Marcha das Vadias

Foi realizada ontem no Parque da Redenção a edição porto-alegrense da Marcha das Vadias (no sábado ela aconteceu em várias outras cidades brasileiras). A ideia nasceu no início de 2011, a partir da indignação gerada pela declaração de um policial que atribuiu o alto número de estupros na região da Universidade de Toronto (Canadá) às “mulheres que se vestiam como vadias” (em inglês, “sluts”). A primeira SlutWalk aconteceu em Toronto, e logo o movimento se espalhou pelo mundo, graças à repercussão dada pelas redes sociais.

Por incrível que pareça, ainda tem gente que acredita no papo furado que o estupro é culpa da mulher. É porque elas “se vestem como vadias”, “se insinuam” etc. Engraçado é que basta usar a lógica para perceber que sem estuprador é impossível acontecer um estupro, pouco importando a roupa que a mulher veste.

Sem contar a clara diferença de tratamento dada a ambos os sexos. Se nós homens tiramos a camisa quando sentimos calor, ou “damos em cima” de uma mulher, isso é aceito com naturalidade. Agora se elas andam com pouca roupa num dia de calorão ou “dão em cima” de um cara… São “vadias”, “estão se insinuando”, logo, “não podem reclamar de um estupro”. É estúpido, mas Sérgio Porto (mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta) estava certo quando disse, lá na década de 1960, que a maior inflação no Brasil era de estupidez: cinquenta anos se passaram, e isso não mudou.

A propósito, Stanislaw foi um dos grandes humoristas brasileiros. Bem diferente destes metidos a “politicamente incorretos” que são, na verdade, politicamente reaças.

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Ofensa aos grandes humoristas brasileiros

O Brasil é um país onde o que não falta é humor de qualidade. Não é difícil citar exemplos de brasileiros craques na arte de fazer rir: Aparício Torelly (o famoso “Barão de Itararé”), Sérgio Porto (o “Stanislaw Ponte Preta”, autor dos “FEBEAPÁs”), Henfil, Edgar Vasques, Santiago, Kayser

Em compensação, nunca assisti a um “CQC” inteiro. Ou seja, não tenho nem como criticar o programa. Mas sei do que seus integrantes andam falando por aí. E não vejo nada de engraçado.

Um deles dizendo que estupro é “um favor às mulheres feias”, outro fazendo piadas sem nenhuma graça sobre amamentação em público… E na mais recente, o mais badalado deles dizendo que “comeria ela e o bebê”. Só que como nesse caso a ofensa atingiu “gente que importa”, a Bandeirantes (emissora que transmite o “CQC”) optou por tirar do ar o autor da “genial piada”.

Claro que os defensores do politicamente incorreto estão revoltados. Afinal, trata-se de mais um caso de censura por parte da patrulha do politicamente correto e sua ditadura das minorias. Coisa de gente mau-humorada, verdadeiros malas!

O engraçado, é que esses “politicamente incorretos” costumam mesmo é destilar ódio por tudo o que é diferente, usando suas piadinhas toscas como disfarce. Só que basta alguém não achar graça delas que o “bom humor” vai embora e eles revelam o que realmente são. Gritam que são vítimas de “censura” dessa “patrulha ideológica”, e até mesmo ameaçam processar quem os critica!

Assim, por favor, não me venham com o papo furado de que o “CQC” é vítima de “censura” e que “a liberdade de expressão no Brasil está ameaçada pela patrulha ideológica”: isso é uma verdadeira ofensa aos grandes humoristas que nosso país teve, tem e ainda terá. Gente que faz rir, mas também faz pensar de forma crítica.