O fim de Porto Alegre

Crise no transporte público, calor desesperador… Alguma vez, na história recente, Porto Alegre passou por um momento tão terrível como este?

O problema, amigos, é que como diz o famoso ditado, “nada está tão ruim que não possa piorar”. Pois o prefeito já avisou, no rádio, que a passagem vai subir. Não consigo acreditar que ele já tenha esquecido o motivo pelo qual tanta gente foi às ruas ano passado, então a única explicação plausível é que ele adora ver o povo protestando.

E então, leio uma notícia no Correio do Povo informando que o edital da licitação dos ônibus prevê a extinção do uso de ar condicionado; o aparelho passaria a ser utilizado apenas nos veículos do sistema BRT, que era previsto para entrar em operação até a Copa do Mundo. É que faltou explicar qual era a Copa às empreiteiras: elas acharam que era a de 2078.

Isso, claro, se ainda houver Porto Alegre para sediar jogos em 2078. Pois do jeito que vai, a cidade acaba antes do mandato do atual prefeito, com a população presa em um congestionamento formado por todos os carros que entrarão em circulação devido ao transporte público mais caro e de pior qualidade.

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A utilidade das árvores

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Em fevereiro, o prefeito de Porto Alegre justificou a derrubada de árvores para alargar uma avenida dizendo que as pessoas “não as utilizavam”. Virou piada na hora.

Uma das utilidades das árvores, como já lembrei naquela época, é proporcionar sombra. Ainda mais nesses últimos dias, em que caminhar pelas ruas de Porto Alegre é um verdadeiro suplício: nada melhor que árvores de copas generosas para ficarmos protegidos do sol inclemente. Afinal de contas, não são todos que podem andar de carro com ar condicionado (aliás, ainda bem, pois se a cidade já está quase parando agora, imaginem se todos andassem de carro).

Mas, um dia o feitiço há de virar contra o feiticeiro: o ar condicionado do carro do prefeito pifará num dia como hoje, e ele ficará trancado no congestionamento em uma dessas avenidas sem árvores que todos acreditaram que melhoraria o trânsito.

Para que serve uma árvore?

O prefeito de Porto Alegre parece não saber, conforme declarou ao Correio do Povo. Ele acha que todas aquelas árvores derrubadas defronte à Usina do Gasômetro “não eram utilizadas” pela população.

Aliás, o que quer dizer “utilizar uma árvore”? Eu achava que elas serviam para serem aproveitadas, proporcionar sombra, purificar o ar etc. Aliás, “aproveitar” é um dos sinônimos de “utilizar”, o que quer dizer que aquelas árvores eram muito bem utilizadas.

Porém, para a prefeitura aquelas árvores só serviam para atrapalhar o andamento de uma “obra da Copa”. É assim no Gasômetro, e também lá na Anita Garibaldi, onde será construída uma passagem de nível também chamada de “trincheira” (se bem que o nome acerta na mosca: priorizar o automóvel faz o trânsito ficar cada vez mais estressante, num clima de “guerra”).

Se as árvores são “inúteis” e atrapalham o trânsito, então botem-nas abaixo! Afinal, em Porto Alegre o tempo é sempre frio e chuvoso… Essa história de “Forno Alegre” é coisa da oposição.

Santiago resume a campanha eleitoral

Pelo menos, dos principais candidatos à prefeitura de Porto Alegre… Conforme já tinha dito, Fortunati não enfrentou uma oposição de verdade, a não ser se falarmos de candidatos pouco votados. Ficou fácil demais para o atual prefeito.

Porto Alegre me dói

Está terminando a campanha eleitoral de 2012, pelo menos no primeiro turno. Se as pesquisas realmente estiverem certas, o atual prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), será reeleito já no domingo, sem necessidade de segundo turno.

Não recordo de uma eleição para prefeito que tenha me empolgado tão pouco quanto essa. E isso se deve ao simples fato de que nenhum dos candidatos (além do próprio Fortunati) com chances nesta campanha – ou seja, Manuela D’Ávila (PCdoB) e Adão Villaverde (PT) – se comportou realmente como oposição (se bem que de Manuela eu não esperava muito, como falarei logo mais). Quem realmente se opôs, se portou como esquerda, está praticamente fora da disputa: Roberto Robaina (PSOL) e Érico Correa (PSTU). E assim uma administração privatista, à qual o adjetivo “medíocre” chega a ser um elogio, provavelmente dará “um passeio” nas urnas.

Desde que comecei a votar, em 1998, jamais votei nulo. Sempre achei que isso significava desperdiçar o voto. Quando alguém dizia que “são todos ruins”, argumentava lembrando que, nesse caso, é melhor escolher o menos ruim, pois um deles terá de ganhar – então, que não seja o pior.

Porém, a possibilidade de um segundo turno entre Fortunati e Manuela me fazia pensar seriamente em anular o voto. Pois se votar no primeiro significa “assinar embaixo” de tudo o que está aí (mesmo usando a lógica do “menos ruim”), a segunda tem o apoio de Ana Amélia Lemos, senadora do PP que defende os ruralistas e apoiou o golpe no Paraguai. Qualquer uma das opções faria com que a consciência pesasse toda noite na hora de pôr a cabeça no travesseiro.

Charge do Kayser (2008)

Como Fortunati deve vencer no primeiro turno, a tendência é que eu não precise anular um voto pela primeira vez. Ainda assim, chega a me dar vergonha de morar numa cidade que provavelmente reelegerá um governo desses, mesmo que isso se deva à incompetência da oposição. E pensar que antigamente meu sentimento era “ao contrário” e não escondia o orgulho de poder dizer “sou de Porto Alegre”…

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Mas, se a oposição tem sua culpa neste “quadro da dor”, também anda meio difícil não se enojar com o “cidadão médio” de Porto Alegre. Um exemplo é o que se vê nos espaços para comentários em notícias sobre a violenta repressão de ontem à noite no Largo Glênio Peres: um festival de reacionarismo (opiniões na mesma linha daquelas sobre os 20 anos do Massacre do Carandiru). Embora eu ache que tenha sido uma burrice derrubar aquele boneco inflável do mascote da Copa de 2014 (quem se beneficia disso é a direita, não a esquerda), nada justifica tamanha truculência por parte da Brigada Militar, que saiu distribuindo cacetadas – sendo que apenas meia dúzia tinha realmente atacado o boneco – e agrediu gente que tão somente filmava o que acontecia.

A Ipiranga tem ciclovia!

Aos amigos que pretendem pedalar na nova ciclovia e estiverem a fim de fazê-lo escutando várias vezes a mesma música, aí vai a dica:

Sim, se é para ouvir várias vezes, tem de ser a música mais curta já gravada. Pois hoje o prefeito de Porto Alegre – e candidato à reeleição – José Fortunati inaugurou, com todas as pompas (e andando na contramão), uma quadra de ciclovia. Isso mesmo: teve cerimônia de inauguração para um isolado trecho de 416 metros de uma obra que, pela previsão, terá 9,4 quilômetros de extensão quando realmente estiver concluída (o que só se verá muito após a eleição). E que é alvo de muitas críticas do público ao qual se destina – ou seja, os ciclistas.

No ritmo atual, segundo os cálculos de um cicloativista, a ciclovia da Ipiranga será concluída em 2025. Já os 495 quilômetros previstos no Plano Diretor Cicloviário de Porto Alegre estarão prontos daqui a 730 anos. Acho que em 2742 já estarei um pouco velho para andar de bicicleta pela cidade…

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Disso posso tirar uma conclusão: no quesito “inaugurações bizarras”, o (des)governo Yeda Crusius fez escola.

Para “sair bem na foto”

A passagem de ônibus em Porto Alegre passará a custar R$ 2,85 a partir da próxima segunda-feira. O aumento foi anunciado pelo prefeito José Fortunati, que aproveitou muito bem a oportunidade de “sair bem na foto”. (Lembrando que, em tempos de Photoshop, qualquer um pode sair “muito bem”.)

O pedido das empresas de ônibus era que a passagem subisse a R$ 2,95. Eu previa R$ 2,90. Logo, ficou abaixo do esperado, e mesmo da inflação de 2011 – o que não quer dizer que me agrade este aumento.

Mas olhem o detalhe: à tarde, ouvi que o valor seria R$ 2,88. Um preço impraticável, pelo simples motivo de que as moedas de um centavo, embora ainda válidas, são verdadeiras raridades. Mesmo que não percam o valor, em breve elas serão peças de museu.

Logo, uma passagem a R$ 2,88 seria ótima para as empresas, visto que a cada passageiro que pagasse com dinheiro, a probabilidade de terem um lucro extra de dois centavos seria enorme. Cheguei a prever que o valor seria arredondado para R$ 2,90 e depois anunciado pelo prefeito.

Mas, ficou nos R$ 2,85. O ano eleitoral tem o incrível poder de arredondar tarifas para baixo (pena que nem todos os anos são eleitorais).

Ainda assim, é muito caro – como já é a passagem a R$ 2,70 – para que muitas vezes andemos em ônibus sem ar condicionado (quando se está atrasado não dá para esperar até vir o veículo com ar, mesmo em dias terrivelmente quentes como foi o de hoje) e cujas tabelas horárias são apenas decoração (inúmeras vezes passam dois ônibus da mesma linha, um atrás do outro, sendo que geralmente o vazio passa adiante e somos obrigados a pegar o lotado).

Vem aí mais dois aumentos

Que são tanto da passagem de ônibus, quanto do número de carros nas ruas em Porto Alegre.

Chegou a se falar que a tarifa subiria para R$ 2,81. Mas era óbvio que isso servia para fazer R$ 2,70 (que provavelmente o prefeito José Fortunati* irá sancionar) parecer “mais barato”. Só que o valor atual é de R$ 2,45 – ou seja, será um aumento de R$ 0,25.

Parece pouco para quem anda de ônibus esporadicamente, mas para quem usa diariamente e precisa de duas ou mais linhas nos deslocamentos, faz diferença, ainda mais se calcularmos o gasto a mais em um mês.

Ou seja, cada vez mais o poder público incentiva a que as ruas fiquem congestionadas. Pois juntando algumas pessoas, pode sair mais barato ir de carro, “rachando” o combustivel. E se lembrarmos que a maior parte dos ônibus não têm ar condicionado, e que agora é verão…

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* Em outubro do ano que vem tem eleição para prefeito.

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Atualização (09/02/2011, 00:02): Na verdade o aumento já foi sancionado. Ou seja, a passagem já custa R$ 2,70. Lembremos disso em outubro do ano que vem!

Fogaça é o candidato do PMDB

Semana passada, o PMDB lançou a candidatura de José Fogaça ao governo do Estado do Rio Grande do Sul na eleição do próximo ano.

Primeiro ponto a destacar: na prefeitura de Porto Alegre desde 1º de janeiro de 2005, Fogaça terá de renunciar ao cargo para poder concorrer ao Piratini. Não que vá fazer muita diferença: a impressão que se tem de Porto Alegre é de uma cidade sem prefeito.

Charge do Santiago (outubro de 2008)

Segundo ponto a destacar: será que a “grande mídia” cobrará Fogaça em 2010 da mesma maneira que fez com Tarso Genro em 2002? Afinal, ambos prometeram ficar na prefeitura de Porto Alegre até o final do mandato.

De qualquer forma, já antecipo que não votarei em Fogaça de jeito nenhum, e não é porque ele não vai cumprir seu mandato até o fim: afinal, seria incoerência de minha parte (votei em Tarso na eleição de 2002) e, principalmente, porque considero os projetos mais importantes que as pessoas. Em 2000 eu votei no PT, que tinha Tarso como seu candidato a prefeito; já em 2002 meu voto em Tarso também era para o PT, o que não se alteraria se o candidato fosse Olívio Dutra.

Não votarei em Fogaça por conta do que é o governo encabeçado por ele em Porto Alegre – que terá continuidade com Fortunati a partir de abril. Um post do Hélio Paz, escrito um dia após o resultado do 1º turno de 2008, dá uma amostra de como está Porto Alegre com Fogaça de prefeito.

A única diferença, é que mudar de Yeda para Fogaça no Piratini não significará piora tão grande para o Estado como foi para Porto Alegre: no Rio Grande, será uma troca de seis por meia dúzia… Ou seja: mais quatro anos sem governo.