Será o fim da avalanche?

Não fui ao jogo, então não pude comemorar in loco a primeira vitória oficial do Grêmio na Arena. Tinha de imprimir o tal voucher para entrar e também havia o problema maior – como voltar.

1 a 0, 5 a 4 nos pênaltis, vamos adiante na Libertadores. Beleza.

Mas, por outro lado, tivemos o acidente na hora do gol, quando a grade da mureta na Geral cedeu com a avalanche feita pela torcida para comemorar. Alguns torcedores ficaram feridos e foram levados ao hospital.

Lembro que em novembro, poucas semanas antes da Arena ser inaugurada, os Bombeiros disseram que teriam de ser instaladas cadeiras na Geral, pois a avalanche representaria risco aos torcedores. Houve reclamações, inclusive informando que no Olímpico jamais aconteceu nenhum acidente em dez anos de avalanches (muito embora o Grêmio tivesse reforçado a mureta da Geral para evitar que ela cedesse).

Pois ficou claro que os Bombeiros tinham razão. A estrutura da grade era frágil demais, não tinha como suportar o peso da torcida. Foram instalados para-avalanches para impedir que “toda” a Geral descesse: imaginem se toda aquela multidão fizesse a avalanche?

Agora, restam duas opções: reforçar a estrutura ou acabar com a avalanche, mediante a instalação de cadeiras. E se considerarmos os problemas que a Geral vem causando (como a briga na semana passada), acredito mais na segunda opção.

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Olímpico Monumental, o retorno

De volta, um mês e 22 dias após a despedida…

E, de fato, minha série lembrando os jogos em que estive no Olímpico Monumental (aliás, o mais breve possível pretendo publicar o texto sobre 1999) ganhará um capítulo a mais.

Confesso que foi uma sensação estranha, como a de uma “volta no tempo”. Afinal, voltava ao Olímpico pela primeira vez depois do Gre-Nal, quando tinha me despedido… E justamente para assistir a um jogo. Partida com muito menos importância do que aquela: o time B do Grêmio contra o Canoas, pelo Gauchão. Derrota de 2 a 1, que pode ter sido a última do Olímpico – amanhã ainda tem mais um jogo, contra o Santa Cruz. E não duvido que mais partidas do Gauchão sejam jogadas no estádio.

Foi impossível não comparar com a Arena, é claro. O novo estádio é muito mais moderno, tem acessos amplos, mais banheiros etc. Mas em um aspecto considero o Olímpico imbatível: a localização. E não falo simplesmente dos acessos à Arena, que ainda não estão prontos.

Quinta, fui ao jogo de ônibus, pois começava cedo (19h30min) e tive de passar em casa depois do trabalho para vestir a camisa e pegar o cartão de sócio. Mas amanhã, pretendo ir a pé.

Aliás, penso que não só eu acho complicada a localização do novo estádio. Quem mora na Zona Norte de Porto Alegre, por exemplo, pode ir ao Olímpico pegando apenas um ônibus, seja o T2 ou o T5, seja até o Centro para depois ir a pé (uma boa caminhada que pode ser feita em cerca de 40 minutos). Já quem mora na Zona Sul precisa pegar dois ônibus (a não ser que o T2 passe perto), pois caminhar do Centro até a Arena significa levar bem mais de uma hora.

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Sobre a confusão do lado de fora do estádio (que não vi, pois quando cheguei a Brigada já tinha detido os brigões): tem gente que pensa em não ir mais a jogos por conta das cada vez mais comuns brigas na Geral. E o pior de tudo é que isso não parece que vai acabar tão cedo.

Correção

No último dia 18, postei aqui sobre o jogo Grêmio x Brasil de Pelotas. Falei sobre a “outra Geral”, que se reuniu atrás da goleira da Carlos Barbosa.

Por engano, eu disse que se tratava de uma dissidência, que resolvera migrar em “protesto contra o protesto”, já que a Geral não havia levado instrumentos e faixas para o jogo devido à nova política da direção do Grêmio em relação às torcidas organizadas.

Porém, quarta-feira o Hélio me corrigiu enquanto esperávamos o jogo Grêmio x Universidad de Chile: a “migração” durante Grêmio x Brasil-Pel se deveu a nosso ídolo Danrlei, hoje no Xavante. No segundo tempo da partida – quando se formou a “outra Geral” – o goleiro defendia na goleira da Carlos Barbosa, e boa parte da Geral decidiu acompanhá-lo.

Enfim, desculpem a minha falha.

Algo que eu não imaginaria um dia ouvir novamente

Foi há bastante tempo, pelos padrões de quem tem “só” 27 anos.

Em 2000, eu costumava ir aos jogos do Grêmio com o meu amigo Marcel, que era de uma torcida organizada, a Super Raça Gremista – ele me convidou umas trinta vezes para entrar, e recusei as trinta. Certo dia, foi junto conosco um amigo dele, de nome Vinícius. O mesmo que o do meu irmão (que é colorado fanático).

O Vinícius era também integrante da Raça. Porém, não tinha aquele perfil típico de integrante de torcida organizada. Era meio quieto, bem calmo.

Certo dia, o Marcel me contou que em um jogo que ele tinha ido, a torcida havia cantado uma música que era assim:

Sooou do Grêmio,
Sooou do Grêmio,
Do Grêmio eu sooou!

Tempos depois, descobriria que era inspirada em uma música cantada pela torcida do Uruguai em homenagem à Celeste Olímpica.

Me disse o Marcel que o Vinícius (o amigo dele) detestava essa música. Em todos os jogos que eu ia com o Marcel, junto com a Raça (que naquela época ficava na Social), a música não era cantada.

Eis que um dia, em que o Vinícius estava junto… A música foi cantada!

Não há palavras para descrever o quão engraçada era a cena: o cara cantava e batia palmas com uma empolgação…

Com o tempo, para diferenciar o Vinícius (meu irmão) do Vinícius (amigo do Marcel), comecei a chamar o segundo de… SOU DO GRÊMIO! Foi uma opção conservadora: dei prioridade ao meu irmão, que eu conhecia desde 1985, em detrimento do já meu amigo, mas apenas desde 2000.

O bizarro apelido começou a ser difundido por minha culpa – e do Marcel, que também começou a chamar o cara de “Sou do Grêmio”. Com o passar do tempo, a grafia mudou para “Sô do Grêmio”.

Em uma madrugada de 2001, encontrei o Sô do Grêmio no ICQ (velhos tempos, do ICQ…) pela primeira vez desde que eu tinha feito minha conta lá, e obviamente “cantei a música”, deixando-o “p da vida”. Fazia muito tempo que ele não ia ao jogo – e coincidentemente, a música não era cantada no Olímpico desde a última vez que ele fora ao estádio.

Os anos se passaram, o Marcel deixou a Raça, e nunca mais quis saber de torcida organizada. O Sô do Grêmio nunca mais foi ao Olímpico conosco. E as próprias organizadas do Grêmio minguaram, com o advento da “desorganizada” Geral.

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Domingo, 16 de novembro de 2008. Me dirijo à parada de ônibus para pegar minha condução de volta para casa após a vitória gremista por 2 a 1 contra o Coritiba. Não percebo nenhum sinal de violência – só vou saber da grave briga entre torcidas do próprio Grêmio dois dias depois, pelos jornais. Caminhando, percebo que alguém canta uma música conhecida, mas que há muito tempo eu não ouvia.

Demoro um pouco para identificar a letra da música cujo ritmo já conhecia. E então percebo que se trata da mesma de oito anos atrás:

Sooou do Grêmio,
Sooou do Grêmio,
Do Grêmio eu sooou!

Por que difamam a Geral

Ao ler o texto do Guga Türck, no Alma da Geral, eu deixaria um comentário que, de tão comprido, percebi que era melhor postar aqui no Cão.

O assunto era a matéria veiculada em rede nacional sobre a prisão de dois neonazistas, “torcedores” do Grêmio, que esfaquearam um punk após o Gre-Nal de 16 de setembro. O problema, é que na hora já disseram que eles eram integrantes de uma “facção da torcida do Grêmio que fica atrás de um dos gols e que faz o movimento conhecido por avalanche”. Pronto: já associaram a Geral do Grêmio ao neonazismo. Para todo o Brasil ver!

Sou totalmente a favor de que sejam banidos dos estádios de todo o Brasil e do mundo quaisquer simpatizantes de movimentos neonazistas, que mancham o esporte com sua ignorância – provavelmente muitos deles não têm idéia do horror que foi o regime nazista. O que não dá, é para aceitar a mentirosa associação em rede nacional da Geral – e do Grêmio também – a tais barbaridades.

Há tempos que a Geral do Grêmio sofre perseguição por parte da mídia, mas isto foi o cúmulo. O Guga perguntou no texto dele: “a quem serve isso?”. E eu respondo: serve aos que sempre detiveram o poder, e que temem o exemplo da Geral.

Tal exemplo não é simplesmente a forma de torcer, que já se espalha pelo país e provocou uma verdadeira revolução nas arquibancadas do Olímpico: antes da Geral surgir, haviam umas três ou quatro torcidas organizadas que competiam entre si (inclusive na porrada) e cantavam músicas que exaltavam mais a elas mesmas do que ao Grêmio; já as músicas da Geral são dedicadas exclusivamente ao Grêmio, e mais, o Olímpico inteiro canta junto!

Acredito que o temor se deve à maneira como a Geral surgiu e cresceu: “desorganizadamente”. Não quer dizer que não haja uma espécie de organização – se não houvesse não teria como o estádio inteiro cantar junto -, mas sim que ela não é uma torcida organizada com uniforme e associação a ela, como acontecia com as anteriores. A adesão à Geral se dá assistindo aos jogos atrás do gol, ou simplesmente cantando junto. Tem gente que não gosta de fazer avalanche (eu sou um dos que não gostam) mas que canta junto, mesmo em outros setores do estádio (como as sociais, onde geralmente vou).

Enquanto a mídia vai querer de tudo que é forma associar a Geral do Grêmio com movimentos neonazistas, ao meu ver ela lembra algo totalmente oposto, que é o anarquismo: há organização (uma espécie de autogestão), mas não poder constituído (chefe da torcida, “presidente”). Lá, quando se é sócio, é do Grêmio, não da Geral. Como já falei, para ser da Geral, basta querer. Não é preciso preencher nenhuma ficha de associação ou coisa parecida, é só cantar junto, é só apoiar o Grêmio o tempo inteiro, independentemente da situação. Não tem como alguém ser expulso por divergir das lideranças: elas não existem!

Tanto que ano passado, após o incêndio dos banheiros químicos naquele Gre-Nal do Beira-Rio, a direção do Grêmio acabou com a subvenção às torcidas organizadas. E a Geral seguiu, pois não é uma organizada. Nenhum decreto poderá acabar com ela.

Não é a toa que a frase-símbolo da Geral é JAMAIS NOS MATARÃO.

Pois bem: este movimento sem líderes mas que tem milhares de adeptos surgiu em apoio a um time de futebol. Imaginem se algo semelhante surgisse na política?

Claro que há pessoas interessadas em fazer bagunça que se infiltram na Geral, assim como havia nas antigas organizadas. Aproveitam-se do “anonimato” por estarem em meio a uma multidão – mas hoje em dia sua tarefa não é tão fácil, como prova a absolvição do Grêmio no julgamento pelos foguetes no Gre-Nal, que aconteceu porque as câmeras de monitoramento flagaram o imbecil que jogou as bombas. Mas não se pode, a partir da atitude de uma minoria, rotular negativamente todos os que apenas querem torcer para o Grêmio.

Aos gremistas favoráveis à construção da "Arena FIFA"…

Recomendo a leitura deste texto do Kayser. A charge ao final é sensacional!

Kayser, assim como eu, é gremista e crítico em relação ao projeto de construção de um novo estádio. O Olímpico pode ser desconfortável, mas o torcedor comum, com menos dinheiro, ainda tem possibilidade de ir aos jogos. À “Arena FIFA” (esse negócio de só valorizar o que diz a FIFA é coisa de colorado!) só terá acesso o torcedor de alto poder aquisitivo: além do ingresso ser mais caro (pois o que se paga hoje em dia para sentar no cimento já é caro, imagina num estádio que só tem cadeira!), ficará longe do Centro, impedindo que muitas pessoas possam ir ao jogo, devido à distância e ao alto preço das passagens de ônibus.

Eu prefiro o “cimentão” do Olímpico, com a Geral incendiando o jogo!