Definitivamente, foi uma decisão acertada

  • 29 de janeiro de 2010. Dia em que eu me formaria, se tivesse optado pela chatice do palco. Tempo quente e abafado;
  • 18 de fevereiro de 2010. Formatura em gabinete, rápida, sem toga e outras besteiras. Vai estar quente, mas não abafado.

Não sou Nostradamus, mas acertei em cheio: me livrei de uma “quente”.

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Sem toga (e também sem terno e gravata)

Desde o dia 14 de dezembro, quando meu TCC recebeu conceito A da banca, me considero historiador. Só falta o diploma, que não sei exatamente quando sai – acredito que seja em março.

Mas antes disso, há um ato burocrático pelo qual terei de passar, cujo nome oficial é “colação de grau”, popularmente conhecido por “formatura”.

Como o próprio nome diz, o ato serve para “colar grau”, ou seja, atribuir a condição de graduado ao concluinte do curso – mesmo sem o símbolo maior de sua graduação, ou seja, o diploma. Como ele só vem depois, para que a formatura deixasse de ser mera burocracia e fosse para mim um “rito de passagem”, eu teria de vê-la justamente desta forma – ou seja, como uma divisão na minha vida, entre o “antes” e o “depois” dela. Porém, como já a chamei de “ato burocrático”, ficou claro que, pelo menos para mim, ela não tem eficácia simbólica.

O que eu considero o verdadeiro “rito de passagem” se deu em 14 de dezembro de 2009, ou seja, a defesa do TCC (assim como no mestrado se dá com a defesa da dissertação, e no doutorado com a defesa da tese). Aquele dia, fui dormir com a sensação do dever cumprido, e sentindo que ali uma etapa da minha vida se encerrou, dando lugar a outra.

Mas, como na graduação há a obrigatoriedade de se participar do ato burocrático, optei pela forma mais simples e barata, ou seja, a formatura em gabinete. Nada de toga (ainda mais com todo este calor!), gastos com produtora, convites, terno e gravata e aquele monte de discursos chatos e agradecimentos típicos de formaturas em palco.

E ao optar pelo gabinete, me livrei de uma “quente”: a formatura em palco da História aconteceu no último dia 29, quando o calor, se ainda não estava de fazer o Batista desmaiar, já era suficiente para me dar um baita banho de suor. Ainda mais com aquela roupa sufocante que é a toga. Lembrando que os cumprimentos dos convidados aos formandos se dão no lado de fora do Salão de Atos da UFRGS, ou seja, sem ar condicionado! Que, inclusive, não funcionou durante a formatura em palco do Jornalismo, na tarde do dia 31.

O gabinete me conquistou

Assisti na tarde da quinta-feira à formatura em gabinete de alunos do IFCH da UFRGS, dentre eles meu amigo Renan, que concluiu sua graduação em Filosofia. E, definitivamente, tal formato me conquistou.

As únicas coisas que fazem lembrar uma formatura tradicional são o fato de haver juramento e a entrega de um canudo – que não é o diploma, diga-se de passagem. (O que significa que cerimônia de formatura não serve para nada!)

Foi uma formatura extremamente rápida: o primeiro a ser chamado em cada ênfase de cada curso do IFCH (Filosofia, História e Ciências Sociais) fazia o juramento, pegava o canudo e passava a vez para o seguinte, que pegava o canudo e passava a vez para o próximo… Não há um monte de discursos, agradecimentos, como acontece no palco (onde há formandos que chegam ao cúmulo de agradecer ao cachorro). E o melhor de tudo: sem toga! Considerando que devo me formar durante o verão, é um baita diferencial não ter de usar aquela roupa preta.

Desde que terminei o Ensino Médio, em 1999, acho formatura um evento chatíssimo. E o pior de tudo é que já fui a muitas: ainda bem que a maioria dos meus amigos já se formou. E como tenho o hábito de ser coerente, não pretendo, no verão de 2010, submeter nenhum deles àquela tortura.

Sem contar que, hoje em dia, as formaturas em palco são “feitas para a televisão”. Não são transmitidas ao vivo, mas é tudo montado para sair bem no vídeo (que será revisto no máximo uma vez). Tanto que o que sai mais caro em formaturas é o pagamento de uma produtora, para eternizar “o momento inesquecível” da melhor maneira possível. Mesmo na formatura de Ensino Médio se tem despesa com produtora: até não gastei muito com a minha, mas três anos depois estava muito mais caro e por isso o meu irmão se recusou a participar do troço.

Até porque, sejamos sinceros, as formaturas não são feitas para os formandos, e sim para o exibicionismo dos pais (claro que nem todos são iguais, não generalizemos!).

Enfim, já tomei minha decisão: entre gastar muito para passar calor, ter de falar qualquer merda no púlpito e ter um DVD (que nunca assistirei) da minha formatura; e me formar de graça, sem passar calor e sem discursos… Sem dúvida alguma, escolho a segunda opção.

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Também são alvos de meu “mau humor” aquelas estúpidas faixas de parabéns por aprovações em vestibulares: se a homenagem fosse realmente para o “bixo”, a faixa deveria ficar voltada para o lado de dentro da casa, não para a rua. Quando passei no primeiro vestibular, em 2000 (Física na UFRGS), minha mãe mandou fazer um banner que toda hora eu tirava da janela. Até parecia premonição: dois anos depois eu largaria o curso, para em 2004 ingressar na faculdade de História, novamente na UFRGS. Desta vez, sem banner.