Cercas não adiantam nada

Ontem à tarde, uma briga de gangues resultou em um tiroteio próximo ao chafariz do Parque da Redenção, um dos lugares mais movimentados de Porto Alegre. Não presenciei o fato porque estava no Olímpico Monumental.

Já imagino a avalanche de artigos de um colunista de um dos jornais da cidade, clamando pelo cercamento do parque. E muito bovino, claro, vai atrás…

Não percebem que uma cerca em nada deixará os frequentadores da Redenção mais seguros. A diferença é que um eventual ladrão terá de passar por um portão – mas entrará no parque mesmo assim. O mesmo se aplica para as gangues que ontem trocaram tiros: a briga foi combinada pela internet, logo eles iriam à Redenção com ou sem cerca. (A propósito, se o confronto foi marcado, será que não havia maneira de avisar a Brigada Militar com antecedência, para que aumentasse o policiamento de modo a inibir a ação das gangues? Só imagino tudo o que estariam dizendo na mídia se o governador fosse o Olívio: a culpa seria dele e do Bisol!)

Cercas também não adiantam nada porque não eliminariam a causa do problema. Enquanto jovens de bairros da periferia – como os de onde eram as gangues que se enfrentaram ontem – não tiverem educação de qualidade, continuarão com forte tendência à criminalidade. E não hesitarão em cruzar o eventual portão de um parque cercado para lá cometerem seus delitos.

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Também não adiantará nada simplesmente não ir à Redenção. Já li que há pessoas que “não levarão mais os filhos à Redenção”. Eu fui caminhar no final da tarde de hoje no parque. E não deixaria de ir se alguém me dissesse que “a rua está muito perigosa”.

Pois sim, a rua está muito perigosa. Afinal, ela está cada vez mais vazia. Quanto menos pessoas caminhando, melhor para o ladrão, que terá menos testemunhas para seu roubo. Se todo mundo ficar trancado dentro de casa ou só andar de carro, vai piorar. E muito.

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