Uma tragédia anunciada

Caxias do Sul, 19 de maio de 2002. Pela primeira rodada do “Supergauchão”, Juventude e Internacional se enfrentaram no Estádio Alfredo Jaconi, com vitória do Inter por 1 a 0. Mas o futebol acabou ficando em segundo plano: o que marcou aquele domingo de muita neblina na Serra foi a violência.

No Alfredo Jaconi, bombas foram arremessadas contra a torcida do Inter e um colorado levou uma tijolada, sofrendo traumatismo craniano. Mas o pior aconteceu fora do estádio: um jovem que vestia a camisa da Super Raça (uma das torcidas organizadas do Grêmio) morreu devido à explosão de uma bomba caseira que ele carregava, e o mesmo artefato decepou a mão de um policial militar que o abordava; pouco depois, um ex-integrante da mesma Super Raça (fora expulso por ser “brigão”) levou um tiro.

Nos dias seguintes, a violência no futebol foi destaque na imprensa gaúcha. Muito se falou em acabar com as torcidas organizadas, de forma semelhante ao que acontecera em São Paulo sete anos antes. O Grêmio chegou a cortar os subsídios às suas torcidas organizadas, embora não de forma definitiva.

Pouco depois, teve início a Copa do Mundo de 2002. O Mundial passou a ser o assunto dominante, e a violência no futebol foi esquecida por aqui. Aliás, como é normal, dada a nossa “memória curta”.

Agora, se voltou a falar da violência nos estádios, em todo o país, graças à morte de um torcedor do San José, de Oruro, vítima de um foguete arremessado por um corinthiano em partida pela Libertadores, quarta-feira na Bolívia. Quando postei no Facebook o link da notícia, o meu irmão lembrou em um comentário: há muito tempo bombas e rojões são usados como armas em estádios. Logo, uma morte em decorrência disso era previsível.

O Corinthians foi provisoriamente punido pela CONMEBOL e terá de jogar o restante da competição sul-americana sem torcida. Apesar da imensa maioria dos corinthianos não ter culpa alguma, isso serve de exemplo a todos, e assim, a punição é justa. Muito embora seja um erro achar que apenas isso acabará com a violência no futebol.

Aliás, de nada adiantará falar em mil e uma “soluções mágicas” para a violência durante uma semana, para depois o assunto novamente cair no esquecimento e só ser lembrado quando ocorrer outra morte.

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