Eu já sabia

Desde o momento em que aquela bola cabeceada por Barcos resultou no segundo gol do Palmeiras no Olímpico, semana passada, eu tinha quase certeza da eliminação do Grêmio. Embora obviamente desejasse muito estar errado.

Mas, infelizmente, acertei: o Grêmio já estava fora da Copa do Brasil. E pensando pequeno, fica difícil ganhar alguma coisa.

Basta ouvir uma entrevista do presidente Paulo Odone para entender o que eu quis dizer. Para terem uma ideia, quando questionado sobre o jejum de títulos, Odone disse que o clube não passou vergonha nos últimos 11 anos.

Ou seja, a torcida gremista pode esquecer 2003 e 2004, não precisa se preocupar em não repetir aquilo. Pois é apenas uma ilusão, jamais existiu…

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Antes que alguém venha me atacar lembrando que o presidente do Grêmio naqueles dois anos era Flávio Obino: não esqueçamos que ele foi aclamado pelo Conselho Deliberativo. E o único voto contrário não foi de Odone, e sim, de Hélio Dourado – que um ano e meio depois de se opor à aclamação de Obino foi o único que teve coragem de assumir o comando do futebol quando tudo indicava o desastre que viria no final de 2004.

Quando o GRÊMIO voltará a ser GRÊMIO?

Aqui é tu mesmo, direto de 2010. Vou ser curto e grosso. Em um momento de angústia tive que te (me) escrever esta carta por descarga de consciência. Quero te falar do Grêmio aqui em 2010. Não vou te aporrinhar com coisas que acontecerão neste meio tempo que nos separa. Acredite, tu não vai querer saber. Só uma dica: comemore MUITO a Copa do Brasil de 2001.

O trecho acima é de uma carta escrita por Cristian Bonatto em 2010 para ele mesmo, 10 anos atrás. Reflete perfeitamente o sentimento de qualquer torcedor gremista neste agosto que, em 2010, faz jus à expressão “mês do desgosto”.

O mais interessante é o fato do “destino” da carta encontrar-se exatamente em 2000, ano em que podemos dizer que se iniciou a decadência que fez do Grêmio o que ele é hoje. Foi quando o nosso Tricolor começou a deixar de ser aquele time lutador, temível.

Naquele ano, o Grêmio assinou um contrato de parceria com a ISL, empresa suíça de marketing esportivo que era uma das principais parceiras da FIFA. O torcedor sonhava com glórias, que o então presidente, José Alberto Guerreiro, prometia que se tornariam “barbadas” com o dinheiro que a ISL investiria no clube para transformá-lo num “Real Madrid brasileiro”. Mas o meu pai, colorado, ironizava e dizia “estar torcendo pelo Guerreiro”. Parecia pressentir que o negócio não ia dar certo.

Contando com o dinheiro da ISL, o Grêmio gastou muito para contratar “medalhões” como Amato, Astrada, Paulo Nunes e Zinho – este último, o único que deu certo. E pagando altíssimos salários, na casa dos 200 mil dólares. Enquanto isso, o nosso verdadeiro craque, Ronaldinho, carregava o time nas costas e não recebia a metade do valor pago mensalmente a “reservas de luxo”.

Mesmo com toda a grana que gastou, o Grêmio não ganhou nenhuma taça em 2000. Foi vice-campeão gaúcho (perdeu para o Caxias na final), eliminado de forma humilhante da Copa do Brasil (4 a 1 para a Portuguesa em pleno Olímpico) e semifinalista da Copa Jean Marie João Havelange (eliminado pelo São Caetano com duas derrotas: 3 a 2 em São Paulo e 3 a 1 no Olímpico).

Do ano de 2001, a maioria dos gremistas lembra da conquista da Copa do Brasil, quando o Grêmio, com um grande time comandado por Tite, deu um banho de bola no Corinthians no Morumbi lotado e venceu por 3 a 1. Mas aquele ano teve dois fatos negativos. O primeiro foi a saída de Ronaldinho: quando ele alcançara projeção internacional em 1999, após a Copa América e a Copa das Confederações, Guerreiro mandara dependurar uma faixa na entrada do Olímpico, anunciando que o Grêmio “não vendia craques”. De fato, não vendeu, deu praticamente de  graça ao Paris Saint-Germain… A torcida, claro, ficou revoltada com a saída de Ronaldinho, depois dele tantas vezes ter jurado amor ao Grêmio, mas sejamos sinceros: o cara fazia o time jogar, e tinha de ver Paulo Nunes e Astrada no banco e ganhando mais que o dobro que ele? Pode ter sido “sacanagem” da parte dele, mas ele também se sentia desvalorizado, e por isso, foi embora.

Outro fato negativo em 2001 foi a falência da ISL. Vários dos “medalhões” do ano anterior já haviam saído, mas também ficou claro ali que a conta de tudo aquilo teria de ser paga pelo Grêmio, já que a parceria fora por água abaixo. Mas o necessário enxugamento das finanças do clube foi postergado, primeiro pelo empenho em conquistar a Copa do Brasil em 2001 (tanto que contratou Marcelinho Paraíba, um dos principais responsáveis pelo título), e depois da conquista, em nome do sonho de ganhar a Libertadores em 2002.

O Grêmio foi até a semifinal, quando foi eliminado pelo Olímpia de forma dramática, nos pênaltis, com uma arbitragem pra lá de polêmica. Após a desclassificação, começou a “operação desmanche”. O corte de gastos não era exclusividade gremista naquela época – de modo geral, o futebol era atingido por uma crise, com clubes europeus reduzindo salários – mas o Tricolor finalmente fazia algo que “era para ontem”. O colunista Hiltor Mombach, do Correio do Povo, profetizava sobre o Grêmio naqueles tempos em que fracassos e crises eram sempre associados ao rival:

Grêmio começará a passar pela mesma crise financeira do Inter. Talvez até pior. (Correio do Povo, 19 de julho de 2002, p. 18)

Mesmo com a saída de vários jogadores, entre eles Zinho (salário mais alto do clube – e que já fora maior, visto que ele renovara com o Grêmio no início de 2002 por um salário menor que o anterior), o Tricolor ainda conseguiu fazer uma boa campanha no Campeonato Brasileiro, ficando em 3º lugar e se classificando para a Libertadores de 2003 – o que fez o clube novamente “ir às compras” para conquistar o sonhado troféu naquele ano tão especial, em que celebraria o centenário.

Ao mesmo tempo, terminava o mandato de Guerreiro, e por aclamação, Flávio Obino foi eleito para comandar o clube no biênio 2003-2004 – houve uma única voz discordante, o ex-presidente Hélio Dourado. Obino já fora presidente de 1969 a 1971, quando o Grêmio encerrou uma longa sequência de conquistas (conquistara todos os títulos estaduais de 1956 a 1968, exceto em 1961 – foi o famoso “doze em treze”) e o rival a iniciou. Desde então, Obino ficara com a fama de “pé-frio”, que apenas se consolidou durante sua segunda passagem na presidência gremista.

Em 2003, após ser eliminado da Libertadores nas quartas-de-final pelo Independiente Medellín, o Grêmio viveu uma das situações mais dramáticas de sua história, brigando para não ser rebaixado justamente no ano de seu centenário. Na passagem dos 100 anos, em 15 de setembro, o time ocupava a lanterna do Campeonato Brasileiro, com vários pontos de desvantagem em relação ao 22º colocado (último que se salvava da degola). Buscando forças sabe-se lá de onde, o Tricolor conseguiu escapar da Série B, garantindo a permanência ao vencer o Corinthians por 3 a 0 no Olímpico, na última rodada – o resultado, aliado à derrota do Inter por 5 a 0 para o São Caetano na véspera (quando o rival precisava de um empate para voltar à Libertadores depois de 11 anos) deixou muitos gremistas eufóricos, com a sensação de que 2003 fora atípico, e que no ano seguinte “as coisas voltariam a ficar em ordem”, com o Grêmio conquistando títulos e o rival penando.

Doce ilusão… O que se viu em 2003 foi glorioso em comparação com 2004. Com um time ridículo, o Grêmio só fazia o torcedor sofrer. Contratou verdadeiras bombas como o goleiro paraguaio Tavarelli (que era titular daquele Olímpia que eliminara o Tricolor da Libertadores em 2002), os zagueiros Capone e Fábio Bilica (que, se eu tivesse o poder, proibiria até mesmo de jogarem botão usando o Grêmio como time), Michel Bastos (é, ele mesmo…), Felipe Melo (é, ELE MESMO!) etc. Em junho, o time deu um vexame impressionante e foi eliminado do Gauchão ao levar 3 a 1 da Ulbra. Caiu o técnico, Adílson Batista, e o vice de futebol, Saul Berdichevsky; e o único que teve coragem de assumir o pepino foi Hélio Dourado – sim, ele que fora o único a não votar em Obino, não hesitou em oferecer sua ajuda para salvar o Grêmio, quando ninguém que apoiara a aclamação do presidente dava sua cara a tapa. Mas não adiantou, e em novembro, o bagunçado Tricolor acabou rebaixado.

Veio 2005 e Paulo Odone na presidência. Em seus quatro anos, vimos o Grêmio sair da Série B e quase ir “sem escalas” ao Japão disputar o título mundial de 2007. Mas faltou time (mesmo que várias contratações tenham sido feitas, na maioria equivocadas) para bater o Boca Juniors de Riquelme (e só) na decisão da Libertadores, quando Odone só falava na “necessidade” que tinha o Grêmio de construir a “arena”. Tivemos a tentativa – frustrada, felizmente – da imposição de Antonio Britto na presidência do Grêmio. As incríveis convicções da diretoria no início de 2008, contratando Vagner Mancini para demiti-lo no sexto jogo da temporada – e ainda invicto! A liderança por várias rodadas no Campeonato Brasileiro sob o comando de Celso Roth, para depois dar de presente o título para o São Paulo.

Em 2009, já com Duda Kroeff de presidente, vimos um time que queria ser campeão da Libertadores, mas que se dava ao luxo de esperar 40 dias por um técnico que prometera “um projeto a longo prazo” mas não hesitou em pegar o chapéu na hora que os árabes ofereceram uma boa grana. E que não conseguia vencer fora de casa.

E agora, vemos um time sem alma, sem vontade – mesmo que seja o melhor grupo de jogadores desde 2001. Sai técnico, sai dirigente, mas isso será garantia de tempos melhores?

Afinal, quando tempo demorará para o Grêmio voltar a ser realmente o Grêmio? Afinal, depois de tantas glórias na década de 1990, os últimos dez anos foram duros demais para nós gremistas.

E tudo começou exatamente naquele ano 2000, o do destinatário da carta de Bonatto – pois se 1998 e 1999 não foram anos vitoriosos, ali o Grêmio ainda não havia embarcado na canoa furada da ISL.

Eleições no Grêmio

Eu votaria na chapa 2 (Grêmio – Grêmio, acima de tudo!), mas na última hora decidi pela 3 (Grêmio Imortal e Unido). O mais importante era não votar na chapa 1, da direção que quer empurrar goela abaixo dos gremistas o projeto da Arena, sem discussão. As chapas 2 e 3 defendem que os sócios participem desta discussão.

Houve pressão para que meu voto fosse para a chapa 1, até mesmo dentro de casa! Minha mãe votou na 1, mas não conseguiu me convencer. E no Olímpico, o que eu mais via era cabo eleitoral da chapa 1.

Apenas as chapas 1 e 3 estarão representadas no Conselho Deliberativo, pois superaram a cláusula de barreira. A chapa 2 não alcançou o limite mínimo de 30% dos votos e não terá representação.

Eu imaginava que a chapa 1 seria a mais votada, mas foi uma surpresa que a 2, mesmo com o carisma e toda a trajetória de Hélio Dourado, tenha obtido tão poucos votos. E a 3 superou por pouco a cláusula de barreira, o que evitou que apenas a 1 colocasse nomes no Conselho.

O resultado da eleição foi o seguinte:

  • Chapa 1: 1.849 votos (60,36%)
  • Chapa 2: 286 votos (9,33%)
  • Chapa 3: 928 votos (30,29%)

Fonte: página oficial do Grêmio.

A chapa do Dourado

Saiu a nominata da chapa “Grêmio, Grêmio – Acima de tudo!”, liderada pelo Hélio Dourado. Conforme o previsto, tem nomes nela que já apareciam nas outras duas.

Eu abro meu apoio à chapa do Dourado. Não que seja a melhor chapa, mas sim, é a menos pior, visto que tem uns nomezinhos… Mas questiona o projeto da Arena, e defende a realização de um plebiscito sobre questão tão importante para o Grêmio.

Clique para ler a nominata aqui.

O cúmulo do adesismo

Mais do que sobre o Grêmio, esta postagem é sobre política.

O Guga Türck postou no Alma da Geral alguns dos nomes que compõem duas das três chapas que concorrerão na eleição do Conselho Deliberativo do Grêmio, no próximo dia 29.

Li as listas e pensei: “ele se enganou, tem nomes aparecendo nas duas chapas”, mas não era engano. Há nomes que estão, sim, nas duas chapas!

Vamos ver quem estará na chapa que o Hélio Dourado encabeçará – dependo desta nominata para decidir se voto ou não nela. Não duvido que os nomes repetidos das outras duas chapas apareçam também nesta…

A política está repulsiva no Senado, na Câmara de Deputados… E no Grêmio também.

As nominatas completas se encontram nos links abaixo:

Em quem votar?

No dia 29 de setembro tem eleição para o Conselho Deliberativo do Grêmio. Assim como aconteceu ano passado, quando na última hora escolhi em quem votar para presidente do Brasil, vai ser uma decisão difícil o meu voto para o Conselho. Tanto que esses dias o leitor Jorge Vieira deixou a sugestão de que eu postasse sobre a eleição para o Conselho, e só faço isso agora por falta de idéias antes.

Vejo a eleição da mesma forma que o Guga Türck, do Alma da Geral. As três chapas têm seus “podres”, assim como gremistas de grande valor.

Numa primeira olhada pelos nomes que compõem cada uma das chapas, a tendência seria votar na Grêmio, Grêmio – Grêmio acima de tudo, do Hélio Dourado (único nome confirmado), que além de terminar o Olímpico e nos dar o título brasileiro de 1981, também contesta o projeto da Arena e, principalmente, criticou a aclamação de Flávio Obino mas quando a vaca ia pro brejo em 2004, deixou a divergência política de lado para apoiar a instituição Grêmio, que é maior que qualquer presidente.

Porém, os adversários dizem que o Obino e o Oly Fachin (que queria acabar com a eleição direta para a presidência do Grêmio) estão nesta chapa…

Em quem votar?

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Em breve, quando eu tiver definido melhor meu posicionamento, posto novamente sobre o assunto. Enquanto isso, visitem páginas e blogs de cada uma das chapas:

CHAPA Grêmio Novo e Independente
http://www.gremionovo.com.br/
http://final.stech.net.br/gremioindependente.com.br/index.php

CHAPA Grêmio Imortal e Unido
http://www.gremioimortal.net
http://www.gremiounido.com.br/
http://grupogremioimortal.blogspot.com/

CHAPA Grêmio, Grêmio – Grêmio acima de tudo
http://gremioacimadetudo.blogspot.com/

Ronaldinho e Flávio Obino: o que eles têm em comum?

Resposta: são vilões para os gremistas, mas nem tanto.

Ronaldinho deixou o Grêmio no início de 2001. Sua saída foi extremamente controversa: após inúmeras juras de amor ao clube, o craque acertara-se em segredo com o Paris Saint-Germain, acordo intermediado por seu irmão e empresário, Roberto Assis. Em sua última partida disputada no Olímpico (Grêmio x Figueirense, pela Copa Sul-Minas), Ronaldinho marcou um belo gol de falta, mas ainda assim foi vaiado, e deixou o campo sob uma chuva de moedas.

Já Flávio Obino presidiu o Grêmio no “biênio da desgraça”, que foram os anos de 2003 e 2004. Foi indicado para a presidência e eleito por aclamação, sem ninguém para lhe fazer oposição, com exceção do ex-presidente Hélio Dourado – que em 2004 aceitaria a convocação de Obino para tentar salvar o futebol gremista. Após o Grêmio escapar do rebaixamento em 2003, Paulo Sant’ana chegou a recomendar “um pé atrás” aos gremistas, pois o Obino não deixaria escapar em 2004 a nova chance de rebaixar o Grêmio à Série B. Dito e feito. E ainda bem que foi só em 2004, quando o Obino saía. Pois se o Grêmio caísse para a Série B em 2003, em 2004 teria despencado para a C. Obino é conhecido por ser muito azarado: já fora presidente do Grêmio no início da década de 1970, quando o Inter começou a empilhar títulos.

Mas eu disse que tanto o Ronaldinho como o Obino são vilões, mas nem tanto. Pois o vilão maior da história foi absolvido pelo Conselho Deliberativo do Grêmio ontem à noite: o ex-presidente José Alberto Guerreiro (1999-2002).

No final de 1999, Guerreiro anunciou o acordo entre o Grêmio e a multinacional suíça ISL. Com o dinheiro dos suíços, o Tricolor deveria contratar grandes jogadores e montar um timaço. Vieram os argentinos Amato e Astrada, retornou o atacante Paulo Nunes, e para comandar o time, chegou o experiente Zinho, campeão mundial pela Seleção Brasileira em 1994. Todos com salários altíssimos. Destes, o único que foi bem (e continuou no Grêmio até 2002) foi Zinho. Os outros, em 2001 já se encontravam em outras bandas, após esquentarem o banco de reservas. E vale lembrar que em 2000 o Grêmio não ganhou absolutamente nada, inclusive perdeu o Campeonato Gaúcho para o Caxias.

Enquanto isso, Ronaldinho levava o time nas costas e não ganhava nem metade do salário de Paulo Nunes, Amato e Astrada. Enquanto jurava amor ao Grêmio, Ronaldinho pensava no lado profissional: era o maior “especialista” na equipe e recebia um salário mais baixo do que os “medalhões”. Com tantas propostas para ir jogar na Europa, mais cedo ou mais tarde ele acabaria cedendo, ainda mais que seu contrato com o Grêmio encerraria em fevereiro de 2001 e dali em diante ele estaria liberado para procurar outro clube, caso não renovasse – o que aconteceu. Após quase um ano de batalha jurídica, Ronaldinho foi jogar no Paris Saint-Germain, e o Grêmio recebeu uma mixaria, valor determinado pela FIFA. Tudo porque em 1999 Guerreiro colocou uma faixa no portão do Olímpico dizendo “não vendemos craques” mas nada fez para que Ronaldinho quisesse ficar no Grêmio, assim como não aceitou nenhuma boa proposta pelo jogador – lembro que houve um clube que ofereceu não sei quantos milhões mais o mexicano Luiz Hernandez (aquele cabeludo que adorava fazer gol na Seleção Brasileira) e Guerreiro recusou!

Quanto ao Obino, ele é um dos principais responsáveis pelo rebaixamento do Grêmio à Série B, em 2004. Mostrou-se extremamente incompetente para salvar o clube, e quando a coisa ficava feia, esquivava-se com besteiras do tipo “o Grêmio tem o melhor site do Brasil”. Mas é preciso lembrar que assumiu o Grêmio em uma situação financeira terrível, devendo para todo mundo. Graças às dívidas deixadas por Guerreiro: o acordo com a ISL melou com a falência da empresa no início de 2001 (junto com a saída do Ronaldinho, que coincidência!), mas Guerreiro manteve alguns jogadores com vencimentos astronômicos, caso de Zinho: ele foi bem pelo Grêmio, mas seu salário estava fora da realidade do futebol brasileiro. Não tinha como o Obino fazer muito com os cofres vazios. Contratou muita bosta, é claro: jogadores como Fábio Bilica, Capone, Luciano Ratinho, Tavarelli e Rico jamais deveriam ter vestido a camisa do Grêmio – muitos deles fazem parte da “seleção dos pesadelos” gremista. Mas com o dinheiro que tinha, era difícil conseguir algo melhor.

Ainda tem o esquema do sumiço dos cheques da ISL enviados para cobrir despesas do Grêmio. O dinheiro jamais chegou aos cofres tricolores. Onde será que foi parar?

E absolveram o Guerreiro. Mesmo com toda a sujeira que ele fez no Grêmio. Arquivaram o relatório do Conselho de Ética que pedia a expulsão do ex-presidente do Quadro Social. Uma vergonha com anuência de Fábio Koff.