Copa 2014 e Rio 2016: os nossos “Banheiros do Papa”?

Em agosto passado – mais precisamente, durante a final da Libertadores – assisti ao filme uruguaio “O Banheiro do Papa” (El Baño del Papa), de César Charlone e Enrique Fernández. De meu programa alternativo ao futebol nasceu uma resenha, publicada no Pipoca Comentada.

O filme é baseado em fatos reais. Em maio de 1988, João Paulo II visitou o Uruguai, e a cidade de Melo, próxima à fronteira com o Brasil, estava no roteiro.

O anúncio de que o Papa passaria por Melo gerou enorme expectativa em seus moradores, que viram no acontecimento a oportunidade de ganharem bastante dinheiro com a venda de lanches aos muitos milhares de fiéis de outros lugares (principalmente do Brasil) que, segundo a televisão, iriam à cidade ver o pontífice. O personagem principal, Beto (César Troncoso), decidiu construir um banheiro e cobrar pelo uso: como tanta gente iria comer tanto, também precisaria “se aliviar” em algum lugar, né?

Assistir a esse filme faz pensar muito nos próximos “eventos grandiosos” que acontecerão no Brasil: a Copa do Mundo de 2014, e os Jogos Olímpicos de 2016 (embora sejam só no Rio de Janeiro, todos os brasileiros irão pagar). Muitos veem tais eventos como “a grande oportunidade”, e a televisão apenas estimula ainda mais o ufanismo. Aqui em Porto Alegre, pela Copa se justifica qualquer barbaridade.

Só que em Melo, o dia 8 de maio de 1988 virou símbolo de ruína econômica, já que a passagem do Papa não atraiu os muitos milhares de visitantes que a televisão dizia que iriam à cidade e assim a maior parte dos “comes e bebes” não foi vendida, restando apenas dívidas para quem havia apostado tudo no acontecimento. Assim como muitos gregos não devem gostar de lembrar dos Jogos Olímpicos de 2004, realizados em Atenas: dentre os motivos para a quebra da Grécia estão os gastos excessivos com instalações esportivas que, após o apagamento da pira olímpica, viraram “elefantes brancos”. Falta saber como será o final da história para o Brasil.

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O risco da “grande mídia”

Como já disse várias vezes aqui, voto em Plínio de Arruda Sampaio para presidente. O que não quer dizer que não preste atenção em como a “grande mídia” faz campanha contra a candidata petista, Dilma Rousseff. Pintam-na como se fosse “uma ameaça à democracia” – quando vejo justamente a “grande mídia” como o maior perigo às instituições democráticas. E não é paranoia minha: Bourdieu disse isso sobre a televisão (até acho que podemos estender à “grande mídia” em geral).

De fato, penso que a televisão, através dos diferentes mecanismos que me esforço por descrever de maneira rápida – uma análise aprofundada e sistemática teria exigido muito mais tempo -, expõe a um grande perigo as diferentes esferas da produção cultural, arte, literatura, ciência, filosofia, direito; creio mesmo que, ao contrário do que pensam e dizem, sem dúvida com toda a boa-fé, os jornalistas mais conscientes de suas responsabilidades, ela expõe a um perigo não menor a vida política e a democracia. (BOURDIEU, Pierre. Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997, p. 9-10.)

Na sequência, Bourdieu lembra um episódio acontecido em 1995-1996, quando Grécia e Turquia quase entraram em guerra por duas pequenas ilhas, com rádios e televisões privadas de ambos os países “pondo mais lenha na fogueira” com suas incitações nacionalistas.

No caso do Brasil, a “grande mídia”, embora se diga “imparcial” (e obviamente eu acredito, assim como em Papai Noel, Coelho da Páscoa etc.), tenta de tudo que é jeito dar uma levantada em seu candidato, José Serra (PSDB), que anda por baixo nas pesquisas. Claro que pesquisa não é igual ao voto na urna, mas é difícil imaginar que, com Lula explicitamente apoiando Dilma, a popularidade do presidente não resulte na vitória da petista – no Chile, a ex-presidente Michelle Bachelet praticamente não participou da campanha de Eduardo Frei, e assim o oposicionista Sebastián Piñera venceu.

Assim, agora vemos a “grande mídia” martelando o caso da violação de sigilo bancário da filha de Serra; aqui no Rio Grande do Sul aconteceu algo parecido, mas nem a Zero Hora fala muito – afinal, aqui a acusação recai sobre um tucano, e não sobre um petista. E também batendo em Dilma, nas entrelinhas ou abertamente.

Isso vai dar certo? Só as urnas dirão. Mas é certo que a “grande mídia” sofrerá uma das maiores humilhações de sua história se Dilma vencer no primeiro turno, como indicam as pesquisas.

A Copa de 2014 é nossa?

Todo o esforço para as melhorias olímpicas causou, no entanto, grande transtorno aos moradores atenienses e muitas reclamações dos gregos. “Atenas não precisa ser uma cidade olímpica”, queixa-se um morador de Tessalônica. “A Grécia é que precisa ser um país olímpico. Por que todo o investimento está concentrado na capital?”

O projeto das Olimpíadas concentrou os recursos em Atenas. A quantidade de obras fez com que os preparativos ganhassem uma dimensão olímpica por si só. Na lista de pendências da cidade e da região, não apareciam apenas os ginásios e instalações esportivas, mas também 140 quilômetros de novas estradas, duas novas linhas de metrô e 24 quilômetros de linhas de bonde para movimentar 1 milhão de pessoas por dia. A partir do dia em que Atenas foi escolhida como sede, os atenienses passaram a viver dentro de um imenso canteiro de obras. Entrar para a modernidade é um grande negócio se você for capaz de agüentar a poeira, o barulho e os atrasos.

Isso sem falar no custo. Quando as obras para os Jogos Olímpicos terminarem e vencer a fatura de quase 8 bilhões de dólares, a curva ascendente que referenda o crescimento da economia pode despencar. “Acho as Olimpíadas o máximo”, diz Angeliki Kiriakopoulou, 28 anos, secretária de uma escola de artes em Atenas, “mas acho que não temos condições de ser a sede do evento. Ainda não tenho filhos, mas com certeza eles terão de arcar com essa conta.” É claro que as opiniões são controversas. “Temos orgulho de sediar as Olimpíadas”, diz o padre Apostolos, de Komotini, “e pagaremos essa fatura mesmo que leve anos.” Em 2006, quando terminar o atual lote de fundos destinado à Grécia, ela não preencherá mais os requisitos para receber tão generosas contribuições da União Européia. Ao contrário, será a sua vez de fazer doações em prol do desenvolvimento de novas nações-membro da UE, agora mais pobres do que ela.

(Retirado de: National Geographic Brasil, agosto de 2004, p. 48.)

Uma das causas da quebra da Grécia foi o gasto excessivo para os Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas. Foram erguidas modernas instalações esportivas que, após o evento, ficaram às moscas.

E o perigo, é que o Brasil está querendo trilhar o mesmo caminho…

Na última quarta-feira, a CBF deu o anúncio oficial: o Morumbi não receberá os jogos da Copa do Mundo de 2014. O motivo? O São Paulo não estava disposto a torrar 630 milhões de reais para deixar seu estádio no chamado “padrão FIFA” – apostava em um projeto mais modesto, de aproximadamente 265 milhões. A grana a mais que teria de gastar faria com que o clube contasse com menos recursos para contratar jogadores (o torcedor quer um time vencedor, né?), para sediar alguns jogos de Copa.

Com o Morumbi fora, pareceria natural que o estádio de São Paulo para a Copa de 2014 passaria a ser a Arena Palestra Itália, que o Palmeiras deverá concluir até o final de 2012 e terá capacidade para 45 mil torcedores. Só pareceria mesmo… Pois agora o que estão falando é em um novo estádio, o “Piritubão”, de capacidade semelhante, e que além disso seria construído com dinheiro público – para mais adiante ser arrendado ao Corinthians, tal qual o Engenhão no Rio (administrado pelo Botafogo). E ainda transformaria o Pacaembu (que é tombado como patrimônio histórico, logo, não pode ser derrubado) em um legítimo “elefante branco”.

E não pensem que tal absurdo é exclusividade paulista.

Aqui em Porto Alegre, o Internacional até agora não começou as obras no Beira-Rio, estádio da Copa na cidade. Tudo porque queria ter isenção de impostos (claro que os benefícios foram concedidos). E a “arena” do Grêmio, que não receberá jogos da Copa, também entrou na parada…

(A propósito, só se começou a falar em construir essa maldita “arena”, cujo contrato prevê que a maior parte dos lucros do Grêmio com venda de ingressos e produtos licenciados será repassado à construtora que erguerá o estádio, depois que o Brasil apresentou sua candidatura para sediar a Copa do Mundo e se disse que os jogos em Porto Alegre seriam no Beira-Rio, já que o Olímpico Monumental é “velho, ultrapassado”. Concordo que uma reforma cairia bem, mas o Olímpico atende muito bem às minhas necessidades como torcedor do Grêmio, assim como o Morumbi satisfaz ao são-paulino Vinicius Duarte – e certamente ele não é o único que tem tal opinião. Se eu quisesse assistir ao jogo sentado em “cadeiras estofadas”, ficaria em casa, oras! E estou cagando e andando para a Copa ser jogada ou não no estádio do Grêmio.)

Satisfeitos? Calma, que tem mais… Como as novas “arenas” que serão construídos em cidades como Cuiabá e Manaus – que têm tudo para também se tornarem “elefantes brancos”, visto que se tratam de cidades cujos clubes têm pouca tradição no futebol nacional. Há também um novo estádio a ser erguido em Brasília, como se a capital federal já não tivesse o Bezerrão (onde em 2008 a Seleção disputou um de seus raros amistosos no Brasil, 6 a 2 sobre Portugal) que precisaria apenas ser ampliado – e nada demais, para que não se tornasse outro “elefante branco”.

É bom ninguém se iludir achando que poderá ganhar muito dinheiro aproveitando-se da Copa do Mundo no Brasil. Que o digam muitas pequenas e médias empresas sul-africanas, alvo de processos por terem se utilizado de temas ligados à Copa para fazer publicidade: afinal, tudo o que é referente ao torneio só pode ser explorado comercialmente pelas empresas que têm contrato com a FIFA (ela é que ganhará muito, sem pagar um centavo sequer de imposto, tanto na África do Sul como no Brasil).

E os torcedores que se cuidem também. Como vimos nesta semana, em que um grupo de torcedoras holandesas foi expulso do estádio onde jogavam Holanda e Dinamarca por trajarem vestidos laranjas que no entendimento da FIFA teria por objetivo fazer publicidade de uma cerveja que não é a “oficial da Copa”. (Interessante essa tal “liberdade” defendida pelos liberaizinhos de plantão.)

Enfim… A Copa de 2014 “é nossa”? Os benefícios, serão de bem poucos, mas a conta, essa sim, será nossa. Uma conta monstruosa, e que não se resumirá à Copa, pois dois anos depois dela tem a Olimpíada no Rio (e não pensem que a fatura não será paga por todos os brasileiros: lembrem-se do Pan!). Em 2020, o Brasil poderá ser uma versão mais caótica da Grécia de 2010.

Para aproveitar bem o 12 de junho

Cineminha (para assistir “comédia romântica”)? Jantar “romântico”? “Bem-me-quer, mal-me-quer”?

NÃO!

Sábado é dia de assistir Copa do Mundo! Tem Coreia do Sul x Grécia às 8 e meia da manhã, Argentina x Nigéria às 11, e o “clássico dos imperialismos”, Inglaterra x Estados Unidos às 3 e meia da tarde.

Aí algum “romântico” (aliás, qual o romantismo de uma data meramente comercial?) dirá que se pode fazer aqueles “programinhas a dois” depois dos jogos. Nem pensar! E as mesas-redondas? E a cerveja com os amigos, discutindo os resultados dos jogos? E a atualização da pontuação nos diversos bolões promovidos nessa época? E a discussão dos jogos pela internet (blogs, Twitter)?

Como disse Bill Shankly (1913-1981), ex-técnico do Liverpool,

O futebol não é uma questão de vida ou morte. É muito mais importante que isso…

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Se o(a) leitor(a), além de não gostar de futebol, está deprimido(a) por não ter ninguém para gastar dinheiro presentear no sábado, e quiser compensar isso comendo, saboreie uma boa pizza de alho e óleo, a melhor que existe.

Não gosta também? Bom, talvez seja a hora de aprender a gostar… Da pizza de alho e óleo, de futebol, ou da solteirice (que tem muitas vantagens, dentre elas, a de ver muito futebol e comer bastante alho sem ter ninguém para reclamar!).

Cão Uivador… Na GRÉCIA!

Não, amigos, ainda não conheço pessoalmente a terra de Heródoto, Sócrates e Nikopolidis.

Mas considerando que este blog, de certa forma, “rema contra a maré”, o que dizer de um cão de verdade que costuma ir a protestos contra o governo na Grécia? Trata-se de um verdadeiro “Cão Uivador grego”!

Provavelmente o cão pertence ao fotógrafo (se não for dele, é de alguém que também estava em todos os protestos retratados, já que tem coleira). Mas não deixa de ser curioso, né?

Clique aqui para ver as fotos.

As Copas que eu vi: Estados Unidos 1994

No ano letivo de 1993, como sempre acontecia, eu ia muito bem em todas as matérias. Na verdade, em quase todas as matérias: minhas notas em Educação Artística é que destoavam do resto. Comecei bem a 5ª série, com 9 no 1º bimestre, mas no 2º bimestre minhas notas começaram a decair – fruto do que considero uma certa implicância da professora, pois só com ela que fui mal, mesmo que jamais tenha desenhado bem – e cheguei ao último bimestre precisando de 6,5 para evitar o vexame de pegar recuperação. Não era uma tarefa das mais difíceis para quem tirava 10 em tudo, é verdade, mas eu não estava acostumado a uma situação daquelas; e além disso já tivera uma nota 6 no segundo bimestre (e 6,5 no terceiro). Mas consegui tirar 7, e obter a média final de 7,1: foi a única vez em todo o tempo de colégio (1989-1999) em que vibrei com uma aprovação (já que as outras nem tinham graça).

O leitor deve estar pensando: “tá, e o que isso tem a ver com futebol?”. A resposta é que pouco depois da notícia, comentei com um colega: “escapei da repescagem!”. Referência à situação vivida pela Argentina, que só se classificou para a Copa do Mundo de 1994 após vencer a Austrália na repescagem entre América do Sul e Oceania. Sinal dos tempos: eu já me interessava por futebol, graças a uma professora de Educação Física (cujo nome infelizmente esqueci) do Colégio Estadual Marechal Floriano Peixoto, que na segunda semana de aulas de 1993 praticamente me obrigou a jogar, pois não queria mais me ver parado – foi o bizarro episódio em que um colega inventou um gol que eu teria marcado no passado, que tenho certeza absoluta de jamais ter feito (lembro de ter marcado pela primeira vez no colégio na 6ª série, foi tão marcante que até o dia eu recordo: 19 de outubro de 1994).

Assim, o Mundial realizado nos Estados Unidos em 1994 não foi uma Copa qualquer, foi A Copa. A primeira que eu, mais que “dar bola”, curti aos montes. Isso após eu voltar a apenas observar meus colegas na Educação Física: no dia 14 de abril eu acordei com uma estranha dor de barriga que não passava, fui à aula de tarde e comecei a me sentir pior; voltei para casa, me deitei, e quando levantei novamente, não conseguia mais caminhar direito e ainda vomitei; minha mãe me levou ao médico e ele de cara deu o diagnóstico: apendicite – e a cirurgia teria de ser feita urgentemente. Uma semana depois, saí do hospital, mas com atestado médico me liberando da Educação Física. Eu queria jogar, mas não podia… Continuar lendo

Rio 2016

Desta vez, o Rio de Janeiro venceu. Depois de duas candidaturas frustradas (2004 e 2012), a cidade obteve o direito de sediar os Jogos Olímpicos de Verão no inverno de 2016 (os jogos serão de 5 a 21 de agosto). Embora no Rio isso não faça muita diferença: afinal, existe inverno lá?

Ontem, no Twitter, talvez eu tenha ficado com a fama de “do contra”. Pois enquanto via muita gente celebrando, eu preferia chamar a atenção para o que não se fala na “grande mídia” mais assistida – ou seja, Globo e Sportv (que é da mesma empresa).

Em quantas vezes será superado o orçamento inicial previsto para os Jogos? Será na mesma proporção dos Jogos Panamericanos de 2007? E será igual também na origem dos recursos? O Brasil todo irá bancar a construção das instalações necessárias? E se for assim, a plateia continuará a ser mal-educada, vaiando o(a) Presidente da República, que em 2007 salvou o Pan?

Que se façam os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Mas que não sejam despejados bilhões de reais do governo federal em apenas uma cidade: tem lugares por todo o Brasil que precisam muito mais desse dinheiro. Já que a iniciativa privada gosta tanto de gritar contra os impostos, que invista no Rio ao invés de pedir ao governo que faça tudo.

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Claro que a realização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro pode, sim, beneficiar muito o esporte brasileiro. Afinal, quem realiza um evento esportivo não gosta de dar vexame em casa. Prova disso é que, nas Copas do Mundo, o país-sede sempre passou da primeira fase – até mesmo os Estados Unidos em 1994! Provavelmente haverá mais apoio e incentivo ao esporte nos próximos anos, para que o Brasil deixe de ganhar menos medalhas no total do que a China ganha só de ouro.

E há sempre o legado dos Jogos: mais infra-estrutura para a prática esportiva. Mas é preciso planejamento para depois de 2016: em Atenas, boa parte das instalações construídas ficaram às moscas após os Jogos de 2004. Se isso acontecer no Rio de Janeiro, não valerá a pena sediar a Olimpíada.

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Grandes eventos geram bastante expectativa. Que podem acabar frustradas. Nesse caso, penso mais em Porto Alegre e sua ânsia em “modernizar-se” com a Copa de 2014, muito bem retratada no ótimo artigo de Paulo Muzell publicado no RS Urgente – blog do jornalista Marco Aurélio Weissheimer, que está sendo processado pelos netos da Yeda (sim, são crianças de 9 e 11 anos: até parece que não estão sendo utilizadas politicamente).

Pequim 2008

Quando aconteciam os Jogos Olímpicos da Grécia Antiga, as guerras paravam. Largava-se as armas por um período, e a disputa passava a ser no campo esportivo.

Já nos Jogos Olímpicos da Era Moderna, as guerras não param. Podem até começar no dia da cerimônia de abertura, como a atual entre Rússia e Geórgia. É mais fácil trocar os esportes pelas armas (como aconteceu nas duas guerras mundiais) do que o contrário.

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Em apenas quatro dias de competições, a China conquistou mais medalhas de ouro do que o Brasil conquistará em todo o evento. E temos de agüentar a grande mídia pintando o Brasil como potência olímpica por causa de medalhas no Pan-Americano, do qual os principais atletas dos Estados Unidos não participam.

Poderia ser, mas infelizmente não há incentivo ao esporte nesse país. Até mesmo o futebol masculino vai mal, com nossos bons jogadores saindo do Brasil às vezes sem nem ter 18 anos – e só se reunindo vez que outra para disputar amistosos caça-níquel pela seleção cada vez menos brasileira e mais refém de interesses econômicos. E no feminino, nossas maiores craques não têm sequer uma liga nacional para disputar.

E em outros esportes, temos um grande talento vez que outra. Não que o Brasil não tenha potencial, mas o fato é que a dificuldade para se conseguir um patrocínio a esportes que não sejam prioridade na mídia faz com que poucos consigam se destacar. Aí joga-se a esperança de todo um país nas costas de uma só pessoa – como aconteceu com a Daiane dos Santos em 2004 e agora com o João Derly – e assim um eventual fracasso acaba pesando muito.

Se um nadador australiano não sobe ao pódium, há vários outros que sobem, e ainda ganham ouro. Os Estados Unidos têm Micheal Phelps – não é preciso dizer mais nada. Se uma ginasta russa falha, várias outras acertam. E da China, nem é preciso falar. Esses países sim, são potências olímpicas.

E nem é preciso ir tão longe para se ter bons exemplos. Aqui na América Latina temos um país que costuma ir muito bem nos Jogos: Cuba. Prova de que não é preciso ser “ricaço” para se desenvolver esporte de qualidade.

Final da Copa do Mundo: Alemanha x Grécia

Claro que não se trata de uma partida de futebol qualquer. É o futebol dos pensadores, reunindo na decisão as duas maiores potências filosóficas de todos os tempos, Alemanha e Grécia. O vídeo é simplesmente hilário!