Se Jesus existisse (e nascesse hoje)

Pescado lá do Somos andando. Sensacional!

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Por que a bizarrice não é ruim para a democracia

Como era de se esperar, os primeiros dias do horário eleitoral gratuito foram marcados por candidatos bizarros que apareceram na tela. Figuras que mais parecem saídas de um circo estão por aí, pedindo votos.

Algo que muito ouço são reclamações quanto a isso. “É uma vergonha, a política está desmoralizada!”, dizem os indignados. De fato, isso ajuda realmente a diminuir a já muito abalada credibilidade da política nacional.

Porém, não posso concordar de forma alguma com gente que prega a proibição da candidatura de tais figuras. Mesmo que lamente profundamente que autênticos palhaços se candidatem e, inclusive, sejam eleitos.

O motivo é muito simples: já passamos muitos anos de autoritarismo no Brasil, em que candidatos eram eleitos e depois cassados. Muitos brasileiros morreram para que nosso país voltasse a ser uma democracia. Ela pode não ser a ideal, mas não a trocaria pela melhor das ditaduras. Não podemos aceitar que se volte aos tempos em que se barravam candidatos – antes ou depois da eleição – por razões totalmente subjetivas. Pois pode começar com os engraçados, mas aí depois alguém inventa alguma desculpa para impedir que gente séria, comprometida com a população, possa se candidatar – tipo dizer que “subversivos” (como costumam chamar quem não vê a propriedade privada como uma divindade) não podem concorrer.

Se achamos que a política está uma palhaçada, o melhor que podemos fazer é não votar nos palhaços e, principalmente, não sermos feitos de bobo por certos candidatos que não são engraçados e certamente rirão da nossa cara caso sejam eleitos. (É, a lei da “ficha limpa” não barrou todos os “sujos”…)

E não vejo mais desculpas para dizer “é tudo igual” nos tempos da internet, em que sobra informação.

Começa o horário eleitoral gratuito

Óbvio que aquele pessoal que enche a boca para dizer que odeia política já está reclamando. Afinal, o horário eleitoral gratuito significa que o Jornal Nacional termina mais cedo e a novela, começa mais tarde.

Já eu gosto, sim, de assistir ao “horário político”. Mais, é um dos raros programas que me fazem assistir alguma coisa nos canais abertos de televisão.

Não acho que será através da propaganda política no rádio e na TV que eu escolherei em quem votar. É mais fácil conhecer as ideias, as propostas de cada candidato, por meio de sua página de internet, já que ali a exposição na tela não é restrita a segundos. E se o cara já exerceu algum cargo político, bom, aí fica até mais fácil decidir sobre votar ou não nele: só ver o que ele fez – ou deixou de fazer.

Mas o horário eleitoral gratuito é, sim, uma forma das pessoas “gravarem” certos nomes. Só uma pena que haja alguns candidatos que só o fato de estarem concorrendo já represente uma bizarrice: esses aí acabam chamando muito a atenção. Ao mesmo tempo que é engraçado, também é dose.

O crescente controle da internet

Vídeo produzido por Jorge Nogueira, Rogério Garay, Guilherme Maltez e Jaqueline Madke, sobre as crescentes medidas tomadas no sentido de se violar a privacidade das pessoas na internet. Isso nas autoproclamadas “democracias”…

2010: um tenso ano novo

Em menos de duas semanas estaremos oficialmente em 2010. Um “ano novo” que terá uma “novidade”: a campanha política mais suja da História do Brasil.

Isso pode parecer que já aconteceu em 2006. Mas em nada se compara ao que veremos no próximo ano. Na última eleição presidencial, a direita contava que, com a ajudinha da “grande mídia”, impediria a reeleição de Lula e voltaria ao governo. Mas a tática não deu certo, e o presidente obteve mais quatro anos dando uma verdadeira surra eleitoral em seu adversário no segundo turno.

A direita raivosa já percebeu que não basta ter uma ajudinha da “grande mídia”, nem pode contar que as pesquisas convençam os eleitores de que “tal candidato vai ganhar e não adianta nada fazer alguma coisa contra”. Como disse o Eugênio Neves em postagem no início de 2009, trava-se uma “batalha da informação”: os direitosos sabem que muita gente lê opiniões críticas escritas por diversos blogueiros de esquerda. Daí o aparecimento de diversos trolls, com o único objetivo de tumultuarem o debate feito nos comentários: muitas vezes financiadas pela direita, não interessa a tais figuras a troca de ideias, e sim a baixaria.

Como disse o Milton Ribeiro, realmente, 2010 “será uma coisa”. Nos preparemos para uma enxurrada de comentários toscos, ofensivos. Para os quais só vejo uma solução: a “tesoura”. Isso não é “censura”: cada blog publica os comentários que julgar convenientes; até porque a “grande mídia” se diz “imparcial” mas não publica muita coisa…

Cortar o barato dos trolls só beneficia o debate (que se realizado em alto nível incentiva também a participação de quem discorda mas não xinga, o que é excelente). Sem contar que as provocações têm muitas vezes o objetivo de gerar resposta que resulte em algum processo – principal arma dos direitosos para tentar calar a blogosfera, pois sabem que os blogueiros independentes não têm como enfrentar o poder econômico. Que o digam o Carlinhos Medeiros e o Antônio Arles, os mais recentes “notificados judicialmente”.

Adivinhem de quem me lembrei?

trogloditas_midia

No fim do ano passado, um troglodita de codinome quase igual a um dos que estão na charge do Eugênio Neves, literalmente infestava o meu blog. Foi a partir de um post do próprio Eugênio no Dialógico que decidi cortar as asinhas de gente como o tal “Jubão”: afinal, não é o Cão Uivador – ou os outros blogs de esquerda – que devem ser “democráticos”, e sim, a internet, para que mesmo os direitosos e os colorados “pifados” (que eu também dou uns cortes) possam criar seus blogs. E lá, que escrevam as bobagens que lhes vierem à cabeça.

Tais trogloditas têm um objetivo muito claro: tumultuar a discussão. O debate sobre um assunto importante, acaba sendo esquecido devido à “necessidade” de se responder a uma provocação barata. E ainda por cima, nós, blogueiros de esquerda, acabamos dando espaço para fascistas – justamente o que deveríamos combater!

Portanto, fica o aviso: aqui, esse papo de “pacificação” não cola. Não sei quanto ao Rio Grande do Sul, mas o Cão Uivador não será “pacificado”!

Lei Azeredo: o medo deles não é o que se “baixa”, e sim o que se “sobe”

A Claudia Cardoso disse tudo, lá no Dialógico. Embora haja muitos interesses da indústria cultural (gravadoras, editoras etc.) em criminalizar a troca de arquivos de áudio, vídeo e textos via internet, a maior preocupação é quanto ao que se “sobe” para ela. Afinal, a web permite o acesso a informações que jamais se teria na mídia corporativa, e pode até mesmo influenciar as pautas dela.

Um exemplo atual é a situação vivida por moradores de uma área cobiçada pela especulação imobiliária no bairro Cristal, zona sul de Porto Alegre.  Através da música, denunciaram as “propostas” dos especuladores para que deixem o local onde moram há anos (o vídeo, pesquei do Alma da Geral).

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Claro que os mentores do projeto não dirão isso, pelo medo de serem acusados – com toda a justiça – de defensores do autoritarismo. Pelo que eles dizem – e que convencerá os que não têm conhecimento do que se trama – a lei a la 1984 servirá para combater a pirataria e, principalmente, a pedofilia. Ou seja: se utilizando de uma causa nobre – proteger crianças de tarados que não estão só na internet – passarão a considerar qualquer internauta como um criminoso em potencial, que até prova em contrário, será suspeito.

Blogs têm força nos EUA, e ainda engatinham no Brasil

Não foram poucas as vezes que o Hélio Paz citou, em seus posts, a força dos blogs – e da própria internet – nas campanhas políticas dos Estados Unidos. Tanto que a vitória de Barack Obama na eleição presidencial se deveu ao competente uso das ferramentas oferecidas como redes sociais e blogs.

Para termos uma idéia de como andam as coisas por lá: começou a circular nesta semana em Chicago e São Francisco um jornal cujo conteúdo é exclusivamente oriundo da internet. É o “The Printed Blog”, que inicialmente será semanal, mas aspira à circulação diária. O jornal será distribuído em estações de transporte público nas duas cidades, gratuitamente. Sendo baseado em blogs, obviamente se pode ler o jornal pela internet, inclusive baixá-lo em formato PDF.

Uma iniciativa dessas por aqui teria chances de dar certo? Atualmente, acredito que não. Nos EUA, os blogs têm importância para a política e na formação da “opinião pública” (tanto que há gente disposta a anunciar em um jornal que expresse uma visão diferente da dominante). No Brasil, continuam muito restritos.

Pegando o meu próprio exemplo: em um ano e cinco meses e meio no WordPress, o Cão teve quase 77 mil acessos. Pode parecer bastante, mas é muito pouco, considerando que há blogs e páginas ligadas a grandes grupos de mídia que alcançam tal número de acessos em menos de um dia. E quando me conecto no WordPress, os blogs destacados (mais acessados) muitas vezes tratam de fofocas e celebridades – ou seja, são pautados pela televisão. Não podemos chamar isso de “mídia independente”…

Outro fator que pesa contra é, no caso dos blogs políticos, o fato de muitos serem partidarizados. Pois a força da mídia corporativa se deve à sua alegada “imparcialidade”: quem usa o senso crítico obviamente não acredita nessa balela, mas boa parte das pessoas lê jornais e revistas semanais, e assiste telejornais, e acredita que tudo o que é dito é “a verdade”. Acho extremamente honesto dizer de qual lado se está, mas resumir a política à defesa de determinados partidos e à luta pelo poder político é uma idéia equivocada.

É preciso lutar por idéias, não por partidos. Bons exemplos são movimentos como os Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho: politizados (pois a luta em defesa da natureza também é política) sem serem partidarizados. Ainda mais quando boa parte das pessoas se tornou descrente da política partidária: prova disso é que o único partido forte que se baseava na defesa de um ideal, o PT, tornou-se igual aos outros que tanto criticava.

Mas que bela democracia!

Parece mentira, mas não é: na França, um jornalista foi preso por ter liberado um comentário.

Acusado de difamação, Vittorio de Filippis foi preso diante dos filhos pelo crime de ter permitido a publicação de um comentário na página do jornal Libération em 2006, que contrariou os interesses de um empresário que enfrentava problemas com a justiça francesa.

Essa é a democracia defendida pelos liberais de plantão. Basta ter dinheiro para pagar um bom advogado e processar seus adversários.

Leia mais aqui.

Falta uma letra

Assinamos o Virtua aqui em casa com a promessa de uma internet com velocidade de 2 Mbps. Porém, nos últimos dias chega a parecer que temos internet discada. Um vídeo do YouTube com cerca de um minuto de duração, leva no mínimo 2 minutos para carregar.

Considerando que temos dois computadores em rede, teríamos de ter 1 Mbps para cada um, na teoria. Mas, veja (desculpe o palavrão) o que deu o teste que fiz agora há pouco:

Esses dias, meu irmão ligou para a NET pedindo explicações. Disseram que teríamos “ultrapassado o limite mensal de downloads”, e por isso teriam diminuído a velocidade da internet “pela metade” (mentira, pois então teríamos de ter 500 kbps para cada computador, e não 173,53 como o teste mediu). Ele perguntou afinal qual era o limite de downloads, e a atendente disse que era de 40 GB.

Bom, se nós baixamos tanta coisa assim por mês, podem me mandar seus pedidos de presente de Natal, pois eu sou o Papai Noel…

E agora ficou fácil entender o que quer dizer o título da postagem, né? O nome da internet da NET é Virtua porque eles engoliram a letra final, um “l”: o certo seria VIRTUAL, pois os 2 Mbps que eles prometem não existem. Estamos com essa lerdeza desde agosto, o que obviamente teria nos feito baixar menos arquivos (mas claro que nunca baixamos 40 GB em um só mês!!!) e reestabelecido a velocidade normal de conexão.