Comentários de portal

Sou estressado, mas sei me controlar. Foram poucas as vezes em que tive “explosões” de fúria, daquelas de ficar com muita raiva.

Pois hoje cheguei perto disso, e não foi por conta de nenhuma pessoa próxima, nem por problemas de trabalho etc. É que inventei de ler os comentários em uma matéria de um portal de notícias. Comecei tranquilo, “na boa”. Quando fechei a matéria, sentia vontade de convidar vários dos comentaristas para uma partida de futebol, em que eles formariam o time adversário, para que eu distribuísse carrinhos e tesouras.

Em um ambiente no qual a violência é a regra, a tendência é que acabemos agindo/reagindo de forma violenta. E o espaço de comentários nos grandes portais é exatamente assim. Não tem tiroteio nem “porrada”, mas sim a chamada violência simbólica: a maioria dos comentaristas se utiliza de linguagem extremamente agressiva, e opta por ofender ao invés de argumentar. Muitas vezes alguém tem opiniões bem embasadas e pretende apresentá-las para contribuir com o debate, mas depois de uma agressão verbal, acaba reagindo de forma semelhante.

Sem contar o meu próprio caso hoje: não tinha comentado nada (e em portais muito raramente o faço, justamente por ser um ambiente mais propício à agressão do que à discussão respeitosa), mas só de ler tantas opiniões raivosas, já estava irritado. Tanto que fechei a matéria não por ter terminado de ler os comentários ou para fazer outra coisa, mas sim para “esfriar a cabeça”.

Fica novamente a dica (que tantas vezes já recebemos e acabamos esquecendo): jamais ler os comentários em portais de notícias. Não se perde absolutamente nada os ignorando.

Perdendo tempo

Um dos grandes males da atualidade, dizem, é a falta de tempo (que, na visão capitalista, “é dinheiro”). Estamos sempre atrasados, correndo contra o relógio. E em meio a tal maluquice, não há pecado pior do que perder tempo.

E o que é “perder tempo”? É fazer qualquer coisa que “não seja produtiva”. Dentre elas, sentar e pensar: lembro de muitas vezes ter feito isso e ouvir a pergunta “por que está aí pensando na morte da bezerra?”, o que me irritava demais, pois pensava em coisas muito mais importantes do que na bezerra falecida.

Será que ninguém nunca pensou no quanto a humanidade já perdeu por conta da “falta de tempo” ou por se achar que era “perda de tempo”? Quantas ideias geniais deixaram de ser postas em prática? Quantos contos e poemas não puderam ser escritos? Quantas músicas não foram compostas por conta disso?

Me acontece muito de ficar sem tempo para vir aqui escrever no blog. E isso é uma das coisas que me irrita, às vezes até me estressa. Pois detesto não ter tempo de fazer o que gosto.

Aliás, nem deveria ter escrito este breve texto, pois tinha mais coisas a fazer.

Obrigado por não telefonar

Já falei do quanto detesto atender telefone. Prefiro receber e-mail, mensagem no celular, no Facebook… Mas o pessoal insiste em ligar, sendo que na maioria das vezes é bobagem, coisa sem urgência, ou pior ainda, a ligação nem é para mim e preciso anotar o maldito recado.

E então toca o telefone… E já vejo pelo identificador de chamada que não é comigo que querem falar (eis um dos maiores males de não morar sozinho: uma linha de telefone fixo para todos).

– Alô.

– Quem fala?

– É o Rodrigo.

– Tudo bem, Rodrigo?

– Tudo…

Descubro que sou um grande hipócrita. Pois a resposta sincera seria outra:

– Estava tudo bem até esse maldito telefone tocar!

A “vida moderna” é uma fábrica de estresse

Quem nunca teve um dia terrível? Eu já tive vários, e já cheguei mesmo à ter “explosões” de raiva: quem me conhece e acha que sou “quieto”, experimente me irritar profundamente em um dia no qual não acordei de bom humor…

Situações estressantes são a coisa mais normal da chamada “vida moderna”. Um “abacaxi” no trabalho, problemas familiares, falta de dinheiro, ônibus lotado, trânsito caótico etc. “Anormal” é quem consegue manter a calma em momentos como esses.

Também somos extremamente cobrados para nos enquadrarmos em diversos padrões, a fazermos determinadas coisas que são consideradas “o certo”. Ser aprovado no colégio, passar no vestibular, namorar, se formar, arrumar um emprego, ficar de bom humor no trabalho mesmo após uma péssima noite de sono, casar, comprar casa e carro, ter filhos etc. Pode-se muito bem acrescentar mais itens à lista que forma o roteiro de uma “pessoa comum”. São regras que não estão escritas, e por isso bem mais eficazes: a maioria das pessoas não percebe que são arbitrariedades, que não têm obrigação nenhuma de segui-las.

Cobranças de todos os lados nos estressam, caso as levemos muito a sério. Se quisermos então seguir à risca o roteiro da “pessoa comum”, a tendência é um estresse ainda maior, pois nós mesmos nos cobraremos.

É sempre bom ter algo que sirva como “válvula de escape” para o estresse do cotidiano. Pode ser um jogo eletrônico, atividades físicas, uma cervejinha no bar… Aliviar a tensão ajuda a não “explodirmos” de raiva, muitas vezes agredindo quem nada tem a ver com nossa irritação.

O grande problema é que também somos cobrados a jamais demonstrarmos nossas fraquezas, visto que isso é considerado “coisa de fracassado”. Como se fosse possível existir alguém que não tem nenhum problema na vida. Porém, muita gente embarca nessa canoa furada, e não fala sobre suas aflições com ninguém. Assim a tensão não é aliviada conscientemente, e o resultado é que nosso inconsciente passa a agir: desta forma, acabamos tendo atitudes que não teríamos normalmente.

Sem contar os prejuízos à saúde. Afinal, o estresse nos debilita, baixa nossa imunidade, nos deixando mais propenso a doenças, principalmente as cardiovasculares.

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A decisão de escrever sobre este assunto veio semana passada, depois de descobrir que sofro de bruxismo – ato de ranger os dentes durante o sono e que é causado justamente por estresse. Pois é, guardei demais os problemas só para mim, e minha boca começou a “pagar o pato”… Inclusive, já “consegui” perder um pedacinho de um dente por conta disso.

O Natal é ditatorial

Há quase três anos, escrevi sobre a “obrigação” de se estar feliz no Natal. É aquela história: experimente manifestar desagrado, e lá vem o rótulo – “rabugento”!

Porém, há a opção de se ficar de mau humor. Em 2009, por exemplo, quando a “noite de Natal” foi terrivelmente abafada em Forno Alegre, não fiz questão alguma de fingir felicidade. No dia seguinte, claro, só ficavam falando da minha “rabugice”, mas como eu sabia de antemão que teria de arcar com as consequências de optar pela autenticidade ao invés do fingimento, não me importei – e sigo não me importando.

Agora, se há a alternativa de fazer cara feia para a celebração, isso não quer dizer que o Natal seja uma festa democrática. Pois não há possibilidade de se fazer qualquer coisa que não participar da “reunião de família” ou ficar sozinho no seu canto. Mesmo para quem não é cristão, já que há muito tempo a religião celebrada em 25 de dezembro é outra.

Caso eu queira reunir amigos ateus e agnósticos para tomar uma cerveja, por exemplo, não encontro nenhum bar aberto na noite de 24 de dezembro. Nenhum! Deve haver pelo menos um bar que pertença a um ateu ou a um agnóstico, porém, ele sabe que abrir as portas na “noite de Natal” é prejuízo na certa.

Bom, na impossibilidade de ir tomar cerveja num bar, que tal reunir os amigos em casa para uma “sessão de cinema”? Também não dá. Justamente por causa da porra da “obrigação” de se “estar em família” – mesmo que não faltem oportunidades melhores para reunir os familiares durante o resto do ano, inclusive sem esse clima de imposição. Tenho certeza de que, não fosse “obrigatório” a noite de 24 de dezembro ser de reunião familiar, se registrariam muito menos brigas e “maus humores” como os meus.

Ou seja, é praticamente impossível romper a polarização “família x sozinho no canto”. Digo praticamente porque, em tese, nada é impossível. Porém, enquanto a maioria das pessoas seguir aceitando essa “obrigatoriedade”, mesmo que a contragosto, nada mudará, pois vozes isoladas contra a ditadura do Natal não a derrubarão.

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E quase dois anos depois, o texto escrito pelo Milton Ribeiro continua atual – acho que também pode servir como um “manifesto”. (Não costumo copiar na íntegra, mas esse eu “assino embaixo”, e não deixe de ir ao original dar sua opinião.)

Abaixo o Natal!!!

O Natal devia ser como a Copa do Mundo, de quatro em quatro anos. O que há de bom nestes dias? Estar com a família? Sou alguém bastante sociável, gosto de minha familia e já os vejo frequentemente. Então, prefiro estar com eles sem as besteiras mesquinhas e os milagres da época. Mais do que o primado do consumo, detesto as promoções de bons sentimentos, a hipocrisia, a religião, a obrigação de felicidade. Pior, hoje serão servidas iguarias irresistíveis, vai se comer muito e não quero engordar. Por mim, dormia cedo. E amanhã todos voltarão porque haverá comida demais…

É uma festa legal quando temos crianças pequenas, mas agora, qual é o sentido? Há a necessidade de estarmos alegres após passar o dia arrumando a casa e lembrando de detalhes… Pois é, já viram, vai ser aqui em casa. Se a gente fica sério, as pessoas se preocupam. Então, o negócio é beber. Haja saco. Ainda bem que chove. Podia vir uma tempestade e faltar luz no meio da festa! Seria uma novidade!

Festa por festa prefiro a virada do ano. Ao menos é sem presentes e com menos religião. E, associada à data, há uma simbologia de renovação, de planos e mudanças quase sempre falsas, mas ao menos pensadas. Já o Natal… é pura merda. Na minha infância, era comemorado na manhã do dia 25. A gente acordava e havia presentes sob a árvore. Fim. Hoje é um happening, vão tomar no cu.