Porto Alegre; nos pênaltis, 7 a 6 para o Grêmio, classificado.

A primeira briga aconteceu pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil de 1995. No jogo da ida, 1 a 1 no Olímpico. Uma semana depois, no Parque Antarctica, o Grêmio chegou a fazer 2 a 0 no primeiro tempo, mas ainda na etapa inicial, após confusão, teve três jogadores expulsos (Dinho, Arílson e Luís Carlos Goiano), ficando com dois homens a menos (o palmeirense Mancuso também levara o vermelho). Acabou cedendo o empate em 2 a 2, resultado que classificou o Tricolor por ter marcado mais gols fora de casa.

Três meses depois, pela Libertadores, novo confronto. E nova briga. Na partida de ida, disputada no Olímpico, 5 a 0 para o Grêmio e uma confusão que deixou o jogo parado por 15 minutos – foi a famosa voadora de Dinho sobre Válber. Uma semana depois, no Parque Antarctica, o que parecia resolvido tornou-se dramático: 5 a 1 para o Palmeiras, e por pouco o Tricolor não perdeu a vaga.

Pela Copa do Brasil de 1996, Grêmio e Palmeiras se encontraram na semifinal. O primeiro jogo foi em São Paulo, e deu Porco: 3 a 1. A missão do Grêmio no Olímpico ficou complicada: precisaria fazer 2 a 0, ou vencer por três gols de diferença, para se classificar. O Palmeiras saiu na frente, mas o Tricolor virou para 2 a 1, resultado insuficiente para obter a vaga na final; não fosse o gol legal de Jardel anulado no final, acabaria 3 a 1 e a definição seria nos pênaltis. Resultado: nova confusão.

Meses mais tarde, mais uma vez, Grêmio e Palmeiras se viram frente a frente num mata-mata: eram as quartas-de-final do Campeonato Brasileiro. Como a melhor campanha era do Palmeiras, o primeiro jogo foi em Porto Alegre, e o segundo em São Paulo. No Olímpico, 3 a 1 para o Tricolor, de virada. A partida da volta, disputada no Morumbi, foi dramática em seus minutos finais, quando o Palmeiras fez 1 a 0; mais um gol daria a vaga ao Porco. Mas o Grêmio segurou, e seguiu em frente para conquistar seu segundo título brasileiro. Nestas partidas, incrivelmente, não houve nenhuma briga.

Desde então, nunca mais Grêmio e Palmeiras se enfrentaram em um mata-mata.

Todos ao Olímpico quarta!

O time está mal. O empate de ontem com o Atlético-PR não foi um bom resultado, como já andaram dizendo: ouvi o jogo pelo rádio e percebia que o Grêmio dominava. Só faltou algo: o gol da vitória. Quando a fase é ruim, parece que não tem jeito, a bola não entra mesmo.

Mas há, sim, uma maneira de sair dessa situação: com a torcida transformando o Olímpico num caldeirão. E a primeira oportunidade é nesta quarta, contra o Guarani: o jogo será cedo, às 19h30min (talvez até cedo demais, se levarmos em conta que muitos não conseguem sair do trabalho a tempo de chegarem ao estádio), mas ao menos não será no estúpido “horário da televisão” (22h); haverá promoção de ingressos (“paga um, leva dois”, como em 2003 – a única diferença é o preço, pois naquele ano cada dupla de gremistas entrava pagando apenas R$ 5); e com todo o respeito ao Guarani, não podemos negar que é um adversário bem mais fácil que o Santos de Neymar e Ganso (agora machucado, o que é uma pena para o futebol brasileiro), ou seja, é jogo para ganhar!

Como peguei um resfriado por conta da maldita umidade excessiva que se seguiu à secura do começo da semana passada, e há previsão de chuva para a quarta, já trato de ir tomando meus remédios e uns bons copos de suco de laranja (ou seja, vitamina C) para poder me somar aos milhares de gremistas que estarão no Olímpico para empurrar o Tricolor rumo à vitória!

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Como “recordar é viver”, e também para servir de motivação, não custa nada lembrar que hoje faz 15 anos que o Grêmio ganhou sua segunda Libertadores.

Afinal, quando o GRÊMIO terá uma camisa oficial que lembre o GRÊMIO?

Em 2005, a Puma passou a ser fornecedora de material esportivo do Grêmio. Seu primeiro modelo de camisa agradou à maioria dos torcedores, por ser relativamente próximo ao tradicional – camisa tricolor, sem invenções e com equilíbrio entre azul e preto, as cores que predominam no manto sagrado gremista (além do branco, nas listras mais estreitas).

A primeira invenção que desagradou a muitos gremistas – inclusive a este que vos escreve – foi a camisa de 2006. A camisa tricolor tinha uma manga azul e outra preta – bizarrice que se acentuava quando o Grêmio vestia mangas longas.

O modelo de 2007 foi melhor – ou, para ser mais exato, menos pior. Acabaram-se as mangas de cores diferentes, mas as listras azuis ficaram mais largas que as pretas (o que se repetirá em 2010, mas falo disso adiante). As duas mangas passaram a ser azuis.

A camisa de 2008 seria a melhor de todas as da Puma, não fosse por um detalhe. As listras azuis e pretas tinham praticamente a mesma largura e também preenchiam as mangas – modelo que lembrava as camisas tradicionais. Porém, o padrão listrado era interrompido nas costas, abaixo do número, em que o tecido era todo azul. Quase imperceptível quando os jogadores colocam a camisa para dentro do calção, é verdade; mas muitas vezes eles preferem deixar a camisa para fora, e os torcedores também costumam fazer o mesmo. Assim, o modelo 2008 não supera 2005.

O ano de 2009 foi marcado por três modelos: dois especiais para a Libertadores, e o terceiro para o Campeonato Brasileiro. A camisa tricolor para a disputa da Libertadores foi uma das mais bonitas que o Grêmio teve nos últimos anos: o único porém foram os diferentes tons de azul adotados para a camisa e o distintivo gremista; ainda assim, “passou”. O uniforme número 2 para La Copa também agradou, com uma camisa de listras azuis e brancas na horizontal, inspirada no uniforme de Los Pumas, a Seleção Argentina de Rugby. Já a tricolor do Brasileirão foi uma das mais criticadas dos últimos anos, devido ao “babador” que apresentava – aquela parte azul próxima à gola, que interrompia o padrão listrado do restante da camisa.

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Quando se anunciou que a camisa de 2010 seria inspirada naquela inesquecível de 1995, a torcida ficou esperançosa de que, enfim, o Grêmio teria uma camisa com cara de… Grêmio. A direção inclusive vendeu algumas camisas “no escuro”, sabendo que, se ela lembraria o glorioso ano de 1995, muitos não temeriam comprá-la sem vê-la.

Porém, não foi isso que se viu ontem, quando os novos uniformes foram lançados. A nova camisa até que não é feia, mas sequer lembra um clube que é conhecido como o Tricolor dos Pampas.

A frente tem apenas duas listras azuis e uma preta, que fica no meio (a camisa de 2003, o fatídico ano do centenário, também tinha uma listra preta no meio, mas não era a única), padrão que se repete nas costas – com interrupção no espaço em que fica o número (a propósito, é algo importante a dizer: gostei da fonte do número, sem aquele estilo “quadriculado” dos modelos de 2008 e 2009 do “babador”). Como as listras brancas (que sempre são menores) ficaram por demais estreitas, de longe chega a parecer que se trata de uma camisa bicolor.

Do jeito que vai, as camisas do Grêmio feitas pela Puma que mais venderão serão justamente as réplicas de modelos anteriores, todos originalmente de outras fornecedoras…

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Entendo que a Puma crie “padrões” de camisas utilizados com vários clubes e seleções que a tem como fornecedora de material esportivo. É direito da empresa.

Porém, as “invenções” deveriam se restringir ao uniforme nº 2 ou nº 3. A camisa principal, TRICOLOR, tem de ser, como nós torcedores costumamos dizer, “o manto sagrado”: qualquer invenção que a descaracterize deveria ser proibida pelo estatuto do Grêmio.

E, para se ter uma ideia, das sete camisas Tricolores feitas pela Puma (no post do Bruno Coelho no Grêmio 1903 tem uma linha do tempo Puma/Grêmio), nenhuma é igual a outra. Tanto no design como nos tons de azul. Apesar do modelo 2010 não ser o pior (as mangas diferentes de 2006 e o “babador” de 2009 são insuperáveis), está muito longe de ser uma camisa com a cara do Grêmio (não é só o Autuori que não a tem…).

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Atualização: só depois de ter o texto pronto, li o que escreveu o Hélio Paz sobre as novas camisas, e recomendo a leitura.