Faça as contas e sinta-se velho

Dando uma olhada em textos antigos, cheguei num que escrevi em fevereiro do ano passado. Nele, comentei sobre o fato de que quem nasceu em 1994 completou 18 anos em 2012.

Pura questão de matemática, então: em 2013, é a vez das pessoas nascidas em 1995 alcançarem sua maioridade… Um ano do qual tenho tantas lembranças boas (que não se resumem ao Grêmio), já se encontra a uma boa distância temporal.

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Já as lembranças que tenho de 1997 não são tão boas quanto as de 1995. Mas uma é muito especial: foi quando completei 16 anos, idade mínima para votar, o que me encheu de orgulho. Tanto que faltando um ano para a eleição, já fui correndo tirar o título de eleitor.

Pois bem: quem nasceu em 1997, chega aos 16 anos em 2013.

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Números nada frios

Dizem que não há nada mais frio que os números. Afinal, eles são exatos, inflexíveis. Quando a chance de algo acontecer é de 99%, só quem deseja muito o contrário consegue acreditar naquele 1% restante. Já quem leva em conta apenas os números, praticamente bate o martelo – e raramente erra ao fazê-lo.

Agora, o que dizer quando você contabiliza algo diretamente ligado ao seu coração? É algo semelhante ao que acontece com quem se agarra a uma chance de 1%: números que dizem respeito a algo que realmente te afeta jamais serão “frios”.

Pois acabo de definir meus números do Olímpico Monumental até agora. Semana passada tinha divulgado o total de partidas que assisti no estádio, gols que o Grêmio fez e os que sofreu. Esses dados foram mais fáceis: ao montar a tabela no Excel, já tinha feito a numeração dos jogos até o último (que é o Gre-Nal de domingo); para os gols, usei as fórmulas do programa, que a cada partida adicionava os tentos marcados e sofridos ao total.

Porém, na contagem de vitórias, empates e derrotas, não teve jeito: como não entendo tanto do Excel, tive de voltar lá ao começo e somar tudo. Para não me perder, fui ano a ano. Quando cheguei em 2012, jogos de memórias tão recentes… Senti as lágrimas vindo, mas não chegaram a sair.

E assim consegui os números abaixo (sem contar o Gre-Nal). Os menos frios que tenho recordação.

  • Partidas: 257
  • Vitórias: 161
  • Empates: 55
  • Derrotas: 41
  • Gols marcados: 512
  • Gols sofridos: 232

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Agora, se números já trazem recordações e quase levam às lágrimas, é simplesmente impossível não chorar com o vídeo abaixo.

Maioridade

Há algumas semanas, o Vicente Fonseca fez um comentário no Facebook que demonstra bem o quanto é interessante essa história de “ficar velho”. Ele chamou a atenção para o fato de que pessoas nascidas em 1994 completam 18 anos em 2012.

Tá, até aí, nada mais natural, pura “questão de matemática”. Os números podem ser “frios”; porém, o fato é que ele lembra bem daquele ano de 1994 – e eu também.

Alguém poderá dizer que lembramos com facilidade porque 1994 foi realmente um ano marcante: Copa do Mundo, morte de Ayrton Senna, Plano Real, rebelião do Presídio Central, neve granular em Porto Alegre, Grêmio bi da Copa do Brasil… Bastante coisa para 365 dias. Porém, 1989 também foi um ano histórico (massacre da Praça da Paz Celestial, primeiras eleições presidenciais no Brasil depois de 29 anos, queda dos regimes autoritários ditos “socialistas” na Europa Oriental etc.), mas não teve para mim o mesmo significado: lembro “em primeira mão” (ou seja, sem ser graças ao conhecimento adquirido posteriormente) apenas de que foi o ano em que entrei no Floriano, de ter torcido para o Brizola no primeiro turno e para o Lula no segundo, e de ter ganho um Pense Bem no Natal.

Já de 1994, lembro bem de todos aqueles fatos que citei. Além de acontecimentos mais pessoais como, por exemplo, a apendicite que me mandou para uma sala de cirurgia no mês de abril.

Agora, como entender que gente nascida naquele ano, que não lembra nada da Copa do Mundo mais marcante para nossa geração (a dos nascidos nos anos 80), que não conheceu inflação de verdade (quando os preços subiam todos os dias), agora esteja em idade de prestar vestibular, tirar carteira de motorista, ser obrigada a votar e se alistar no Exército? (Lembram do filho do Bebeto, que ele “embalou” após marcar aquele gol contra a Holanda? Pois é…)

Pois é, tudo que aconteceu em 1994 completa 18 anos em 2012. Passou-se o mesmo tempo que o compreendido entre 1981 e 1999 – com a diferença de que em 1999 (quando completei 18 anos) eu não lembrava de absolutamente nada acontecido em 1981 sem precisar me “socorrer” de memórias alheias e livros de História.