Volta, Olímpico?

Fui à Arena na noite desta quinta, no primeiro jogo com temporal no novo estádio. E também a primeira derrota gremista.

Ironicamente, Grêmio x Huachipato foi o jogo menos difícil no quesito “deslocamento”. Fui direto do trabalho para o estádio, e como acabou cedo, voltei de trem tranquilamente. (Foi para isso que o jogo me serviu: me deixou ainda mais convicto de que o trem é o melhor meio de transporte urbano, já que ele não precisa parar em semáforos e nem pega congestionamento, chegando bem mais rápido ao destino.)

E no fim, pode ser que os jogos voltem a acontecer no Olímpico, e não só pelo Gauchão. O gramado voltou a receber críticas: pode parecer desculpa de perdedor, mas a grama da Arena está horrível.

Aliás, até agora não houve nenhum jogo do Grêmio sem problemas na Arena (além do gramado). Na inauguração foram os banheiros e os bares (a briga não foi culpa do estádio); contra a LDU tivemos a queda da grade na Geral na hora do gol; e agora, além da derrota, a falta de luz em partes da Arena no intervalo: se por um lado não demorou muito tempo para os refletores se reacenderem, por outro tal problema não deveria acontecer num estádio novo.

Suprema ironia: a série de textos em homenagem ao Olímpico publicada no Impedimento ao longo do ano passado se chama #VoltaOlimpico – e do jeito que vão as coisas na Arena, não parece mera licença poética… O problema é que os sócios gremistas estão pagando caro por algo que quase não estão usando.

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Olímpico Monumental, o retorno

De volta, um mês e 22 dias após a despedida…

E, de fato, minha série lembrando os jogos em que estive no Olímpico Monumental (aliás, o mais breve possível pretendo publicar o texto sobre 1999) ganhará um capítulo a mais.

Confesso que foi uma sensação estranha, como a de uma “volta no tempo”. Afinal, voltava ao Olímpico pela primeira vez depois do Gre-Nal, quando tinha me despedido… E justamente para assistir a um jogo. Partida com muito menos importância do que aquela: o time B do Grêmio contra o Canoas, pelo Gauchão. Derrota de 2 a 1, que pode ter sido a última do Olímpico – amanhã ainda tem mais um jogo, contra o Santa Cruz. E não duvido que mais partidas do Gauchão sejam jogadas no estádio.

Foi impossível não comparar com a Arena, é claro. O novo estádio é muito mais moderno, tem acessos amplos, mais banheiros etc. Mas em um aspecto considero o Olímpico imbatível: a localização. E não falo simplesmente dos acessos à Arena, que ainda não estão prontos.

Quinta, fui ao jogo de ônibus, pois começava cedo (19h30min) e tive de passar em casa depois do trabalho para vestir a camisa e pegar o cartão de sócio. Mas amanhã, pretendo ir a pé.

Aliás, penso que não só eu acho complicada a localização do novo estádio. Quem mora na Zona Norte de Porto Alegre, por exemplo, pode ir ao Olímpico pegando apenas um ônibus, seja o T2 ou o T5, seja até o Centro para depois ir a pé (uma boa caminhada que pode ser feita em cerca de 40 minutos). Já quem mora na Zona Sul precisa pegar dois ônibus (a não ser que o T2 passe perto), pois caminhar do Centro até a Arena significa levar bem mais de uma hora.

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Sobre a confusão do lado de fora do estádio (que não vi, pois quando cheguei a Brigada já tinha detido os brigões): tem gente que pensa em não ir mais a jogos por conta das cada vez mais comuns brigas na Geral. E o pior de tudo é que isso não parece que vai acabar tão cedo.

Meus jogos no Olímpico Monumental: 2013?

2 de dezembro de 2012: talvez não tenha sido a despedida.

Quase caí da cadeira quando li notícias a respeito do Grêmio cogitar a realização de alguns jogos do Gauchão no Olímpico, devido ao gramado da Arena ainda não estar nas melhores condições.

Como eu disse, a Arena não estava 100% na inauguração, o que poderia até justificar que só começasse a receber jogos mais tarde – mas, ao mesmo tempo, era preciso um “evento-teste”, até para ver onde estavam todos os problemas. De qualquer forma, eu não veria problema algum em inaugurar a Arena e ainda poder jogar no Olímpico, que só será entregue à OAS no final de março.

Porém, não depois de nos despedirmos dele. Ir ao Olímpico assistir jogos depois de termos nos emocionado em 2012, justamente porque o Gre-Nal do dia 2 de dezembro fecharia as portas do estádio, é algo totalmente sem sentido. Faz parecer que tudo o que sentimos naqueles dias foi em vão.

E quem torrou dinheiro para conseguir ir ao Gre-Nal? Sim, os ingressos foram caríssimos, justamente porque era a despedida…

Tudo isso, só porque Paulo Odone queria a todo custo ser o “pai da criança”. Chegava a falar em final da Sul-Americana (já contando com a classificação do Grêmio) na Arena, já anunciando que após o Gre-Nal o Tricolor jamais jogaria novamente no Olímpico. Por mais que eu fosse contra, já tinha me acostumado com a ideia de que em 2 de dezembro de 2012 eu assistiria a um jogo no Monumental pela última vez. Aliás, toda a torcida. Daí a partida ter sido tão especial.

Tivessem anunciado que a Arena seria inaugurada mas o Grêmio ainda jogaria no Olímpico pelo Gauchão (além de um necessário amistoso de despedida que, incrivelmente, sequer foi cogitado pela direção anterior), de modo a dar os últimos retoques no novo estádio, eu acharia sensacional, e estaria preparando o coração para a despedida em março. Mas dar adeus ao Olímpico e voltar justamente por que falta algo na Arena (gramado em plenas condições), só servirá para alimentar a flauta dos colorados.

Não tem de interditar?

Nos últimos meses, a principal polêmica que se dá no Rio Grande do Sul é sobre as condições do Beira-Rio receber jogos enquanto duram as obras visando à Copa de 2014. O Internacional jura que o estádio é seguro (jurem ou não, depois de ver uma rachadura como a do vídeo acima eu pensaria umas mil vezes antes de ir ao Beira-Rio), enquanto o Ministério Público pediu a interdição.

Logo que se soube do pedido de interdição por parte do MP, começaram as acusações de que o procurador responsável pela ação era gremista, e que por isso, seria “tendencioso”. Uma discussão que teria de se dar no âmbito da engenharia e dos órgãos de segurança, acabou se “grenalizando” – aliás, o que tem sido a norma nos últimos anos em todas as questões envolvendo Grêmio ou Inter.

Esse é o maior problema: se a decisão desagrada aos colorados, é porque tal instituição é “gremista”; e vice-versa. Daqui a pouco teremos de “importar” procuradores para decidir algo que envolva Grêmio ou Internacional. (E ainda assim eles serão acusados de serem “gremistas” ou “colorados”.)

Esta “grenalização” é tão absurda que em outubro do ano passado, quando a FIFA decidiu que Porto Alegre não sediaria jogos da Copa das Confederações de 2013, os fanáticos dos dois lados começaram a se acusar: os gremistas diziam que a culpa era do Inter por conta da paralisação nas obras do Beira-Rio (a reforma parou por mais de 200 dias devido ao impasse com a Andrade Gutierrez); já os colorados acusavam o Grêmio de “conspirar” para que a Copa do Mundo fosse realizada na Arena. Foi uma discussão que se caracterizou pela legítima demência de ambos os lados.

Para a Copa do Mundo, “cago e ando” (sempre achei que era um péssimo negócio para o Brasil). Mas quanto à questão da reforma no Beira-Rio (atraso, realização de jogos etc.), o culpado maior é o próprio Inter (embora saiba que vai aparecer algum colorado fanático para dizer que a culpa é do Grêmio).

No caso da assinatura com a Andrade Gutierrez, a obra parou em junho de 2011. O contrato só foi firmado em março de 2012, após a empreiteira ser pressionada pela presidenta Dilma Rousseff, quando quem deveria ter posto a construtora “contra a parede” era o Inter.

Quanto à realização de jogos, era mais do que natural a necessidade de se fechar o Beira-Rio para as obras, ou pelo menos para parte delas: quando o Maracanã passou por reformas para o Pan de 2007, ficou fechado por um ano, sendo reaberto quando o anel inferior já estava reconstruído (faltando apenas instalar as cadeiras). Logo, o Inter deveria ter feito um planejamento para mandar seus jogos fora do Beira-Rio.

Jogar no Olímpico? Até a década de 1990 seria possível (tanto que era natural um clube jogar no estádio do outro quando o seu era interditado por qualquer motivo). Agora, com a demência que tomou conta de parte das duas torcidas (mandar jogos na casa do rival é visto como “chance de detonar o patrimônio deles”), tornou-se impossível. Tanto que eu fui contra o Grêmio emprestar o Monumental, por não querer vê-lo depredado em seu último ano (já basta a dor que me causa a sua demolição dentro de poucos meses).

Espero que, caso o bom senso não prevaleça agora, isso aconteça pelo menos durante o Gauchão (em 2013 ele será ainda mais “interminável” que em 2012: irá de 19 de janeiro a 19 de maio), e o Beira-Rio seja fechado. Mas tenho certeza de que vai aparecer algum colorado fanático para dizer que o meu conceito de bom senso é gremista.