Contra o casamento

É isso mesmo. Eu sou contra o casamento. Pode até ser que no futuro eu mude de ideia. Mas esta é a minha opinião hoje. E modéstia a parte, é significativa, se levarmos em consideração que este domingo foi (mais) um dia chuvoso em Porto Alegre – dizem que nada como ter um amor (de contrato assinado e tudo) para não ficar em depressão num domingo de chuva, como se não existissem outras opções de diversão como livros, filmes, jogos etc.

Não sou contra o “se juntar”, como vários casais fazem e eu aceitaria numa boa (até porque com isso as contas podem ser divididas). Só acho uma grande bobagem esse negócio de noivado, igreja (ainda mais que sou ateu), festança… Enfim, todas essas formalidades, cerimônias. Algo que considero por demais ultrapassado, e também um desperdício de dinheiro. (O mesmo vale para as formaturas em palco.)

Quem está lendo este texto certamente acha que jamais conseguirei acabar com a instituição do casamento. Penso o mesmo.

Mas, por que acabar com ele? Ora, se não quero casar… É só não fazê-lo (afinal, não sou obrigado). Simples, né? E bem mais democrático do que, por eu ser contra, querer que as pessoas que não são contrárias percam seu direito ao casamento.

O mesmo argumento vale para o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Se sou contra a instituição, quer dizer que isso vale tanto para os heterossexuais como para os homossexuais. Mas não sou obrigado a casar com outro homem, então é só não casar… Não vejo motivo algum para que pessoas do mesmo sexo não tenham o direito de se casarem. Além do que, por eu ser hétero, o reconhecimento legal da união homoafetiva não faz a menor diferença para mim – mas é muito significativo para os homossexuais.

Assim, fica a dica: se quem está lendo este texto é contra homossexuais se casarem por achar isso “imoral”, porque sua religião é contra ou por qualquer outro motivo, é só não casar com alguém do mesmo sexo… Bem mais simples – e democrático.

Isso, continuem dizendo que punir Bolsonaro é “censura”…

Ele não pode ser impedido de dizer o que quiser. Não deixar Jair Bolsonaro (assim como qualquer pessoa) falar, aí sim é censura.

Agora, querer que ele arque com as consequências do que diz é bem diferente. Quem acha que isso é “censura”, “ditadura das minorias” etc., ou é ingênuo ou pensa igual ao deputado.

O leitor quer ver o resultado da “liberdade de expressão” (que prefiro chamar “liberdade de pregar o ódio”*) de Bolsonaro? É só clicar aqui… E via das dúvidas, se for homem, é bom não mais demonstrar carinho pelo pai na rua.

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* Lembram que uma vez ele disse que filho homossexual era “falta de porrada”? Pois é…

A direita está vencendo

Terça, foi a aprovação das alterações no Código Florestal, favorecendo aos ruralistas (e com votos da maior parte da base aliada do governo). Ontem foi a vez da suspensão, por parte da presidenta Dilma Rousseff, da distribuição do kit anti-homofobia nas escolas, agradando à “bancada religiosa” e (pasmem!) a Jair Bolsonaro, que tantas vezes chamou Dilma de “terrorista”.

São dois dias consecutivos de vitórias do que há de mais atrasado no país. E no caso desta quarta, ainda representou um golpe contra a laicidade do Estado brasileiro.

Sem contar que é uma politicagem de dar ânsia de vômito. A suspensão do kit se deveu à ameaça, por parte da “bancada religiosa”, de colaborar com a convocação do ministro Antonio Palocci para dar explicações sobre seu enriquecimento (a versão oficial, claro, não é essa, e sim, de que “tem de ser mais discutido”). Agora, como a decisão do governo agradou, os caras deixam Palocci em paz…

E aí periga vir algum governista fanático me acusar de fazer o “jogo da direita” por criticar Dilma. Ora, se a decisão do governo agradou a um ultra-reacionário como Bolsonaro, só me restará desenhar, para ver se eles entendem.

Avalanche direitosa

Primeiro, foi a “polêmica” sobre o aborto, na campanha eleitoral. Depois, a disseminação de ódio no Twitter contra nortistas e, principalmente, nordestinos, dos reacinhas revoltados com o resultado da eleição (e que, de tão “esclarecidos”, esqueciam que mesmo sem contar os votos do Norte e do Nordeste, Dilma teria vencido).

Agora, é a homofobia. Os direitosos defendem o “direito” de agredirem quem é homossexual.

Criminalizar a homofobia não quer dizer que todos os brasileiros serão obrigados a se tornarem homossexuais. Apenas estabelece que quem é atraído por pessoas do mesmo sexo seja respeitado, tenha direito a ser diferente sem ser agredido por conta disso. Simples.

Em um trecho do ótimo post no seu blog, a Lola Aronovich disse tudo:

Tipo: eu não gosto de banana. Então o que faço? Ué, eu não como banana. Se alguém me oferece banana, eu agradeço e digo “Não, obrigada”. Quando vou a um buffet por quilo, não fico apontando pras bananas à milanesa e fazendo cara de nojo. Tampouco as procuro pra poder destrui-las com um garfo. E ninguém tenta me convencer a gostar de bananas. Eu não gosto, mas sei que tem um monte de gente que gosta. É meio egoísta eu querer que as bananas desapareçam da face da Terra só por eu não gostar delas. Sabe, quem morreu e me nomeou deus? E por falar em deus, não vou ficar procurando na bíblia passagens que possam ser interpretadas como “deus odeia bananas e quer que elas ardam no inferno”. Tenho mais o que fazer.

E os direitosos que não me venham dizer que não existe homofobia no Brasil. O vídeo abaixo é a “pá de cal” nos “argumentos” deles.