As Copas que eu vi – Alemanha 2006

No final da tarde do dia 4 de setembro de 2005, me reuni com o meu amigo Diego Rodrigues para tomar cerveja e comer uns pastéis na pastelaria “República do Pastel”. O local, propriedade de um uruguaio, era ponto de encontro de orientales que vivem em Porto Alegre em dias de jogos da Celeste Olímpica. Caso daquele domingo, em que Uruguai e Colômbia se enfrentavam no Estádio Centenário, em Montevidéu, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006, que se disputaria na Alemanha.

Naquele momento, eu nem imaginava que, em menos de seis meses, estaria no local que via pela televisão. Conversávamos sobre desilusões amorosas, e foi quando eu disse que “o amor é regido pela Lei de Murphy”. O Diego gostou tanto do que falei, que parou um garçom, pediu uma caneta emprestada e anotou a frase em um guardanapo que guardou consigo até o início de 2010, quando me repassou o que é um verdadeiro documento histórico.

Outra coisa que eu não imaginava, era que o Uruguai acabaria ficando fora da Copa. A vitória por 3 a 2 naquele jogo contra a Colômbia foi fundamental para a Celeste chegar à repescagem contra a Austrália, treinada por Guus Hiddink. Na primeira partida, em Montevidéu, 1 a 0 para o Uruguai. Quatro dias depois, em Sydney, 1 a 0 para os australianos nos 90 minutos. Na prorrogação, não foram marcados gols, e assim a decisão foi para os pênaltis. E a vitória foi dos Socceroos por 4 a 2: a Austrália voltava à Copa do Mundo depois de 32 anos – a última (e única) participação fora em 1974, ironicamente também na Alemanha (embora fosse apenas a Ocidental). Continuar lendo

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As Copas que eu vi – Coreia do Sul/Japão 2002

Como definiu Eduardo Galeano, eram “tempos de quedas”. Em 11 de setembro de 2001, caíram as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque. Caiu também o mito de que os Estados Unidos eram invulneráveis a ataques externos. Em resposta, a partir de 7 de outubro de 2001 bombas caíram de aviões estadunidenses sobre o Afeganistão – e continuam caindo até hoje.

Caia também o presidente da Argentina, Fernando de la Rúa. Os argentinos não aguentavam mais a penúria que lhes era imposta pela crise econômica e os ditames do FMI, e foram para a rua pedir a renúncia do governo, em dezembro de 2001. O presidente argentino atendeu aos pedidos das massas no dia 20, mas não sem antes decretar estado de sítio e ordenar a repressão aos protestos.

Para mim também eram “tempos de quedas” – no caso, de convicções “profissionais”. Desde meu ingresso no curso de Física da UFRGS, em março de 2000, eu nunca questionara tanto a opção que eu tinha tomado como começou a acontecer no início de 2002. Aos poucos, fui perdendo totalmente a motivação, mas ainda sem coragem de admitir a outras pessoas que eu havia errado – o que fui fazer apenas no final de abril.

Eu ainda insisti por mais um semestre – que começou só em junho de 2002, devido ao atraso no calendário proporcionado pela longa greve dos professores da UFRGS em 2001 (que fez o segundo semestre daquele ano iniciar-se em 17 de dezembro). O primeiro semestre de 2002 começou junto com a Copa do Mundo, pela primeira vez realizada na Ásia e em dois países, Coreia do Sul e Japão. Foi uma Copa diferente também quanto aos horários dos jogos, com muitos sendo disputados pela madrugada no horário brasileiro, correspondente à tarde na Coreia e no Japão. Continuar lendo

As Copas que eu vi: França 1998

O ano de 1998 começou de forma terrível para mim. Tão ruim que antes mesmo do Carnaval (que é quando começam, na prática, todos os anos no Brasil), eu já queria que chegasse logo 1999. Tudo por causa daquele 5 de janeiro, que considerei como o pior dia da minha vida por quase nove anos.

Mas, aos poucos, aquela dor perdeu boa parte de sua intensidade, e o ano de 1998 foi se transformando em ótimo. Primeiro, porque em abril foi confirmado que aconteceria em agosto a viagem a Montevidéu, para a realização de intercâmbio cultural entre o Colégio Marista São Pedro – onde cursei o 2º grau (1997-1999) – e o Instituto de los Jóvenes (IDEJO), colégio da capital uruguaia. Mas também porque se aproximava a Copa do Mundo da França. Enfim, chegava ao fim aquela longa espera de quatro anos iniciada em julho de 1994! E desta vez haveria mais jogos: o número de seleções participantes foi ampliado de 24 para 32. Continuar lendo

As Copas que eu vi: Estados Unidos 1994

No ano letivo de 1993, como sempre acontecia, eu ia muito bem em todas as matérias. Na verdade, em quase todas as matérias: minhas notas em Educação Artística é que destoavam do resto. Comecei bem a 5ª série, com 9 no 1º bimestre, mas no 2º bimestre minhas notas começaram a decair – fruto do que considero uma certa implicância da professora, pois só com ela que fui mal, mesmo que jamais tenha desenhado bem – e cheguei ao último bimestre precisando de 6,5 para evitar o vexame de pegar recuperação. Não era uma tarefa das mais difíceis para quem tirava 10 em tudo, é verdade, mas eu não estava acostumado a uma situação daquelas; e além disso já tivera uma nota 6 no segundo bimestre (e 6,5 no terceiro). Mas consegui tirar 7, e obter a média final de 7,1: foi a única vez em todo o tempo de colégio (1989-1999) em que vibrei com uma aprovação (já que as outras nem tinham graça).

O leitor deve estar pensando: “tá, e o que isso tem a ver com futebol?”. A resposta é que pouco depois da notícia, comentei com um colega: “escapei da repescagem!”. Referência à situação vivida pela Argentina, que só se classificou para a Copa do Mundo de 1994 após vencer a Austrália na repescagem entre América do Sul e Oceania. Sinal dos tempos: eu já me interessava por futebol, graças a uma professora de Educação Física (cujo nome infelizmente esqueci) do Colégio Estadual Marechal Floriano Peixoto, que na segunda semana de aulas de 1993 praticamente me obrigou a jogar, pois não queria mais me ver parado – foi o bizarro episódio em que um colega inventou um gol que eu teria marcado no passado, que tenho certeza absoluta de jamais ter feito (lembro de ter marcado pela primeira vez no colégio na 6ª série, foi tão marcante que até o dia eu recordo: 19 de outubro de 1994).

Assim, o Mundial realizado nos Estados Unidos em 1994 não foi uma Copa qualquer, foi A Copa. A primeira que eu, mais que “dar bola”, curti aos montes. Isso após eu voltar a apenas observar meus colegas na Educação Física: no dia 14 de abril eu acordei com uma estranha dor de barriga que não passava, fui à aula de tarde e comecei a me sentir pior; voltei para casa, me deitei, e quando levantei novamente, não conseguia mais caminhar direito e ainda vomitei; minha mãe me levou ao médico e ele de cara deu o diagnóstico: apendicite – e a cirurgia teria de ser feita urgentemente. Uma semana depois, saí do hospital, mas com atestado médico me liberando da Educação Física. Eu queria jogar, mas não podia… Continuar lendo

FHC vai ter um troço

O jornal francês Le Monde escolheu o “homem do ano de 2009”. O resultado é idêntico ao do espanhol El País: LULA.

Sinto muita pena do nosso ex-presidente, o doutor FHC. Com tantos títulos acadêmicos, não conseguiu tamanho reconhecimento…

Aliás, o que será que acha disso a classe mérdia que adora pagar pau pra gringo? Inclusive, era exatamente o que fazia o (des)governo FHC, do qual sentem tanta saudade.

Lula conseguiu todo esse reconhecimento sem ter feito o Brasil abaixar a cabeça. A propósito, não foi por isso?

Conforme escrevi em comentário no blog Síndrome de Estocolmo, tanto reconhecimento já está virando até rotina…

70 anos do início da Segunda Guerra Mundial

No dia 1º de setembro de 1939, os exércitos nazistas cruzaram a fronteira com a Polônia, dando início ao maior banho de sangue de todos os tempos (até agora).

Engana-se, porém, quem pensar que a única motivação da Segunda Guerra Mundial foi a invasão da Polônia.

Muitas vezes se disse que a Segunda Guerra Mundial foi “uma consequência da Primeira”, e não deixa de ser verdade. A Alemanha foi a principal potência derrotada, e em 1919 lhe foram impostos “tratados de paz” absolutamente humilhantes: o país foi obrigado a pagar pesadas indenizações de guerra aos vencedores, e sofreu sérias restrições quanto ao controle de seu próprio território. Mergulhou em grave crise econômica, com uma inflação galopante (para se ter ideia, notas de um bilhão de marcos chegaram a circular, e o dinheiro se desvalorizava tão rápido que por vezes era preciso um saco de notas para comprar um pão), e altas taxas de desemprego. Além disso, os veteranos da guerra sentiam o desejo de vingança, aumentado com a crise e a humilhação a que foram expostos – terreno fértil para o florescimento de movimentos ultranacionalistas de extrema-direita como o nazismo, versão alemã do fascismo.

Adolf Hitler chegou ao poder em 1933, sem esconder que pretendia violar os tratados de 1919. Grã-Bretanha e França fizeram vistas grossas: o líder nazista era anticomunista ferrenho. As potências ocidentais apostaram suas fichas numa invasão alemã da União Soviética, considerada ameaça muito maior: o mundo capitalista ainda vivia sob os efeitos da grave crise econômica iniciada em 1929; enquanto isso a URSS se desenvolvia e era um modelo de “sociedade justa” (mesmo com a ditadura de Josef Stalin) para os trabalhadores, que sentiam ainda mais a crise.

Assim, Grã-Bretanha e França nada fizeram de concreto para impedir o início do expansionismo de Hitler. Em março de 1938, o ditador ordenou a anexação da Áustria, sua terra natal. Depois, a vítima seria a Tchecoslováquia: Hitler acusou o país de maltratar populações alemãs da região dos Sudetos; Grã-Bretanha e França concordaram com a anexação à Alemanha daquela porção de território tchecoslovaco. Depois, Hitler acabaria anexando todo o país – sem ouvir mais do que uma ameaça de Grã-Bretanha e França, de que não tolerariam uma invasão da Polônia.

Quando as tropas atravessaram a fronteira teuto-polonesa, finalmente os governos britânico e francês decidiram agir. Mas foi mais por falta de escolha do que por convicção. Além da promessa de defesa feita à Polônia, Grã-Bretanha e França não contavam com a jogada de Stalin, que assinou um pacto de não-agressão com Hitler. Com isso, Alemanha e URSS dividiriam a Polônia entre si, e os soviéticos poderiam anexar as repúblicas bálticas (Estônia, Letônia e Lituânia – independentes desde 1918, e as primeiras a reivindicarem independência da URSS ao final da década de 1980). Mesmo que Stalin não esperasse a Operação Barbarossa em junho de 1941, graças ao pacto a URSS ganhou mais tempo para se defender de uma invasão que mais cedo ou mais tarde aconteceria.

Sempre se diz que em uma guerra, a primeira vítima é a verdade. E de fato, é. As forças aliadas contra Hitler também cometeram crimes de guerra: o bombardeio de Dresden em fevereiro de 1945 segue gerando controvérsias, e há também denúncias de massacres cometidos pelos soviéticos na frente oriental. Sem contar as bombas atômicas jogadas pelos Estados Unidos sobre Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945, quando o Japão estava prestes a se render – e mesmo que não estivesse, nada justifica tamanha desumanidade.

Já as atrocidades cometidas pelos nazistas haviam se iniciado antes de 1º de setembro de 1939. A política de “embelezamento do mundo” mediante a “eliminação de pragas” (inclusive as “sociais”) fora cuidadosamente planejada. Elas ameaçavam as “boas famílias alemãs”, e precisavam ser exterminadas. O Holocausto não foi consequência da guerra, era política de Estado de Hitler: em novembro de 1938 já aconteceram massacres de judeus em diversas regiões sob domínio nazista, na chamada Noite dos Cristais.

É fundamental que tais acontecimentos jamais sejam esquecidos. Pois a derrota do nazismo no campo militar não significou o seu fim definitivo. Sua força reside não nos pequenos grupos que se declaram “neonazistas”, e sim no mito de que foi totalmente vencido. Há muitas pessoas que se questionadas sobre o que acham do nazismo, o rejeitam veementemente, visto que ele é associado ao que de pior já fez a humanidade. Porém, ao mesmo tempo defendem ideias que em muito se aproximam dele, sem se darem conta disso.

Chororô concretosco

Interessante a postura dos concretoscos após a acachapante vitória do NÃO na consulta pública sobre o Pontal…

Reclamam do “baixo quórum” da votação! De fato, apenas 2% do eleitorado de uma cidade (e que é capital do considerado “Estado mais politizado do Brasil”) comparecer às urnas é muito pouco. A grande maioria dos porto-alegrenses optou pela omissão.

Mas sabem o que penso disso? Quem não votou, “azar o seu”. Deixou que os outros decidissem no seu lugar – mesmo os que votariam NÃO, pois deixar de participar significava correr o risco do “sim” ganhar sem fazer nada contra isso.

Sou favorável ao voto facultativo (como foi ontem), mas ainda mais à participação popular: democracia não é só eleger “representantes” e deixar que eles decidam por nós. A omissão é sempre um péssimo negócio: no primeiro turno da eleição presidencial francesa de 2002, boa parte do eleitorado se omitiu; essa patetice, somada à divisão da esquerda, levou o líder da extrema-direita Jean-Marie Le Pen para o segundo turno, quando a esquerda teve de “se unir” em torno do (apenas) direitista presidente Jacques Chirac e ajudar a reelegê-lo para evitar um mal maior.

E eu faço uma pergunta aos concretoscos que tentam deslegitimar a vitória do NÃO: se tantos porto-alegrenses queriam o “progresso”, onde eles estavam?

Afinal, mesmo que tenham sido poucos os que participaram, 80% dos que não quiseram se omitir se mostraram contrários ao descalabro. Não acredito que uma maior participação popular resultaria em vitória do “sim”.

Porto Alegre não precisa do Pontal

Ao invés de falar sobre o Pontal do ponto de vista ambiental e também urbano, dessa vez decidi escrever a respeito de outro aspecto: o turismo.

Hoje passei a tarde com os amigos Adriana, Mario e Paulo – que são também colegas da UFRGS. Após um ótimo almoço, fomos para a Zona Sul, onde tomamos uma cervejinha num bar da Avenida Guaíba, mesa ao ar livre, com direito à vista da bela paisagem formada pelo Rio Guaíba e os morros às suas margens. Excelente programa para uma tarde espetacular de outono.

Isso me fez pensar e ter ainda mais convicção: é preciso ser muito tosco para achar que Porto Alegre precisa do Pontal do Estaleiro para atrair turistas. Afinal, nossa cidade já tem lugares sensacionais, só que desconhecidos por muita gente. Ou até conhecidos mas inseguros, como o mirante do Morro Santa Tereza, de onde se descortina uma vista belíssima da cidade.

Os pontaleiros dizem que “não há o que indicar para os turistas verem em Porto Alegre”. Dizem isso por desconhecerem a cidade em que moram! Por acreditarem que devemos todos seguir regras preestabelecidas, construídas em outros contextos: “eles criam, nós copiamos”.

Penso que o mais legal de se conhecer em uma cidade que se visita – e mesmo na que se mora – são as suas peculiaridades. Nada é “atração turística” no exato momento em que surge. Já ouvi falar que a Torre Eiffel foi considerada “feia” quando concluída em 1889, mas tornou-se um símbolo de Paris (e da própria França), a ponto de se dizer que “quem vai a Paris e não visita a Torre Eiffel, é como se não tivesse estado em Paris”. E por que aquela torre tornou-se tão famosa? Não é simplesmente por oferecer uma vista panorâmica da cidade, e sim, porque ela só existe lá. Se existissem cópias da Torre Eiffel em várias partes do mundo, obviamente as pessoas de posses (que os pontaleiros acham que deixariam muito dinheiro em Porto Alegre por causa do Pontal) continuariam indo a Paris para visitarem a original e desfrutarem das outras atrações da capital francesa.

Logo, como eu disse, é tosquice achar que, como em um passe de mágica, Porto Alegre se tornará “turística” com edifícios na orla do Guaíba. A cidade não precisa disso. Ainda mais que orla cheia de prédios há em diversos lugares, como Camboriú ou Rio de Janeiro. E, como eu disse, quem tem dinheiro para viajar ao Rio, não vai trocar por Porto Alegre – ainda mais que o Rio tem praia onde se pode tomar banho (no Guaíba não dá graças à poluição gerada pelo “progresso”) e muito mais.

Os porto-alegrenses precisam parar com essa mania de acharem que a cidade “não é atrativa”, e passarem a mostrar o que ela (e só ela) tem de bacana.

Mas que bela democracia!

Parece mentira, mas não é: na França, um jornalista foi preso por ter liberado um comentário.

Acusado de difamação, Vittorio de Filippis foi preso diante dos filhos pelo crime de ter permitido a publicação de um comentário na página do jornal Libération em 2006, que contrariou os interesses de um empresário que enfrentava problemas com a justiça francesa.

Essa é a democracia defendida pelos liberais de plantão. Basta ter dinheiro para pagar um bom advogado e processar seus adversários.

Leia mais aqui.

“O Corte”, de Costa-Gavras

Assisti na tarde de segunda-feira ao filme “O Corte”, de Constantin Costa-Gavras. É a história de Bruno Davert (interpretado por José Garcia), um típico pai de classe média na França, que era executivo de uma fábrica de papel mas foi demitido porque a empresa queria “cortar despesas”. Depois de passar dois anos e meio desempregado, decidiu solucionar o problema de forma drástica: eliminando – diga-se matando – seus prováveis concorrentes a uma vaga de emprego.

O filme começa com Davert fazendo uma “confissão” em um gravador, arrependido depois de ter cometido seu terceiro assassinato. Depois volta no tempo, ao ponto em que o ex-executivo toma a decisão de matar seus concorrentes. Aí Costa-Gavras pecou: poderia ter explorado mais o período em que Davert buscava emprego e fracassava nas entrevistas para mostrar melhor o drama do desemprego, que afeta também os países desenvolvidos.

Mas isto não impede que “O Corte” seja um bom filme, que sirva para fazer uma ótima reflexão sobre o mundo do trabalho na atualidade: para termos “sucesso”, devemos ser extremamente competitivos, precisamos viver para trabalhar. Era o que Davert fazia até sua demissão: o trabalho era sua vida, sem emprego ele se sentia uma pessoa “sem valor”. Personagem principal, Bruno Davert é um “anti-herói”: nos sensibilizamos com seu drama, mas ficamos chocados com o meio que ele utiliza para resolver seu problema, visto que seus concorrentes a uma vaga, “inimigos” no seu ponto de vista, são pessoas que também enfrentam o desemprego, algumas há até mais tempo do que ele.

Por fim, um diálogo que considero central no filme: quando Bruno Davert almoça com a esposa e os filhos, surge o questionamento sobre o fato dos meios utilizados serem ou não justificados pelos objetivos desejados. Logo vem uma resposta: “os fins não justificam os meios, exceto nas guerras”. Davert está em guerra, e fará qualquer coisa para conseguir um emprego.