Há 30 anos, Campeão do Mundo

Com apenas dois anos de idade, eu já era Campeão do Mundo, junto com meu time… E isso incomodou muita gente por 23 anos.

Há 30 anos, o Grêmio é Campeão do Mundo.

Grêmio Campeão do Mundo – 29 anos

Assim como no último sábado, 2 a 1 contra o Hamburgo. A diferença é que os dois gols foram do mesmo jogador: Renato Portaluppi. Que, sei lá o motivo, não foi convidado para a festa de inauguração da Arena…

Olimpicamente político (ou politicamente olímpico)

Os Jogos Olímpicos de Londres terminaram ontem, e a Grã-Bretanha teve um de seus melhores desempenhos na história olímpica: com 29 ouros, os britânicos acabaram em terceiro lugar no quadro de medalhas, embora tenham subido menos vezes ao pódio do que a Rússia (que obteve 24 ouros e 82 medalhas no total, contra 65 da Grã-Bretanha).

Porém, nesta mesma semana ouvi a notícia de que o Estado britânico cortará investimentos em esportes, devido à recessão que atinge o país – fruto da crise econômica quase que generalizada na Europa. Ou seja, os britânicos investiram bastante apenas com vista aos Jogos de 2012, para irem bem em casa – provavelmente, o governo temia que sua popularidade caísse com um mau desempenho da Grã-Bretanha, como se a população já não tivesse outros problemas para se preocupar.

A verdade é que os Jogos Olímpicos há muito tempo são uma arma política, vistos como oportunidade de um país demonstrar, através do esporte, que é uma potência. Não por acaso a China, que busca se afirmar como a nova superpotência mundial, também cresceu muito na área esportiva – por mais contestáveis que sejam seus métodos de formação de esportistas, assim como eram os de extintos países do antigo “bloco socialista” como União Soviética e Alemanha Oriental.

Sendo assim, relembremos alguns outros momentos em que os Jogos tiveram importância não só esportiva, como também política. Continuar lendo

Um dilema que me afligia…

Torcer ou não pelo Santos amanhã, na decisão do Mundial Interclubes?

O adversário é o melhor time que já vi jogar: o Barcelona de Messi, Xavi, Iniesta e o lesionado Villa. Joga tão bonito, que não consigo deixar de pensar que será uma injustiça ele perder. O Mundial Interclubes seria o fecho com “chave de ouro” para um ano histórico dos blaugranas.

Porém, torço sempre contra os clubes europeus (não apenas pela América do Sul), exceto quando o adversário deles é o Inter. Em 2009, quando o Barcelona também tinha um timaço (embora não melhor que este de 2011), torci pelo Estudiantes na decisão. Ano passado, fui “Mazembe desde criancinha” contra o Inter e a Inter. Na final de 2005, torci pelo São Paulo contra o Liverpool – e a vitória são-paulina, se por um lado parece ter sido injusta (afinal, o Liverpool amassou o São Paulo no segundo tempo), por outro foi consagradora para Rogério Ceni, que naquele 18 de dezembro teve uma das maiores atuações de um goleiro que já pude assistir.

Não bastasse minha tradição de secar os europeus, o meu irmão disse que vai torcer pelo Barcelona para que o Inter siga como último clube sul-americano campeão mundial. Depois dessa, simplesmente não dá para não torcer pelo Santos…

Então, torço para que amanhã tenhamos um grande jogo em Yokohama, e que o Barcelona jogue tudo o que sabe. Mas quero que Neymar faça chover (ou nevar, já que no Japão o inverno está começando), e traga a taça para a América do Sul. Pra cima deles, Santos!

Descritério, também conhecido como “Conmebol”

Quando foi divulgada a tabela da Libertadores de 2011, o jogo Grêmio x Júnior Barranquilla estava marcado para amanhã, às 22h. Muito tarde para o torcedor voltar para casa depois. Aí, a Conmebol decidiu mudar o dia e o horário: a partida passou para a quinta-feira, 7 de abril, às 20h15min. “Perfeito”, pensei. Afinal, não é cedo demais para quem trabalha até o final da tarde ir ao Olímpico, nem tarde demais para ir embora.

Mas então, sabe-se lá o motivo, houve nova mudança. O jogo foi mantido na quinta, mas o pontapé inicial foi antecipado para às 19h15min. O gremista que trabalha até o fim da tarde terá de se desdobrar para ir ao Olímpico, ainda mais com o caótico trânsito de Porto Alegre, que só piora.

Obviamente não temos como concorrer com a Europa em termos financeiros, mas por que não copiá-los ao menos no quesito “organização”? Pois a Liga dos Campeões não é apenas um torneio milionário, como também muito bem organizado. Não tem essa história de trocar horário de jogo tantas vezes, nem de “clube convidado”, como se viu na Libertadores do ano passado, quando os mexicanos Chivas Guadalajara e San Luis não só participaram por convite, como entraram direto nas oitavas-de-final (se bem que isso também foi fruto do que aconteceu em 2009, quando a Conmebol prejudicou os clubes mexicanos por conta da gripe A, que começou a ser noticiada no México).

Mas, não bastasse a falta de critérios compreensíveis na organização do principal torneio de clubes da Conmebol, ela também atinge a competição de seleções organizada pela entidade, a Copa América. E não é de agora.

Desde 1993, o torneio é disputado por doze seleções: as dez integrantes da Conmebol, mais duas convidadas. Geralmente, fazendo jus ao nome de “Copa América”, os convites eram dirigidos a seleções da Concacaf (ou seja, também da América). Só que na edição de 1999, no Paraguai, a Conmebol decidiu inovar: convidou o México e o Japão. Motivo? Sei lá, vai ver descobriram que o arquipélago japonês era ligado ao continente por um istmo (igual à Sbórnia) e acabou se desgarrando, indo parar lá junto à Ásia… Nada contra a seleção do Japão – que apresentou bom futebol na última Copa do Mundo, se classificando com toda a justiça para as oitavas-de-final – mas sua competição continental é a Copa da Ásia (que, aliás, conquistou em janeiro passado).

Em 2011, novamente o Japão participaria da Copa América. Mas, por conta do catastrófico terremoto que atingiu o país no mês passado, a seleção nipônica desistiu do torneio. Para ocupar a vaga dos japoneses na competição que será disputada em julho na Argentina, imaginei que a Conmebol chamaria alguma seleção da Concacaf. Opções não faltam: Costa Rica (que disputou três das últimas seis Copas do Mundo), Estados Unidos (cujo futebol melhorou muito nos últimos anos), Honduras (que em 2001 ficou em 3º lugar na Copa América, com direito a vitória histórica de 2 a 0 sobre o Brasil nas quartas-de-final) etc. Até poderia haver uma novidade, com Guiana ou Suriname disputando o torneio – apesar de serem países sul-americanos, suas seleções jogam pela Concacaf.

Mas não. A Conmebol pensa em convidar a Espanha… Tudo bem, em termos de qualidade do futebol, seria um GRANDE ganho para a competição ter a atual campeã mundial. Mas, por que raios de motivos não convidar uma seleção da América, se o torneio é “Copa América”???

Bom, se a Espanha for jogar a Copa América, faço coro à proposta do Vicente Fonseca no Facebook: em troca disso, que o Uruguai dispute a Euro 2012 (de preferência, decidindo o título com a Romênia). Quero só ver se a UEFA toparia dar uma de Conmebol.

A rima triste

Charge do Bier

Segunda-feira, 14 de março, foi o Dia da Poesia. Com todas as atenções voltadas para a luta do Japão contra a elevada radioatividade em suas usinas nucleares danificadas pela tsunami da sexta passada, ficava meio difícil lembrar de poesia.

Mas hoje, lembrei das aulas de Literatura no colégio, quando estudávamos o Parnasianismo (eu acho), aquela história de “rima rica”, métrica etc. Foi quando reparei numa rima triste: Hiroshima e Fukushima.

Em 6 de agosto de 1945, Hiroshima foi criminosamente destruída por uma bomba atômica dos Estados Unidos, sendo a primeira cidade a sofrer um ataque desta natureza – três dias depois, Nagasaki tornou-se a segunda e, felizmente, última. Já a usina nuclear de Fukushima não é a primeira a ter um acidente (apesar da gravidade da situação, ainda não é comparável ao que aconteceu em Chernobyl em 1986), mas demonstra que o Japão, único país que já sofreu ataques nucleares, não aprendeu muito com aquele terrível agosto de 1945.

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Em tempo: não sou um ferrenho adversário da energia nuclear, que permitiu alguns avanços na área da Medicina. Mas seu uso para gerar eletricidade, principalmente em países de considerável atividade sísmica como o Japão, deveria ser revisto.

O Brasil, então, não precisa de forma alguma ter usinas nucleares. Primeiro, por ser um país privilegiado em possibilidades de “energias limpas”, como a eólica e a solar: temos mais de 7 mil quilômetros de litoral, com bastante vento; e a maior parte do território brasileiro situa-se na zona tropical, que é a região do planeta onde a insolação é maior.

E em segundo lugar, pela tradição brasileira da enrolação, do “migué”. Como prova Fukushima, com a energia nuclear não se brinca. Em caso de acidente, “dar um jeitinho” não é a solução.

O perigo da energia nuclear

No momento, as atenções do mundo se voltam para usinas nucleares no Japão, principalmente para a de Fukushima, devido ao temor de um desastre semelhante ao de Chernobyl, que em 1986 contaminou e tornou inabitável por vários séculos vastas áreas das então repúblicas soviéticas da Ucrânia (onde fica a desativada usina), Bielorrúsia (para onde se dirigiu a maior parte da radiação resultante do desastre) e Rússia. Ano passado, incêndios florestais atingiram áreas próximas à “zona de exclusão”, despertando o temor de liberação das partículas radioativas, o que por sorte, não aconteceu (pelo menos, não que eu saiba).

O acidente de Chernobyl e todas as suas consequências foram atribuídos tanto às falhas no sistema de segurança dos reatores, quanto ao esforço da União Soviética em esconder o acontecimento: as autoridades soviéticas só admitiram o desastre quando a radiação chegou a outros países, e a evacuação da cidade de Pripyat (construída em 1970 para abrigar os trabalhadores da usina) só se deu mais de 24 horas após a explosão do reator nº 4 de Chernobyl. Assim, chegou a se dizer que o perigo maior não era a energia nuclear, e sim a falta de cuidado.

Porém, agora há um bom motivo para se pôr em xeque a opção pela energia nuclear para produzir eletricidade. Pois ficou provado que não basta apenas um controle adequado: o Japão é um país onde a eficiência e a disciplina são muito valorizadas, mas isso não pode deter uma tsunami, ainda mais provocada por um terremoto de magnitude 9 (o quarto mais forte já registrado).

Afinal, a natureza pode ser mais forte do que o melhor sistema de segurança. Ainda mais em um país onde há certa frequência de terremotos.

O mito do “país abençoado por Deus”

Ora, a essência de uma nação consiste em que todos os indivíduos tenham muitas coisas em comum, e também que todos tenham esquecido muitas coisas.¹

Os países, em geral, têm mitos que ajudam a forjar suas identidades. Não por acaso, são vistos como “dogmas nacionais”: as populações de tais países vêem tais mitos como valores muito importantes para si. Contestar alguns deles pode ser uma ofensa muito grande.

No Brasil, temos dois grandes mitos. O maior de todos é quanto ao futebol. É fato: experimenta dizer a “heresia” de que não temos o melhor futebol do mundo, ou pior ainda, que o verdadeiro “país do futebol” não é o Brasil (já li um artigo que defende a tese de que a Alemanha é tão “país do futebol” quanto o Brasil, tamanha é a paixão dos alemães pelo esporte). É, meu amigo, serás simplesmente massacrado por midiotas que repetem feito papagaios tudo o que certo locutor esportivo costuma dizer (no Twitter mandavam ele “calar a boca” só para fazerem farra). Se disseres que a Argentina é melhor que o Brasil ou que ela é o “país do futebol”, então…

Considerando que o futebol, gostem ou não, é o terreno onde melhor se expressa a “identidade nacional” brasileira, é compreensível tais reações. Porém, algo difícil de compreender é que se continue com o mito de que o Brasil é um “país abençoado por Deus”. Tem até música sobre isso:

Moro num país tropical, abençoado por Deus
E bonito por natureza, mas que beleza²

Tenho certeza de que moradores de rua em várias partes do Brasil andaram com vontade de ter uma conversinha com Jorge Ben Jor, autor da letra, perguntando onde fica o tal país tropical, já que o frio polar chegou até a Amazônia. Tudo bem que lá a queda da temperatura foi rápida, mas em Porto Alegre o frio é praticamente contínuo há duas semanas, com breves intervalos de calor (pouco mais de 20°C).

Agora, quanto ao “abençoado por Deus”, serve apenas para que se diga que o Brasil tem muitos problemas mas, em compensação, “não tem terremoto, tornado, furacão etc.”, males que afetam países mais desenvolvidos como Estados Unidos e Japão.

Nada mais ilusório do que isso. Pois se não temos terremotos arrasadores como os países citados, não raras vezes a terra treme em nosso país. Em dezembro de 2007, uma criança morreu quando a casa em que morava desabou devido a um tremor em Minas Gerais. Tudo bem que foi um terremoto fraco (se não me engano nem chegou a 5 graus na escala Richter), e que a casa provavelmente caiu por ser frágil, mas será que não é hora de parar com a história de que “aqui não tem terremoto”?

Outra ilusão é quanto aos furacões, como nos mostrou de forma trágica o Catarina em março de 2004. Há quem o credite às mudanças climáticas, já que foi o primeiro furacão documentado no Atlântico Sul. Se já houve outro no passado, só uma ampla pesquisa poderá nos dizer (afinal, se já aconteceu em outra oportunidade, é possível terem dito que foi um “temporalzão”, com base no mito de que “aqui não tem furacão”). E em março deste ano, uma nova tempestade tropical – que recebeu o nome de Anita – se formou próximo às costas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul (tal qual o Catarina). Logo, é bom que as cidades litorâneas estejam preparadas para a ocorrência de furacões, ao invés de se continuar com a crença no mito. Até porque eles não provocam só vento, como também muita chuva – que já causou várias tragédias no Brasil, como as recentes enxurradas em Alagoas e Pernambuco.

E quanto aos tornados, nada mais furado do que acreditar que eles não acontecem por aqui. O centro-sul da América do Sul (ou seja, Paraguai, Uruguai, norte da Argentina e sul do Brasil) é a segunda região mais propícia à ocorrência de tornados no planeta. Ou seja, o que aconteceu em Canela na última quarta-feira não foi “fato isolado”, e seria bom que se tivesse no Brasil um sistema de alerta como nos Estados Unidos.

Mas para tudo isso se torne realidade, será preciso convencer a população do país de que não somos “abençoados por Deus” e que aqui tem tornado, furacão e até alguns terremotos, sem contar as enchentes e mesmo as secas, para que não haja absurdas reclamações de que “isso é caro e desnecessário” (e os “elefantes brancos” para a Copa e a Olimpíada, são o quê?): perguntem a quem perdeu pessoas queridas em tais eventos se não acham que as vidas valem muito mais. Sem contar que, mesmo se não houvesse nada disso, ainda assim o Brasil não seria “abençoado por Deus”, já que a fé em Deus (que eu não tenho) não é exclusividade brasileira: os argentinos teístas certamente acham que a Argentina é “abençoada por Deus”, e que seu “país temperado” é “bonito por natureza”.

Agora, se ainda quiserem continuar com a crença nesse mito… Quando vierem para Porto Alegre em fevereiro, não esqueçam do casacão, do gorro e do cachecol, afinal, aqui faz muito frio o ano inteiro – ainda mais durante a noite.

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¹ Original, em francês: “Or l’essence d’une nation est que tous les individus aient beaucoup de choses en commun, et aussi que tous aient oublié des choses”. Ver: RENAN, Ernest. Qu’est-ce qu’une nation? In: Oeuvres completes, 1, p. 892 apud ANDERSON, Benedict. Comunidades Imaginadas. São Paulo: Companhia das Letras, 2008, p. 32.

² “País tropical”, letra de Jorge Ben Jor.

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Interessantíssima Copa

Terminada a primeira fase da Copa do Mundo, percebi alguns fatos interessantes com base na lista das 16 seleções classificadas para as oitavas-de-final.

Como a decepção da África. Afinal, com a Copa sendo realizada pela primeira vez no continente, esperava mais das seleções africanas. Mas quase que nenhuma delas passa: a única a se classificar foi Gana, e foi por pouco, visto que a Sérvia quase buscou o empate em 2 a 2 contra a Austrália, resultado que eliminaria os ganeses e levaria os sérvios às oitavas-de-final. Sem contar a África do Sul, que mesmo tendo um time muito fraco, jogava em casa e foi eliminada: nunca um anfitrião de Copa havia parado na primeira fase. Até mesmo os Estados Unidos, em 1994, chegaram às oitavas.

Aliás, que evolução tiveram os Estados Unidos! Já falei de 1994. Em 2002, eles foram “zebra”, indo até as quartas. Já em 2010, ficaram com justiça em 1º lugar num grupo que tinha a Inglaterra como favorita. E acredito que chegam pelo menos até as quartas.

Se a África decepcionou, a Ásia tem um ótimo desempenho, com duas seleções (Coreia do Sul e Japão) nas oitavas-de-final, repetindo o feito de 2002 (quando ambas as seleções jogavam em casa – e a Coreia foi até as semifinais). A propósito, a classificação japonesa foi merecidíssima: pensar que em meu primeiro prognóstico para a Copa, feito logo que saíram os grupos, apontei que no grupo E a única certeza seria a eliminação do Japão…

Também vai muito bem a América Latina. O México mais uma vez vai às oitavas – mas para, provável e infelizmente, já cair fora. Tudo porque terá pela frente a Argentina, que vem jogando o melhor futebol da Copa. Os demais sul-americanos também estão nas oitavas, com o continente tendo seu melhor desempenho desde quando passou a ter direito a cinco representantes (na verdade são “quatro e meio”, já que uma das vagas é disputada em repescagem contra outra confederação): todas as seleções da América do Sul passaram da primeira fase. Nas quartas, teremos no máximo quatro, já que Brasil e Chile se enfrentam nas oitavas, mas é certo que um sul-americano já está lá.

Em compensação, a Europa tem um de seus piores desempenhos, com apenas seis seleções nas oitavas-de-final (para se ter uma ideia, em 2006 tal número correspondia aos europeus nas quartas-de-final; em 1994, sete europeus estavam entre os oito melhores). E eles já vão “se matar”, restando apenas três para as quartas. Assim, já é certo que não teremos uma “Eurocopa” nas semifinais, como aconteceu em 2006.

E não nos surpreendamos se, pela primeira vez na história das Copas, não tivermos nenhuma seleção europeia entre as quatro melhores, e também se as semifinais forem uma “Copa América”.

As Copas que eu vi – Alemanha 2006

No final da tarde do dia 4 de setembro de 2005, me reuni com o meu amigo Diego Rodrigues para tomar cerveja e comer uns pastéis na pastelaria “República do Pastel”. O local, propriedade de um uruguaio, era ponto de encontro de orientales que vivem em Porto Alegre em dias de jogos da Celeste Olímpica. Caso daquele domingo, em que Uruguai e Colômbia se enfrentavam no Estádio Centenário, em Montevidéu, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006, que se disputaria na Alemanha.

Naquele momento, eu nem imaginava que, em menos de seis meses, estaria no local que via pela televisão. Conversávamos sobre desilusões amorosas, e foi quando eu disse que “o amor é regido pela Lei de Murphy”. O Diego gostou tanto do que falei, que parou um garçom, pediu uma caneta emprestada e anotou a frase em um guardanapo que guardou consigo até o início de 2010, quando me repassou o que é um verdadeiro documento histórico.

Outra coisa que eu não imaginava, era que o Uruguai acabaria ficando fora da Copa. A vitória por 3 a 2 naquele jogo contra a Colômbia foi fundamental para a Celeste chegar à repescagem contra a Austrália, treinada por Guus Hiddink. Na primeira partida, em Montevidéu, 1 a 0 para o Uruguai. Quatro dias depois, em Sydney, 1 a 0 para os australianos nos 90 minutos. Na prorrogação, não foram marcados gols, e assim a decisão foi para os pênaltis. E a vitória foi dos Socceroos por 4 a 2: a Austrália voltava à Copa do Mundo depois de 32 anos – a última (e única) participação fora em 1974, ironicamente também na Alemanha (embora fosse apenas a Ocidental). Continuar lendo