Blog em processo de fusão

E não é com outro blog. É fenômeno físico mesmo: derretimento.

Com esse calor desgraçado em Porto Alegre, não consigo pensar direito. Pior que tinha um post interessante para terminar e publicar hoje, mas simplesmente não conseguia me concentrar (sem contar que o WordPress anda mais lento que o trânsito dessa cidade infernal). A única coisa que me lembrava era do que sofri na tarde de hoje, e percebia que ainda tem a tarde de amanhã, de quarta, e muitas outras até meu adorado 20 de março.

Assim, espero retomar o ritmo normal na quarta, caso caia a tão desejada chuva. Ou, quando me acostumar com esse tormento… Tudo isso, claro, pressupondo que eu não encarnarei o personagem de Michael Douglas no filme “Um Dia de Fúria” (1993).

Ah, e antes de qualquer coisa: prefiro ser “rabugento” do que fingir felicidade com esse tempo insuportável!

Faltam 178 dias para o outono

Pois é… Agora é fazer contagem regressiva para o retorno da melhor época do ano. Na qual a noite dura mais que o dia e o Sol não é meu inimigo. Pesquisas dizem que “o inverno deprime”¹ devido à falta de luz solar (ainda mais combinada com chuva), mas não lhes dou a mínima credibilidade: acho dias chuvosos um saco, mas existe o guarda-chuva para evitar que eu me molhe todo; em compensação, ainda não inventaram um “guarda-suor” para usar naqueles terríveis dias de verão em Porto Alegre – que não por acaso vira “Forno Alegre” nos meses mais quentes.

E por falar em chuva, o inverno que acabou na madrugada da sexta-feira foi uma verdadeira “prova de fogo” (ou melhor, de “água”), pois choveu uma barbaridade. Mas sigo firme, preferindo usar guarda-chuva a suar feito Ted Strike (personagem de Robert Hays que aterrissa o avião, encharcado de suor, em “Apertem os cintos, o piloto sumiu!”). E quanto ao fato de ter pego três² resfriados (sendo que o segundo deles resultou numa otite média), uma gripe e uma amigdalite no período de maio a setembro, não culpo o inverno: quem me mandou não tomar os cuidados necessários?

Exato: mudar de ideia, para mim, não é como trocar de roupa. Alguns chamarão isso de “teimosia” (pode até ser), mas prefiro ver como “opinião firme”. Que não é imune a mudanças, é claro.

Porém, morando em Porto Alegre, onde no verão faz bem mais de 30°C em conjunto com índices de umidade do ar superiores a 500%, e sem possibilidade de se refrescar no Guaíba, vejo a dicotomia inverno x verão como a rivalidade Gre-Nal: eu mudar de “opinião climática” seria como mudar de time! Ainda mais que o inverno porto-alegrense não é um transtorno: a neve é raríssima, e quando cai, é escassa; já no Canadá ou na Sibéria, o acúmulo não se mede em centímetros, e sim em metros – isso sim é um incômodo. E quanto ao sofrimento que o inverno representa para os mais pobres, não nego de forma alguma, mas acho interessante lembrar que na Escandinávia faz muito mais frio que aqui, só que lá isso não é uma tragédia social, justamente porque naqueles países a desigualdade não é absurda como no Brasil.

Mas uma coisa não muda de jeito nenhum: minha preferência pela luz solar mais fraca, que não torra minha pele (e nem adianta passar protetor, eu suo tudo!). Além do fato de adorar a noite: o nome do blog e a Lua no cabeçalho não são obras do acaso.

Então, contemos: faltam 178 dias para o outono. Tentando pensar positivo (sei que fica bem difícil quando “esquecem aberta a porta do forno”), pois a cada dia que passa o número fica menor. E logo chegaremos ao sonhado 20 de março de 2012, melhor dia do ano que vem.

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¹ Por falar em “depressão”, o leitor reparou que a palavra rima com “verão”?

² O terceiro resfriado começou na noite da quinta-feira, a última do inverno, e agora avança primavera adentro… Culpa dela? Óbvio que não: a culpa é minha!

Não estou com a mínima saudade do verão

A “moda” entre os gaúchos nas redes sociais (Twitter, Facebook etc.), no momento, é reclamar do frio intenso que vem atingindo o sul do Brasil nos últimos dias. Além de torcer para que o verão chegue logo.

Não tenho achado nada fácil sair do banho, levantar da cama e, principalmente, “passar um fax” com todo esse frio. E sei que tem muita gente dormindo nas ruas, quase congelando – só que, sempre gosto de lembrar, isso não é culpa do inverno.

Ainda assim, não estou com a mínima saudade do verão, que me causa um desconforto imensamente maior que o frio dos últimos dias. Banhos de suor, gasto excessivo de energia com ventilador e/ou ar condicionado (sem isso é impossível dormir), sol inclemente… Aliás, cientista que afirma ser a falta de luz solar uma causa de depressão, só pode ser vendido para a indústria do verão*, ou desprezar as exceções à regra (será que realmente são exceções?). Afinal, me sinto mais atraído pela noite (tanto que a Lua tá lá no cabeçalho do blog) do que pelo dia.

E, pior ainda, é gente incoerente. Agora, reclama do frio e pede verão, mas quando ele chega, se queixa do calor… Quem não aguenta mais o inverno, mas não reclama do verão mesmo nos dias mais tórridos, tem todo o meu respeito (apesar da minha discordância climática). Agora, para os de memória curta que torcem para o verão chegar logo mas dentro de alguns meses estarão reclamando do calor, recomendo o vídeo abaixo:

Sim, dias como 3 de fevereiro de 2010 são exceção (afinal, o Batista não desmaia em todos os jogos que comenta durante o verão). Mas essa cena é muito simbólica do que é aquela época em Forno Alegre…

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* A propaganda (enganosa) só fala em sol, mas o verão me lembra mesmo é chuvaradas, como aquelas que causaram várias tragédias no Rio de Janeiro (mas reconheço que a culpa não é do clima).

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Atualização (07/07/2011, 23:29). Domingo tem jogo do Grêmio, e deve fazer um calorão em Porto Alegre, acima de 20°C! Batista que se cuide, caso ele seja escalado para comentar a partida…

Forno “alegre”

Fui encontrar uma turma de amigos em uma pastelaria, na Zona Norte de Porto Alegre. Só o fato de lá não ter sequer um ventilador faz com que não seja um ponto de encontro recomendável num dia como foi esta quarta-feira…

Mas o mais bizarro estava reservado para depois. Voltei de carona, o ar condicionado do carro a milhão. Ao chegar na minha casa, abri a porta e minha visão simplesmente desapareceu.

Traduzindo: o bafo da rua embaçou completamente meus óculos.

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Se serve de consolo, faltam 74 dias para o outono.

Começa oficialmente mais um verão

E com isso, republico (com uma devida atualização) a lista dos motivos pelos quais prefiro o inverno ao verão, que postei pela primeira vez em julho.

  1. Odeio suar o tempo inteiro.
  2. O Sol não é meu inimigo no inverno – no verão nem adianta me encher de protetor, eu suo tudo.
  3. Os principais eventos esportivos (Copa do Mundo, Jogos Olímpicos, Copa América, Eurocopa etc.) acontecem entre junho e agosto, meses mais frios do ano no hemisfério sul.
  4. O Natal é no verão.
  5. O programa mais imbecil da televisão brasileira passa sempre no verão. Claro que não o assisto, mas me dá nojo ver como “o Brasil para” por causa desse lixo.
  6. No verão, eu bebo cerveja e suo. No inverno, ela me aquece (e não venham me dizer que isso é contradição: se for por isso, quem gosta do calor não devia ligar ventilador).
  7. Vinho não combina com 35°C.
  8. Economia de energia: no inverno não preciso ligar ventilador nem ar condicionado.
  9. Assistir a um filme enrolado num cobertor é muito bom!
  10. Verão no Rio Grande do Sul + futebol = Campeonato Gaúcho.
  11. Os mosquitos (espécie animal mais mala que existe) sofrem com o frio.
  12. Baratas, idem.
  13. A babaquice de algumas propagandas de cerveja aumenta exponencialmente no verão.
  14. Até o calor do inverno é melhor: tem dias que faz mais de 30°C e eu não suo, devido à baixa umidade (o que é raro no verão).
  15. Dizer que o nosso inverno é horrível é exagero dos bons: nunca se considerou Porto Alegre o lugar mais frio do mundo num dia. Agora, mais quente, sim… Inverno frio demais, é na Antártida ou na Sibéria.
  16. Não temo pelo meu computador em dias frios.
  17. Menos gente lê o Cão Uivador no verão.
  18. Comer chocolate no verão é um problema: ele fica todo molengão.

Parou por aí, porque por enquanto não lembrei de mais nenhum motivo – que poderá vir nos comentários.

Alguém poderá citar o sofrimento das pessoas mais pobres com o frio como motivo para preferir o verão, e a minha resposta é: a culpa não é do inverno!

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Menos mal que, de acordo com as previsões, o fenômeno La Niña vai deixar o tempo menos úmido por aqui. Pois o que faz o verão ser terrível em #fornoalegre não é simplesmente o calor, e sim a umidade elevadíssima. A ponto de muitas vezes uma caminhadinha de 50 metros se traduzir num banho de suor, mesmo que a temperatura esteja abaixo de 30°C.

Uma pena que o La Niña seja também ruim para a agricultura, por provocar estiagem. Mas não podemos simplesmente culpar o clima pelos problemas da agricultura.

De qualquer jeito, seja o calor seco ou úmido, começa junto com o verão a minha contagem regressiva para o outono: faltam 89 dias!

Os “atletas de verão”

Incrível: basta dar um dia de calor, que vai todo mundo pros parques caminhar ou correr.

Caminhar faz bem à saúde: afinal, movimentando o corpo, fazemos o sangue circular, eliminamos colesterol… Tanto que os médicos sempre recomendam ao menos que seus pacientes caminhem bastante. É até melhor do que correr – inclusive porque isso depende muito do fôlego do camarada: se for gordinho é mais complicado; depois de jogar fora alguns dos quilos excessivos, aí fica melhor.

Porém, onde estão todos os “fora de forma” durante o inverno? Em geral, comendo (e me refiro à alimentação). Só lembram de fazer algum exercício quando a temperatura sobe.

E aí é muito fácil perceber que essas pessoas não estão tão preocupadas assim com sua “saúde”, ela é apenas uma desculpa. O que querem mesmo é “preparar o corpo para o verão”, para poderem se exibir na praia. Mais do que um lugar para se fugir do calor insuportável da cidade grande, ela também é uma espécie de “mercado de corpos”, no qual tem maior valor o corpo mais “sarado”.

Daí as academias de ginástica começarem a ter mais movimento quando começa a primavera: em tese nada impede um friorento (que tenha condições de pagar, é óbvio) de se exercitar durante o inverno em Porto Alegre, já que as academias geralmente têm ar condicionado. Num parque como a Redenção é mais complicado, reconheço, pois as chuvas de inverno não costumam passar tão rápido quanto as de verão; e com a maravilhosa drenagem do parque, tudo fica enlameado por vários dias após a chuva parar – o que impediu que eu caminhasse mais vezes durante o inverno.

Mas, mesmo os que podem pagar por uma academia esquecem de sua “saúde” já no outono. Usam a desculpa do frio para ficarem em casa, parados, comendo, e reclamando que o inverno não termina nunca… Como se uma boa caminhada não esquentasse o corpo a ponto de até sentirem menos frio. (Aliás, acho bem melhor caminhar no frio, aquecendo o corpo mas sem suar em demasia como no verão.)

E aí, quando chega a primavera, vão correndo se exercitar para mostrarem sua “saúde”, recuperando assim o tempo perdido que o inverno a preguiça impôs.