Hoje foi o Dia do Escritor…

E como pretendo ser um, posso dizer que é meu dia.

Mas vou além. Estou “velho”, pois só fui mexer em computador já com 13 anos de idade. Ao contrário do pessoal mais jovem, que desde criança já está defronte à tela.

Meus primeiros textos, portanto, não foram escritos em computador: comecei com máquina de escrever. Lembro que adorava ficar brincando na máquina do meu pai, e foi nela que escrevi, 16 anos antes do surgimento deste blog, o texto que o inauguraria.

Em abril de 1994, meu pai tinha juntado dinheiro para comprar uma máquina para mim, quando surgiu um contratempo: tive uma apendicite. Precisava ser operado e ficaria vários dias no hospital, e tinha duas opções: particular ou SUS. A primeira opção me parecia mais atraente, pois assim teria um quarto só para mim. Porém, meu pai avisou que sairia caro, e que com isso seria preciso adiar a compra da máquina de escrever. Não pensei duas vezes: quis fazer tudo pelo SUS.

Foi uma sábia escolha, pois além de evitar o gasto de dinheiro, fui muito bem atendido (apesar de ficar meio apertado nas camas, já que tratava-se do Hospital da Criança Santo Antônio, voltado ao atendimento infantil, e com 12 anos eu já tinha “esticado” bastante; fiz a cirurgia lá pois o consultório do meu médico ficava na frente). Sem contar que era bom ter companhias no quarto: lembro de uma menina muito simpática (o nome dela era Priscila se não me engano) que também tinha sido operada de apendicite, quando ela teve alta me deixou o endereço e no fim daquele ano cheguei a mandar um cartão para ela, mas depois nunca mais tive contato.

Poucos dias depois de sair do hospital, fui com meu pai comprar a máquina de escrever. Ele até já tinha me dito qual em qual modelo pensara: uma Olivetti “portátil”, bem leve, que podia ser levada de um lugar para o outro, como uma espécie de “maleta”. Quando vi, não pensei duas vezes, e logo depois, era minha.

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Era essa máquina que “imprimia” as tabelas dos nossos campeonatos de botão. Lembro de ter escrito muita coisa, algumas absurdas, como um plano para o Brasil invadir os Estados Unidos e assim nós mandarmos no mundo… Mas um tempo depois percebi que imperialismo não se combate com imperialismo: e foi na máquina que resolvi fazer uma “declaração de comunista”, escrevendo o texto em vermelho.

Quase 20 anos depois, ela andava meio abandonada, empoeirada, já que o computador oferece mais rapidez e também o “direito ao erro”: quando se digita incorretamente, basta apagar o erro. Na máquina, o corretivo ou o “x” em cima de alguma outra letra denunciava que ali eu tocara a tecla errada: se não quisesse isso, teria que recomeçar o texto, do zero…

Mas ainda assim, são boas lembranças as que guardo. E vez que outra bate uma nostalgia. Quem sabe qualquer hora dessas não posto aqui algum texto datilografado?

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Cálculo renal: melhor prevenir ou tratar antes da dor

Uma ecografia revelou que tenho um cálculo de 4,2mm no rim direito. Bom saber, pois assim vou em busca de tratamento antes que ele me incomode, né?

Na verdade, bom mesmo seria tê-lo descoberto totalmente por acaso. Pois fiz a ecografia por ter ido parar na emergência do Hospital Ernesto Dornelles na manhã da última terça-feira, com uma forte dor lombar à esquerda e ardência nas vias urinárias: a ecografia não revelou nenhuma pedra no rim esquerdo, mas o exame de urina detectou sangue acima do normal, tornando improvável que a dor não fosse causada pelo fato de estar expelindo um outro cálculo renal – que obviamente estava no rim esquerdo.

Senti a primeira cólica na madrugada do sábado passado e até fui à emergência da Santa Casa à tarde (pela manhã estive abraçando o Olímpico, não podia deixar de fazer isso), mas como estava lotada e não sentia nada no momento, voltei para casa e nem procurei outro hospital. Na madrugada seguinte, nova cólica, mas aí comecei a tomar remédios para a dor – que só voltou na fatídica terça-feira.

Se a pedra no rim direito tivesse sido descoberta ao acaso, em um exame de rotina, talvez eu estivesse mais tranquilo quanto a ela. Porém, agora já sei o que é ter uma cólica renal, e percebo que ela pode ser pior: já vi um amigo meu literalmente urrar por conta da dor causada por um desses cálculos malditos, o que não chegou a acontecer comigo. Fazendo uma analogia geológica, é como uma região suscetível a terremotos, que passou por um de intensidade moderada: sempre é possível que venha outro bem mais forte. E o pior: assim como não há como prever os sismos, também é impossível saber o momento em que aquele cálculo no rim irá provocar dor.

Porém, há diferenças em favor das pedras: enquanto nem o mais genial geólogo pode controlar a tectônica de placas, os cálculos podem ser tratados e, principalmente, evitados – tomar bastante água, para diluir a urina e dificultar a formação das pedras, já ajuda.

E é importante também fazer exames regularmente – cristais de oxalato de cálcio na urina são um sinal de alerta, pois tal substância é das principais formadoras de cálculos renais. Como já falei, é melhor descobrir e tratar de uma pedra dessas sem precisar sentir dor; já no meu caso, não quero senti-la novamente.