Mais socialista, e mais libertário

Em janeiro do ano passado, postei aqui o link para um interessante teste sobre visão política. E claro, também divulguei o resultado, que foi o seguinte:

  • Derecha/Izquierda Economicista: -8.62
  • Anarquismo/Autoritarismo Social: -8.31

Ontem, me “reencontrei” com o teste, que foi “twitteado” pela Cris Rodrigues. E decidi fazer de novo, só para ver se tinha mudado alguma coisa. E, de fato, mudei. Eis o resultado em fevereiro de 2010:

  • Derecha/Izquierda Economicista: -8.75
  • Anarquismo/Autoritarismo Social: -8.36

Ou seja, fiquei mais socialista e libertário!

Tudo bem, a diferença foi mínima. Mas, também quer dizer que, em um ano e um mês e meio, eu não “amadureci” (como costumam dizer os reacionários).

Faça o teste (em espanhol ou em inglês), e escreva seu resultado em um comentário – mesmo que já tenha feito isso ano passado. Vamos ver o quanto mudamos de lá pra cá.

Direita pretende se reunir na data errada – e desfalcada!

No próximo dia 1º de março, acontecerá em São Paulo um encontro de vários nomes que costumam aparecer na mídia livre e imparcial, o chamado “Fórum Democracia e Liberdade de Expressão”.

Faço duas sugestões aos organizadores. A primeira, é que mudem a data para 1º de abril, para comemorarem os 46 anos da revolução democrática que livrou o Brasil do comunismo ateu.

A segunda, para que o encontro tenha credibilidade, é que convidem nosso grande intelectual (e que não se converteu ao comunismo ateu!), o Professor Hariovaldo Almeida Prado. Ainda dá tempo!

Contra o AI-5 digital

No próximo dia 25 de maio (segunda-feira), às 14 horas, será realizado um ato público em defesa da liberdade na internet. Será na Sala Maurício Cardoso da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (4º andar do prédio). O horário é ruim, mas é fundamental que quem puder, compareça.

O motivo é o projeto de lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que se aprovado, instaurará o vigilantismo na rede, e criminalizará práticas cotidianas como a troca de arquivos em redes P2P. Será mais um passo na transformação em realidade da distopia de George Orwell.

E percebam que ao mesmo tempo em que se fala num projeto ditatorial, o ministro das Comunicações defende que troquemos a internet pela TV, como lembrou o Guga Türck: ontem eu apenas havia criticado a declaração do ministro, sem reparar a coincidência.

Interessantíssimo: desmascare um “realista”

Descobri no blog Tudo em Cima um interessantíssimo teste sobre visão política. Ao invés de classificar as pessoas apenas em “esquerda e direita”, também mostra onde ela se encaixa em termos de defender o autoritarismo ou a liberdade.

Eu fiz o teste e deu o seguinte resultado*:

  • Derecha/Izquierda Economicista: -8.62
  • Anarquismo/Autoritarismo Social: -8.31

Em um gráfico o resultado ficou assim (clique para ampliar):

testepolitica

Agora, comparemos o meu resultado com o perfil de nomes conhecidos da história (novamente, clique para ampliar):

axeswithnames

Façamos também a comparação com diversos líderes recentes e/ou atuais (de novo, clique para ampliar):

internationalchart

Clique aqui para fazer o teste em espanhol, ou aqui para fazê-lo em inglês. E, de preferência, deixe nos comentários seu resultado.

Quero só ver qual será o resultado dos testes feitos por “realistas”

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* Sim, o resultado do meu teste “mudou”. Pois depois de fazê-lo, percebi que havia me confundido com o significado de algumas palavras em espanhol, e decidi refazer o questionário.

40 anos do AI-5

A “Lei de Murphy” diz em um de seus “artigos” que “nada está tão ruim que não possa piorar”.

Tal “artigo” é claramente aplicável ao Brasil entre 1964 e 1968 – mas dali até 1978, não havia como piorar.

O golpe militar de 1964 havia instituído a censura e suprimido muitas liberdades no país. Em 1968, questões nacionais, aliadas ao contexto mundial, em que a ordem vigente – tanto “de direita” quanto “de esquerda” – era contestada, levaram muitas pessoas às ruas para pedir a restauração da democracia. Afinal, os militares tinham tomado o poder em 1964 prometendo “reestabelecer a ordem”, que segundo os setores reacionários da sociedade estava ameaçada pelo “perigo comunista” representado pelo presidente João Goulart – que, vale lembrar, não era comunista.

No dia 2 de setembro de 1968, o deputado Márcio Moreira Alves fez um discurso no Congresso pedindo que o povo boicotasse as comemorações do 7 de Setembro e que as mulheres defensoras da liberdade se recusassem a sair com oficiais, que foi considerado ofensivo aos militares. O governo fez ao Congresso um pedido de licença para processar o deputado – negado na sessão de 12 de dezembro.

Em resposta, no dia 13 (uma sexta-feira) o ditador Costa e Silva baixou o Ato Institucional nº 5 (AI-5). Ao contrário de atos anteriores, tinha vigência por tempo indeterminado – tanto que valeu até 31 de dezembro de 1978. Foram proibidas reuniões e manifestações públicas de caráter político, acusados de “crimes políticos” perderam direito a habeas corpus, foi recrudescida a censura, o Presidente da República passou a ter direito de decretar o estado de sítio e prorrogá-lo pelo prazo que considerasse necessário, dentre diversas outras medidas autoritárias. A ditadura iniciada em 1964 mostrava que não era simplesmente “transitória”.

Para ler mais sobre o AI-5, três dicas:

A coerência da direita

Coisa muito interessante é a coerência que vemos na direita. No mundo inteiro.

Ela se diz favorável à “liberdade”, tanto na política como na economia.

Vivenciamos por 21 anos, de 1964 a 1985, uma ditadura implantada por um movimento golpista que se auto-intitulava “revolucionário democrático”, da mesma forma que o Bush diz fazer guerra pela paz. Para certas pessoas, a democracia só é interessante quando elas ganham a eleição: quando a oposição vence, é sinal de que “o povo não sabe votar”, então é preciso tirar o direito dele para “aprender”.

E na economia, é o que vemos ultimamente: os defensores do livre-mercado correndo para pedir socorro ao Estado que eles dizem que deve ser mínimo. Sem contar alguns empresários que não investem um centavo sem receberem “incentivos fiscais”, ou seja, favores do mesmo Estado que eles tanto criticam.

Logo, não é tão estranho ver o Coronel Mendes, ídolo-mor da direita guasca e defensor da pena de morte, citar a China como exemplo de país onde “a lei é forte”: lá, o partido que está no poder é chamado de comunista…

O que é liberdade para os cubanos?

Esta é a pergunta para a qual o Guga e a Têmis, do Alma da Geral, buscarão respostas durante sua viagem à Cuba, a partir do próximo domingo, dia 20. Também perguntarão “o que é liberdade?” para os turistas que visitam o país.

Mas, olha só qual é o conceito de “liberdade” para a Globo: refrigerante, pizza, seriados estadunidenses* (e não consigo entender como alguém acha graça naquilo)…

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* “Os Simpsons” e “Arquivo X” são, para mim, exceções que confirmam a regra…

Grande Murphy

Há tempos eu sou fiel seguidor de Murphy.

O descobrimento de sua Lei mudou minha vida. São vários “artigos”, mas pode-se dizer que ela se resume à frase: “se algo pode dar errado, dará”.

Certa vez, em um período de fossa, afoguei minhas mágoas num copo de cerveja. Meu amigo Diego (do blog Pensamentos do Mal) estava no bar para ouvir meus lamentos sobre um amor frustrado. Falei que “o amor é regido pela Lei de Murphy”: foi só eu começar a gostar dela, que ela começou a gostar de outro (dica: se você é mulher e procura namorado, me conquiste mesmo que eu não seja o seu tipo, que logo aparece outro cara para você!). O Diego gostou tanto da frase que pediu uma caneta emprestada ao garçom, para anotá-la no guardanapo. Ele jura que guarda até hoje aquele guardanapo.

O reconhecimento da força da Lei de Murphy fez com que eu nunca mais sofresse por amor. Pois cada paixonite é uma fossa em potencial. Toda vez que me livrei de paixões frustradas, entendi o significado da palavra “liberdade”. E aprendi a amar minha liberdade acima de tudo. Pois este amor não me deixa na fossa.

Mas eu não quero simplesmente falar de amor.

Em conversa com amigos ontem, eles achavam que era exagero eu comentar que o meu pai disse sentir “cheiro de 64”. Afinal, os tempos são outros: a Guerra Fria acabou, o Lula não é socialista, não há uma crise generalizada como em 1964, etc.

Pois bem: realmente parece exagero da minha parte escrever diversos textos “convocando à resistência”. Mas, como disse o Celso Lungaretti, não devemos subestimar a extrema-direita. Conforme o penúltimo parágrafo do texto dele, Há uma lâmina suspensa sobre nossa democracia. Poderá jamais ser acionada. Mas, melhor do que rezarmos para que não aconteça o pior, é desarmarmos o quanto antes essa guilhotina.

Assim como o fato de eu declarar amor incondicional à minha liberdade não impede que eu venha a me apaixonar (se será uma “guilhotina” só as conseqüências, felizes ou tristes, poderão dizer), o fato de poucos apoiarem um golpe não quer dizer que não haja a mínima chance dele acontecer. Não esqueçamos de Murphy.

Até porque eu também amo incondicionalmente a liberdade de expressão.

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Frase do dia: Se eu levasse um fora hoje e ele fosse noticiado, amanhã os jornais publicariam editoriais culpando o Lula.