Dia da Terra

Charge do Kayser

Mas aproveitemos, pois a combinação que gera as algas (poluição, pouca chuva e calor) já acabou. A poluição continua (devendo seguir assim por muito tempo, infelizmente) e chuvas mais regulares provavelmente teremos só durante o inverno. Já o calor, finalmente, cedeu seu lugar ao friozinho que eu tanto aguardava…

Algo que Porto Alegre poderia ter de (muito) bom no verão

Após postar o texto de segunda, divulguei-o no Facebook (no Twitter vai “automático”). Pois foi de lá que veio um bom questionamento sobre o que Porto Alegre oferece a quem fica por aqui durante o verão – ou a quem resolve conhecer a cidade justamente nos meses mais quentes do ano.

Foi do meu amigo e colega de profissão Antonio Prestes, que no mesmo 14 de dezembro de 2009 no qual defendi meu TCC, também defendeu o trabalho dele, no qual fala sobre o processo de degradação ambiental das praias do Guaíba na passagem dos anos 1960 para os 1970 e o pouco valor que os porto-alegrenses deram ao fato na época – e não só devido à facilitação do acesso ao mar a partir de 1973 com a inauguração da autoestrada que liga Porto Alegre a Osório, pois antes disso as praias do Guaíba já sofriam um processo de abandono, que culminaram com a interdição em novembro do mesmo ano de 1973.

Se antes a facilidade de acesso ao mar fez muitos “cagarem e andarem” para a interdição das praias do Guaíba, me parece que é hora de rever esse conceito de “facilidade”. Pois pegar a estrada rumo ao litoral numa sexta-feira ao fim da tarde (se for início de feriadão então…) é cada vez mais um exercício de paciência, dados os crescentes congestionamentos. Se a opção for o litoral catarinense, a tranqueira é ainda pior.

Com um Guaíba despoluído em toda a sua extensão, seria possível o porto-alegrense ir à praia sem precisar encarar estrada (com dois pedágios) congestionada. Atualmente, é possível se refrescar no Guaíba apenas em seu extremo sul, como no Lami e no Parque Estadual de Itapuã (que oferece belíssimas paisagens e praias que lembram Santa Catarina, só uma pena que nem todas elas possam ser visitadas pelo público).

O nosso Guaíba

Vídeo que mosta, em sequência de fotos obtidas durante passeio no Cisne Branco em 5 de abril de 2008, a imundície em nosso Guaíba. As legendas são baseadas em texto que escrevi no mesmo dia, após retornar do passeio.

Aliás, ao lembrar disso eu penso: por que perder tempo em estúpidas discussões quanto ao Guaíba ser rio ou lago? Pela lei é rio, mas a definição técnica deixemos para os acadêmicos (geólogos, geógrafos etc.) discutirem em seu espaço (ou seja, a universidade), e nos preocupemos em exigir que se pare de poluir o Guaíba!

11 anos depois

Charge do Kayser

Nada como um dia depois do outro…

Por 11 anos, ouvimos os nossos (de)formadores de opinião repetirem, quase como um mantra, que “o Olívio mandou a Ford embora do Rio Grande do Sul” – uma estratégia goebbeliana, de que “uma mentira contada cem vezes torna-se verdade”.

Tento imaginar tudo o que eles passarão a dizer diante da notícia de que a Ford terá de indenizar o Estado do Rio Grande do Sul em 130 milhões de reais por rompimento do contrato – ou seja, porque foi a empresa que não cumpriu com suas obrigações, e não o Estado. A Ford recorreu, é verdade, mas o principal discurso dos direitosos contra Olívio Dutra está detonado.

Vale lembrar que “mandar a Ford embora” na verdade era “renegociar o contrato”. Pois este, assinado durante o (des)governo de Antonio Britto, previa amplos incentivos fiscais à montadora, além de investimentos por parte do Estado para a instalação da fábrica em Guaíba. Olívio, que na campanha eleitoral de 1998 prometera renegociar contratos assinados pelo (des)governo Britto que fossem lesivos às finanças do Estado, tomou posse e logo caminhou nesta direção.

E olha que a proposta do governo não era de cortar absolutamente todos os benefícios à Ford (os incentivos fiscais já concedidos, da ordem de 3 bilhões de reais, não seriam contestados, assim como a empresa não teria de devolver o dinheiro já repassado a ela). Apenas deixava claro que não ia comprometer ainda mais as finanças do Estado, como aconteceria se Britto tivesse sido reeleito.

A proposta do Governo do Estado, publicada na capa do Correio do Povo, edição de 29/04/1999 (dia seguinte ao anúncio da Ford de que não se instalaria no RS)

Por favor: isso aí é “pedir para uma empresa ir embora”? Só se ela for extremamente gananciosa. Ou, se por acaso havia uma “boquinha” melhor, como de fato acontecia: a Bahia, apoiada pelo governo federal (à época, o presidente era Fernando Henrique Cardoso) oferecia amplos benefícios fiscais para que a Ford se instalasse em Camaçari. E com o apoio de boa parte da bancada gaúcha no Congresso Nacional – o lado direito, é claro…

Se Olívio estava tão empenhado em “mandar a Ford embora” devido a “razões ideológicas”, por que a GM também não deu adeus ao Rio Grande do Sul? Simples: seu contrato foi renegociado e assim sua fábrica está funcionando em Gravataí há 10 anos.

Porém, o “estrago” já estava feito. Principalmente por parte da RBS. Dia após dia, seus principais (de)formadores de opinião repetiam que “o Olívio havia mandado a Ford embora”, que isso “era uma tragédia”, que o Rio Grande do Sul “tinha perdido muitos empregos” etc. Mesmo que o governo preferisse dar apoio aos pequenos empresários do Estado em detrimento dos grandes (que não precisam desse apoio), assim como à agricultura familiar (que produz muito mais do que o “agronegócio”, tão exaltado pela “grande mídia”). Insuflou-se um antipetismo tão forte no Rio Grande do Sul, que por duas vezes consecutivas candidatos sem projeto algum “caíram de paraquedas” no governo do Estado: Germano Rigotto em 2002; e o exemplo mais absurdo, Yeda Crusius em 2006.

Sem dúvida, ambos venceram graças ao antipetismo. Em 2002, o preferido da velha direita era Britto, mas sua alta rejeição (que provavelmente resultaria em derrota para Tarso Genro no 2º turno) fez os votos direitosos migrarem para Rigotto, que só concorria para que o PMDB tivesse um candidato próprio (Britto deixara o partido em 2001 junto com vários de seus apoiadores, dentre eles José Fogaça, que ingressaram com ele no PPS). Já em 2006 a coisa foi mais bizarra: Rigotto era candidato à reeleição, mas o PMDB temia um segundo turno contra Olívio (o que inevitavelmente resultaria na comparação entre os governos de ambos); assim, muitos votos que seriam de Rigotto foram para a tucana Yeda (que assim como Rigotto em 2002 era “franco-atiradora” – o PSDB no Rio Grande do Sul não é nem a quarta força) para “tirar o Olívio do segundo turno” – e aí quem ficou de fora foi Rigotto e os direitosos tiveram de eleger Yeda, bem pior.

O resultado, é o que todos vêem: corrupção, atraso, polícia repressora (no governo Olívio era raro dar pancadaria com a Brigada)…

Em seu post sobre o assunto no Somos andando, a Cris pergunta se alguém indenizará o Estado pelas eleições de Rigotto e Yeda que se deram graças ao anti-petismo baseado no “argumento” de que “o Olívio mandou a Ford embora”. Quem deveria fazer isso (pois sabemos que não acontecerá) é uma resposta pra lá de barbada…

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Como a Zero Hora não daria um “tiro no pé” que seria não noticiar a decisão contra a Ford, o jornal publicou, é claro. Mas no começo da matéria eles já trataram de desqualificar a fonte (o Sul 21), dizendo que Vera Spolidoro, sua editora-chefe, é ligada ao PT – ou seja, “parcial”. Óbvio, pois na ótica deles a imprensa não pode dizer de que lado está, tem de ser imparcial, como a RBS.