Fossa

Dois amigos conversam em uma mesa de bar.

– Meu coração está despedaçado!

– O que houve, cara? Levou um pé na bunda?

– Não, é pior que isso… Ela disse que vai votar na Ana Amélia!

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Sinais incontestáveis de que estou ficando velho

Por cerca de um ano e meio, o blog Cataclisma 14 publicou uma série de posts muito interessante sobre o tema “envelhecendo”. Claro que não falava sobre se estar entrando na terceira idade, mas sim de situações demonstrativas de que o camarada já é, realmente, adulto, já tendo portanto uma certa “experiência de vida”. (O que parece… “Papo de velho”!)

Como o pessoal do Cataclisma não retomou os posts “velhos”, eu faço isso, de uma vez só, e citando por experiência própria alguns sinais incontestáveis de que, feliz ou infelizmente, não sou mais jovem.

E mesmo que eu fale em primeira pessoa, quem assim como eu está por volta dos 30 anos – para mais ou para menos – e leu esse texto, certamente se identificou com algum item da lista acima…

Estou ficando velho

Por pouco não passei a meia-noite vendo DVDs do Arquivo X. Todas as possibilidades de sair de casa tanto minhas como do meu irmão Vinicius tinham ido por água abaixo – no meu caso, por causa de uma diarréia: não me agradava a idéia de toda hora precisar ir aos “banheiros atômicos” lá no Gasômetro. Até que, por volta das 9 da noite, nosso grande amigo Marcel nos chamou para esperarmos à meia-noite na casa da avó dele, que fica bem perto de onde moro. Para que eu fosse, avisou: “aqui tem cinco banheiros”. E fomos.

Esteve muito presente na conversa de nós três a expressão “estamos ficando velhos”: fiquei amigo do Marcel quando fomos colegas no 3º ano do 2º grau, em 1999 – ou seja, há nove anos. Quando penso que naquela época eu tinha 17 anos, que hoje tenho 26 e daqui mais nove terei 35, é impossível não dizer “puta que pariu, o tempo voa”. E sei que está cada vez mais próximo o momento em que eu, ao encerrar a leitura da Zero Hora (mesmo discordando, faço questão de ler o jornal, para poder criticar), me dirigirei à seção “Há 30 anos em ZH” e lerei a terrível frase: AS NOTÍCIAS ABAIXO FORAM PUBLICADAS NA EDIÇÃO DE QUINTA-FEIRA, 15 DE OUTUBRO DE 1981.

Lembram de tudo o que falavam do ano 2000? Que diziam que o mundo ia acabar? É… Lá se vão oito anos. E o tão falado “bug do ano 2000” não aconteceu: os computadores continuaram funcionando normalmente.

A última vez que a seleção principal da Argentina ganhou um título foi em 1993. Parece que foi ontem, mas já se passaram quase 15 anos.

Também é muito sintomático de que estou ficando velho o fato de meus ídolos recentes no futebol serem mais novos do que eu. Cito os exemplos de Carlos Eduardo e Anderson, nascidos respectivamente em 1987 e 1988.

E a minha primeira paixão? Ela tinha 18 anos, hoje tem 28 (e está casada). Aquela fossa que entrei quando ela me disse “não”… Foi há dez anos atrás!

Realmente, o tempo voa.

Grande Murphy

Há tempos eu sou fiel seguidor de Murphy.

O descobrimento de sua Lei mudou minha vida. São vários “artigos”, mas pode-se dizer que ela se resume à frase: “se algo pode dar errado, dará”.

Certa vez, em um período de fossa, afoguei minhas mágoas num copo de cerveja. Meu amigo Diego (do blog Pensamentos do Mal) estava no bar para ouvir meus lamentos sobre um amor frustrado. Falei que “o amor é regido pela Lei de Murphy”: foi só eu começar a gostar dela, que ela começou a gostar de outro (dica: se você é mulher e procura namorado, me conquiste mesmo que eu não seja o seu tipo, que logo aparece outro cara para você!). O Diego gostou tanto da frase que pediu uma caneta emprestada ao garçom, para anotá-la no guardanapo. Ele jura que guarda até hoje aquele guardanapo.

O reconhecimento da força da Lei de Murphy fez com que eu nunca mais sofresse por amor. Pois cada paixonite é uma fossa em potencial. Toda vez que me livrei de paixões frustradas, entendi o significado da palavra “liberdade”. E aprendi a amar minha liberdade acima de tudo. Pois este amor não me deixa na fossa.

Mas eu não quero simplesmente falar de amor.

Em conversa com amigos ontem, eles achavam que era exagero eu comentar que o meu pai disse sentir “cheiro de 64”. Afinal, os tempos são outros: a Guerra Fria acabou, o Lula não é socialista, não há uma crise generalizada como em 1964, etc.

Pois bem: realmente parece exagero da minha parte escrever diversos textos “convocando à resistência”. Mas, como disse o Celso Lungaretti, não devemos subestimar a extrema-direita. Conforme o penúltimo parágrafo do texto dele, Há uma lâmina suspensa sobre nossa democracia. Poderá jamais ser acionada. Mas, melhor do que rezarmos para que não aconteça o pior, é desarmarmos o quanto antes essa guilhotina.

Assim como o fato de eu declarar amor incondicional à minha liberdade não impede que eu venha a me apaixonar (se será uma “guilhotina” só as conseqüências, felizes ou tristes, poderão dizer), o fato de poucos apoiarem um golpe não quer dizer que não haja a mínima chance dele acontecer. Não esqueçamos de Murphy.

Até porque eu também amo incondicionalmente a liberdade de expressão.

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Frase do dia: Se eu levasse um fora hoje e ele fosse noticiado, amanhã os jornais publicariam editoriais culpando o Lula.