De vez em quando, é bom ver TV…

Afinal, assim fica ainda mais fácil criticá-la.

Agora há pouco, o Jornal do Almoço da RBS TV convidou o técnico da seleção brasileira de boxe tailandês e um psicólogo para falar sobre imagens de “crianças lutando boxe tailandês” que teriam sido exibidas no Fantástico do último domingo. O psicólogo, é claro, mandou contra o esporte “violento”, enquanto o técnico afirmou que a federação internacional do esporte proíbe que crianças lutem, o máximo que elas podem fazer é treinar. E além disso, lembrou que o boxe tailandês, assim como outras artes marciais, não é só luta, há também toda uma filosofia por trás. Que nem o judô – aliás, não são tão poucas crianças que fazem judô.

Falando sobre o vídeo – que a meu ver mostrava crianças treinando – o técnico disse que ele poderia muito bem ter sido editado, até porque os outros participantes do Jornal do Almoço falavam sobre terem visto no Fantástico “uma criança chorando” e tal não foi exibida hoje.

Isso me faz lembrar, mais uma vez, Pierre Bourdieu e seu livro “Sobre a televisão”. Bourdieu fez uma citação do cineasta Jean-Luc Godard e seu trabalho de análise de uma fotografia de Joseph Kraft:

E eu teria podido retomar por minha conta o programa proposto pelo cineasta: “Este trabalho consistia em começar a se interrogar politicamente [eu diria sociologicamente] sobre as imagens e os sons, e sobre suas relações. Era não dizer mais: ‘É uma imagem justa’, mas: ‘É justo uma imagem’; não dizer mais: ‘É um oficial do exército dos federais sobre um cavalo’, mas: ‘É uma imagem de um cavalo e de um oficial’.”¹

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¹ BOURDIEU, Pierre. Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997, p. 12.

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