2014, ano sem inverno?

Verões e invernos mais frios ou mais quentes que o normal são, ironicamente, normais, visto que um ano nunca é igual ao outro. Por aqui, o último verão teve calor muito acima do normal, e espero nunca mais passar por algo semelhante na minha vida. Em compensação, ano passado o verão foi ameno, apesar do início muito quente (aquela noite de Natal em 2012 foi algo traumatizante pelo calor).

O verão ameno de 2013 não foi sucedido por um inverno ameno, muito antes pelo contrário. Além de duas fortes nevadas nas regiões mais altas (uma em julho e outra em agosto), tivemos vários dias dignos de serem chamados “de inverno”: gélidos, cinzentos e com o vento minuano “uivando”. Ruim para quem detesta frio, ótimo para quem adora (meu caso).

Já em 2014, a impressão que se tem é de que o inverno ainda não deu as caras, quando já estamos às portas de agosto. Até tivemos alguns dias frios, mas nenhum como os do ano passado. Nem falo de nevadas (o que aconteceu em 2013 foi atípico), mas sim daquele “frio de renguear cusco”. E que, segundo a previsão do tempo para os próximos dias, ainda não está por chegar.

O ano de 1816 teve um verão tão frio no Hemisfério Norte que acabou conhecido como “ano sem verão”. Em contrapartida, parece que 2014 se encaminha para ser o nosso “ano sem inverno”. Alguns ipês já estão até florescendo, quando o normal seria que isso ocorresse em setembro para anunciar a primavera.

Sim, tirada hoje, 31 de julho, na Praça Dom Sebastião (ao lado do Colégio Rosário)

Sim, tirada hoje, 31 de julho, na Praça Dom Sebastião (ao lado do Colégio Rosário)

Se você odeia frio e está adorando esse inverno “ausente”, pense: que graça vai ter a primavera se quando ela chegar todas as árvores já tiverem florescido?

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Ele voltará

A primavera é a estação das flores, e não é possível negar que tem sua beleza. O mês de setembro é marcado pelo espetáculo de ipês roxos e amarelos; em outubro é a vez dos jacarandás embelezarem a cidade com seu florescimento.

Sinceramente, a primavera podia muito bem durar seis meses, começando agora e só terminando em março. Assim, seria seguida pelo outono, que também tem sua beleza; depois viria o inverno, no qual as folhas velhas cairiam e seriam substituídas por flores em uma nova primavera. Dessa forma nos livraríamos do verão, que em Porto Alegre sabe como ser insuportável.

Mas como não tem jeito, o negócio é curtir as primeiras semanas de primavera, que ainda têm temperaturas agradáveis e também nos enchem os olhos. Em geral, o tempo é bom (leia-se “não é Forno Alegre”) até o final de outubro, algumas vezes ainda em novembro e muito raramente em dezembro. Depois, é penar* e contar os dias para o retorno do outono.

Porto Alegre, maio de 2013

Porto Alegre, maio de 2013

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* Falar em praia e férias não vale: não é qualquer um que pode se dar ao luxo de passar mais de três meses “de papo pro ar”, longe da cidade…

A rua onde eu cresci – parte 2

capa

Em julho eu havia postado aqui um texto sobre a Rua Pelotas, que fica no Bairro Floresta, aqui em Porto Alegre. Lá eu morei até pouco antes de fazer 11 anos. Naquela mesma época, prometi obter fotos da rua na primavera, quando a Pelotas torna-se um espetáculo devido ao florescimento dos jacarandás.

Promessa feita, promessa cumprida: clique aqui e veja todas as fotos. Uma pena que fui tirá-las com o meu pai à tarde, quando a rua já havia sido varrida e assim não havia um “tapete” de flores.

Mas vale a pena chamar a atenção para o estado das árvores, que precisam urgentemente de cuidados. Em conversa com moradores, percebemos a preocupação deles em relação ao risco de queda de árvores que estão ficando ocas. O que não faz com que eles sejam favoráveis à retirada delas, e sim, que sejam tratadas para que continuem a embelezar a rua por muito tempo.

Diz o meu pai que 30 anos atrás a Pelotas era ainda mais fechada, devido à presença de árvores que hoje já não mais existem – apodreceram e foram derrubadas por ventos fortes nos temporais que costumam atingir Porto Alegre. Quando eu estava para nascer, em outubro de 1981, ele passou pela rua e viu a casa 430, andar térreo, para alugar. Os jacarandás estavam floridos devido à primavera. Não teve dúvidas: pediu a chave e assinou o contrato de aluguel.