Volta, Olímpico?

Fui à Arena na noite desta quinta, no primeiro jogo com temporal no novo estádio. E também a primeira derrota gremista.

Ironicamente, Grêmio x Huachipato foi o jogo menos difícil no quesito “deslocamento”. Fui direto do trabalho para o estádio, e como acabou cedo, voltei de trem tranquilamente. (Foi para isso que o jogo me serviu: me deixou ainda mais convicto de que o trem é o melhor meio de transporte urbano, já que ele não precisa parar em semáforos e nem pega congestionamento, chegando bem mais rápido ao destino.)

E no fim, pode ser que os jogos voltem a acontecer no Olímpico, e não só pelo Gauchão. O gramado voltou a receber críticas: pode parecer desculpa de perdedor, mas a grama da Arena está horrível.

Aliás, até agora não houve nenhum jogo do Grêmio sem problemas na Arena (além do gramado). Na inauguração foram os banheiros e os bares (a briga não foi culpa do estádio); contra a LDU tivemos a queda da grade na Geral na hora do gol; e agora, além da derrota, a falta de luz em partes da Arena no intervalo: se por um lado não demorou muito tempo para os refletores se reacenderem, por outro tal problema não deveria acontecer num estádio novo.

Suprema ironia: a série de textos em homenagem ao Olímpico publicada no Impedimento ao longo do ano passado se chama #VoltaOlimpico – e do jeito que vão as coisas na Arena, não parece mera licença poética… O problema é que os sócios gremistas estão pagando caro por algo que quase não estão usando.

Será o fim da avalanche?

Não fui ao jogo, então não pude comemorar in loco a primeira vitória oficial do Grêmio na Arena. Tinha de imprimir o tal voucher para entrar e também havia o problema maior – como voltar.

1 a 0, 5 a 4 nos pênaltis, vamos adiante na Libertadores. Beleza.

Mas, por outro lado, tivemos o acidente na hora do gol, quando a grade da mureta na Geral cedeu com a avalanche feita pela torcida para comemorar. Alguns torcedores ficaram feridos e foram levados ao hospital.

Lembro que em novembro, poucas semanas antes da Arena ser inaugurada, os Bombeiros disseram que teriam de ser instaladas cadeiras na Geral, pois a avalanche representaria risco aos torcedores. Houve reclamações, inclusive informando que no Olímpico jamais aconteceu nenhum acidente em dez anos de avalanches (muito embora o Grêmio tivesse reforçado a mureta da Geral para evitar que ela cedesse).

Pois ficou claro que os Bombeiros tinham razão. A estrutura da grade era frágil demais, não tinha como suportar o peso da torcida. Foram instalados para-avalanches para impedir que “toda” a Geral descesse: imaginem se toda aquela multidão fizesse a avalanche?

Agora, restam duas opções: reforçar a estrutura ou acabar com a avalanche, mediante a instalação de cadeiras. E se considerarmos os problemas que a Geral vem causando (como a briga na semana passada), acredito mais na segunda opção.

Renato Portaluppi

Eu não era favorável à contratação de Renato Portaluppi para treinar o Grêmio. Ainda não o acho um bom treinador.

Todos lembram que o Fluminense foi campeão da Copa do Brasil de 2007 e vice da Libertadores de 2008 com Renato na casamata. Mas depois da derrota na decisão contra a LDU, o Flu, que já estava mal no Campeonato Brasileiro, continuou mal. Renato não conseguiu fazer o time reagir e acabou demitido para, ao final do ano, assumir o Vasco que desabou para a Série B. Em 2009, Renato voltou ao Tricolor carioca, que estava ainda pior que em 2008, e não durou muito tempo – no final, foi Cuca (com uma boa ajuda de Fred, é verdade) que conseguiu “a la Grêmio 2003″ manter o Fluminense na elite.

Renato é o maior ídolo da torcida do Grêmio – ai é que está o problema. É amado até por aqueles gremistas cujos pais sequer se conheciam no glorioso 11 de dezembro de 1983. Ao assumir a casamata tricolor, Renato arrisca sua condição de “deus”, para tornar-se, em caso de uma sequência de maus resultados, o “burro”.

Mas, ao mesmo tempo, também pensei em algo: Renato poderia muito bem ter optado por permanecer no Bahia, onde ele não tem “um passado a prezar” (já que sua história lá se restringe a 2010 – no Tricolor baiano a única pressão se deveria ao fato de um clube com tanta tradição e uma torcida apaixonada estar há tanto tempo longe da Série A) e também está sempre perto da praia – que ele tanto gosta -, ainda mais numa cidade como Salvador, onde é verão o ano inteiro. Mas aceitou vir para Porto Alegre, no inverno (que para mim está no mesmo nível de idolatria que Renato, mas sei que muita gente pensa diferente…), para tirar seu clube do coração da má fase que enfrenta. Renato sabe que corre o risco de ser chamado de “burro” pela mesma torcida que tanto o idolatra, caso não dê certo.

Isso quer dizer então que Renato terá sucesso no Grêmio? Claro que não – é preciso esperar para ver. Mas ele demonstrou que não teme o risco de “manchar” sua gloriosa história no Tricolor.

E, se eu acho que Renato não deveria ser contratado devido ao que escrevi no começo do post, ao mesmo tempo espero, em dezembro, ser esculachado por conta dessas mesmas linhas, devido à reação do Grêmio no Campeonato Brasileiro e ao possível título da Copa Sul-Americana – afinal, quem é gremista torce para que o Grêmio ganhe sempre, e não para que tudo dê errado apenas por não gostar de determinado dirigente ou para não ter de dar o braço a torcer.

Dá-lhe, Renato!