O nosso Guaíba

Vídeo que mosta, em sequência de fotos obtidas durante passeio no Cisne Branco em 5 de abril de 2008, a imundície em nosso Guaíba. As legendas são baseadas em texto que escrevi no mesmo dia, após retornar do passeio.

Aliás, ao lembrar disso eu penso: por que perder tempo em estúpidas discussões quanto ao Guaíba ser rio ou lago? Pela lei é rio, mas a definição técnica deixemos para os acadêmicos (geólogos, geógrafos etc.) discutirem em seu espaço (ou seja, a universidade), e nos preocupemos em exigir que se pare de poluir o Guaíba!

Discussão inoportuna

Mês passado, divulguei aqui a palestra realizada pelo engenheiro Henrique Wittler a respeito da definição do Guaíba, se seria rio ou lago. Wittler apresentou diversos argumentos científicos que permitiriam classificar o Guaíba como rio – o que mostra não haver consenso acerca do assunto, visto que também com base em argumentos técnicos se pode chamar o Guaíba de lago, como os utilizados pelo Atlas Ambiental de Porto Alegre, coordenado pelo professor Rualdo Menegat, do Instituto de Geociências da UFRGS.

A definição científica do Guaíba é uma discussão que cabe aos acadêmicos, e ela deve ocorrer em um ambiente propício a ela – ou seja, a universidade – e não na imprensa. E, seja rio ou lago tecnicamente, o fundamental é lutar pela preservação do Guaíba, que legalmente é rio (assim diz a Lei Orgânica de Porto Alegre, o Atlas Ambiental é um trabalho acadêmico, não uma lei).

A propósito, vale lembrar que o próprio Menegat reconhece que seu trabalho está sendo usado em benefício dos concretoscos (já que a área de preservação permanente em margem de rios chega a 500 metros, aí chamam o Guaíba de lago mesmo que legalmente continue a ser rio, para diminuir a APP para apenas 30 metros) e defende que lagos deveriam ser muito mais protegidos do que rios, pelo fato de suas águas serem mais paradas.

Ou seja: trata-se de uma inoportuna discussão entre dois defensores do Guaíba. Melhor seria se nem tivesse começado. Quem ganha com isso são os concretoscos.

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Atualização: a charge abaixo, do Eugênio Neves, ilustra bem esse post.

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Guaíba: rio ou lago?

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A propósito: vi gente afirmando que “Auguste de Saint-Hilaire dizia já em 1820 com todas as letras que o Guaíba era um lago”. Só que eu tenho uma edição do diário de viagem dele (“Viagem ao Rio Grande do Sul”), e pelo que li, ele não tinha certeza alguma. Aliás, na maioria das vezes ele se referia ao Guaíba como “rio”. E também afirmou, quando procurava definir se era rio, lago ou lagoa, que “lago é uma porção de água cercada de terra por todos os lados” – definição que eu aprendi no colégio (ou será que todos os meus professores de Geografia estavam errados?).