Bons e velhos tempos

Via Alma da Geral, tomei conhecimento do ótimo texto escrito por um palmeirense que veio ao último Grêmio x Palmeiras, no Olímpico Monumental, domingo passado. Além de falar sobre o jogo em si, o autor dedica seis parágrafos ao estádio gremista, em tom de homenagem ao palco de inesquecíveis partidas entre Grêmio e Palmeiras na década de 1990, principalmente nos anos de 1995 e 1996.

Foi quando reparei que infelizmente não pude conhecer o antigo Palestra Itália, demolido para dar lugar a uma nova “arena” (que ao menos ficará no mesmo lugar do estádio anterior, enquanto o Grêmio vai se mudar para longe de onde é o Olímpico).

Depois, também reparei que o grande antagonismo entre Grêmio e Palmeiras na década de 1990 se devia ao que eles tinham em comum: grandes times, que eram inegavelmente os melhores do Brasil. Eram os clubes que dominavam o cenário nacional (apesar de, ironicamente, não terem se enfrentado em nenhuma final). Para se ter uma ideia, de 1991 a 1999 não houve semifinal de Copa do Brasil sem Grêmio nem Palmeiras. E no mesmo período, quatro finais de Campeonato Brasileiro (1993, 1994, 1996 e 1997) também tiveram a presença de um dos dois clubes.

Mas os jogos mais marcantes foram, sem dúvida, pela Libertadores de 1995. Mais especificamente, pelas quartas-de-final (os dois clubes se enfrentaram também na fase de grupos).

A primeira partida foi na noite de 26 de julho, no Olímpico. Em um jogo marcado pela briga entre Dinho e Valber (que acabou se tornando generalizada), goleada histórica de 5 a 0 para o Grêmio, que dava a entender que a fatura estava liquidada. Eu já pensava na festa pela conquista da Libertadores…

Então veio aquele 2 de agosto. O Grêmio podia perder por quatro gols de diferença para se classificar. E ainda por cima fez um gol no começo do jogo, ampliando a vantagem. Parecia que o Palmeiras estava morto, mas reagiu de forma impressionante, e chegou aos 5 a 1. Insuficientes para a ir à semifinal, mas merecedores dos aplausos da torcida que lotou o Palestra Itália e quase presenciou o que seria considerado milagre. Além de nossa incredulidade: como quase conseguimos perder a classificação?

No fim, o sufoco serviu de lição: nunca, em hipótese nenhuma, se deve cantar vitória antes da hora. E assim o Grêmio ganhou a Libertadores.

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Hoje em dia Grêmio e Palmeiras têm mais uma característica em comum: vivem um jejum que parece não ter fim. Ambos não ganham nada de importante há anos: o Grêmio desde a Copa do Brasil de 2001 e o Palmeiras, ironicamente, desde a Libertadores de 1999. As conquistas se resumiram a títulos estaduais e da Série B (vencida pelo Palmeiras em 2003 e pelo Grêmio em 2005). E nesta reta final de 2011 ambos os times se arrastam em campo, contando os dias para o fim de uma temporada pífia.

Resta torcer para que o último ano do Olímpico Monumental pelo menos nos ofereça um mata-mata entre Grêmio e Palmeiras, como nos bons e velhos tempos (a última vez que os dois clubes se enfrentaram em mata-mata foi no Campeonato Brasileiro de 1996). De preferência, na decisão da Copa do Brasil, corrigindo assim a injustiça de ambos nunca terem se enfrentado em uma final. Só é uma pena que não haja mais o antigo Palestra Itália.

Presente melhor, não podia haver

No dia em que o Grêmio completa seus 107 anos, nada melhor do que um jogo como o de hoje à noite.

Grêmio x Palmeiras, Renato x Felipão. Renato e Felipão na mesma noite, no Estádio Olímpico. Dois personagens históricos do Tricolor, numa partida que faz relembrar aqueles inesquecíveis confrontos dos anos 90 entre Grêmio e Palmeiras. Época em que os dois clubes encontraram-se várias vezes em mata-matas, com direito a muitas brigas.

O primeiro confronto foi pelas quartas-de-final do Campeonato Brasileiro de 1990. No jogo da ida, em São Paulo, 1 a 0 para o Palmeiras. Mas no Olímpico, o Grêmio fez 2 a 0 e se classificou para a semifinal.

Na Copa do Brasil de 1993, Grêmio e Palmeiras se enfrentaram nas quartas-de-final. Dois empates em 1 a 1, em São Paulo e em Porto Alegre; nos pênaltis, 7 a 6 para o Grêmio, classificado.

A primeira briga aconteceu pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil de 1995. No jogo da ida, 1 a 1 no Olímpico. Uma semana depois, no Parque Antarctica, o Grêmio chegou a fazer 2 a 0 no primeiro tempo, mas ainda na etapa inicial, após confusão, teve três jogadores expulsos (Dinho, Arílson e Luís Carlos Goiano), ficando com dois homens a menos (o palmeirense Mancuso também levara o vermelho). Acabou cedendo o empate em 2 a 2, resultado que classificou o Tricolor por ter marcado mais gols fora de casa.

Três meses depois, pela Libertadores, novo confronto. E nova briga. Na partida de ida, disputada no Olímpico, 5 a 0 para o Grêmio e uma confusão que deixou o jogo parado por 15 minutos – foi a famosa voadora de Dinho sobre Válber. Uma semana depois, no Parque Antarctica, o que parecia resolvido tornou-se dramático: 5 a 1 para o Palmeiras, e por pouco o Tricolor não perdeu a vaga.

Pela Copa do Brasil de 1996, Grêmio e Palmeiras se encontraram na semifinal. O primeiro jogo foi em São Paulo, e deu Porco: 3 a 1. A missão do Grêmio no Olímpico ficou complicada: precisaria fazer 2 a 0, ou vencer por três gols de diferença, para se classificar. O Palmeiras saiu na frente, mas o Tricolor virou para 2 a 1, resultado insuficiente para obter a vaga na final; não fosse o gol legal de Jardel anulado no final, acabaria 3 a 1 e a definição seria nos pênaltis. Resultado: nova confusão.

Meses mais tarde, mais uma vez, Grêmio e Palmeiras se viram frente a frente num mata-mata: eram as quartas-de-final do Campeonato Brasileiro. Como a melhor campanha era do Palmeiras, o primeiro jogo foi em Porto Alegre, e o segundo em São Paulo. No Olímpico, 3 a 1 para o Tricolor, de virada. A partida da volta, disputada no Morumbi, foi dramática em seus minutos finais, quando o Palmeiras fez 1 a 0; mais um gol daria a vaga ao Porco. Mas o Grêmio segurou, e seguiu em frente para conquistar seu segundo título brasileiro. Nestas partidas, incrivelmente, não houve nenhuma briga.

Desde então, nunca mais Grêmio e Palmeiras se enfrentaram em um mata-mata.

Não foi um jogo qualquer, foi O JOGO!

Ontem fui ao Olímpico assistir ao Grêmio pela 198ª vez. Provavelmente, o jogo contra o Avaí, dia 26, será o meu 200º no Monumental.

Mas se o jogo 200 terá uma “marca histórica”, será só para mim. Já o de ontem, o de número 198, é histórico por si próprio: QUE JOGAÇO! Tanto Grêmio como Santos poderiam ter vencido, assim o placar de 4 a 3 para o Tricolor não foi injusto.

O Grêmio jogou bem. Mas o Santos… Como joga aquele time! Chega à área adversária com uma facilidade impressionante, e isso não se deve a adversários frágeis (como eu pensava ser nas goleadas que tiveram grande destaque na “grande mídia”). Mesmo com o gramado mais pesado devido à chuva de ontem (que ora caía, ora parava) em Porto Alegre, o Peixe não tinha problemas para tocar a bola e ir ao ataque com rapidez.

E esta aí um dos grandes diferenciais deles em relação aos outros times brasileiros da atualidade: são raríssimos os passes errados. Mesmo os “passes futuros”: o time é tão bem organizado, que um jogador toca a bola para onde não há ninguém, mas já prevendo que quando a bola chegar lá, haverá um companheiro – e realmente, ele está lá na hora certa. Méritos do técnico Dorival Júnior, que não é tão falado na “grande mídia”.

Ou seja, sem “firulas”, sem individualismo exagerado, o Santos joga o verdadeiro futebol bonito. Muito toque de bola, e sempre para a frente. O que faz suas partidas ganharem muito em termos de emoção.

Para compensar, conforme eu dizia semana passada, o Santos é fortíssimo do meio para a frente, mas a defesa “faz água”. O que não tira os méritos do Grêmio ontem, é claro: era preciso atacar, aproveitar-se da fragilidade do setor defensivo do Peixe. E o Tricolor fez isso. Melhor no segundo tempo, é verdade, mas fez.

Borges ou Jonas, qual foi o melhor ontem? O primeiro marcou três gols, demonstrando cada vez mais que o Grêmio acertou em cheio na sua contratação, e que Maxi López não faz falta nenhuma. Mas Jonas… Fez um gol (aliás, um golaço) e participou dos lances dos outros três – o pênalti perdido só serviu para confirmar sua “zica”, de perder os gols fáceis e fazer os difíceis.

Depois da derrota parcial por 2 a 0, os 4 a 2 eram um resultado monumental para o Grêmio. Acabou 4 a 3, graças a um golaço de Robinho. Aí foi o Santos que melhorou sua situação: antes precisava de 2 a 0 na Vila Belmiro (onde contará com Neymar, que cumpriu suspensão ontem), agora só precisa do 1 a 0 para ir à final da Copa do Brasil. Mas ainda é também bom para o Tricolor, que se não vencesse estaria praticamente fora da final (a última vitória gremista na Vila foi em 1999, e antes disso não sei de outra).

Enfim, ambas as torcidas, de certa forma, têm o que comemorar. Foi uma grande partida de futebol, e fica a expectativa de outro jogaço na próxima quarta-feira em Santos. Só que ao final deste, apenas uma torcida ficará feliz. Espero que seja a do Grêmio, claro.

Mas se for para o Tricolor perder, que seja por 5 a 4, ou 6 a 5, ou 7 a 6…

As Copas que eu vi

A Copa do Mundo se aproxima, faltam pouco mais de três meses para que seja dado o pontapé inicial. E o Cão Uivador, claro, não poderia ficar alheio ao grande evento do futebol mundial.

Claro que não estarei na África do Sul entre junho e julho (se bem que gostaria, parece que o inverno de lá é mais frio que o nosso). Mas isso não me impedirá de fazer comentários sobre os jogos, os favoritos, as zebras… Enfim, tudo aquilo que se fala quando há Copa do Mundo.

Mas também tenho outra pretensão, que é fazer um relato pessoal das Copas passadas – ou seja, as que assisti pela televisão. Lembrar fatos engraçados que aparentemente nada tinham a ver com futebol mas se deram em conjunto com algum jogão, momentos surreais durante uma final, assim como também algumas partidas que me marcaram pelo resultado ser totalmente oposto ao que eu esperava e até torcia (e mesmo assim, me fizeram gostar do que vi).

A série iniciará com a Copa do Mundo de 1990, a primeira que tenho lembranças (em 1986 eu tinha apenas 4 anos). Pensei em estabelecer um “calendário” para as postagens, de modo a garantir que, sempre no dia marcado, haveria um novo texto. Porém, optei por postar “sem aviso”: ou seja, quem desejar ler os textos na sequência, terá de acompanhar o blog… Melhor assim, pois também poderá ler sobre outros assuntos.

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Ah, só para avisar: o texto sobre a Copa de 1990 não será postado hoje…