Tem como pular o final do ano?

Fim de ano não me agrada, e faz tempo. É uma época das mais deprimentes: mal entramos em novembro e já se fala na chatice do Natal; não bastasse isso, Porto Alegre começa a virar Forno Alegre.

Mas em 2012, o final do ano consegue ser pior. Está cada vez mais perto o último jogo do Estádio Olímpico Monumental. Faltam dois ou três jogos – depende do resultado do próximo dia 15, contra o Millonarios, o direito a disputar uma partida a mais contra o São Paulo, pela Copa Sul-Americana (além do próximo domingo, pelo Campeonato Brasileiro). E no terrivelmente próximo 2 de dezembro, teremos o Gre-Nal que fechará as portas do estádio para o futebol.

Nessa época tenho uma terrível inveja dos ursos, que conseguem cair num sono profundo que dura meses durante o inverno. Adoraria que os humanos pudessem pelo menos dormir um mês inteiro: no meu caso, seria dezembro, mas só a partir do dia 3 (por pior que seja a sensação, não posso deixar de ir ao último jogo do Monumental).

A grande palhaçada do Brasileirão

Está complicado o futebol brasileiro ultimamente… Nem falo da Seleção (para a qual não dou a mínima), e sim, do Campeonato Brasileiro.

Dizer que o Fluminense está sendo beneficiado é complicado. Seria preciso ter provas de que os seguidos erros de arbitragem têm por objetivo facilitar o caminho do Flu rumo a mais um título – que, convenhamos, o clube carioca conquistaria de qualquer forma, por ser indiscutivelmente o melhor time do Brasil.

O problema é que agora, não querem nem que se insinue isso. Já foi o que vimos em um jogo do Náutico nos Aflitos, no qual o árbitro Leandro Vuaden só apitou o início da partida depois que a polícia retirou uma faixa de protesto que dizia “Não vão nos derrubar no apito” (referência ao absurdo pênalti não marcado a favor do clube pernambucano no jogo contra o Fluminense, no Rio). E por conta da torcida do Atlético-MG ter formado um mosaico nas cores do Flu e com a inscrição “CBF” de cabeça para baixo no jogo contra o mesmo clube carioca, o Galo foi denunciado no STJD.

Assim o leitor deve estar pensando: “bom, então é óbvio que o Flu está sendo ajudado”. Bom, de fato está, mas não exatamente por um “apito amigo”, e sim, por um “apito ruim”. Pois a arbitragem no Brasileirão é calamitosa. Como bem provou o acontecido no jogo do Inter contra o Palmeiras, sábado passado: o árbitro Francisco Carlos Nascimento inicialmente validou o gol que Barcos claramente marcou com a mão, para depois voltar atrás, alertado pelo quarto árbitro (e os bandeirinhas e os juízes de linha de fundo servem para quê?); pior, não deu cartão amarelo para o argentino.

Logo surgiu a polêmica de que o quarto árbitro teria visto o lance pela televisão – o que a regra proíbe. Ora, é impossível provar que ele sofreu ou não influências externas. Mas, o que aconteceu? O STJD decidiu deixar sub judice os pontos da partida, que poderá ser jogada novamente.

Alguém pode alegar, então, que o Palmeiras é beneficiado, e os adversários dele na briga contra o rebaixamento são prejudicados. De fato, isso está acontecendo. Mas é o futebol brasileiro como um todo que perde. E muito.

Não tem de interditar?

Nos últimos meses, a principal polêmica que se dá no Rio Grande do Sul é sobre as condições do Beira-Rio receber jogos enquanto duram as obras visando à Copa de 2014. O Internacional jura que o estádio é seguro (jurem ou não, depois de ver uma rachadura como a do vídeo acima eu pensaria umas mil vezes antes de ir ao Beira-Rio), enquanto o Ministério Público pediu a interdição.

Logo que se soube do pedido de interdição por parte do MP, começaram as acusações de que o procurador responsável pela ação era gremista, e que por isso, seria “tendencioso”. Uma discussão que teria de se dar no âmbito da engenharia e dos órgãos de segurança, acabou se “grenalizando” – aliás, o que tem sido a norma nos últimos anos em todas as questões envolvendo Grêmio ou Inter.

Esse é o maior problema: se a decisão desagrada aos colorados, é porque tal instituição é “gremista”; e vice-versa. Daqui a pouco teremos de “importar” procuradores para decidir algo que envolva Grêmio ou Internacional. (E ainda assim eles serão acusados de serem “gremistas” ou “colorados”.)

Esta “grenalização” é tão absurda que em outubro do ano passado, quando a FIFA decidiu que Porto Alegre não sediaria jogos da Copa das Confederações de 2013, os fanáticos dos dois lados começaram a se acusar: os gremistas diziam que a culpa era do Inter por conta da paralisação nas obras do Beira-Rio (a reforma parou por mais de 200 dias devido ao impasse com a Andrade Gutierrez); já os colorados acusavam o Grêmio de “conspirar” para que a Copa do Mundo fosse realizada na Arena. Foi uma discussão que se caracterizou pela legítima demência de ambos os lados.

Para a Copa do Mundo, “cago e ando” (sempre achei que era um péssimo negócio para o Brasil). Mas quanto à questão da reforma no Beira-Rio (atraso, realização de jogos etc.), o culpado maior é o próprio Inter (embora saiba que vai aparecer algum colorado fanático para dizer que a culpa é do Grêmio).

No caso da assinatura com a Andrade Gutierrez, a obra parou em junho de 2011. O contrato só foi firmado em março de 2012, após a empreiteira ser pressionada pela presidenta Dilma Rousseff, quando quem deveria ter posto a construtora “contra a parede” era o Inter.

Quanto à realização de jogos, era mais do que natural a necessidade de se fechar o Beira-Rio para as obras, ou pelo menos para parte delas: quando o Maracanã passou por reformas para o Pan de 2007, ficou fechado por um ano, sendo reaberto quando o anel inferior já estava reconstruído (faltando apenas instalar as cadeiras). Logo, o Inter deveria ter feito um planejamento para mandar seus jogos fora do Beira-Rio.

Jogar no Olímpico? Até a década de 1990 seria possível (tanto que era natural um clube jogar no estádio do outro quando o seu era interditado por qualquer motivo). Agora, com a demência que tomou conta de parte das duas torcidas (mandar jogos na casa do rival é visto como “chance de detonar o patrimônio deles”), tornou-se impossível. Tanto que eu fui contra o Grêmio emprestar o Monumental, por não querer vê-lo depredado em seu último ano (já basta a dor que me causa a sua demolição dentro de poucos meses).

Espero que, caso o bom senso não prevaleça agora, isso aconteça pelo menos durante o Gauchão (em 2013 ele será ainda mais “interminável” que em 2012: irá de 19 de janeiro a 19 de maio), e o Beira-Rio seja fechado. Mas tenho certeza de que vai aparecer algum colorado fanático para dizer que o meu conceito de bom senso é gremista.

“Jean Marie, o Brasil vai até o Chuí”

Em 30 de outubro de 1969, o general Emílio Garrastazu Médici, fanático por futebol e que costumava frequentar estádios, tornou-se ditador do Brasil. Durante seu período de governo (até 15 de março de 1974), o país viveu o período mais sangrento da repressão política, com a intensificação da tortura e dos desaparecimentos forçados. Continuar lendo

Galo “temperado”… Rumo à panela?

Fiz o seguinte questionamento sexta-feira, no texto sobre a saída de Ronaldinho do Flamengo:

E agora, ele está liberado para negociar com outro clube. Uma pergunta é óbvia: dado o histórico recente de Ronaldinho, algum clube brasileiro cometeria a insanidade de tentar contratá-lo?

Pois o Atlético-MG cometeu. Mesmo que uma enquete aponte que (apenas) 68% dos torcedores do Galo rejeitam ver o jogador em seu time.

Fosse eu atleticano, já estaria fazendo um cartaz “NÓS SOMOS OS 68%” e conclamando uma galera a protestar no próximo jogo. Ainda mais que o Atlético já tem Jô – que no Inter só se metia em confusão. Mesmo que os salários não sejam milionários, ainda acho um péssimo negócio.

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Sobre a enquete: dá para acreditar que exista algum gremista que ainda queira Ronaldinho no Tricolor? Os 12% favoráveis só podem ser colorados infiltrados!

Futebol com cara de antigamente

Ser torcedor de um grande clube brasileiro é um hábito que fica cada vez mais caro. O caso das mensalidades de sócios do Grêmio é um exemplo: paga-se R$ 86 mensais na minha modalidade, o que é caro, mas relativamente “barato” se o sócio vai a todos os jogos no mês. Para se ter uma ideia, contra o Ipatinga pela Copa do Brasil na próxima quarta-feira, o ingresso mais barato para quem não é sócio sairá por R$ 40. Nem quero nem imaginar o valor a que subirão as mensalidades (e os ingressos) ano que vem, quando o Grêmio passará a mandar seus jogos na Arena…

O que vem acontecendo há quase uma década no Brasil é uma progressiva elitização dos principais clubes. Lembro que no Campeonato Brasileiro de 2004 o Atlético-PR passou a cobrar R$ 30 pelo ingresso mais barato na Arena da Baixada, motivando protestos de torcedores do lado de fora do estádio. Achei absurdo cobrarem tanto por um ingresso, mas nem imaginava que era apenas o início de tudo isso. Aliás, não podia ter começado em outro lugar: inaugurada em 1999, a Arena da Baixada foi o primeiro estádio ao estilo “arena multiuso” do país.

Com isso, o torcedor de menos renda fica cada vez mais afastado de seu clube do coração, caso ele seja um integrante da chamada “elite” do futebol brasileiro (e falo de “elite” em termos simbólicos, ou seja, dos principais clubes do país, mesmo quando não disputam a Série A). More onde o torcedor morar: no Gauchão, geralmente os ingressos para jogos da dupla Gre-Nal no interior são caríssimos: lembro de um Santa Cruz x Grêmio em 2006 com o Estádio dos Plátanos às moscas, visto que o ingresso mais barato custava R$ 30 (detalhe: para sentar no sol, em um dia de calor infernal). E em 2011, o ingresso mais barato para o Gre-Nal de Rivera (Uruguai) custava R$ 50 – em consequência disso o público foi de aproximadamente 5 mil pessoas, num estádio onde cabem 25 mil.

O que restará a quem não pode comprometer boa parte do seu salário com mensalidades ou ingressos para jogos de futebol? Acompanhar pela televisão? Pelo rádio?

Talvez, mas no interior, ainda há uma alternativa. Os clubes menores são a resistência: nestes tempos de arenas multiusos e ingressos a valores astronômicos, são uma oportunidade de se assistir futebol pagando menos e em estádios com cara de estádio, não de shopping center.

Foi esta experiência que vivi no domingo, 1º de abril, em Rio Grande: fui ao Estádio Arthur Lawson assistir ao jogo do Vovô contra o 14 de Julho de Santana do Livramento (o “Leão da Fronteira”), pela Segunda Divisão do Gauchão. O ingresso a R$ 10 faria qualquer acostumado com os valores absurdos da dupla Gre-Nal pensar que se tratava de uma brincadeira pelo Dia da Mentira, mas era a mais pura verdade.

É verdade que a qualidade do futebol não é a mesma de um jogo da dupla Gre-Nal. Mas se fôssemos nos basear apenas por isso, deveríamos trocar qualquer partida do futebol brasileiro por jogos do Barcelona. Mas não é o que acontece – pelo menos, por enquanto.

Dei sorte: o Rio Grande venceu por 4 a 1. Porém, o resultado não foi suficiente para tirar o Vovô da lanterna de seu grupo na Segundona. E pior ainda, na última sexta-feira o Rio Grande perdeu para o mesmo 14 de Julho por 2 a 0, desta vez em Livramento, e segue ameaçado de cair para a Terceira Divisão. Restam oito jogos para tentar evitar o rebaixamento do clube mais antigo do Brasil – e espero que a torcida compareça mais ao Arthur Lawson, onde o Vovô obteve suas duas vitórias até agora no campeonato: além dos 4 a 1 sobre o Leão da Fronteira, uma semana antes o time goleou o Guarani de Venâncio Aires por 5 a 2.

Abaixo, algumas pitadas fotográficas de Rio Grande x 14 de Julho.

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Copa do Mundo em Porto Alegre: o que deveria ser discutido

Charge do Kayser

Detesto novelas. E essa da “parceria” do Inter para reformar o Beira-Rio (quem tem um parceiro desses, precisa de inimigos?) está chata demais. Já encheu o saco.

Para mim, tanto faz a Copa do Mundo de 2014 ser jogada no Beira-Rio ou na Arena do Grêmio – só não quero que vá dinheiro público para estádio. O importante eram as melhorias na infraestrutura urbana que depois seriam “o legado da Copa”. Porém, a cidade será apenas “maquiada”. Pois certos problemas Porto Alegre continuará a ter.

Tipo, como se deslocar pela cidade sem ficar preso em congestionamento, e sem correr risco de levar um banho de um motorista sacana. Aí embaixo está uma minúscula amostra das consequências do temporal que atingiu Porto Alegre no final da tarde desta quarta-feira. (Aliás, não esqueçamos que a Copa será disputada no inverno, época em que costuma chover mais por aqui…)

E isso sem contar problemas ainda mais graves, como o caos na saúde. Será que o povo realmente acha a Copa mais importante do que um bom atendimento nos hospitais e postos de saúde?

Gauchão bissexto

Esta quarta-feira é um dia como não se tem toda hora. O motivo é óbvio: fevereiro só tem 29 dias quando o ano é bissexto.

Porém, não bastasse ser um dia no qual uma pessoa que nascer nele só comemorará seu aniversário no dia certo daqui a quatro anos, este 29 de fevereiro de 2012 ainda tem vários amistosos internacionais, e a decisão de turno no Gauchão. E mais: não tem nem Grêmio e nem Inter nela, o que é garantia de que na pior das hipóteses, o vencedor de Novo Hamburgo x Caxias será vice-campeão estadual.

Como já disse, acho este modelo de campeonato estadual anacrônico, ruim mesmo para os clubes do interior. A única coisa que ainda acho bacana é quando não temos Gre-Nal na decisão (preferencialmente quando quem fica de fora é o Inter, claro).

E, curiosamente, isso tem sido regra nos últimos anos bissextos. O último Gauchão de ano bissexto que teve a dupla Gre-Nal ocupando as duas primeiras posições na classificação final foi o de 1992. Desde então, a cada quatro anos se passou a ter a certeza de que o estadual não seria decidido em Gre-Nal, embora não necessariamente a ausência de um dos dois clubes se desse apenas em anos bissextos.

  • 1996. No primeiro ano de nossa série, o Grêmio chegou ao bicampeonato estadual batendo o Juventude com facilidade na decisão: 3 a 0 no Alfredo Jaconi, 4 a 0 no Olímpico (três de Jardel neste último jogo, um deles totalmente sem querer).
  • 2000. Quatro anos depois, a decisão novamente foi entre as cidades de Caxias do Sul e Porto Alegre. O Caxias chegava à final contra o Grêmio para tentar repetir o feito do Juventude, campeão em 1998 diante do Inter. E fez história: 3 a 0 no Centenário, 0 a 0 no Olímpico e festa grená.
  • 2004. Não foi exatamente uma decisão que pusesse frente-a-frente a Capital e o Interior. Mas não teve Gre-Nal: o Grêmio foi eliminado de forma vexatória pela Ulbra na semifinal ao perder de 3 a 1; e por pouco o adversário do time de Canoas não foi o Glória de Vacaria, que chegou a estar vencendo o Internacional na prorrogação da outra semifinal, e acabou derrotado nos pênaltis. A final – que assim como as semifinais foi em partida única – foi no Complexo Esportivo da universidade, em Canoas: de virada, o Inter fez 2 a 1 e conquistou o bicampeonato estadual.
  • 2008. Inter e Juventude fizeram a decisão, e parecia que a história de 1998 iria se repetir. Na primeira partida, no Alfredo Jaconi, 1 a 0 para o Ju, que ficou a um empate do título. Porém, numa prova de que aquele papo de “filial do Grêmio” já era passado (afinal, o Ju eliminara o próprio Grêmio nas quartas-de-final), o Inter aplicou uma histórica goleada de 8 a 1 no Beira-Rio e acabou campeão.

Depois de 2008, só vinha dando dupla Gre-Nal nas primeiras posições do Gauchão – escrita quebrada justamente em 2012, bissexto como 2008. Em 2009, quando foi adotada a atual fórmula do campeonato, o Inter ganhou os dois turnos, um contra o Grêmio e outro contra o Caxias; a soma das outras campanhas que não a do Inter deu ao Tricolor o vice-campeonato. Já em 2010 e 2011 tivemos Gre-Nal na decisão entre os campeões dos turnos: deu Grêmio em 2010 e Inter em 2011.

Como NÃO montar uma tabela de campeonato

Em novembro, comentei sobre a maluca ideia da FGF na época, de levar o Gre-Nal do primeiro turno do Gauchão para Boston, nos Estados Unidos. Felizmente a maluquice foi deixada de lado, e o clássico aconteceu no Estádio Olímpico Monumental, no último dia 5 (deixemos o resultado para lá, por favor).

Mas isso não quer dizer que a tabela do Gauchão tenha ficado uma beleza. Basta olhar para a última rodada deste primeiro turno, marcada para amanhã, para perceber a estupidez.

Primeiro pelo fato dela prever dois jogos envolvendo a dupla Gre-Nal em Forno Alegre, no mesmo horário (como manda o bom-senso em rodadas decisivas). O Inter joga contra o Pelotas no Beira-Rio, enquanto o Grêmio enfrenta o São José no Passo d’Areia. Embora a distância entre os dois estádios seja bem maior do que aquela que separa Olímpico e Beira-Rio, não deixa de ser absurdo marcar dois jogos da dupla Gre-Nal para o mesmo horário na mesma fornalha cidade. Ainda mais em um sábado de Carnaval: para que a Brigada Militar possa policiar os dois estádios onde a bola rola amanhã, mais o Sambódromo, foi necessário antecipar as partidas, originalmente previstas para as 17h.

O resultado é o horário para o qual estão marcados os jogos de amanhã: 16h20min. Pelo horário de verão… Ou seja, será 15h20min pelo sol. E está prevista temperatura máxima de 39°C para amanhã em Forno Alegre.

(Não que realizar os jogos às 17h fosse melhorar muito as coisas: foi antes de um jogo neste horário que o comentarista Batista desmaiou em 2010, quando a temperatura superou os 40°C. O ideal seria que as partidas ocorressem à noite, mas aí teríamos o problema relativo ao policiamento. Sem contar os interesses da televisão…)

Agora somem a isso o ingresso caro, o feriadão de Carnaval, e temos uma maneira perfeita de espantar o público dos estádios. E depois há quem reclame que o Gauchão “não é valorizado”; mas também, como valorizar um campeonato com esta “organização”?

Libertadores só no rádio?

Em 2012, diferentemente de outros anos, quem quiser assistir à Libertadores não deve sintonizar sua televisão no Sportv. Os direitos de transmissão por TV fechada para o Brasil pertencem à Fox Sports. Na televisão aberta, a Globo transmitirá os jogos de quarta-feira à noite.

A Fox Sports estreou há poucos dias a sua programação brasileira, já de olho na audiência da Libertadores. Porém, até agora, o canal não está disponível nas principais operadoras de televisão por assinatura, Net e Sky. As negociações para que o novo canal seja exibido parecem longe do fim (há quem ache que é vingança da Globo, o que não é de se duvidar), e por conta disso, ao torcedor do Fluminense que não foi ao Engenhão só resta uma alternativa para acompanhar a estreia de seu time contra o Arsenal de Sarandí (Argentina): o rádio. A não ser que haja bares que assinam operadoras menores que têm a Fox Sports em sua programação.

Certamente os torcedores do Fluminense não são os únicos que torcem para que haja logo um acordo de modo a disponibilizar a Fox Sports nas principais operadoras de televisão por assinatura. Afinal, se depender da Globo, dificilmente se poderá assistir a algum jogo da Libertadores que não envolva Corinthians ou Flamengo (que por terem as maiores torcidas, são prioridade da emissora por “darem mais audiência”). Ruim para quem gosta de futebol e por conta disso adora assistir a jogos de Libertadores, pior ainda para os torcedores dos demais clubes brasileiros na disputa.

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Tudo isso me fez, imediatamente, lembrar da Libertadores de 2002, competição na qual o Grêmio era um dos favoritos ao título. Os direitos de transmissão pertenciam ao canal PSN (Panamerican Sports Networks); nem a televisão aberta (leia-se Globo) passava as partidas, mesmo com o Flamengo jogando aquela Libertadores. Porém, o PSN fechou as portas no começo daquele ano, deixando os torcedores brasileiros na mão: restava apenas o rádio para acompanhar os jogos, devido à confusão quanto aos direitos de transmissão para o Brasil. Foi quando tive a experiência extremamente agonizante de acompanhar uma partida de volta de quartas-de-final pelo rádio: o Grêmio tinha vencido o primeiro jogo contra o Nacional de Montevidéu por 1 a 0, e assim, podia empatar no Centenário para seguir adiante; derrota por um gol de diferença levaria aos pênaltis, e por dois gols significaria adeus. O Nacional fez 1 a 0, mas o Grêmio empatou e se classificou para enfrentar o Olímpia na semifinal.

Quando o Tricolor entrou em campo no Defensores del Chaco, já tinham se passado quase dois meses daquele jogo contra o Nacional. A Copa do Mundo de 2002 também já era passado. E, enfim, a televisão mostrava o jogo… Deu azar: o Grêmio perdeu por 3 a 2; e na partida de volta, disputada no Olímpico, venceu por 1 a 0 mas acabou eliminado nos pênaltis.