Como o futebol explica o Brasil

Antes que alguém me pergunte: sim, o título é descaradamente inspirado no excelente livro “Como o futebol explica o mundo”, do jornalista estadunidense Franklin Foer. Pois, de fato, o futebol nos ajuda a entender melhor o mundo, e claro, o Brasil.

O futebol brasileiro sintetiza muito bem o que é o Brasil enquanto sociedade: gritantemente injusto. Quem tem mais pode mais: seja passando por cima das leis, seja usando-as apenas em seu favor, e não em nome de verdadeira justiça.

E, do ponto de vista legal, a decisão tomada pelo STJD ontem à noite foi corretíssima. Portuguesa e Flamengo tiveram jogadores atuando de forma irregular na última rodada do Campeonato Brasileiro, e por conta disso perderam os pontos conquistados em suas partidas, mais três como punição. Com isso, a classificação final do campeonato foi alterada: o Flamengo, que acabara em 11º lugar com 49 pontos, ficou em 16º, com 45; já a Lusa, que terminara em 13º com 48, caiu para o 17º, com 44; e o Fluminense, que com seus 46 pontos ficara em 17º, “ultrapassou” Flamengo e Portuguesa, acabando em 15º na “nova” classificação final e mantendo-se na Série A – quem se ferrou (embora ainda haja possibilidade de recurso) foi a Lusa, rebaixada à Série B de 2014.

Porém, há um outro ponto de vista a ser analisado nesta questão: o da justiça.

Mais do que o talento de nossos jogadores (como se o Brasil fosse o único país do mundo onde se formam grandes craques), a verdadeira “marca registrada” do futebol brasileiro chama-se politicagem. Ela é praticamente uma instituição.

Até o início da década de 2000, rasgar os regulamentos das competições nacionais era algo tão corriqueiro que só faltava… Fazer parte dos regulamentos. Em especial, no tocante ao rebaixamento. Era pedra cantada: caso um grande clube caísse de divisão, seria beneficiado de alguma maneira, seja com “virada de mesa” pura e simples, seja com outras manobras.

Em 1991, o Grêmio acabou em 19º lugar no Campeonato Brasileiro (disputado por 20 clubes) e, com isso, foi rebaixado à Série B. Não houve “virada de mesa” propriamente dita, e o Tricolor disputou a “segundona” no ano seguinte. Porém, antes do torneio começar, a CBF resolveu nos facilitar as coisas: ao invés de classificar apenas o campeão e o vice para a Série A de 1993, a Série B de 1992 promoveria 12 equipes. Com isso, o Grêmio sequer se esforçou em ganhar o título e acabou em 9º lugar. Com o Tricolor de volta à primeira divisão, a CBF consertou a “gambiarra” rebaixando oito clubes à Série B de 1994, mas com um detalhe: dividiu os 32 participantes do (literalmente) Brasileirão de 1993 em quatro grupos formados por oito times cada, mas cairiam apenas os quatro piores dos grupos C e D; os integrantes do Clube dos 13 ficaram nos grupos A e B, que não rebaixariam ninguém… Com isso, o Atlético-MG acabou em 32º lugar (ou seja, na lanterna) e não caiu, enquanto seu rival América-MG ficou em 16º e foi rebaixado.

Mas nenhum clube foi tão beneficiado quanto o Fluminense. Começou em 1996, quando o regulamento do Campeonato Brasileiro era simples: os 24 participantes se enfrentavam em turno único na fase inicial, os oito primeiros iriam às finais e os dois últimos seriam rebaixados à Série B, sem proteção aos “grandes”, em tese. E o Flu acabou em 23º… Após o jogo, Renato Portaluppi (que na reta final foi improvisado como técnico) não teve vergonha alguma de falar em “virada de mesa” para o Fluminense não jogar a “segundona” no ano seguinte.

Mas, em maio de 1997 foi denunciado um esquema de corrupção envolvendo árbitros que teria beneficiado Corinthians e Atlético-PR na Copa do Brasil daquele ano. A CBF reagiu suspendendo o Furacão de todas as competições nacionais por dois anos, e rebaixando-o para a segunda divisão; mas nada foi feito com o Corinthians… Com isso, abriu-se uma vaga na Série A, e o bom senso indicava que ela deveria ficar com o Náutico, 3º colocado na Série B de 1996. Acontece que no Brasil o futebol é regido por outra lógica, que não anda junto com o bom senso: faltando cerca de duas semanas para o início do campeonato de 1997, a CBF voltou atrás na punição ao Atlético-PR, penalizando-o apenas com a perda de cinco pontos (e o Corinthians continuou “ileso”, é claro); aproveitou para reconduzir o Fluminense e o Bragantino (o outro rebaixado de 1996) à Série A, aumentando o número de participantes para 26.

Nas Laranjeiras, dirigentes do Fluminense estouraram champanhas, mas meses depois tiveram de amargar um novo rebaixamento, após o time ficar em 25º lugar e passar o campeonato inteiro ouvindo o coro “ão ão ão, segunda divisão”. Em 1998 não teve jeito, e o Flu disputou a Série B. Teria de tentar voltar jogando bola, sem canetaço. Não conseguiu, e fez pior: caiu para a Série C.

Novos rumores de “virada de mesa” semelhante à de 1997 surgiram, mas o Flu jogou a “terceirona” em 1999, sendo campeão e retornando à segunda divisão como tinha de ser: no campo. Parecia, felizmente, que a era das “viradas de mesa” estava sepultada.

Porém, a maior delas apenas estava por vir. Devido a uma pendenga judicial envolvendo o Gama e a CBF, esta foi impedida de organizar o Campeonato Brasileiro de 2000 sem incluir o clube de Brasília na Série A. O Clube dos 13 decidiu assumir a bronca, organizando a Copa João Havelange, torneio que excluiria o Gama – que obteve nova liminar, desta vez contra o próprio Clube dos 13. Para evitar a paralisação total do futebol nacional no segundo semestre de 2000 se chegou a um “acordão” e, como diz o ditado, “acabou tudo em pizza”: o Gama foi incluído naquele verdadeiro monstrengo que era a Copa João Havelange, que parecia ter três divisões mas na prática era apenas um campeonato de 116 participantes divididos em quatro módulos, com todos eles concorrendo ao título máximo do futebol brasileiro. O azul, com 25 equipes, era como se fosse a primeira divisão, por reunir a maior parte dos clubes que estavam na Série A de 1999. Mas nele também estavam times que deveriam jogar a Série B em 2000 caso não houvesse toda aquela confusão, dentre eles o Fluminense… Que assim voltou a primeira divisão, simplesmente “pulando” a segunda.

Desde então, o Flu não mais saiu da Série A, mesmo ainda “devendo” dois anos de “segundona” (além de 2000, tem aquela de 1997). Mas, também não houve mais “viradas de mesa” de 2001 em diante: todos os clubes rebaixados disputaram a Série B no ano seguinte, mesmo os “grandes” – que cumpriram seu papel, retornando à primeira divisão no campo.

Na letra fria da lei, os regulamentos nunca mais deixaram de ser cumpridos. Agora em 2013, por exemplo, a Portuguesa realmente cometeu uma infração, recebeu a punição prevista e, por conta disso, deverá jogar a Série B em 2014.

Porém, faltou levar algo em conta: a irrelevância desta infração para o resultado final do campeonato. Pois o atleta que gerou a punição só jogou por alguns minutos contra o Grêmio, na última rodada, quando mesmo uma derrota não teria rebaixado a Lusa devido à derrota de 5 a 1 do Vasco para o Atlético-PR naquela batalha campal, além de outros resultados paralelos; o Fluminense, por sua vez, não podia alcançar a Portuguesa. O Grêmio é que poderia alegar algum prejuízo, pois se perdesse não teria obtido classificação direta para a fase de grupos da Libertadores, devido à vitória do Furacão. Mas, a partida acabou em 0 a 0, e com isso os dois times ficaram satisfeitos: a Portuguesa (que continuou – ou teria continuado – na Série A) e o Grêmio (vice-campeão brasileiro e classificado direto para a fase de grupos da Libertadores). A propósito: se a Lusa perdeu o ponto conquistado pelo empate (além dos três extras), o Grêmio não deveria ter ganho mais dois pontos, como se tivesse vencido?

“Ah, mas isso é implicância com o Fluminense, pois o Flamengo também foi punido, não houve proteção aos grandes”. De novo, por um motivo irrelevante: o Fla já tinha classificação à Libertadores garantida como campeão da Copa do Brasil e não corria mais risco de cair; já o adversário era o Cruzeiro, campeão com quatro rodadas de antecedência. O resultado daquele jogo (que acabou empatado em 1 a 1) em nada mudaria o campeonato. E, de novo: se o Flamengo perdeu o ponto do empate (além dos três extras), o Cruzeiro não deveria ter ganho mais dois pontos, como se tivesse vencido?

Acontece que é difícil acreditar que o Flamengo teria perdido os pontos caso corresse risco de ser rebaixado com a punição, ou se não houvesse o caso da Portuguesa, esta sim podendo cair e com isso livrar o Fluminense. Como, aliás, costuma acontecer no Brasil: bem diz o ditado que “a corda sempre arrebenta do lado mais fraco”. Ou, do menos forte: o “mensalão do PT” foi julgado e já temos presos em consequência disso, mas outro “mensalão”, aquele do PSDB, aconteceu antes e ainda não foi julgado… Alguma surpresa?

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A grande palhaçada do Brasileirão

Está complicado o futebol brasileiro ultimamente… Nem falo da Seleção (para a qual não dou a mínima), e sim, do Campeonato Brasileiro.

Dizer que o Fluminense está sendo beneficiado é complicado. Seria preciso ter provas de que os seguidos erros de arbitragem têm por objetivo facilitar o caminho do Flu rumo a mais um título – que, convenhamos, o clube carioca conquistaria de qualquer forma, por ser indiscutivelmente o melhor time do Brasil.

O problema é que agora, não querem nem que se insinue isso. Já foi o que vimos em um jogo do Náutico nos Aflitos, no qual o árbitro Leandro Vuaden só apitou o início da partida depois que a polícia retirou uma faixa de protesto que dizia “Não vão nos derrubar no apito” (referência ao absurdo pênalti não marcado a favor do clube pernambucano no jogo contra o Fluminense, no Rio). E por conta da torcida do Atlético-MG ter formado um mosaico nas cores do Flu e com a inscrição “CBF” de cabeça para baixo no jogo contra o mesmo clube carioca, o Galo foi denunciado no STJD.

Assim o leitor deve estar pensando: “bom, então é óbvio que o Flu está sendo ajudado”. Bom, de fato está, mas não exatamente por um “apito amigo”, e sim, por um “apito ruim”. Pois a arbitragem no Brasileirão é calamitosa. Como bem provou o acontecido no jogo do Inter contra o Palmeiras, sábado passado: o árbitro Francisco Carlos Nascimento inicialmente validou o gol que Barcos claramente marcou com a mão, para depois voltar atrás, alertado pelo quarto árbitro (e os bandeirinhas e os juízes de linha de fundo servem para quê?); pior, não deu cartão amarelo para o argentino.

Logo surgiu a polêmica de que o quarto árbitro teria visto o lance pela televisão – o que a regra proíbe. Ora, é impossível provar que ele sofreu ou não influências externas. Mas, o que aconteceu? O STJD decidiu deixar sub judice os pontos da partida, que poderá ser jogada novamente.

Alguém pode alegar, então, que o Palmeiras é beneficiado, e os adversários dele na briga contra o rebaixamento são prejudicados. De fato, isso está acontecendo. Mas é o futebol brasileiro como um todo que perde. E muito.

Libertadores só no rádio?

Em 2012, diferentemente de outros anos, quem quiser assistir à Libertadores não deve sintonizar sua televisão no Sportv. Os direitos de transmissão por TV fechada para o Brasil pertencem à Fox Sports. Na televisão aberta, a Globo transmitirá os jogos de quarta-feira à noite.

A Fox Sports estreou há poucos dias a sua programação brasileira, já de olho na audiência da Libertadores. Porém, até agora, o canal não está disponível nas principais operadoras de televisão por assinatura, Net e Sky. As negociações para que o novo canal seja exibido parecem longe do fim (há quem ache que é vingança da Globo, o que não é de se duvidar), e por conta disso, ao torcedor do Fluminense que não foi ao Engenhão só resta uma alternativa para acompanhar a estreia de seu time contra o Arsenal de Sarandí (Argentina): o rádio. A não ser que haja bares que assinam operadoras menores que têm a Fox Sports em sua programação.

Certamente os torcedores do Fluminense não são os únicos que torcem para que haja logo um acordo de modo a disponibilizar a Fox Sports nas principais operadoras de televisão por assinatura. Afinal, se depender da Globo, dificilmente se poderá assistir a algum jogo da Libertadores que não envolva Corinthians ou Flamengo (que por terem as maiores torcidas, são prioridade da emissora por “darem mais audiência”). Ruim para quem gosta de futebol e por conta disso adora assistir a jogos de Libertadores, pior ainda para os torcedores dos demais clubes brasileiros na disputa.

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Tudo isso me fez, imediatamente, lembrar da Libertadores de 2002, competição na qual o Grêmio era um dos favoritos ao título. Os direitos de transmissão pertenciam ao canal PSN (Panamerican Sports Networks); nem a televisão aberta (leia-se Globo) passava as partidas, mesmo com o Flamengo jogando aquela Libertadores. Porém, o PSN fechou as portas no começo daquele ano, deixando os torcedores brasileiros na mão: restava apenas o rádio para acompanhar os jogos, devido à confusão quanto aos direitos de transmissão para o Brasil. Foi quando tive a experiência extremamente agonizante de acompanhar uma partida de volta de quartas-de-final pelo rádio: o Grêmio tinha vencido o primeiro jogo contra o Nacional de Montevidéu por 1 a 0, e assim, podia empatar no Centenário para seguir adiante; derrota por um gol de diferença levaria aos pênaltis, e por dois gols significaria adeus. O Nacional fez 1 a 0, mas o Grêmio empatou e se classificou para enfrentar o Olímpia na semifinal.

Quando o Tricolor entrou em campo no Defensores del Chaco, já tinham se passado quase dois meses daquele jogo contra o Nacional. A Copa do Mundo de 2002 também já era passado. E, enfim, a televisão mostrava o jogo… Deu azar: o Grêmio perdeu por 3 a 2; e na partida de volta, disputada no Olímpico, venceu por 1 a 0 mas acabou eliminado nos pênaltis.

Para ganhar a Libertadores, é bom perder o Brasileirão

Foi por pouco. O Fluminense se classificou na Libertadores de forma dramática na quarta-feira, ao bater o Argentinos Juniors por 4 a 2, com o último gol, marcado de pênalti por Fred aos 42 do 2º tempo, sendo o salvador – até ali o Flu estava eliminado.

Desde 2002 o campeão brasileiro não é eliminado na fase de grupos da Libertadores, tabu que persiste graças à inacreditável classificação do Fluminense. Naquele ano, o Atlético-PR, que havia conquistado com todos os méritos o Campeonato Brasileiro de 2001, fracassou de forma retumbante na competição sul-americana: em seis jogos, venceu apenas um, e acabou na lanterna de seu grupo. Para se ter uma ideia, na estreia o Furacão conseguiu perder – em casa, não em La Paz – para o Bolívar.

Mas ainda que tenha se classificado para as oitavas-de-final, o Flu terá de lutar contra as estatísticas: a maior parte dos clubes brasileiros campeões da Libertadores não havia conquistado o Campeonato Brasileiro do ano anterior. Vejamos como os clubes do Brasil que ganharam a competição obtiveram o direito de disputá-la naqueles anos:

  • 1962: Santos – campeão da Taça Brasil de 1961;
  • 1963: Santos – campeão da Libertadores anterior (e também da Taça Brasil de 1962);
  • 1976: Cruzeiro – vice-campeão brasileiro de 1975;
  • 1981: Flamengo – campeão brasileiro de 1980;
  • 1983: Grêmio – vice-campeão brasileiro de 1982;
  • 1992: São Paulo – campeão brasileiro de 1991;
  • 1993: São Paulo – campeão da Libertadores anterior;
  • 1995: Grêmio – campeão da Copa do Brasil de 1994;
  • 1997: Cruzeiro – campeão da Copa do Brasil de 1996;
  • 1998: Vasco – campeão brasileiro de 1997;
  • 1999: Palmeiras – campeão da Copa do Brasil de 1998;
  • 2005: São Paulo – 3º lugar no Campeonato Brasileiro de 2004;
  • 2006: Internacional – vice-campeão brasileiro de 2005;
  • 2010: Internacional – vice-campeão brasileiro de 2009.

Perceba que, nas 14 ocasiões em que o campeão da Libertadores foi um clube do Brasil, só em cinco ele era também o campeão brasileiro* – e em uma dessas ocasiões, em 1963, o Santos já garantira presença por ter ganho a Libertadores anterior. E o último vencedor do Brasileirão a ganhar a Libertadores no ano seguinte foi o Vasco, campeão nacional de 1997 e continental de 1998 (num raro caso de ótimo ano do centenário). Desde então, a melhor campanha de um campeão brasileiro na Libertadores foi a do Santos em 2003, vice-campeão diante do Boca Juniors.

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* Considerei a Taça Brasil como título nacional, não pelo “selo CBF” que ela recebeu no final do ano passado, e sim, porque na época seu vencedor era, sim, considerado campeão brasileiro. Como prova a manchete da Folha da Tarde Esportiva do dia 10 de abril de 1967: na véspera, o Internacional vencera o Cruzeiro (campeão da Taça Brasil de 1966) em jogo válido pelo “Robertão”, e o jornal mancheteou que o Inter havia batido o “campeão do Brasil”.

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Atualização (22/04/2011, 14:02): Apesar de eu já ter esse texto na cabeça desde quarta (mas prevendo que falaria sobre a eliminação do Fluminense…), foi o levantamento do Carta na Manga sobre mitos e clichês dos mata-matas da Libertadores que me levou a escrever as linhas acima. A propósito, pelas estatísticas dos últimos dez anos, se para ganhar a Libertadores é bom perder o Brasileirão, é imprescindível não ser o melhor time da fase de grupos.

É muito bom ser gremista

15 de dezembro de 1996. Decisão do Campeonato Brasileiro. O Grêmio vencia a Portuguesa por 1 a 0, mas não era o suficiente. Faltava mais um gol. E não parecia que ele ia sair: a Lusa não só se fechava toda na defesa, como levava algum perigo nos contra-ataques.

Então, Felipão chamou Aílton para o jogo. A torcida só não vaiou porque era final do Brasileirão, não era hora de cornetear (e, sinceramente, enquanto a bola rola nunca é hora de cornetear). De repente passou pela minha cabeça um pensamento (sério, não estou inventando isso): “o Aílton vai fazer o gol do título”.

Tinha ido ao jogo junto com a minha mãe, o Diego e mais amigos. Pouco depois que Aílton entrou, minha mãe se virou pra mim e disse: “vamos embora”. E eu na hora respondi: “nem pensar, ainda tem bastante tempo”.

Como vocês percebem, minha boca foi “santa”…

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16 de julho de 2006. Contra o Fluminense, pelo Campeonato Brasileiro, o Grêmio jogava sua primeira partida no Olímpico após a Copa do Mundo da Alemanha. Saiu na frente, chegando a abrir 2 a 0 aos 22 minutos do segundo tempo. Mas permitiu a virada do Flu: 4 a 2.

Indignado, meu amigo Marcel propôs que fôssemos embora. Eu, que não estava menos furioso, aceitei a sugestão, e deixamos o Olímpico antes do apito final. Graças a isso, perdemos os gols de Herrera e Rômulo, marcados nos acréscimos, que decretaram o empate em 4 a 4.

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Depois dos exemplos de 1996 e 2006, é claro que eu não deixaria o Olímpico antes do apito final…

Mas não podemos nos iludir: o Grêmio jogou muito mal, e só conseguiu empatar graças ao próprio Caxias, que no segundo tempo decidiu não jogar mais futebol. Tivesse jogado, ao invés de fazer cera, o árbitro não teria dado oito minutos de acréscimo (e foi pouco, poderiam ter sido mais de dez), e consequentemente o título do primeiro turno do Gauchão iria para Caxias do Sul.

Mesmo assim, digo: é muito bom ser gremista!

A maior tradição do futebol brasileiro

Engana-se quem pensa que vou falar de “futebol-arte” e coisa parecida. Pois isso nem é exclusividade do Brasil: se o que Maradona jogava (e agora Messi joga) não se encaixa nesse conceito de “arte” do qual falam tantos opinistas, não sei mais o que é “futebol bonito”.

A maior tradição do futebol brasileiro chama-se politicagem. Nisso sim, somos inigualáveis. Tanto que, depois de relativa calma nos últimos anos, os clubes trataram de lembrar “os velhos tempos”, com o racha no Clube dos 13 e a possibilidade de acertos em separado com duas emissoras de televisão para a transmissão do Campeonato Brasileiro de 2012 (fim do mundo?) em diante. (E o Grêmio vai negociar diretamente com a Globo, ou seja, provavelmente ainda teremos por um bom tempo os jogos no maldito horário das 21h50min, sem contar que se manterá o monopólio “global”; e além de tudo, isso poderá ser muito prejudicial ao Tricolor, com clubes do eixo Rio-São Paulo recebendo mais que o Grêmio numa proporção muito superior à da atualidade.)

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Quando eu “liguei a enxuta”

Depois da hilária série “Top 10 – Humilhações”, com posts sobre os maiores vexames dos grandes clubes brasileiros, o Impedimento lançou uma nova, dedicada apenas ao que o torcedor mais faz no futebol, além de torcer: secar.

Cheguei a fazer uma lista preliminar das minhas maiores secadas, mas agora a completo. E boa parte das referentes ao Inter é dessa década: afinal, os anos 90 foram gremistas, não era preciso secar muito… Era muito fácil o Inter perder quando os colorados mais acreditavam naquele ditado de que “agora, vai”.

Vale a pena chamar a atenção também que não só o Inter foi alvo da minha secação, como vocês verão – e elas nem sempre aconteceram por motivos meramente futebolísticos. Mas nenhum time foi mais secado do que o da beira do rio, afinal, eu tenho “inimigo na trincheira”: modéstia a parte, eu sou um herói por aguentar o meu irmão Vinicius (colorado mais chato da face da Terra) por tanto tempo sem lhe dar sequer um soquinho. Creio que a melhor maneira de suportar isso é… Secando!

Então, vamos ao meu “Top 10 – Secadas”.

10. Flamengo 1 x 0 Inter (13/12/1987)

Eu assisti o jogo decisivo do Campeonato Brasileiro junto com o meu pai e o meu irmão, os dois colorados. Se bem que o meu irmão tinha só 2 anos e meio, assim, ainda não incomodava.

Não que tenha sido uma grande secada, mas é a mais antiga que eu lembro, então precisa estar na lista.

9. Bragantino 1 x 0 Inter (24/11/1996)

Essa entra não tanto pela secada, e sim pelo “ato coletivo”.

Jogavam Grêmio e Goiás no Estádio Olímpico, e ao mesmo tempo, Bragantino e Inter em Bragança Paulista. Já classificado para as finais do Campeonato Brasileiro, o Grêmio jogou um dos piores primeiros tempos que já vi (provavelmente foi o pior daquele glorioso ano de 1996), foi para o intervalo levando 3 a 0, debaixo de vaias. Um vexame digno do “Top 10 – Humilhações” parecia se anunciar. Mas aquele era o Grêmio do Felipão. Sabe-se lá que impropérios o treinador falou no vestiário, mas o time voltou melhor no segundo tempo, e até fez um gol. O Goiás seguia na frente, com 3 a 1 no placar.

Porém, naquele momento a atenção se voltava a Bragança Paulista. O Inter precisava vencer um adversário já rebaixado para também ir às finais – se empatasse dependeria de resultados paralelos (dentre os quais, uma vitória do Grêmio seria bem-vinda). Os colorados já se sentiam jogando em Tóquio em dezembro de 1997. Só esqueceram de avisar o Bragantino, que venceu por 1 a 0.

No Olímpico, o jogo já era burocrático: o resultado era bom para o Goiás, que se classificava; e o Grêmio só esperava seu adversário nas quartas-de-final. E ainda por cima, o Inter estava fora. Numa jogada de mestre, o responsável pelo placar do Olímpico fez com que o letreiro passasse a exibir os dizeres “TORCEDOR GREMISTA, ‘ELES’ ESTÃO FORA”. Assim os gremistas que já pensavam em vaiar o time ao final do jogo (até eu vaiaria!), saíram do estádio felizes da vida, cantando músicas que debochavam dos vermelhinhos.

8. São Caetano 5 x 0 Inter (13/12/2003)

Eu não vi, não ouvi, nem prestei atenção em boa parte deste jogo da última rodada do Campeonato Brasileiro. Tinha uma atividade no PT (velhos tempos de filiado no PT…) que começava aproximadamente junto com o segundo tempo. Quando saí de casa e me dirigi à avenida João Pessoa, o São Caetano já vencia por 1 a 0.

O fato de não ter prestado atenção não queria dizer que eu não desejasse ardentemente a derrota vermelha. Afinal, bastava um empate para o Inter se classificar para a Libertadores de 2004. Um pontinho apenas, e eles fariam o que não conseguiam desde 1993. Seria um péssimo final para o ano do centenário gremista.

Eu também havia sido convidado para ir a uma pizzaria, comemorar o aniversário de uma amiga. A princípio eu não iria. Porém, quando recebi uma mensagem da minha mãe, me informando que o São Caetano havia vencido por 5 a 0, minhas convicções políticas foram vencidas pela fome – estomacal e “flauteal”. Informei que teria de sair, peguei um ônibus e me mandei para a pizzaria. Cheguei lá, e antes mesmo de cumprimentar a aniversariante, mostrei uma mão aberta a um amigo, primo dela, que era colorado…

Ainda bem que no dia seguinte o Grêmio fez 3 a 0 no Corinthians e se livrou do rebaixamento, se não toda essa diversão da véspera teria sido em vão.

7. Fluminense 2 x 1 Inter (01/09/2004)

Sequei muito, mas não adiantou. O Fluminense venceu o Inter por 2 a 1… PERAÍ??? Não tá errado esse troço???

Não: naquela noite, secar o Inter era… Torcer pelo Inter!

O técnico do Inter era Joel Santana. Desde que fora contratado, já se dizia que não daria certo, seu estilo não combinaria com o “futebol gaúcho”.

E de fato, não deu certo. Joel assumiu o time em 6º lugar no Campeonato Brasileiro, e já estava em 18º. Alguns já diziam que ia conseguir acabar atrás do pior Grêmio de todos os tempos. Se perdesse para o Flu, “tchau tchau, Joel”. Se ganhasse, seria ótimo para nós gremistas: o técnico ganharia uma sobrevida, e depois perderia mais umas três ou quatro partidas… Mas, por perder aquela, acabou demitido.

6. Inter 0 x 4 Juventude (02/06/1999)

Algumas horas antes daquele jogo, eu comentei com uma colega do curso de espanhol que eu fazia, colorada: “o Inter não vai perder hoje, vai ser 2 a 2”. De fato, era o que eu torcia que acontecesse, não imaginava uma vitória do Juventude no Beira-Rio. O empate com gols classificaria o Ju para a final da Copa do Brasil, já que o jogo de Caxias havia acabado em 0 a 0.

Tamanho pessimismo antes do jogo fez com que eu soltasse gargalhadas ao final da partida. Principalmente ao lembrar do meu irmão, sempre confiante, que estava no estádio assistindo àquele baile… É bom demais o Inter dar vexame e o meu irmão assistir ao vivo!

5. Inter 0 x 1 Cruzeiro (13/11/2002)

Penúltima rodada do Campeonato Brasileiro. O Inter estava na zona do rebaixamento, e precisava vencer para não colocar o pé na cova. Os colorados lembravam o jogo contra o Palmeiras, em 1999. Havia uma imensa mobilização deles.

Que não deu certo. O Cruzeiro venceu por 1 a 0, alguns jogadores do Inter já falavam em ficar para jogar a Segundona em 2003, de tão certa que era a queda. No bom e velho portão 8, muitos protestos, e muitas lágrimas.

Em casa, meu irmão tão quieto, mas tão quieto, que chegava a assustar. Nem cheguei a flautear na hora. Decidi guardar as energias para a última rodada.

Eu tinha tanta certeza, que nem fiz força para secar no último jogo, Paysandu x Inter. Já previa uma Série B 2003 com Palmeiras, Botafogo e Inter: apenas dois subiam, assim sobraria um grande para ficar mais um ano no purgatório. Mas eu não contava com a, no mínimo, amarelada do Paysandu, diante de sua torcida em Belém do Pará.

4. Irã 2 x 1 Estados Unidos (21/06/1998)

Esse era o jogo mais aguardado da primeira fase da Copa do Mundo de 1998. Afinal, reunia dois países que estavam há quase 20 anos sem relações diplomáticas. Rivalidade extra-campo entre duas seleções sem tradição no futebol.

Não era admirador do regime teocrático do Irã. Mas também detestava os Estados Unidos e sua política imperialista. Como não eram as palavras em persa que aos poucos iam se incorporando ao dia-a-dia do Brasil, ficou óbvio para quem – ou melhor, contra quem – eu torceria.

E de fato, sequei os Estados Unidos. Bastante no jogo contra o Irã – com direito a muita vibração nos gols iranianos – mas também em toda a primeira fase da Copa do Mundo. A seleção dos EUA perdeu seus três jogos (Alemanha, Irã e Iugoslávia) e ficou em último lugar na Copa.

3. Palmeiras 1 x 2 Cruzeiro (19/06/1996)

Quando um clube brasileiro disputa a decisão da Libertadores contra um estrangeiro, o doutor em Física Galvão Bueno sempre diz: “fulano é o Brasil na Libertadores!”.

Naquela noite, o Cruzeiro, hoje “Brasil na Libertadores”, era “o Grêmio na final da Copa do Brasil”. Tudo porque na semifinal entre Grêmio e Palmeiras, o bandeirinha anulara um gol legítimo de Jardel. Fiquei com ainda mais raiva do Palmeiras – que eu considerava, à época, o verdadeiro rival do Grêmio, já que o Inter não ganhava nem torneio de cuspe.

E de fato, o Cruzeiro “foi Grêmio” naquela noite. Após a vitória de virada dos mineiros, um de seus jogadores falou que a Raposa havia “vingado o Grêmio”.

No dia seguinte, cheguei cedo à aula. Pouco depois, chegou meu colega palmeirense Giuseppe (que no dia anterior já se dizia campeão), com aquela típica cara de “tive uma noite terrível”. Chovia e fazia frio naquela manhã, tempo perfeito para se pegar uma gripe, então recomendei ao Giuseppe que tomasse um Energil-C: o nome do comprimido de vitamina C estampava a camisa do Cruzeiro campeão.

2. Inter 2 x 2 São Paulo (16/08/2006)

Às vésperas desse jogo, ouvi alguns gremistas falarem em um tal de “ser gaúcho”. O que justificaria… Torcer pelo Inter!

Claro que não engoli tamanha sandice. Afinal, se o São Paulo ganhasse a Libertadores pela 4ª vez, teria todo aquele destaque na televisão, etc., etc., mas a solução para isso era muito simples: desligar a TV. E os são-paulinos, salvo um ou outro perdido por aqui, estão em São Paulo. Já os colorados estão aqui, muitas vezes dividindo o mesmo teto – meu caso. Aguentá-los, não é para qualquer um.

A tarefa do São Paulo era complicada, mas não impossível. Precisava vencer por dois gols de diferença para ser campeão – se vencesse por 1 a 0 nos 90 minutos, haveria mais 30 de prorrogação. Havia esperança.

Que parecia se ir quando o Inter fez 1 a 0. Mas renasceu no início do segundo tempo, com o empate são-paulino. O Inter ainda faria 2 a 1, mas o São Paulo ainda buscou o 2 a 2, faltando poucos minutos – apavorando os colorados e enchendo de esperança os gremistas de verdade. Eu já vislumbrava o Clemer levando o frango da vida dele, e um Beira-Rio inundado de lágrimas.

Mas, o frango não aconteceu, e deu Inter, campeão da Libertadores pela primeira vez. Para escapar da flauta, tive uma boa ideia: cumprimentar os rivais, que ficaram bastante surpresos com minha atitude. Bastante compreensível, afinal, nem tudo estava perdido. Ainda.

1. Ih, cadê a 1???

Esta fica para um post a parte. Primeiro, porque este já está muito grande. Segundo, porque, de fato, merece um post a parte, só para ela.

Cão no Olímpico em 2008

Ano passado, publiquei as “estatísticas” de minhas idas ao Estádio Olímpico Monumental para ver o Grêmio jogar. Aquela vez, eu já havia ido a 147 jogos, com 84 vitórias, 36 empates e 27 derrotas. Haviam sido marcados 401 gols: 263 do Grêmio e 138 dos adversários.

Agora, atualizo a publicação da estatística. Terminei 2007 com 16 jogos: 10 vitórias, 3 empates e 3 derrotas; 31 gols do Grêmio e 15 dos adversários.

Já em 2008, estive 17 vezes no Olímpico. Foram 13 vitórias gremistas, 3 empates e apenas uma derrota. O Tricolor fez 35 gols e sofreu apenas 10 – “melhor defesa anual” que já assisti no estádio, média de 0,59 por partida.

Fui aos seguintes jogos no ano que se acaba:

  1. Grêmio 2 x 0 Novo Hamburgo (Gauchão, 9 de fevereiro);
  2. Grêmio 6 x 0 Jaciara (Copa do Brasil, 27 de fevereiro);
  3. Grêmio 4 x 0 Ulbra (Gauchão, 1º de março);
  4. Grêmio 2 x 3 Juventude (Gauchão, 6 de abril);
  5. Grêmio 3 x 0 Atlético-PR (Brasileirão, 22 de junho);
  6. Grêmio 1 x 1 Inter (Brasileirão, 29 de junho);
  7. Grêmio 2 x 1 Portuguesa (Brasileirão, 13 de julho);
  8. Grêmio 1 x 0 Cruzeiro (Brasileirão, 19 de julho);
  9. Grêmio 1 x 1 Palmeiras (Brasileirão, 27 de julho);
  10. Grêmio 2 x 0 Vitória (Brasileirão, 3 de agosto);
  11. Grêmio 1 x 0 São Paulo (Brasileirão, 17 de agosto);
  12. Grêmio 2 x 1 Vasco (Brasileirão, 31 de agosto);
  13. Grêmio 2 x 1 Botafogo (Brasileirão, 4 de outubro);
  14. Grêmio 1 x 0 Sport (Brasileirão, 23 de outubro);
  15. Grêmio 1 x 1 Figueirense (Brasileirão, 2 de novembro);
  16. Grêmio 2 x 1 Coritiba (Brasileirão, 16 de novembro);
  17. Grêmio 2 x 0 Atlético-MG (Brasileirão, 7 de dezembro).

Não fui aos dois primeiros jogos do ano no Olímpico (pelo Gauchão, dias 19 e 26 de janeiro contra 15 de Novembro e Santa Cruz, respectivamente) ora por ter compromisso, ora por não estar em Porto Alegre. Mas pelo Gauchão, confesso que não costumo ser muito assíduo, dada a qualidade dos jogos.

Após a eliminação do Gauchão passei dois meses sem ir ao estádio. Não foi por revolta contra o time. No dia 9 de abril (eliminação da Copa do Brasil contra o Atlético-GO), eu tinha aula. Em 18 de maio optei por ir à Redenção (e me arrependi profundamente disso, por motivos “extra-campo”) ao invés de ver o Grêmio empatar em 0 a 0 com o Flamengo, pelo Brasileirão. No sábado seguinte, 24 de maio, não assisti à vitória de 2 a 0 sobre o Náutico para ir a um aniversário. No dia 8 de junho (Grêmio 2 x 1 Fluminense) o tempo estava muito úmido (já chovera bastante pela manhã) e eu estava com um forte resfriado.

Dali em diante, faltei a poucos jogos. Em três deles (Grêmio 1 x 0 Ipatinga, dia 6 de agosto; o Gre-Nal da Sul-Americana que acabou empatado em 2 a 2 no dia 28 de agosto; e Grêmio 2 x 0 Santos, em 8 de outubro) eu tinha aula no mesmo horário. No dia 13 de setembro (única derrota do Grêmio em casa pelo Brasileirão, 2 a 1 para o Goiás), eu tinha um aniversário para ir.

No total, já fui 167 vezes ao Olímpico. Foram 98 vitórias do Grêmio, 40 empates e 29 derrotas. Foram marcados 458 gols: 304 do Tricolor e 154 dos adversários.

26 de novembro

Há três anos, em 26 de novembro de 2005, aconteceu a Batalha dos Aflitos. O Grêmio, com apenas sete jogadores em campo, venceu o Náutico (que tinha três homens a mais, além da torcida a favor) e o árbitro Djalma Beltrami. 1 a 0, golaço de Andershow, após o goleiro Galatto defender um pênalti roubado. Vitória inacreditável, depois de parecer que tudo estava perdido*. Logo após aquela jornada memorável, meu amigo Diego, que viu o jogo em minha casa, disse: “O Grêmio hoje me deu não uma, mas duas lições de vida. Primeiro, que tudo é difícil. Segundo, que nada é impossível!”.

Três anos depois daquele dia, o Cão Uivador acaba de chegar à marca dos mil comentários. E o autor do milésimo, em um 26 de novembro, só podia ser gremista, né? Foi o Jorge Vieira (leitor assíduo do Cão desde o ano passado), em resposta aos comentários do colorado Jorge Nogueira à postagem de segunda-feira.

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* Como hoje é 26 de novembro, dia do inacreditável, não custa nada lembrar que o Fluminense ainda não está livre do rebaixamento, e pode atrapalhar a vida do São Paulo… E o Goiás não tem nada que entregar o jogo na última rodada: se o Inter entregou ano passado, azar é dele.

Reta final do Brasileirão 2008 – façam suas apostas!

Na página do Globo Esporte tem um simulador de resultados das últimas rodadas do Campeonato Brasileiro de 2008. Procurei fazer uma simulação o mais imparcial possível – digo isso porque é óbvio que tem certos resultados que, mais do que “prever”, na verdade eu torço para que aconteçam.

Sim, acredito no Grêmio. Acredito em três vitórias nos últimos três jogos (Vitória e Ipatinga fora, e Atlético-MG no Olímpico), e em pelo menos um tropeço do São Paulo – contra o Vasco, no próximo domingo em São Januário. O time carioca precisa vencer para sair da zona de rebaixamento, e ainda por cima é treinado pelo ídolo-mor gremista Renato Portaluppi, que certamente fará de tudo para ajudar o Grêmio. Acho que o São Paulo ganha do Fluminense no Morumbi, e na última rodada vence ou empata com o Goiás no Serra Dourada.

Veja agora como ficará a classificação final do Brasileirão caso eu seja vidente (tendencioso pró-Grêmio, é claro):

brasileirao2008simulacao