A “gripe canina”

Estou acometido de uma gripe, que ontem me causou febre de quase 40°C e calafrios que me faziam tiritar. Se hoje não estou 100%, ao menos não me sinto tão indisposto – mas ainda assim, a médica que consultei recomendou que eu não fosse trabalhar amanhã (hoje também não fui), pois de vez em quando a febre volta.

Se ficar doente é ruim, pior é “sentir na pele” a situação caótica da saúde em Porto Alegre. Hoje eu consultei em uma clínica perto de casa, mas de madrugada, na prática vale o “proibido ficar doente”. Como a febre não cedia, talvez fosse necessário buscar atendimento de emergência em um hospital – mas como chovia muito, era melhor ligar para diversos hospitais para ter garantias de que seria atendido, antes de sair para a rua.

Todos eles, sem exceção, estavam com suas emergências superlotadas, e alguns nem recebiam mais ninguém. Já em outros, o prazo de espera era de várias horas. Felizmente a febre baixou (por volta das 3 da manhã), e não foi necessário ir a um hospital.

Isso não é simplesmente consequência do inverno (época em que muita gente procura as emergências devido a problemas respiratórios). Falta é hospital em Porto Alegre, para atender a demanda. Tanto que em novembro de 2009, num dia quente, eu fui à emergência da Santa Casa devido a uma gastroenterite e esperei três horas para ser atendido – e soube que em outros lugares a espera era ainda mais longa.

E pelo que sei, não é só em Porto Alegre que a coisa está assim. O Brasil todo precisa de mais hospitais e uma saúde pública (SUS) de melhor qualidade. Não se pode submeter pessoas já doentes ao sofrimento de uma longa espera por atendimento (o que pode até agravar o quadro). Mas, como a prioridade é construir estádios para a Copa…