No dia 5 de agosto de 2009…

Charge do Santiago publicada no blog da GRAFAR

Charge do Santiago publicada no blog da GRAFAR

Começamos a perceber, realmente, o fim do pior governo da História do Rio Grande.

Um desastre tão grande, que é raro se ver alguém que admitiu ter votado na Yeda. É preciso coragem para admiti-lo, frente a pessoas que não sejam conhecidas.

Alguns amigos meus que votaram nela, admitem o fato – pelo menos para mim – porque eu os conheço. Sei que votariam até no diabo (se ele existisse), contra o Olívio “que mandou a Ford embora”: sim, porque apesar dele ter feito um bocado de coisas boas (procurou incentivar a agricultura familiar ao invés do agronegócio, a pequena empresa ao invés da grande, criou até uma universidade pública que hoje está sucateada graças à sequência de dois governichos após a sua saída do Palácio Piratini, e tem muito mais), a Ford não quis ficar por aqui sem receber de mão beijada o nosso dinheiro, e por isso o Olívio tinha de ser condenado ao fogo do inferno.

Talvez os meus amigos – tanto os que admitem quanto os que escondem o voto na Yeda – pensem que eu estou adorando tudo o que está acontecendo agora, mas os frustrarei. Fico é triste, por ver que o Rio Grande do Sul perdeu mais quatro anos graças a um estúpido sentimento de “anti-PT”. Graças a uma mídia canalha, que criou tal sentimento, que inventou uma “guerra” que precisava ser “pacificada”.

O Rio Grande ficou “em paz”, mas sem governo, e mergulhado em um mar de lama.

Desse jeito, só nos resta rir… Para não chorar.

Charge do Kayser

Charge do Kayser

Por um 2009 utópico

mafalda

A mensagem acima foi enviada pela amiga Cláudia Cardoso, do Dialógico. Considero-a perfeita para a época em que vivemos.

Pois pensar em um 2009 de paz parece difícil, diante da barbárie perpretada pelas forças israelenses na Faixa de Gaza. Prosperidade, depende de qual tipo se quer: se o objetivo é só ganhar dinheiro, isso nunca foi possível para todos, e com a crise será privilégio ainda mais restrito. Amor, é algo cada vez mais em falta. Justiça e igualdade parecem piada. Recompensa pelo esforço, assim como o Guile (irmãozinho da Mafalda), eu nunca vi. Desejos cumpridos, nunca se consegue todos – e na maioria dos casos, não dependem apenas de nós. E um mundo em que se realizem as utopias… Bom, é mais uma utopia.

Então, que tal pelo menos fazermos nossa parte para que tenhamos um pouco de tudo o que citei acima?

Que haja prosperidade não só em termos materiais: tem coisa muito mais importante que dinheiro. O ano de 2008 foi a prova disso para mim, quando conheci pessoas fantásticas, que fazem sua parte na luta por um mundo melhor. Posso dizer que enriqueci muito nesse ano que termina, mesmo sem ganhar muito dinheiro.

Diante da guerra e da injustiça, manifeste seu repúdio, não faça de conta que “não é da sua conta”: hoje é no Oriente Médio; no futuro, quem garante que não será aqui?

Já que o amor está em falta, contribua para que falte menos.

Lute por mais justiça e igualdade.

Tenha desejos, sonhos, mas não esqueça de fazer o necessário para que se tornem realidade.

E, quanto às utopias, passo a palavra para Mario Quintana:

Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos, se não fora
A mágica presença das estrelas!

Um abraço a todos os leitores do Cão Uivador, e feliz 2009!

A coerência da direita

Coisa muito interessante é a coerência que vemos na direita. No mundo inteiro.

Ela se diz favorável à “liberdade”, tanto na política como na economia.

Vivenciamos por 21 anos, de 1964 a 1985, uma ditadura implantada por um movimento golpista que se auto-intitulava “revolucionário democrático”, da mesma forma que o Bush diz fazer guerra pela paz. Para certas pessoas, a democracia só é interessante quando elas ganham a eleição: quando a oposição vence, é sinal de que “o povo não sabe votar”, então é preciso tirar o direito dele para “aprender”.

E na economia, é o que vemos ultimamente: os defensores do livre-mercado correndo para pedir socorro ao Estado que eles dizem que deve ser mínimo. Sem contar alguns empresários que não investem um centavo sem receberem “incentivos fiscais”, ou seja, favores do mesmo Estado que eles tanto criticam.

Logo, não é tão estranho ver o Coronel Mendes, ídolo-mor da direita guasca e defensor da pena de morte, citar a China como exemplo de país onde “a lei é forte”: lá, o partido que está no poder é chamado de comunista…

Pequim 2008

Quando aconteciam os Jogos Olímpicos da Grécia Antiga, as guerras paravam. Largava-se as armas por um período, e a disputa passava a ser no campo esportivo.

Já nos Jogos Olímpicos da Era Moderna, as guerras não param. Podem até começar no dia da cerimônia de abertura, como a atual entre Rússia e Geórgia. É mais fácil trocar os esportes pelas armas (como aconteceu nas duas guerras mundiais) do que o contrário.

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Em apenas quatro dias de competições, a China conquistou mais medalhas de ouro do que o Brasil conquistará em todo o evento. E temos de agüentar a grande mídia pintando o Brasil como potência olímpica por causa de medalhas no Pan-Americano, do qual os principais atletas dos Estados Unidos não participam.

Poderia ser, mas infelizmente não há incentivo ao esporte nesse país. Até mesmo o futebol masculino vai mal, com nossos bons jogadores saindo do Brasil às vezes sem nem ter 18 anos – e só se reunindo vez que outra para disputar amistosos caça-níquel pela seleção cada vez menos brasileira e mais refém de interesses econômicos. E no feminino, nossas maiores craques não têm sequer uma liga nacional para disputar.

E em outros esportes, temos um grande talento vez que outra. Não que o Brasil não tenha potencial, mas o fato é que a dificuldade para se conseguir um patrocínio a esportes que não sejam prioridade na mídia faz com que poucos consigam se destacar. Aí joga-se a esperança de todo um país nas costas de uma só pessoa – como aconteceu com a Daiane dos Santos em 2004 e agora com o João Derly – e assim um eventual fracasso acaba pesando muito.

Se um nadador australiano não sobe ao pódium, há vários outros que sobem, e ainda ganham ouro. Os Estados Unidos têm Micheal Phelps – não é preciso dizer mais nada. Se uma ginasta russa falha, várias outras acertam. E da China, nem é preciso falar. Esses países sim, são potências olímpicas.

E nem é preciso ir tão longe para se ter bons exemplos. Aqui na América Latina temos um país que costuma ir muito bem nos Jogos: Cuba. Prova de que não é preciso ser “ricaço” para se desenvolver esporte de qualidade.