Fora da rota prevista

Ainda bem que tenho o hábito de ler posts “antigos” nos blogs que costumo visitar… Ao contrário dos ignorantes por querer, dos quais a Têmis Nicolaidis fala em um ótimo texto publicado no Alma da Geral em 23 de março de 2007. Afinal, para tais pessoas, “antigo” é igual a “velho”, ou seja, “descartável”.

Eu ia comentar “com mais de dois anos de atraso” – me dêem um desconto, que eu me lembre descobri o Alma da Geral em maio de 2007 – mas imaginei que o comentário ficaria tão grande, que seria melhor transformá-lo num post no Cão.

Como o meu post será baseado no da Têmis, leia o dela, antes de continuar a leitura aqui.

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Por certo tempo, me esforcei para seguir algumas das “regras para o sucesso”, que a Têmis expôs. Quando criança, gostava de brincar de carrinho. O futebol não me atraía, já que eu era um perna-de-pau e sempre sobrava na escolha dos times. (Ainda sou podre, mas na época eu não via graça nisso, hoje é que chego até a me orgulhar.)

Por volta dos 11 anos, comecei a gostar das gurias. Porém, não me ensinaram a ser machista, a tratá-las como meros objetos (regra que, infelizmente, é legitimada por muitas mulheres). Talvez isso tenha sido a minha “rebeldia juvenil”: não via motivos para me revoltar contra os meus pais nem contra os meus professores (ainda mais que eu tirava notas altas), então eu o fazia contra a “turma”, que só falava em “baladas” (não usavam ainda tal termo, mas o sentido era o mesmo) e “pegação”, enquanto eu preferia me apaixonar (mesmo que platonicamente) por uma só guria. Hoje olho para trás e percebo que exagerei na dose de paixão (que chegou ao auge no dia que foi o pior da minha vida até acontecer o que parecia ser o verdadeiro apocalipse), mas ao mesmo tempo não me arrependo, pois pelo menos não fui igual a todo mundo – e se pudesse voltar atrás, eu continuaria a não querer saber de “baladas”, melhor um boteco com uma boa cerveja gelada.

Passei no vestibular da UFRGS em 2000, para Física. Era a matéria que eu ia melhor no colégio, e principalmente, eu não queria fazer o mesmo que a maioria da turma: o que saiu de advogado dali… Nada contra tal carreira, mas até que ponto a “vocação” não era uma imposição social? Talvez a minha própria opção também: eu remei “contra a maré” mais uma vez, não queria ser igual aos outros.

Dois anos depois, percebi que Física não era o que eu queria. Larguei o curso, pensei até em tentar conseguir um emprego e não voltar mais a estudar. Mas percebi que não era uma boa abandonar os estudos, e prestei vestibular para Direito em 2003 (para “conseguir emprego”, pode?).

Em 2004, fiz e passei para História na UFRGS, e agora estou a pouco mais de cinco meses da formatura – que considero como sendo a apresentação do TCC, a cerimônia eu acho uma grande bobagem. Considero a carreira acadêmica interessante, tentarei fazer mestrado, mas penso em outras possibilidades de trabalhar com o que aprendi.

Bom, o resto do “caminho de sucesso” eu ainda não alcancei. Mas depois de pegar tantos desvios – fazendo uma comparação, seriam estradas de chão batido mas mais bonitas, ao invés de uma auto-estrada asfaltada, duplicada e reta – eu já estou mais que decidido por não seguir o restante, e faço de tudo para me manter fora da rota.

Afinal, eu vejo amigos meus decididos a seguir tal free-way (sim, tem que ser em inglês, dá mais status!). Vidas confortáveis, mas… Monótonas. Onde o tesão pelo que se faz é substituído pelo simples “ganhar dinheiro”. A rotina ao invés da novidade. A troca do amor espontâneo pelo obrigatório. A aceitação e legitimação de tudo o que era aparentemente contestado na juventude.

Tudo isso para quê?

Para chegarem à velhice e perceberem, tarde demais, que a vida passou, e foi perdida.

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Quando eu “liguei a enxuta”

Depois da hilária série “Top 10 – Humilhações”, com posts sobre os maiores vexames dos grandes clubes brasileiros, o Impedimento lançou uma nova, dedicada apenas ao que o torcedor mais faz no futebol, além de torcer: secar.

Cheguei a fazer uma lista preliminar das minhas maiores secadas, mas agora a completo. E boa parte das referentes ao Inter é dessa década: afinal, os anos 90 foram gremistas, não era preciso secar muito… Era muito fácil o Inter perder quando os colorados mais acreditavam naquele ditado de que “agora, vai”.

Vale a pena chamar a atenção também que não só o Inter foi alvo da minha secação, como vocês verão – e elas nem sempre aconteceram por motivos meramente futebolísticos. Mas nenhum time foi mais secado do que o da beira do rio, afinal, eu tenho “inimigo na trincheira”: modéstia a parte, eu sou um herói por aguentar o meu irmão Vinicius (colorado mais chato da face da Terra) por tanto tempo sem lhe dar sequer um soquinho. Creio que a melhor maneira de suportar isso é… Secando!

Então, vamos ao meu “Top 10 – Secadas”.

10. Flamengo 1 x 0 Inter (13/12/1987)

Eu assisti o jogo decisivo do Campeonato Brasileiro junto com o meu pai e o meu irmão, os dois colorados. Se bem que o meu irmão tinha só 2 anos e meio, assim, ainda não incomodava.

Não que tenha sido uma grande secada, mas é a mais antiga que eu lembro, então precisa estar na lista.

9. Bragantino 1 x 0 Inter (24/11/1996)

Essa entra não tanto pela secada, e sim pelo “ato coletivo”.

Jogavam Grêmio e Goiás no Estádio Olímpico, e ao mesmo tempo, Bragantino e Inter em Bragança Paulista. Já classificado para as finais do Campeonato Brasileiro, o Grêmio jogou um dos piores primeiros tempos que já vi (provavelmente foi o pior daquele glorioso ano de 1996), foi para o intervalo levando 3 a 0, debaixo de vaias. Um vexame digno do “Top 10 – Humilhações” parecia se anunciar. Mas aquele era o Grêmio do Felipão. Sabe-se lá que impropérios o treinador falou no vestiário, mas o time voltou melhor no segundo tempo, e até fez um gol. O Goiás seguia na frente, com 3 a 1 no placar.

Porém, naquele momento a atenção se voltava a Bragança Paulista. O Inter precisava vencer um adversário já rebaixado para também ir às finais – se empatasse dependeria de resultados paralelos (dentre os quais, uma vitória do Grêmio seria bem-vinda). Os colorados já se sentiam jogando em Tóquio em dezembro de 1997. Só esqueceram de avisar o Bragantino, que venceu por 1 a 0.

No Olímpico, o jogo já era burocrático: o resultado era bom para o Goiás, que se classificava; e o Grêmio só esperava seu adversário nas quartas-de-final. E ainda por cima, o Inter estava fora. Numa jogada de mestre, o responsável pelo placar do Olímpico fez com que o letreiro passasse a exibir os dizeres “TORCEDOR GREMISTA, ‘ELES’ ESTÃO FORA”. Assim os gremistas que já pensavam em vaiar o time ao final do jogo (até eu vaiaria!), saíram do estádio felizes da vida, cantando músicas que debochavam dos vermelhinhos.

8. São Caetano 5 x 0 Inter (13/12/2003)

Eu não vi, não ouvi, nem prestei atenção em boa parte deste jogo da última rodada do Campeonato Brasileiro. Tinha uma atividade no PT (velhos tempos de filiado no PT…) que começava aproximadamente junto com o segundo tempo. Quando saí de casa e me dirigi à avenida João Pessoa, o São Caetano já vencia por 1 a 0.

O fato de não ter prestado atenção não queria dizer que eu não desejasse ardentemente a derrota vermelha. Afinal, bastava um empate para o Inter se classificar para a Libertadores de 2004. Um pontinho apenas, e eles fariam o que não conseguiam desde 1993. Seria um péssimo final para o ano do centenário gremista.

Eu também havia sido convidado para ir a uma pizzaria, comemorar o aniversário de uma amiga. A princípio eu não iria. Porém, quando recebi uma mensagem da minha mãe, me informando que o São Caetano havia vencido por 5 a 0, minhas convicções políticas foram vencidas pela fome – estomacal e “flauteal”. Informei que teria de sair, peguei um ônibus e me mandei para a pizzaria. Cheguei lá, e antes mesmo de cumprimentar a aniversariante, mostrei uma mão aberta a um amigo, primo dela, que era colorado…

Ainda bem que no dia seguinte o Grêmio fez 3 a 0 no Corinthians e se livrou do rebaixamento, se não toda essa diversão da véspera teria sido em vão.

7. Fluminense 2 x 1 Inter (01/09/2004)

Sequei muito, mas não adiantou. O Fluminense venceu o Inter por 2 a 1… PERAÍ??? Não tá errado esse troço???

Não: naquela noite, secar o Inter era… Torcer pelo Inter!

O técnico do Inter era Joel Santana. Desde que fora contratado, já se dizia que não daria certo, seu estilo não combinaria com o “futebol gaúcho”.

E de fato, não deu certo. Joel assumiu o time em 6º lugar no Campeonato Brasileiro, e já estava em 18º. Alguns já diziam que ia conseguir acabar atrás do pior Grêmio de todos os tempos. Se perdesse para o Flu, “tchau tchau, Joel”. Se ganhasse, seria ótimo para nós gremistas: o técnico ganharia uma sobrevida, e depois perderia mais umas três ou quatro partidas… Mas, por perder aquela, acabou demitido.

6. Inter 0 x 4 Juventude (02/06/1999)

Algumas horas antes daquele jogo, eu comentei com uma colega do curso de espanhol que eu fazia, colorada: “o Inter não vai perder hoje, vai ser 2 a 2”. De fato, era o que eu torcia que acontecesse, não imaginava uma vitória do Juventude no Beira-Rio. O empate com gols classificaria o Ju para a final da Copa do Brasil, já que o jogo de Caxias havia acabado em 0 a 0.

Tamanho pessimismo antes do jogo fez com que eu soltasse gargalhadas ao final da partida. Principalmente ao lembrar do meu irmão, sempre confiante, que estava no estádio assistindo àquele baile… É bom demais o Inter dar vexame e o meu irmão assistir ao vivo!

5. Inter 0 x 1 Cruzeiro (13/11/2002)

Penúltima rodada do Campeonato Brasileiro. O Inter estava na zona do rebaixamento, e precisava vencer para não colocar o pé na cova. Os colorados lembravam o jogo contra o Palmeiras, em 1999. Havia uma imensa mobilização deles.

Que não deu certo. O Cruzeiro venceu por 1 a 0, alguns jogadores do Inter já falavam em ficar para jogar a Segundona em 2003, de tão certa que era a queda. No bom e velho portão 8, muitos protestos, e muitas lágrimas.

Em casa, meu irmão tão quieto, mas tão quieto, que chegava a assustar. Nem cheguei a flautear na hora. Decidi guardar as energias para a última rodada.

Eu tinha tanta certeza, que nem fiz força para secar no último jogo, Paysandu x Inter. Já previa uma Série B 2003 com Palmeiras, Botafogo e Inter: apenas dois subiam, assim sobraria um grande para ficar mais um ano no purgatório. Mas eu não contava com a, no mínimo, amarelada do Paysandu, diante de sua torcida em Belém do Pará.

4. Irã 2 x 1 Estados Unidos (21/06/1998)

Esse era o jogo mais aguardado da primeira fase da Copa do Mundo de 1998. Afinal, reunia dois países que estavam há quase 20 anos sem relações diplomáticas. Rivalidade extra-campo entre duas seleções sem tradição no futebol.

Não era admirador do regime teocrático do Irã. Mas também detestava os Estados Unidos e sua política imperialista. Como não eram as palavras em persa que aos poucos iam se incorporando ao dia-a-dia do Brasil, ficou óbvio para quem – ou melhor, contra quem – eu torceria.

E de fato, sequei os Estados Unidos. Bastante no jogo contra o Irã – com direito a muita vibração nos gols iranianos – mas também em toda a primeira fase da Copa do Mundo. A seleção dos EUA perdeu seus três jogos (Alemanha, Irã e Iugoslávia) e ficou em último lugar na Copa.

3. Palmeiras 1 x 2 Cruzeiro (19/06/1996)

Quando um clube brasileiro disputa a decisão da Libertadores contra um estrangeiro, o doutor em Física Galvão Bueno sempre diz: “fulano é o Brasil na Libertadores!”.

Naquela noite, o Cruzeiro, hoje “Brasil na Libertadores”, era “o Grêmio na final da Copa do Brasil”. Tudo porque na semifinal entre Grêmio e Palmeiras, o bandeirinha anulara um gol legítimo de Jardel. Fiquei com ainda mais raiva do Palmeiras – que eu considerava, à época, o verdadeiro rival do Grêmio, já que o Inter não ganhava nem torneio de cuspe.

E de fato, o Cruzeiro “foi Grêmio” naquela noite. Após a vitória de virada dos mineiros, um de seus jogadores falou que a Raposa havia “vingado o Grêmio”.

No dia seguinte, cheguei cedo à aula. Pouco depois, chegou meu colega palmeirense Giuseppe (que no dia anterior já se dizia campeão), com aquela típica cara de “tive uma noite terrível”. Chovia e fazia frio naquela manhã, tempo perfeito para se pegar uma gripe, então recomendei ao Giuseppe que tomasse um Energil-C: o nome do comprimido de vitamina C estampava a camisa do Cruzeiro campeão.

2. Inter 2 x 2 São Paulo (16/08/2006)

Às vésperas desse jogo, ouvi alguns gremistas falarem em um tal de “ser gaúcho”. O que justificaria… Torcer pelo Inter!

Claro que não engoli tamanha sandice. Afinal, se o São Paulo ganhasse a Libertadores pela 4ª vez, teria todo aquele destaque na televisão, etc., etc., mas a solução para isso era muito simples: desligar a TV. E os são-paulinos, salvo um ou outro perdido por aqui, estão em São Paulo. Já os colorados estão aqui, muitas vezes dividindo o mesmo teto – meu caso. Aguentá-los, não é para qualquer um.

A tarefa do São Paulo era complicada, mas não impossível. Precisava vencer por dois gols de diferença para ser campeão – se vencesse por 1 a 0 nos 90 minutos, haveria mais 30 de prorrogação. Havia esperança.

Que parecia se ir quando o Inter fez 1 a 0. Mas renasceu no início do segundo tempo, com o empate são-paulino. O Inter ainda faria 2 a 1, mas o São Paulo ainda buscou o 2 a 2, faltando poucos minutos – apavorando os colorados e enchendo de esperança os gremistas de verdade. Eu já vislumbrava o Clemer levando o frango da vida dele, e um Beira-Rio inundado de lágrimas.

Mas, o frango não aconteceu, e deu Inter, campeão da Libertadores pela primeira vez. Para escapar da flauta, tive uma boa ideia: cumprimentar os rivais, que ficaram bastante surpresos com minha atitude. Bastante compreensível, afinal, nem tudo estava perdido. Ainda.

1. Ih, cadê a 1???

Esta fica para um post a parte. Primeiro, porque este já está muito grande. Segundo, porque, de fato, merece um post a parte, só para ela.

Um colorado sensato

O Valter – que é colorado – publicou um post a respeito do título estadual do Internacional e a falsa ideia que a conquista fácil pode passar, a de que o Campeonato Brasileiro será uma moleza.

Afinal, como todos lembram, ano passado o Inter foi campeão gaúcho com uma histórica goleada de 8 a 1 sobre o Juventude na final (mesmo placar da decisão do 2º turno de 2009 contra o Caxias), começou o Brasileirão como franco favorito, e acabou apenas em 6º lugar. Enquanto o Grêmio, eliminado do estadual em casa pelo mesmo Juventude que seria humilhado pelo Inter, brigou pelo título nacional até a última rodada.

E o fundamental no texto do Valter é que ele diz o óbvio: preferiria ganhar o Campeonato Brasileiro do que a Copa Sul-Americana. Afinal, como qualquer pessoa sensata entende, o Inter só foi “campeão de tudo” porque deixou precocemente de lutar não só pelo título nacional, como também por uma vaga na Libertadores de 2009: assim, se empenhou para ganhar a Sul-Americana e “salvar” o fim do ano de 2008, em que o verdadeiro objetivo era ganhar o Brasileirão.

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Um aviso aos “pifados”: nem tentem transformar o espaço destinado à discussão (comentários) em baixaria.

Cão no Olímpico em 2008

Ano passado, publiquei as “estatísticas” de minhas idas ao Estádio Olímpico Monumental para ver o Grêmio jogar. Aquela vez, eu já havia ido a 147 jogos, com 84 vitórias, 36 empates e 27 derrotas. Haviam sido marcados 401 gols: 263 do Grêmio e 138 dos adversários.

Agora, atualizo a publicação da estatística. Terminei 2007 com 16 jogos: 10 vitórias, 3 empates e 3 derrotas; 31 gols do Grêmio e 15 dos adversários.

Já em 2008, estive 17 vezes no Olímpico. Foram 13 vitórias gremistas, 3 empates e apenas uma derrota. O Tricolor fez 35 gols e sofreu apenas 10 – “melhor defesa anual” que já assisti no estádio, média de 0,59 por partida.

Fui aos seguintes jogos no ano que se acaba:

  1. Grêmio 2 x 0 Novo Hamburgo (Gauchão, 9 de fevereiro);
  2. Grêmio 6 x 0 Jaciara (Copa do Brasil, 27 de fevereiro);
  3. Grêmio 4 x 0 Ulbra (Gauchão, 1º de março);
  4. Grêmio 2 x 3 Juventude (Gauchão, 6 de abril);
  5. Grêmio 3 x 0 Atlético-PR (Brasileirão, 22 de junho);
  6. Grêmio 1 x 1 Inter (Brasileirão, 29 de junho);
  7. Grêmio 2 x 1 Portuguesa (Brasileirão, 13 de julho);
  8. Grêmio 1 x 0 Cruzeiro (Brasileirão, 19 de julho);
  9. Grêmio 1 x 1 Palmeiras (Brasileirão, 27 de julho);
  10. Grêmio 2 x 0 Vitória (Brasileirão, 3 de agosto);
  11. Grêmio 1 x 0 São Paulo (Brasileirão, 17 de agosto);
  12. Grêmio 2 x 1 Vasco (Brasileirão, 31 de agosto);
  13. Grêmio 2 x 1 Botafogo (Brasileirão, 4 de outubro);
  14. Grêmio 1 x 0 Sport (Brasileirão, 23 de outubro);
  15. Grêmio 1 x 1 Figueirense (Brasileirão, 2 de novembro);
  16. Grêmio 2 x 1 Coritiba (Brasileirão, 16 de novembro);
  17. Grêmio 2 x 0 Atlético-MG (Brasileirão, 7 de dezembro).

Não fui aos dois primeiros jogos do ano no Olímpico (pelo Gauchão, dias 19 e 26 de janeiro contra 15 de Novembro e Santa Cruz, respectivamente) ora por ter compromisso, ora por não estar em Porto Alegre. Mas pelo Gauchão, confesso que não costumo ser muito assíduo, dada a qualidade dos jogos.

Após a eliminação do Gauchão passei dois meses sem ir ao estádio. Não foi por revolta contra o time. No dia 9 de abril (eliminação da Copa do Brasil contra o Atlético-GO), eu tinha aula. Em 18 de maio optei por ir à Redenção (e me arrependi profundamente disso, por motivos “extra-campo”) ao invés de ver o Grêmio empatar em 0 a 0 com o Flamengo, pelo Brasileirão. No sábado seguinte, 24 de maio, não assisti à vitória de 2 a 0 sobre o Náutico para ir a um aniversário. No dia 8 de junho (Grêmio 2 x 1 Fluminense) o tempo estava muito úmido (já chovera bastante pela manhã) e eu estava com um forte resfriado.

Dali em diante, faltei a poucos jogos. Em três deles (Grêmio 1 x 0 Ipatinga, dia 6 de agosto; o Gre-Nal da Sul-Americana que acabou empatado em 2 a 2 no dia 28 de agosto; e Grêmio 2 x 0 Santos, em 8 de outubro) eu tinha aula no mesmo horário. No dia 13 de setembro (única derrota do Grêmio em casa pelo Brasileirão, 2 a 1 para o Goiás), eu tinha um aniversário para ir.

No total, já fui 167 vezes ao Olímpico. Foram 98 vitórias do Grêmio, 40 empates e 29 derrotas. Foram marcados 458 gols: 304 do Tricolor e 154 dos adversários.

Foi bom enquanto durou

No dia 11 de maio, comentei que “o Grêmio está de chorar, mas ganhou!”. Referência à vitória sobre o São Paulo, no Morumbi, no dia anterior, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Afinal, o time vinha de duas eliminações consecutivas, em pleno Olímpico: em 6 de abril fora eliminado do Campeonato Gaúcho pela ex-filial Juventude ao perder por 3 a 2 um jogo que podia empatar, e no dia 9 fora despachado da Copa do Brasil nos pênaltis pelo Atlético-GO. Tais fatos, somados a um período ruim de treinamentos para o Brasileirão, faziam a torcida temer (e os colorados sonharem) que o Grêmio se limitaria a lutar pela permanência na Série A.

Mas, ao contrário do que se esperava, o Tricolor fez um excelente campeonato. Nem o gremista mais otimista imaginava que o time brigaria pelo título até a antepenúltima rodada. Claro que ficou perceptível que o Grêmio não tinha um grupo em condições de ser campeão, e também que o campeonato não foi perdido ontem, contra o Vitória. Ainda mais se considerarmos que o virtual tricampeão São Paulo perdeu seis pontos para o Grêmio – três no já citado jogo de maio, e mais três aqui em Porto Alegre.

O Grêmio deixou de ser campeão naqueles jogos em que que os três pontos eram quase certos, mas não vieram:

  • Vasco 2 x 1 Grêmio: lá no começo do campeonato, lembro de ter comentado que os três pontos perdidos nesse jogo poderiam fazer falta no final;
  • Náutico 1 x 1 Grêmio: o empate no último segundo do jogo fez lembrar a Batalha dos Aflitos, mas a vitória era obrigação, ainda mais contra um adversário que luta contra o rebaixamento;
  • Grêmio 1 x 2 Goiás: o Tricolor terminou o primeiro tempo ganhando e acabou perdendo de virada;
  • Atlético-PR 0 x 0 Grêmio: desta vez, a vitória poderia ter vindo se um pênalti claro para o Grêmio ao final do jogo tivesse sido marcado;
  • Portuguesa 2 x 0 Grêmio: foi literalmente um jogo de dar sono, cheguei a cochilar durante o primeiro tempo;
  • Grêmio 1 x 1 Figueirense: um dos piores jogos que já assisti no Olímpico.

Nestes jogos, o Grêmio perdeu nada menos do que 15 pontos. O que quer dizer que o time poderia estar com o título garantido há várias rodadas, e mesmo perdendo para o Vitória ontem teria 81 pontos, 10 a mais do que o São Paulo, que tem 71.

Um mês inexistente

No calendário, o tempo passou. Desde 9 de abril, já temos 26 dias. Que serão 31 no próximo sábado, dia 10 de maio, quando o Grêmio entrar em campo no Morumbi diante do atual bicampeão brasileiro, o São Paulo.

Mas, para o Grêmio, é como se não tivesse existido este período. Foi exatamente o que disse o Guga Türck: um mês jogado no lixo. Quando André Krieger assumiu o futebol tricolor, 10 em cada 10 gremistas esperavam mudanças, depois de duas eliminações seguidas dentro do Olímpico: no dia 6 de abril, derrota para a ex-filial* Juventude quando o empate servia para seguir adiante no Gauchão; e no dia 9, adeus à Copa do Brasil diante do Atlético-GO. Aquela semana foi tão terrível que me desanimou a ponto de passar mais de 20 dias sem sequer tocar no assunto “futebol” aqui no Cão.

Porém, para a incredulidade dos gremistas, optou-se pelo “mudar não mudando”, filosofia do nosso rival há 10 anos atrás – e que por isso esperou até 2006 para ganhar um título de verdade. Quando decidiu-se pela permanência de Celso Roth, na hora previ: ou a direção o manterá com convicção e defendendo-o da enxurrada de críticas em caso de mau começo no Campeonato Brasileiro, ou o demitirá caso o Grêmio comece mal, fazendo com que um mês de preparação para o Brasileirão não tenha servido para nada.

Pois se é para mandar embora Celso Roth, era melhor tê-lo feito logo após a eliminação da Copa do Brasil: o treinador que assumisse teria um mês para preparar o time. Quem quer que assuma agora – caso Roth seja realmente demitido – precisará fazer ajustes com o Brasileirão em andamento, o que nunca é simples. Porém, caso Roth fique, terá de lidar com uma alta rejeição da torcida, o que também não é fácil.

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* Perco qualquer coisa, menos a piada: precisando de dinheiro, o Grêmio vendeu sua filial ao Internacional. Prova disso é que em 2008 o Juventude detonou o Grêmio e na “hora H” abriu as pernas para o Inter.

Meteorologia erra feio!

Preveram chuva para o domingo. Mas tivemos muito sol. Céu azul-esverdeado…

É o que nos restou: secar e tocar flauta neles. Olha as escalações de Grêmio e Ivoti, que se enfrentaram sábado à tarde (fonte: página oficial do Grêmio):

GRÊMIO 3:
Victor (Marcelo Grohe); Léo (Rever), Jean e Thiego; Paulo Sérgio (Felipe), Willian Magrão (Adilson), Rafael Carioca, André (Soares) e Bruno Teles (Hélder); Jonas (Rodrigo Mendes) e Perea (Dos Santos).
Técnico: Celso Roth.

S.C. IVOTI 0:
Galas (Rodrigo Feijão); Maikel (Roxo), Eder e Brizola (Ademir); Eliézer (Pelezinho), Sandro (Tsuga), Pataço (Paulo), Murilo (Caco), Banana (Pipoca) e Gersinho (João Carlos); Fernandinho (Finzinho).
Técnico: Cabeça.

Imagina o anúncio do alto-falante: SUBSTITUIÇÃO NO TIME DO IVOTI! SAI BANANA, ENTRA PIPOCA!

É rir para não chorar. Ainda mais que a direção do Grêmio, mais do que incompetente, é burra mesmo

Já era?

O Grêmio tem mais sorte do que juízo.

Depois da derrota para o Atlético-PR e da briga generalizada de ontem – e também de hoje, no aeroporto de Curitiba – o Tricolor ainda teve uma sorte maluca. Nem tanto pela derrota do Cruzeiro: a surpresa foi o resultado de 4 a 1 para o Botafogo, mas que o time mineiro perderia eu tinha certeza, já que entrou numa fase descendente.

Mas o que ninguém esperava era essa vitória do Juventude sobre o Palmeiras em pleno Palestra Itália. O Ju continua com a corda no pescoço, mas deu uma baita mão ao Grêmio – o que vai alimentar especulações coloradas sobre o time de Caxias ser “filial” do Tricolor.

Bom, que o Grêmio trate de aproveitar tanta sorte, e ganhe do Figueirense sábado. A Libertadores ficou mais longe após a derrota de ontem, mas nem tanto.

Queda certa

Não vi o jogo, mas só de saber que o Juventude levou 4 a 0 do Flamengo…

O Ju vai cair para a Segunda Divisão. E mais: não volta tão cedo para a Primeira. É só ver as arquibancadas do Alfredo Jaconi nos jogos em Caxias pelo Brasileirão: o estádio só lota quando a dupla Gre-Nal joga lá!

Assim não tem como ficar na Primeira Divisão.