Grandes empresas privadas não precisam de incentivos fiscais

A Azaléia fechou sua unidade em Parobé, pondo “no olho da rua” 800 trabalhadores. Os motivos, são as famosas “reduções de custos”. E aí não entendem porque tanta gente quer trabalhar no serviço público… Afinal, na iniciativa privada se trabalha (bem) mais por um salário menor, e ainda com o risco de perder o emprego por “corte de gastos”.

Pior do que isso, é saber que a empresa já recebeu generosas verbas do Estado – ou seja, de todos os gaúchos. Pagamos, supostamente para “gerar empregos”, mas na verdade, apenas para que a Azaléia lucrasse mais por um tempo, e depois, alegando “perda de competitividade”, decidisse “cortar gastos”, ou seja, funcionários. Convenhamos: não é fácil demais reclamar da “interferência do Estado na economia” ao mesmo tempo em que se recebe milhões dele próprio?

Já li uma vez em algum lugar que o Brasil não vive um regime capitalista puro, pois se assim o fosse, apenas o “mercado” ditaria os rumos da economia. Num exemplo de como seria: se a tua empresa tá mal, o azar é teu, outra vai ocupar o teu espaço…

Porém, sou favorável a que o Estado dê algum incentivo às empresas que dele necessitem. Com a ressalva: que sejam pequenas, no máximo médias. Azaléias e Fords (lembram?) da vida, não precisam do nosso dinheiro, pois o que não falta a elas é grana.

Como os grandes empresários privados são geralmente os primeiros a reclamarem da “interferência do Estado na economia”, deveriam ao menos ser coerentes, né?

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A coerência da direita

Coisa muito interessante é a coerência que vemos na direita. No mundo inteiro.

Ela se diz favorável à “liberdade”, tanto na política como na economia.

Vivenciamos por 21 anos, de 1964 a 1985, uma ditadura implantada por um movimento golpista que se auto-intitulava “revolucionário democrático”, da mesma forma que o Bush diz fazer guerra pela paz. Para certas pessoas, a democracia só é interessante quando elas ganham a eleição: quando a oposição vence, é sinal de que “o povo não sabe votar”, então é preciso tirar o direito dele para “aprender”.

E na economia, é o que vemos ultimamente: os defensores do livre-mercado correndo para pedir socorro ao Estado que eles dizem que deve ser mínimo. Sem contar alguns empresários que não investem um centavo sem receberem “incentivos fiscais”, ou seja, favores do mesmo Estado que eles tanto criticam.

Logo, não é tão estranho ver o Coronel Mendes, ídolo-mor da direita guasca e defensor da pena de morte, citar a China como exemplo de país onde “a lei é forte”: lá, o partido que está no poder é chamado de comunista…