O Brasil agoniza

museu nacional

Como se não bastasse o roubo do futuro, a austeridade do (des)governo – que inexiste na hora de dar aumentos para a galera do “andar de cima” – também destrói o nosso passado, com este incêndio no Museu Nacional que penava por falta de recursos.

E ainda restam 19 anos de congelamento dos investimentos públicos graças à “PEC do fim do mundo”, aprovada em 2016 com apoio de uma galera raivosa de direita só porque o PT era contra.

Triste fim do que poderia ser um grande país.

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Bem-vindo de volta

mercado

Só de saber que o Mercado Público reabre parcialmente hoje dá vontade de ir até lá correndo no fim da tarde. Então lembro que a partir de sexta-feira estarei em férias e poderei ir com mais calma…

Bem-vindo de volta, Mercado! E tomara que nunca mais precises passar tanto tempo fechado.

E agora, onde marco encontro com quem não é de Porto Alegre?

Porto-alegrense: pense em alguma pessoa querida que mora em outra cidade e não conhece Porto Alegre. E de repente ela avisa: “semana que vem estarei aí”. Primeira coisa que passa pela cabeça: montar um “roteiro turístico”, para levar ela aos lugares bacanas da cidade.

O roteiro obviamente varia de acordo com quem o monta e com os gostos da visita, pois nem todos gostam dos mesmos lugares. Mas duvido que alguém deixaria o Mercado Público fora. Se a visita vier durante o verão, então, é praticamente obrigatório tomar o delicioso e refrescante caldo de frutas na Banca 40. O meu roteiro para a pessoa de outra cidade, caso ela não se hospedasse em meu lar, começaria pelo Mercado: um ponto de referência, central e histórico, que nenhum porto-alegrense desconhece, de modo que seria fácil orientar visitas de fora sobre como chegar lá.

mercado

Como viram, usei as palavras “deixaria”, “começaria” e “seria”. Pois agora, por um certo tempo, o Mercado ficará fora do roteiro turístico, e se quiser marcar encontro com pessoas vindas de outras cidades, terá de ser do lado de fora.

Quando soube do incêndio, pensei no pior: que o prédio seria totalmente consumido pelas chamas. Felizmente, o estrago foi menor do que se previa, e o térreo praticamente não foi atingido pelo fogo.

Não foi a primeira vez que o Mercado Público teve sua existência ameaçada. Ele já sofreu três incêndios, e em 1972 o então prefeito Telmo Thompson Flores queria derrubá-lo para dar passagem aos carros e construir uma imensa esplanada que provavelmente seria um estacionamento – sonho ainda acalentado pelos “defensores do progresso” mas “adaptado”, já que a maioria da população jamais concordou com a demolição do Mercado: agora “eles” querem uma garagem subterrânea.

Folha da Manhã, 23 de maio de 1972, pág. 35

Folha da Manhã, 23 de maio de 1972, pág. 35

Depois de resistir a tudo isso, não resta dúvidas de que nosso Mercado Público retornará logo. Só espero que depois disso, seja melhor protegido: tanto com um Plano de Prevenção contra Incêndios (o PPCI do Mercado estava vencido desde 2007) e também com um Corpo de Bombeiros melhor estruturado para combater incêndios. Aliás, certamente é o que mais se deseja no Rio Grande do Sul, ao qual o fogo já causou sofrimento demais neste 2013 que mal passou da metade.

O incêndio no Cabaret Voltaire

Em janeiro, o Cabaret foi uma das casas noturnas interditadas pela prefeitura logo após a tragédia da boate Kiss em Santa Maria. Após regularizar sua documentação, reabriu suas portas.

Moro perto do Cabaret, que fica na Avenida Independência, próximo ao Centro de Porto Alegre. Da janela de casa era possível enxergar a fumaça gerada pelo incêndio de grandes proporções – que só descobri que acontecia depois de ouvir as sirenes dos bombeiros. O fogo começou cedo, antes da boate abrir. Assim, felizmente não houve nenhuma vítima fatal: um bombeiro foi enviado ao HPS por ter inalado muita fumaça, mas segundo a Zero Hora, passa bem.

Quando cheguei ao local o incêndio já havia diminuído, mas os bombeiros ainda não o tinham apagado completamente – o que só aconteceu por volta de 22h30min.

O pior e o melhor do ser humano

Acompanhando as notícias sobre Santa Maria, decidi conferir as capas de jornais de diversas partes do Brasil e do mundo. E uma em especial me deixou bastante indignado: a de O Globo. Lá estava uma charge ultrajante, enojante, de Chico Caruso. Que, inclusive, me recuso a publicar aqui.

Isso é jornalismo? Isso é humor? (Já sabendo que alguns certamente dirão que meu questionamento é “patrulha ideológica”, a “cruzada do politicamente correto”.)

Pois bem: desde pequeno aprendi que com certas coisas não se brinca. E uma delas é a dor de tantas famílias.

Imaginava que piadas de péssimo gosto ficassem restritas àqueles “sem-noção” que há aos montes na internet. Jamais passou pela minha cabeça ver algo desse tipo na capa de um dos maiores jornais do país.

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Ao mesmo tempo que uns demonstravam o pior do ser humano, muitos outros, felizmente, faziam o contrário. Foi formada imensa rede de solidariedade se formou durante o trágico domingo no Rio Grande do Sul. Uma página no Facebook foi criada para facilitar a ajuda (a Somos Santa Maria), e divulgou algumas informações úteis sobre como colaborar de forma a reduzir o sofrimento tanto em Santa Maria como na Vila Liberdade em Porto Alegre, onde um incêndio destruiu várias casas e desabrigou muitas famílias.

O pior de todos os domingos

Cartum de Carlos Latuff em homenagem às vítimas da tragédia em Santa Maria

O dia 27 de janeiro de 2013 não será esquecido tão cedo. E pena que não seja por coisas boas…

No momento em que escrevo, há 233 mortos confirmados no incêndio da boate Kiss, em Santa Maria. Uma tragédia que enluta e ao mesmo tempo revolta quando se percebe que poderia muito bem ter sido evitada, não fosse uma sucessão de erros dos quais pretendo falar de forma mais aprofundada, mas não agora (estou sendo vencido pelo cansaço de terminar um trabalho para a especialização, além do próprio clima pesado do domingo).

E como se não bastasse isso, no fim do dia temos um outro incêndio que deixa muitos desabrigados na Vila Liberdade, próxima à Arena do Grêmio. Até agora não há informações sobre vítimas.

É um domingo que, embora já tenha virado segunda-feira, jamais acabará para muitas pessoas.