Seja feliz: fracasse!

O Carlos Gerbase escreveu um texto sensacional no blog dele, que vale a pena ser lido.

E mais, faz pensar em como o chamado “sucesso” é artificial. Afinal, considera-se bem-sucedida a pessoa que se encaixa em um modelo predeterminado, de que é preciso ter isto, isso e aquilo. Quem não tem, é inapelavelmente rotulado como “fracassado”.

Como o Gerbase diz, o bem-sucedido atrai bastante gente. Todo mundo quer ser “amigo” dele. Porém, isso acaba no momento em que o fracasso começa a dar as caras. E aí ele percebe que os verdadeiros amigos eram aqueles de antes do sucesso, que provavelmente ele abandonou por ter de andar com “gente do seu nível”.

O bem-sucedido tem muitas mulheres à sua volta naquelas festas chatas em que só entra “gente de categoria”, provavelmente com peitos siliconados do tamanho de melancias. Mas, se o sucesso passar, também desaparecerão – tanto as melancias como os convites para as festas.

Aí será tarde demais para o ex-bem-sucedido perceber que era mais feliz nos tempos em que convivia com aqueles amigos fracassados.

Pois enquanto o bem-sucedido estava pensando em como obter mais sucesso, o fracassado bebia cerveja com os amigos de verdade. Tentava fazer algo que desse certo, que acabasse com a sequência de fracassos, mas, claro, se ferrava de novo. O que não era sinônimo de desistência: como escreveu o Gerbase, “um verdadeiro fracassado não se deixa abater”.

Acostumado com o fracasso, nem o temia mais. Enquanto isso o bem-sucedido passava noites sem dormir por medo de fracassar.