Que briguem (e muito) entre si

A disputa pela liderança da audiência brasileira entre Globo e Record agora virou guerra aberta. A “plim-plim” dá amplo destaque à ação judicial contra Edir Macedo, dono da Rede Record e da Igreja Universal do Reino de Deus, acusada de desvio de recursos destinados a obras sociais – parte do dinheiro iria para a compra de empresas de comunicação. A Rede Record, por sua vez, relembra o passado que a Rede Globo insiste em esconder – as boas relações com a ditadura militar e as tentativas de derrubar Lula.

Quem está certo? Bom, acho que as duas estão, ao mesmo tempo, certas e erradas. Afinal, os “podres” dos dois lados estão sendo expostos em rede nacional. Ao mesmo tempo, as informações só foram mostradas em “momentos de desespero”: ambas “jogaram a bosta no ventilador” por sentirem-se ameaçadas uma pela outra. Tudo o que dizem não é novo, mas só agora está na telinha.

E o melhor de tudo, é que a guerra das emissoras também ajuda a derrubar o mito de que as emissoras são “apolíticas”: no Congresso, há parlamentares para defender ambas…

Para quem eu torço? Sinceramente, para nenhuma das duas. Se a Globo tem todo o seu passado nebuloso, e também o apoio à velha direita, a Record é porta-voz da Igreja Universal.

E, como agnóstico que sou, acho até pior que a maior emissora do país seja vinculada a uma religião: a preocupação da Globo é apenas o dinheiro, já a Record, por ter a Universal por trás, também buscará aumentar o número de seguidores da igreja – além de dinheiro, é claro. Não seria nada bom que detivesse o monopólio da informação no país.