Audiência pública sobre o Pontal do Estaleiro

Acontece na noite desta quinta-feira, no plenário da Câmara Municipal de Porto Alegre, audiência pública sobre o novo projeto – enviado pelo prefeito José Fogaça – para a área do Pontal do Estaleiro.

A audiência é prevista para começar às 19 horas.

A única diferença entre o atual projeto e o anterior, aprovado pela Câmara mas vetado pelo prefeito, é a questão do referendo, que é considerado “caro demais”, mas que eu acharia ótimo se ocorresse: a população seria estimulada a pensar na cidade e seu futuro.

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A “pax guasca”

É dia de Gre-Nal, mas nem vou ficar falando de futebol. Até porque o assunto já gerou baixaria demais aqui durante a semana.

Virou reportagem especial na Zero Hora de sábado a polêmica sobre o artigo do diretor teatral Luciano Alabarse, publicado na edição de quinta-feira do mesmo jornal. No texto, ele reclama do suposto “clima de guerra civil que assola o Rio Grande do Sul”, fruto da tradicional bipolarização que se verifica na sociedade gaúcha em diversos aspectos (já que falei em Gre-Nal, o futebol – sempre ele! – é um deles).

O texto não apareceu por acaso. Alabarse reclama de que há uma “oposição intransigente” que “acusa sem provas”. Clara referência às denúncias feitas pelo PSOL contra o (des)governo Yeda.

(Aliás, por falar nisso, ontem assisti na TV à parte da reprise da sessão de quinta da Câmara de Vereadores. Cheguei no momento em que o vereador Luiz Braz, do PSDB, criticava o vereador Pedro Ruas e seu partido, o PSOL, por se utilizar do “denuncismo” contra Yeda. Estranho que o PSDB fez coisa muito pior contra Lula e Braz não criticou…)

O pior de tudo, é que tem muita gente que embarca na canoa furada do discurso da “pacificação”. Que na verdade significa “despolitização”. Gera apatia política.

Aliás, algo que já vivemos. Basta ver os resultados das últimas eleições no Estado (incluo a Prefeitura de Porto Alegre por tratar-se da capital, logo é a prefeitura mais importante do Rio Grande do Sul):

  • 2000: Tarso Genro (PT) conquista a prefeitura de Porto Alegre – último grande triunfo do PT no Estado;
  • 2002: quando se pensava que haveria polarização entre Tarso Genro (PT) e Antonio Britto (PPS), Germano Rigotto (PMDB) surpreendeu a todos e foi eleito governador, pregando “pacificação” e “união”;
  • 2004: José Fogaça (então no PPS) é eleito prefeito de Porto Alegre, também com um discurso “conciliador” (“Manter o que está bom, mudar o que é preciso”);
  • 2006: Rigotto era favorito à reeleição, pois ficara claro que entre o nada e o PT, o “politizado” povo gaúcho escolheria o nada porque o PT era o “demo”, contra a paz no Rio Grande do Sul. Mas para tentar tirar Olívio Dutra do segundo turno, muitos que votariam em Rigotto decidiram mudar o voto e optaram por Yeda Crusius (PSDB) – só que aí foi Rigotto que ficou de fora. Entre Yeda e Olívio, óbvio que os “politizados” escolheram Yeda, para manter a “paz”;
  • 2008: Fogaça (de volta ao PMDB) confirmou seu favoritismo à reeleição sem sobressaltos, pois ficara claro que entre o nada e o PT, o “politizado” povo porto-alegrense escolheria o nada porque o PT era o “demo”, contra a paz em Porto Alegre. Não se repetiu o “efeito Rigotto”.

Aliás, a última campanha eleitoral em Porto Alegre primou pelo “nada”. As diferenças entre os candidatos eram mínimas. Vera Guasso (PSTU), a que mais se diferenciava, era vista pela classe mérdia como “louca”.

Pois é à ela, a classe mérdia, que se dirige o discurso da “pacificação”. Ela é, em si, conflituosa. Vive um dilema identitário: é mais “pobre” do que “rica”, mas não se encaixa completamente em nenhum dos grupos (embora tenha a mesma mentalidade dos ricos). Os mérdios acreditam que “trabalhando muito” qualquer um pode ascender socialmente: daí o fato de acharem que os pobres estão nessa situação porque “são vagabundos” e que quem rouba é “mau por natureza” (mesmo que seja para matar a fome de um filho). Ninguém em sã consciência quer passar dificuldades, mas os mérdios creem piamente que um dia chegarão ao estrato mais alto. Jamais se identificarão com os “de baixo”.

Por se perceberem “no centro” do conflito, os mérdios são os que mais querem a tal da “pacificação”. Só que não é uma “paz justa” para com os dois lados da “guerra”. Não querem justiça ou igualdade, e sim, que “cada um aprenda qual o seu lugar na sociedade, e principalmente, a respeitar hierarquias”. Ou seja: que aqueles “baderneiros” parem de “fazer bagunça” por não concordarem com a ordem das coisas. E, se quiserem ter o mesmo tênis, ou o mesmo carro dos mérdios, que deixem de ser “vagabundos” e “trabalhem duro”.

A Zero Hora, que citei no começo do texto, é o jornal preferido dos mérdios. Não por acaso, o discurso de ambos é o mesmo. E é de uma incoerência tremenda, como mostra o Marco Weissheimer no RS Urgente: os mesmos que querem “pacificação” travaram uma verdadeira guerra verbal contra o governo Olívio entre 1999 e 2002.

E a “pax guasca” pregada por essa gente chega a me dar medo. É só ver a página 2 da Zero Hora do sábado. A seção onde se publicam cartas e e-mails enviados por leitores era dedicada ao tema “MP-RS x Escolas intinerantes do MST”. Não vou me dar ao trabalho de copiar todos os textos que a ZH permitiu serem publicados (a maioria favorável ao fechamento das escolas). Mas um dos leitores defendeu, em seu e-mail, o extermínio (sic) do MST.

Guerra Fria guasca

Foi bem conforme previa o “fluxograma” desenhado pelo Kayser.

A capa da Zero Hora de ontem é uma pérola. Sobrou até pro Britto. Afinal, falam em “guerra fria” não só no governo Olívio, como também no do (des)governador (1995-1998). Bom mesmo, para a Zero Hora, são governantes que “não fedem e nem cheiram”, como Rigotto e Yeda. Ou, talvez, Fogaça…

Mas, não se iludam com a referência ao Britto: afinal, para a RBS a culpa é sempre do PT! Mais: é do Olívio, por “ter mandado a Ford embora”…

As observações do Kayser sobre a Zero Hora de ontem (clique para ampliar)

As observações do Kayser sobre a Zero Hora de ontem (clique para ampliar)

Fluxograma canoense

Kayser, sensacional:

fluxograma

Quanto à afirmação “A mídia diz que o PT gaúcho continua o mesmo e que por isso perderá as eleições de 2010”, quem se prestou a esse papel foi o próprio JJ, em artigo à Zero Hora de ontem…

A propósito: por que só o PT é “sectário”? Por que não falam o mesmo de Fogaça e Yeda? Afinal, Busatto fez parte de ambos os governos: por que não o chamam de volta, já que ele é tão “competente”?

Eu não acredito!

Lembram do meu amigo “realista”?

Pois é, insisti um monte, e ele fez o teste, me mandando o resultado pelo MSN. E eis o resultado que me deixou boquiaberto:

  • Economic Left/Right: -0.88
  • Social Libertarian/Authoritarian: -0.46

Certamente, o fato dele ser contra o Bush pesou um pouco. Mas não dá para esquecer que ele é pró-pena de morte e a favor de que “os vagabundos se ferrem”, conforme escrevi naquele post. Bandeiras da direita. Sem contar que votou no Fogaça nos dois turnos, por odiar o PT: como eu falei em outubro, se ele dizia não ser de direita podia votar na Vera Guasso ou na Luciana Genro (ou ainda anular o voto). Mas votou no Fogaça.

Considerando que eu insisti um monte que ele fizesse o teste, é capaz dele ter respondido de qualquer jeito só para eu parar de encher o saco, tendo como conseqüência este bizarro resultado de “centro” (“realista”?). Ou talvez ele tivesse opiniões libertárias e socialistas que eu não conhecesse (e que obviamente entram em contradição com a defesa da pena de morte e do individualismo). Ou procurou “equilibrar” as respostas para o resultado ser o “realismo”.

Ou, o que seria pior, que esse teste fosse uma fraude. Mas não é: cheguei a fazê-lo com respostas típicas da direita autoritária (para ver se realmente era confiável), e o resultado foi pró-direita e autoritarismo.

De qualquer forma, eu continuo a não acreditar no que meus olhos me mostraram…

Ainda acho que ele é um direitoso. Até porque o perfil do direitoso, foi baseado nele. E vão dizer que não está certo?

Pontal e Gre-Nal: dia 29 na Câmara

Para evitar que haja grande mobilização dos movimentos comunitários e sociais contra os descalabros Pontal do Estaleiro, torres do Beira-Rio e “arena PIFA” do Grêmio, os vereadores decidiram votar tudo de uma vez só, no dia 29 de dezembro. É uma segunda-feira, entre Natal e Ano-Novo, época em que a cidade tradicionalmente esvazia.

Tudo “em nome da Copa de 2014”. O projeto Pontal do Estaleiro, vetado pelo prefeito José Fogaça, poderá ser sancionado pelos vereadores caso derrubem o veto. Interessante que foram os próprios que sugeriram ao prefeito que, se fosse vetar, enviasse nova proposta à Câmara, prevendo um referendo para 2010. O prefeito aceitou a sugestão, enviou novo projeto, que agora os vereadores pretendem ignorar.

Será que a Copa do Mundo é mais importante do que o meio ambiente e a qualidade de vida? É uma dúvida não só minha e de integrantes dos principais movimentos ambientalistas, mas também de apaixonados por futebol como o Daniel Cassol do Impedimento.

Considerando os resultados das últimas eleições…

fogaca_painoel_pontal(charge do Eugênio Neves)

Ontem, antes do jogo do Grêmio, foi tocado o Hino Rio-Grandense. E surgiu nova letra para um trecho:

Mas não basta para ser livre,
Ser forte, aguerrido, e bravo,
Povo que vota na Yeda
Acaba por ser escravo.

E a Câmara virou La Bombonera…

O vídeo abaixo é um trecho do discurso do vereador Elias Vidal (PPS), em defesa dos espigões na orla do Guaíba, no último dia 12 de novembro. Para justificar seu voto favorável ao projeto Pontal do Estaleiro, mostrou fotos de lixo no local, esquecendo-se de citar que o proprietário do terreno deveria ser multado por deixá-lo cheio de lixo (para parecer que a única solução para a área é o descalabro), e que em uma manifestação dos contrários houve retirada de lixo do terreno.

Só foi uma pena que “La Bombonera” não impediu a vitória do Inter aprovação do projeto. Agora, a luta é para que o prefeito José Fogaça vete!

Fragmentos do dia-a-dia

Texto “roubado” do Alma da Geral:

Ele passeia de ônibus, olhando pela janela as ruas escurecendo, o movimento se tornando amarelo pelas luzes que começam a se acender de todos os lados.
O motor do ônibus soa compondo uma sinfonia urbana, misturada com as inserções de buzinas e com o som da catraca reco-reco a cada passageiro novo que adentra na “zona paga” do coletivo.
Está introspectivo, pensando. Aquilo tudo é música aos seus ouvidos, é harmonioso.
Mas o concerto que ele contempla é de repente interrompido por uma interferência horrível, de altos decibéis, que vem de dentro do próprio ônibus. São bancos mal fixados em frente à porta traseira, que parecem ter vida, e a cada buraco do corredor da avenida gritam desesperadamente para que os parafusos se soltem e, então, possam finalmente voar livres pelos ares do coletivo.
As poucas pessoas se assustam, o rapaz levanta-se, vai em direção ao cidadão-cobrador:
– Vem cá, tchê! Vocês recebem insalubridade?! – pergunta ele provavelmente provocando o funcionário da empresa pública, pois aquele barulho todo certamente causaria danos ao aparelho auditivo se a pessoa convivesse com isso com certa freqüência.
O trocador – no carioquês – “deu de ombros” e respondeu:
– Ah, pois é. Votaram no cara, agora vão ser mais quatro anos disso…