Não há nada de mais importante acontecendo no mundo

Pelo menos é a impressão que se tem ao ligar a televisão. Só se fala em papa, em missa… Ficou bem claro que jornalismo não é o que ela faz.

Espero que, enfim, as pessoas percebam o quão parcial é a mídia que se apresenta como “imparcial”. Há uma considerável quantidade de brasileiros que não é católica e não considera o papa como sua autoridade religiosa: não me refiro apenas aos ateus e agnósticos, mas até mesmo aos que seguem outras religiões. Daí a importância do Estado laico: ele não deve ter uma religião nem ser contra todas, mas sim tratar as pessoas igualmente, sem levar em conta seus credos.

Fosse o Estado brasileiro realmente laico, conforme prevê a Constituição de 1988, não teríamos tamanho “auê” midiático por conta do papa. Afinal, as emissoras de rádio e televisão não são donas do espectro eletromagnético (que é público), o utilizam por concessão estatal. Logo, deveriam zelar pelo interesse público, ao invés de fazer proselitismo religioso. Porém, como bem sabemos, o que não falta no rádio e na televisão é exatamente isso: a diferença é que o papa está monopolizando as transmissões da principal emissora do país, mas em outras emissoras, há tempos, é só ligar a televisão em certos horários e ver a Constituição ser rasgada.

Algo que canso de dizer: é bom checar a informação

Várias vezes, detonei boatos que circulam na internet. São idiotices que as pessoas repassam por serem ingênuas, e principalmente por “confirmarem” aquilo no que elas acreditam cegamente.

É muito fácil fazer a (des)informação circular: basta criar uma história qualquer e divulgar. Até uns tempos atrás isso se dava principalmente por e-mail (as malditas correntes), e agora é feito via Facebook. Mas, ao mesmo tempo a internet oferece a solução: uma pesquisa básica ajuda a desmentir essas bobagens.

Mas o que mais me surpreende não é nem que haja tanta gente que acredite em boatos e os compartilhe. Pior é ver jornalistas (ou seja, pessoas cuja profissão faz com que seja obrigatório verificar se a informação é verídica antes de sair divulgando) caírem em certas pegadinhas.

Foi o que aconteceu nesta semana aqui no Rio Grande do Sul, numa histórica “barrigada” (jargão jornalístico para notícias erradas) da imprensa esportiva. Dois amigos, torcedores gremistas, fizeram uma brincadeira e disseram no Twitter que o Grêmio estava se acertando com um jogador chamado Enrico Cabrito. A história acabou ganhando repercussão quando jornalistas repassaram a “informação” sem se darem ao trabalho de fazer uma pesquisa no Google, que os faria perceber que o tal Cabrito não existia. E assim o uruguaio (ou era argentino?) chegou a ter sua “provável contratação” divulgada até na televisão… O que seria um furo, informação em primeira mão, acabou se revelando uma furada.

O pior de tudo é que o caso, genialmente apelidado de “Cabritogate”, não é algo inédito. No final de 2011, a Rádio Gaúcha chegou a divulgar que o Grêmio estava por contratar um “craque” chamado Bruno Camargo – que assim como Cabrito, não existia. A brincadeira começou no Orkut, com a divulgação de um vídeo do suposto jogador do time B do Chelsea viria para o Olímpico, e torcedores chegaram a produzir, de gozação, um artigo na Wikipédia sobre o “goleador” e uma mensagem de boas vindas ao “Camargol”.

Cabrito e “Camargol” mostram o que a ânsia pelo furo pode fazer com o jornalismo: a valorização da velocidade em detrimento da qualidade da informação acaba por expor profissionais ao ridículo. Afeta suas credibilidades, da mesma forma que acontece com alguém que me repassa alguma coisa “bombástica” que é uma grande bobagem.

Mas a credibilidade pode ser recuperada: basta reconhecer o erro e aprender a lição. Seja para noticiar ou simplesmente para embasar sua opinião, é preciso checar a informação antes de usá-la como “verdade”. Do contrário, corre-se o risco de ser cada vez menos levado a sério.

No que se transformou a Veja

Quando se lê o que a Veja escreve hoje em dia, fica difícil imaginar que antigamente o nome designava uma revista de verdade, que fazia jornalismo.

Em novembro de 1978, os uruguaios Lílian Celiberti, seus filhos e Universindo Díaz foram sequestrados, em um episódio que escancarou a existência de uma cooperação entre as ditaduras militares sul-americanas, a Operação Condor. Provavelmente Lílian e Universindo seriam mortos, e as crianças entregues a famílias de torturadores, o que não aconteceu graças à Veja: após receber uma ligação anônima alertando sobre o sequestro, o jornalista Luiz Cláudio Cunha – que trabalhava para a revista – foi ao apartamento dos uruguaios acompanhado do fotógrafo João Baptista Scalco (que por trabalhar para a Placar reconheceu um dos participantes da ação, o ex-jogador do Inter Didi Pedalada, que se tornara policial). O que não resultou em uma reportagem da revista, mas sim em várias – quando o Brasil ainda vivia a ditadura militar.

Já hoje em dia, o jornalismo da Veja é apenas passado. De uma revista corajosa, transformou-se em um panfleto direitoso que só é levado a sério pelos “médio-classistas padrão”.

A volta do “caso Isabella”

Como a “grande mídia” volta a dar destaque ao “caso Isabella”, devido ao julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá (acusados do crime e já condenados pela “grande mídia” há dois anos), minha “resposta” é o texto abaixo, originalmente publicado em 11 de abril de 2008.

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Caso Isabella: o “fato-ônibus”

Semestre passado, cursei na faculdade um seminário temático cujo tema era a mídia ao longo da História. A cadeira encerrou-se com um trabalho de análise sobre o filme “O Quarto Poder” – do consagrado diretor Constantin Costa-Gavras – feito com base em uma obra fundamental para se entender a televisão e sua lógica de funcionamento: “Sobre a Televisão”, de Pierre Bourdieu.

O filme de Costa-Gavras mostra como um simples incidente pode tornar-se um espetáculo midiático. No caso, o ex-segurança de um museu da cidade de Madeline, Sam Baily (John Travolta) busca recuperar seu emprego, mas levara uma espingarda para ameaçar a diretora do museu e acidentalmente atirou, acertando um segurança. Max Brackett (Dustin Hoffman) fazia uma reportagem sem importância no museu, e no momento do tiro estava no banheiro, quando percebeu a chance de retomar à sua antiga fama, cobrindo o incidente em uma posição privilegiada: junto ao acontecimento. Havia notícias mais importantes a serem dadas – como um escândalo de corrupção – mas todas as emissoras passaram a priorizar “o drama do museu”: a concorrência, tão exaltada pelos defensores do “livre mercado”, serviu para homogeneizar as informações, e não para oferecer alternativas aos telespectadores. E além disso, o tom da cobertura televisiva influenciava muito a “opinião pública” sobre o fato: no princípio do caso, com Brackett apresentando Baily às câmeras como um desempregado que tinha uma família para sustentar, as pessoas viam o ex-segurança com simpatia; quando o foco passara a ser as crianças que ele havia tomado como reféns (e vale lembrar que foi Brackett que orientou Baily a transformar o incidente em um seqüestro, com exigências à polícia para libertar os reféns), a “opinião pública” mudou de lado. E a mudança do teor na cobertura se dava em todas as emissoras, não apenas em uma.

Tal drama é o que Bourdieu chama de “fato-ônibus”. São as notícias de variedades (onde se encaixam os dramas), que “interessam a todos” sem terem maiores conseqüências – em “O Quarto Poder” elas seriam maiores do que o esperado, mas o que a mídia buscava era o índice de audiência, nada a mais. Diz Bourdieu que “quanto mais um órgão de imprensa ou um meio de expressão pretende atingir um público extenso, mais ele deve perder suas asperezas, tudo o que pode dividir, excluir”¹.

Pois bem, e onde entra o “caso Isabella”? Vejam bem: percebe-se que a cobertura da mídia tem-se esforçado em pintar o pai e a madrasta como culpados da morte da menina. Em qualquer canal de televisão, o telespectador terá informações sobre o fato, que o levam a pensar que o crime já está solucionado: o pai e a madrasta são assassinos. Vejam bem: não quero dizer que eles não sejam culpados, mas antes mesmo da polícia chegar a uma conclusão a mídia induz as pessoas a pensarem nisto. Não há espaço para o contraditório neste caso.

E tem mais: Isabella Nardoni era filha da classe média. Tradicionalmente, quando algum membro da classe média é vítima da violência, a televisão manda a ética para o espaço e super-explora o crime de modo a aumentar sua audiência. Com a mídia martelando, dificilmente as pessoas não sabem do caso e não têm uma opinião – em geral coincidente com a apresentada implicitamente pela mídia. No caso da Isabella: é difícil não se ouvir pessoas dizerem “como é que pode um pai fazer isto com sua filhinha?” (reparem que a polícia ainda nem chegou à conclusão sobre quem matou a menina!), ou mesmo repetirem o velho brado “tem que matar um cara desses!”.


(charge do Kayser)

Reparem que existem muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo no Brasil, mas a mídia dá destaque ao “caso Isabella”. É a lógica do “ocultar mostrando”, da qual Bourdieu fala: mostra-se muito uma coisa, e assim deixa-se de mostrar outras que poderiam ser importantes. E assim todos ficam fissurados pelo “caso Isabella”, e quem não sabe é tratado como “alienado”. Meu irmão estranhou a capa da IstoÉ desta semana, que mostrava – é claro! – a Isabella, e minha mãe respondeu na hora: “Mas como tu não sabe?”, como se o assassinato da menina fosse mais importante para nós do que, por exemplo, a poluição do Guaíba.

Deste modo, a mídia acaba influenciando nas discussões cotidianas, gerando uma “comoção geral”. No momento, é a Isabella. Ano passado, tivemos o acidente da TAM – quando todo mundo falava sobre aviação, “grooving”, reverso etc., e no fim “a culpa era do Lula” – e o “caso João Hélio”, um crime “bárbaro” cometido por menores de idade – ótimo para se defender pena de morte e redução da maioridade penal, toda hora se falava disso na televisão!

Clique aqui para ler uma ótima crítica do antropólogo Roberto Albergaria à cobertura midiática do caso. E leia também o que o Valter escreveu no Moldura Digital a respeito do assunto.

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¹ BOURDIEU, Pierre. Sobre a Televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997, p. 63.

Sem toga (e também sem terno e gravata)

Desde o dia 14 de dezembro, quando meu TCC recebeu conceito A da banca, me considero historiador. Só falta o diploma, que não sei exatamente quando sai – acredito que seja em março.

Mas antes disso, há um ato burocrático pelo qual terei de passar, cujo nome oficial é “colação de grau”, popularmente conhecido por “formatura”.

Como o próprio nome diz, o ato serve para “colar grau”, ou seja, atribuir a condição de graduado ao concluinte do curso – mesmo sem o símbolo maior de sua graduação, ou seja, o diploma. Como ele só vem depois, para que a formatura deixasse de ser mera burocracia e fosse para mim um “rito de passagem”, eu teria de vê-la justamente desta forma – ou seja, como uma divisão na minha vida, entre o “antes” e o “depois” dela. Porém, como já a chamei de “ato burocrático”, ficou claro que, pelo menos para mim, ela não tem eficácia simbólica.

O que eu considero o verdadeiro “rito de passagem” se deu em 14 de dezembro de 2009, ou seja, a defesa do TCC (assim como no mestrado se dá com a defesa da dissertação, e no doutorado com a defesa da tese). Aquele dia, fui dormir com a sensação do dever cumprido, e sentindo que ali uma etapa da minha vida se encerrou, dando lugar a outra.

Mas, como na graduação há a obrigatoriedade de se participar do ato burocrático, optei pela forma mais simples e barata, ou seja, a formatura em gabinete. Nada de toga (ainda mais com todo este calor!), gastos com produtora, convites, terno e gravata e aquele monte de discursos chatos e agradecimentos típicos de formaturas em palco.

E ao optar pelo gabinete, me livrei de uma “quente”: a formatura em palco da História aconteceu no último dia 29, quando o calor, se ainda não estava de fazer o Batista desmaiar, já era suficiente para me dar um baita banho de suor. Ainda mais com aquela roupa sufocante que é a toga. Lembrando que os cumprimentos dos convidados aos formandos se dão no lado de fora do Salão de Atos da UFRGS, ou seja, sem ar condicionado! Que, inclusive, não funcionou durante a formatura em palco do Jornalismo, na tarde do dia 31.

Parabéns ao bom jornalismo

Vivemos dias de comemoração para o bom jornalismo no Rio Grande do Sul.

No último domingo, dia 27, o Coletivo Catarse completou 5 anos de existência. É trabalho sério e de muita qualidade o que eles produzem! E o melhor de tudo é que a Catarse chegou até aqui sem se vender ao “mercadologismo” imperante em empresas de comunicação. O que dá alguma esperança: sim, é possível se manter tendo senso crítico.

E hoje, é o segundo aniversário do blog Jornalismo B. Que surgiu, nas palavras dos próprios autores Alexandre Haubrich e Cris Rodrigues, “despretensioso, quase bobo”. Mas que já superou há muito essa “despretensão”, para tornar-se cada vez mais um importante espaço de discussão sobre a imprensa – e que é também uma das minhas leituras diárias na internet. E inclusive, indo além do espaço virtual, com a promoção de ótimos debates sobre o jornalismo no Rio Grande do Sul e no Brasil, o que possibilita a várias pessoas com pontos de vista convergentes conhecerem-se realmente.

Parabéns à Catarse e ao Jornalismo B, e mais muitos anos de vida!

Censura em Minas

Achei no Vi o Mundo o vídeo abaixo, exibido nos Estados Unidos e na Inglaterra, a respeito das denúncias de que o governo de Aécio Neves (PSDB) censura a imprensa em Minas Gerais.

Logo no início tem uma frase sensacional de George Orwell: Jornalismo é publicar o que alguém não quer que seja publicado; todo o resto é publicidade.

Robert Fisk: “Jornalistas têm de ter lado”

Como eu já disse há uns três meses, “imparcialidade” é balela. O termo é um “engana-bobo”, usado para dar a impressão de que falamos “a verdade, nada mais que a verdade”. É uma das melhores maneiras de se transformar uma mentira em verdade.

Quem é honesto não esconde de que lado está. Assim não engana os outros.

Não só os jornalistas, mas todos nós, temos de ter lado, e principalmente, estar ao lado dos que mais sofrem.

Leia o artigo de Robert Fisk aqui.

Caso Isabella: o “fato-ônibus”

Semestre passado, cursei na faculdade um seminário temático cujo tema era a mídia ao longo da História. A cadeira encerrou-se com um trabalho de análise sobre o filme “O Quarto Poder” – do consagrado diretor Constantin Costa-Gavras – feito com base em uma obra fundamental para se entender a televisão e sua lógica de funcionamento: “Sobre a Televisão”, de Pierre Bourdieu.

O filme de Costa-Gavras mostra como um simples incidente pode tornar-se um espetáculo midiático. No caso, o ex-segurança de um museu da cidade de Madeline, Sam Baily (John Travolta) busca recuperar seu emprego, mas levara uma espingarda para ameaçar a diretora do museu e acidentalmente atirou, acertando um segurança. Max Brackett (Dustin Hoffman) fazia uma reportagem sem importância no museu, e no momento do tiro estava no banheiro, quando percebeu a chance de retomar à sua antiga fama, cobrindo o incidente em uma posição privilegiada: junto ao acontecimento. Havia notícias mais importantes a serem dadas – como um escândalo de corrupção – mas todas as emissoras passaram a priorizar “o drama do museu”: a concorrência, tão exaltada pelos defensores do “livre mercado”, serviu para homogeneizar as informações, e não para oferecer alternativas aos telespectadores. E além disso, o tom da cobertura televisiva influenciava muito a “opinião pública” sobre o fato: no princípio do caso, com Brackett apresentando Baily às câmeras como um desempregado que tinha uma família para sustentar, as pessoas viam o ex-segurança com simpatia; quando o foco passara a ser as crianças que ele havia tomado como reféns (e vale lembrar que foi Brackett que orientou Baily a transformar o incidente em um seqüestro, com exigências à polícia para libertar os reféns), a “opinião pública” mudou de lado. E a mudança do teor na cobertura se dava em todas as emissoras, não apenas em uma.

Tal drama é o que Bourdieu chama de “fato-ônibus”. São as notícias de variedades (onde se encaixam os dramas), que “interessam a todos” sem terem maiores conseqüências – em “O Quarto Poder” elas seriam maiores do que o esperado, mas o que a mídia buscava era o índice de audiência, nada a mais. Diz Bourdieu que “quanto mais um órgão de imprensa ou um meio de expressão pretende atingir um público extenso, mais ele deve perder suas asperezas, tudo o que pode dividir, excluir”¹.

Pois bem, e onde entra o “caso Isabella”? Vejam bem: percebe-se que a cobertura da mídia tem-se esforçado em pintar o pai e a madrasta como culpados da morte da menina. Em qualquer canal de televisão, o telespectador terá informações sobre o fato, que o levam a pensar que o crime já está solucionado: o pai e a madrasta são assassinos. Vejam bem: não quero dizer que eles não sejam culpados, mas antes mesmo da polícia chegar a uma conclusão a mídia induz as pessoas a pensarem nisto. Não há espaço para o contraditório neste caso.

E tem mais: Isabella Nardoni era filha da classe média. Tradicionalmente, quando algum membro da classe média é vítima da violência, a televisão manda a ética para o espaço e super-explora o crime de modo a aumentar sua audiência. Com a mídia martelando, dificilmente as pessoas não sabem do caso e não têm uma opinião – em geral coincidente com a apresentada implicitamente pela mídia. No caso da Isabella: é difícil não se ouvir pessoas dizerem “como é que pode um pai fazer isto com sua filhinha?” (reparem que a polícia ainda nem chegou à conclusão sobre quem matou a menina!), ou mesmo repetirem o velho brado “tem que matar um cara desses!”.


(charge do Kayser)

Reparem que existem muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo no Brasil, mas a mídia dá destaque ao “caso Isabella”. É a lógica do “ocultar mostrando”, da qual Bourdieu fala: mostra-se muito uma coisa, e assim deixa-se de mostrar outras que poderiam ser importantes. E assim todos ficam fissurados pelo “caso Isabella”, e quem não sabe é tratado como “alienado”. Meu irmão estranhou a capa da IstoÉ desta semana, que mostrava – é claro! – a Isabella, e minha mãe respondeu na hora: “Mas como tu não sabe?”, como se o assassinato da menina fosse mais importante para nós do que, por exemplo, a poluição do Guaíba.

Deste modo, a mídia acaba influenciando nas discussões cotidianas, gerando uma “comoção geral”. No momento, é a Isabella. Ano passado, tivemos o acidente da TAM – quando todo mundo falava sobre aviação, “grooving”, reverso etc., e no fim “a culpa era do Lula” – e o “caso João Hélio”, um crime “bárbaro” cometido por menores de idade – ótimo para se defender pena de morte e redução da maioridade penal, toda hora se falava disso na televisão!

Clique aqui para ler uma ótima crítica do antropólogo Roberto Albergaria à cobertura midiática do caso. E leia também o que o Valter escreveu no Moldura Digital a respeito do assunto.

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¹ BOURDIEU, Pierre. Sobre a Televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997, p. 63.