Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça

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No telão, João Goulart (presidente deposto pelo golpe de 1964) e Amarildo de Souza (desaparecido e morto pela PM-RJ, em 2013)

Ontem à noite, o Salão de Atos da UFRGS ficou abarrotado, no ato “50 anos do golpe de 1964, 50 anos de impunidade”, em homenagem a todos os que lutaram contra a ditadura civil-militar no Brasil. Por mais que se saiba que ainda há muito a fazer em termos de memória no nosso país, ver um recinto com capacidade superior a mil pessoas ter sua lotação máxima superada num evento que busca “descomemorar” o golpe ajuda a dar mais esperanças de que ainda será feita Justiça no Brasil.

HOJE a ditadura maldita faz 50 anos. Nada de dia 31 de março ou coisa do tipo – que os que traíram o povo e a nação a quem dizem servir carreguem a vergonha completa, inclusive da data ridiculamente adequada que escolheram para nos roubar a democracia.

Nesta data, dou a eles o que merecem: desprezo.

Nunca mais voltarão, infames. Que carreguem para o túmulo o peso da vergonha que cometeram e pela qual jamais se retrataram. Adeus.

(Igor Natusch, via Facebook)

Plenário vira as costas para Jair Bolsonaro, e sessão em memória dos 50 anos do golpe é suspensa (sendo que o regimento interno da Câmara não proíbe ninguém de virar as costas ao orador).

Plenário vira as costas para Jair Bolsonaro, e sessão em memória dos 50 anos do golpe é suspensa (sendo que o regimento interno da Câmara dos Deputados não proíbe ninguém de virar as costas ao orador). Foto: Antonio Augusto/Câmara dos Deputados

Ah, se fosse na Argentina…

Via Facebook, acessei uma entrevista publicada na Veja em dezembro de 1998 (época em que a revista ainda não tinha alcançado o nível de degradação jornalística que vemos hoje). Um ex-tenente do Exército no período da ditadura diz, sem rodeios, ter torturado “umas trinta pessoas” e não se arrepender disso.

Na Wikipédia, leio que ele faleceu em 2009 (até busquei por mais informações sobre isso e não achei). Ou seja, sem pagar por crimes que confessou ter cometido! E ainda tem gente que, com a maior cara-de-pau, nega não só que tenha havido tortura no Brasil, como também a própria existência da ditadura militar. Mesmo que, 13 anos atrás, um dos agentes da repressão tenha dito que tudo aquilo realmente aconteceu (e que quem nega isso é um idiota).

Aí alguém diz que o Brasil não é um país sério, e um monte de gente, do nada, vira “patriota” e sai xingando o coitado que falou uma grande verdade. E lembram que o povo brasileiro é acolhedor, cordial…

Pura balela. Fossem os brasileiros realmente cordiais, não se aceitaria que a falta de cordialidade, como a dos torturadores com suas vítimas, pudesse ficar impune como ficou.

Dizem que a impunidade serve para “não reabrir velhas feridas”, mas a verdade é que elas jamais cicatrizaram. Ainda mais para quem enfrentou sessões de tortura e anos depois precisa passar por seu algoz na rua e fingir que nada aconteceu.

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Tivesse isso acontecido na Argentina, alguém duvida que o cara estaria no mínimo sofrendo processo judicial por um crime de lesa-humanidade?