“Nova Corja comunista!”

Claro que A Nova Corja está muito longe de ser de esquerda. Mas o título da postagem é o que os direitosos de plantão pensariam ao ler os dois artigos do Marcelo Träsel que indico: o primeiro é sobre o cada vez mais caótico trânsito de Porto Alegre, e o segundo trata do projeto arquitetônico previsto para a área do Estaleiro Só – cuja postagem que escrevi fez aparecer até uma “viúva da Ford” por aqui.

Para os direitosos de plantão, os dois textos do Marcelo Träsel são “coisa de comunista”. E olha que o próprio Träsel diz abertamente ser defensor do capitalismo.

Vale muito a pena ler os comentários ao artigos do Träsel – mesmo os de direitosos, porque fazem rir. Em termos de boas idéias, destaco no texto sobre a orla o de uma leitora que defende a revitalização mas sem obra faraônica como o projeto “Pontal do Estaleiro” prevê: “pavimenta, planta umas árvores, põe uma iluminação, uma ciclovia, um buteco pra pegar uma cerveja e um xis e deu!”. Tão simples, mas tão complicado para tanta gente…

Pontal do Estaleiro – Audiência Pública

Amanhã (6 de agosto) às 19h acontece na Câmara de Vereadores de Porto Alegre uma audiência pública para debater o Projeto Pontal do Estaleiro. É prevista a construção de quatro torres residenciais e duas comerciais para a área.

Se aprovado o projeto, terá início uma progressiva privatização da orla porto-alegrense. Ao invés de buscar aproximar a população do Guaíba, nossa elite “esclarecida” prefere que as margens sejam propriedades privadas de poucos. E não bastasse isso, de acordo com o que li no Dialógico a apresentação do projeto traz uma “sacanagem embutida”: “os prédios são apresentados em escala menor no contexto da paisagem, ou seja, proporcionalmente, aparecem mais baixos do que realmente serão construídos”.

Sem contar que a área sofrerá um grande acréscimo de tráfego, com todos os carros que ingressarão não só no complexo do Pontal, mas também no novo (mais um!) centro comercial que deverá ser inaugurado nos próximos meses, no mesmo bairro (Cristal).

E não se vê nenhum candidato à prefeitura tocar nesse assunto. Afinal, pega mal ir contra os interesses das construtoras, que são os mesmos da grande mídia – a qual não divulga uma vírgula que não seja favorável ao projeto…

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Infelizmente, não poderei estar presente à audiência, pois tenho aula no horário.

A imundície do Guaíba

Hoje pela manhã, aconteceu um passeio no Cisne Branco, patrocinado pela Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara Municipal de Porto Alegre, para verificação dos problemas ambientais no Guaíba. Além de vereadores, participaram também representantes de associações de moradores e movimentos populares. Junto com o meu pai, fui um dos representantes dos Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho. O barco não fez seu tradicional roteiro turístico, mas sim, passou pelos pontos mais poluídos do Guaíba. E o que vimos é simplesmente estarrecedor.

O local onde é feita a captação da água que chega às casas da maioria da população de Porto Alegre é também onde é despejado o esgoto dos bairros da Zona Norte, que é justamente onde vive a maior parte dos porto-alegrenses. Isto não é motivo para deixar de usar água da torneira para consumo, já que ela é tratada, mas vejam: quanto mais poluída a água, mais dispendioso é o seu tratamento.

Chegamos a navegar um pouco pelo Rio Gravataí, que marca o limite norte do município de Porto Alegre, onde não existe água propriamente dita, e sim um “caldo”, sem vida alguma. Muito fedor e muito lixo: sapatos, garrafas plásticas, caixas… Algo que, sim, sabemos que acontece mas quase não vemos, já que viramos as costas e fazemos de conta que não é problema nosso.

Em outros pontos do Guaíba o cheiro não era tão forte, mas também havia muito lixo, tanto boiando quanto acumulado nas margens. E, incrível: chegamos a ver uma tartaruga nadando naquelas águas, era literalmente a vida desafiando a morte.

Em breve, as fotos do passeio.

Onde fica a rua mais bonita do mundo?

goncalo

Segundo o blog A sombra verde, de Portugal, ela fica aqui em Porto Alegre, pertinho do Centro. É a Gonçalo de Carvalho, no bairro Independência, tombada como Patrimônio Histórico, Cultural, Ecológico e Ambiental de Porto Alegre no dia 5 de junho de 2006. Foi o primeiro caso deste tipo em todo o Brasil.

Em 2005, os moradores da rua iniciaram um movimento contra a construção do edifício-garagem da nova sede da OSPA, que seria ao lado do Shopping Total. Não eram contra a OSPA, como acusavam os favoráveis à obra. O que os moradores da rua não queriam era a garagem, cuja saída de carros se daria pela Gonçalo de Carvalho, o que aumentaria a poluição atmosférica e sonora na área. Sem contar que o fato do edifício-garagem ter dois andares subterrâneos tornaria necessário o uso de dinamite na obra, que poderia abalar ou mesmo derrubar os prédios vizinhos.

A luta parecia fadada à derrota. Em janeiro de 2006, faleceu o líder do movimento, Haeni Ficht. E poucos dias depois, o vice-prefeito Eliseu Santos referiu-se aos contrários à garagem como “dois cornos”.

Mas os moradores não desistiram, e venceram. Em junho de 2006 a OSPA desistiu de construir o teatro no Shopping Total, já que ali não poderia ser erguido o edifício-garagem – que poderia ser usado não só quando houvessem espetáculos, numa clara manobra do Shopping Total de ampliar seu estacionamento. Ainda hoje não foi definido o local onde será erguida a nova sede da OSPA – aliás, por que não retomar o projeto de construir o teatro no Cais do Porto, para assim reaproximar Porto Alegre do Guaíba?

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O movimento Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho foi citado também pelo blog Amics Arbres – Arbres Amics, da Catalunha, que postou uma mensagem de repúdio à repressão policial acontecida durante a ocupação por mulheres ligadas à Via Campesina da fazenda de propriedade da Stora Enso, usada para plantar eucaliptos e transformar o pampa em deserto.