As Copas que eu vi: França 1998

O ano de 1998 começou de forma terrível para mim. Tão ruim que antes mesmo do Carnaval (que é quando começam, na prática, todos os anos no Brasil), eu já queria que chegasse logo 1999. Tudo por causa daquele 5 de janeiro, que considerei como o pior dia da minha vida por quase nove anos.

Mas, aos poucos, aquela dor perdeu boa parte de sua intensidade, e o ano de 1998 foi se transformando em ótimo. Primeiro, porque em abril foi confirmado que aconteceria em agosto a viagem a Montevidéu, para a realização de intercâmbio cultural entre o Colégio Marista São Pedro – onde cursei o 2º grau (1997-1999) – e o Instituto de los Jóvenes (IDEJO), colégio da capital uruguaia. Mas também porque se aproximava a Copa do Mundo da França. Enfim, chegava ao fim aquela longa espera de quatro anos iniciada em julho de 1994! E desta vez haveria mais jogos: o número de seleções participantes foi ampliado de 24 para 32. Continuar lendo

De terno e gravata

Essa aconteceu em 22 de dezembro de 2005.

Eu iria a uma formatura de Direito na PUCRS – dois amigos meus, Guilherme e Leonardo, se graduavam. A cerimônia começaria às 16h. E fazia um calorão, bem típico do verão porto-alegrense que começava.

Combinei com o Marcel (o mesmo amigo do hilário episódio do Heinhô Batista!) de irmos juntos. Conforme o combinado, passei na casa da avó dele, que fica bem perto de onde moro. Cheguei lá e ele ainda não havia terminado de se arrumar.

Quando vi ele descendo a escada, não acreditei. Terno e gravata! Com aquele calor! Avisei a ele sobre a alta temperatura, mas ele queria ir daquele jeito. Então… Azar o dele.

Saímos e nos dirigimos à Avenida Osvaldo Aranha. E o Marcel falou: “vamos pegar um táxi”.

“Táxi?”, respondi. “Vamos de ônibus, ora!”.

“Mas tá muito quente!”, ele respondeu.

“Sim, tá quente, mas não estou vestindo uma roupa totalmente incompatível com esse calor (eu vestia calça jeans e camisa social – de manga curta, é claro). Tu tá de terno e gravata porque quer. E eu quero ir de ônibus ao invés de gastar dinheiro em táxi às três da tarde”.

E pegamos um ônibus. E sem ar condicionado – reconheço que exagerei na dose com o coitado do Marcel! Se bem que estávamos preocupados em não nos atrasarmos, então pegamos o primeiro ônibus que passou com destino à PUCRS – poderíamos esperar mais e pegar um com ar condicionado, mas aí haveria o risco do atraso.

Só que, convenhamos, a culpa foi dele. Terno e gravata, um traje europeu, não é roupa para ser usada no Brasil, um país tropical (e o Rio Grande do Sul tem clima subtropical, ou seja, não deixa de ser também tropical, como provam os dias de calor que se registram no inverno). Nós não somos europeus, mesmo tendo inverno com temperaturas negativas e (às vezes) neve: até parece que isso é exclusividade da Europa! Inclusive os invernos mais frios, excetuando a Antártida, são os da Sibéria, que fica na Ásia.

Inclusive, foi um mês depois desse episódio que tomou posse como presidente da Bolívia um homem que não veste terno e gravata, chamado Juan Evo Morales Ayma. O primeiro indígena a governar um país cuja maior parte da população é como ele, prefere não usar as roupas dos colonizadores.

Quanto à formatura: a cerimônia, é claro, foi uma chatice. Depois que acabou, tive de optar por uma das duas recepções: acabei indo à do Guilherme. Poupei o Marcel de passar mais calor, e pegamos um lotação, com ar-condicionado…

Porto Alegre: conservadora e machista

Uma proposta quer regrar a vestimenta das parlamentares na Câmara Municipal de Porto Alegre. Há gente que se sente incomodada pelo uso de jeans e camisetas pelas vereadoras no plenário.

Um vereador inclusive disse que enquanto os parlamentares homens sentem-se sufocados pela gravata durante o verão, as mulheres têm mais liberdade para se vestirem. Ora, é muito simples resolver isso: derruba a obrigatoriedade da porra da gravata! Aliás, gostaria de saber para que servem as gravatas, se não para nos deixar sufocados.

Mas isso nem é o pior. Tem muita gente que defende tal absurdo, que mulher não têm de usar calça jeans e camiseta em plenário. Certamente devem achar também que o melhor mesmo é que elas parem de querer fazer política e voltem a “pilotar fogão”.

Para ser bom político, o importante não é a roupa que se veste. E foram engravatados que meteram a mão em muito dinheiro público – taí o escândalo do DETRAN para não me deixar mentir.